PAPO NA CONFRARIA: Sérgio da Costa Ramos
1-O que te motivou a escrever?
Escrever
era uma espécie de “herança” de família. Meu pai, Rubens de Arruda Ramos, foi
jornalista e diretor de “O Estado”, escrevia crônicas literárias e políticas
numa coluna chamada “Guilherme Tell”. Gostava de redação desde o curso primário
e comecei a escrever imitando o Nélson Rodrigues de “A Vida Como Ela É”.
2-Cite três livros (e respectivos autores) mais significativos
em tua vida.
“Crime
e Castigo”, de Dostoeivski, o primeiro romance fluvial que li, sem pular uma
página aos 13, 14 anos, Muitas vezes nem percebi sua densidade psicológica , “o
bem contra o mal”, o “livre arbítrio”, mas foi uma descoberta.
Outros
dois: o Machado de Assis de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”(mais “Don
Casmurro” e “Quincas Borba”) Antes, na infância e pré-adolescência, já tinha
lido Monteiro Lobato e Hans Staden – “O Sítio do Pica Pau Amarelo” e “Emília no
País da Gramática” e “As Aventuras de Hans Staden”, pelo próprio, o primeiro
“best-seller” do mundo novo.
3-Indique um livro (Literatura Brasileira) para leitura de:
Ensino Fundamental, Ensino Médio e Ensino Superior.
Quinta
e oitava séries: Monteiro Lobato (“Fábulas do Marquês de Rabicó”) e Laurentino
Gomes, jornalista e historiador, da série “1808”, “1822” e “1889”, - este,
a sair. É para aprender História do Brasil.
Ensino
Médio: “Encontro Marcado”, genial romance de Fernando Sabino, sobre os
conflitos da adolescência e do jovem diante da vida.
Ensino
Superior: “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, o Brasil profundo e às vezes até
hoje não percebido.
4-Como se dá o processo da escrita em tua prática cotidiana?
Escrever,
já disse o dicionarista inglês, Samuel Johnson, é sentar-se, pensar, ter uma
ideia e lhe dar uma forma. Chocar a ideia e, a partir dela, desenvolver um
enredo. Escrever é contar uma boa história. Escolher um bom assunto (o fundo) e
lhe dar uma boa roupa (a forma). Fundo e forma vão nascendo juntos.
5-Fale sobre o apoio dispensado pelos setores público e privado
à literatura.
O
livro, instrumento básico de toda literatura, ainda é muito sobretaxado no
Brasil, autêntico hospício tributário. Se os governos não fossem tão esganados,
os livros não teriam sobre eles a incidência de qualquer imposto. Verdade que
os livros, em si, estão livres deles, mas os seus insumos, não. Papel,
celulose, além dos impostos pagos pelas livrarias.
Se
não atrapalhassem, os governos já dariam uma boa ajuda...
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6-Fale sobre o papel das Academias de Letras em relação à
Língua e à Literatura.
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As
Academias têm hoje diante de si um desafio: trazer o jovem para dentro dos seus
auditórios e motivá-los à leitura. Principalmente o jovem universitário. Elas
devem atuar como um chamariz para a leitura. Por exemplo, passando filmes
clássicos que deram vida à literatura. Recentemente, passou aqui “O Grande
Gatsby” (Scott Fitzgerald) e “O Amor nos Tempos do Cólera” (Garcia Márquez).
Passar o filme e depois debater as obras nas quais se basearam seria um bom
começo.

(*) Ocupante da Cadeira 19 da
Academia Catarinense de Letras.
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TROFÉU OSVALDO DESCHAMPS DE LITERATURA
E ARTE
O Troféu
Osvaldo Deschamps de Literatura e Arte é uma das atividades culturais da
Associação de Escritores dos Municípios da Grande Florianópolis (AESGF). Tem
por objetivo principal valorizar todos aqueles que, de certa forma, contribuem
com a cultura da nossa região.
Os premiados
com o troféu são escritores e artistas indicados por outros escritores e
artistas que carinhosamente são chamados de “padrinhos”.
O trabalho
da AESGF já completa cinco anos e começou em Governador Celso Ramos, tendo como
primeiro presidente o Senhor Miguel João Simão. Em 2012, assumiu a presidência
o escritor Célio Gilberto Silva (o Tulipa Negra). E neste ano, esta função foi
dada a Senhora Luciane Mari Deschamps, que tem como vice-presidente a Senhora
Marli da Cruz. Ambas estão à frente dos trabalhos, junto com os demais membros
da diretoria: José Honório Marques, Andreia Anjos Lima, Edna de Almeida Bastos,
Janine Lúcia Alves e Osmar Firmino Cardoso Filho.
QUEM
FOI OSVALDO DESCHAMPS?
Osvaldo
Deschamps nasceu em São Pedro de Alcântara, Santa Catarina, em 28 de setembro
de 1936, era o oitavo filho (de quatorze) do casal Nicolau Antônio Deschamps e
Maria Hoffmann. Faleceu no dia 22 de dezembro de 2009.
Passou sua
infância, adolescência e juventude em São Pedro de Alcântara, numa casa
modesta, com mais treze irmãos, num pequeno sítio localizado acima do Salto -
lugar assim denominado por estar localizado junto a uma queda d’água do Rio
Imaruí.
Com 22 anos
de idade, decidiu ser caminhoneiro, viajando por 20 anos na condição de
empregado.
Em 1960,
casou-se com a jovem professora Nilza Kretzer, indo morar em Rancho de Tábuas,
Município de Angelina, próximo à escola onde ela lecionava, de 1955 a 1964,
quando se mudou para Santa Filomena, em São Pedro de Alcântara, residindo lá
até 1976.
Em 26 de fevereiro de
1976, Osvaldo mudou-se de Santa Filomena para Florianópolis, a fim de dar aos
seus filhos a oportunidade de ingressar em escolas melhores e em universidades.
Nesta mesma época,
Osvaldo trocou definitivamente o volante do caminhão pela construção civil.
Construiu e comercializou 38 casas antes de iniciar sua Empresa RDO Construções
Ltda.
Osvaldo Deschamps
escreveu três livros e foi patrono da Academia Alcatense de Letras (ACALLE).
Seu primeiro livro
foi Estrada da Vida: História de um Ramo da Família
Deschamps, com 2000 exemplares.
O segundo: São Pedro de Alcântara: Memórias da Nossa e Nossa terra
gente. Também com 2000 exemplares.
Seu terceiro livro, Resgatando Histórias de São Pedro de
Alcântara, não chegou a ver editado, pois faleceu antes deste ficar pronto.
O livro foi lançado pela família no dia 03 de março de 2010.
Osvaldo Deschamps foi
sempre apaixonado pela a terra de São Pedro de Alcântara e pelas histórias que
nela aconteceram. É a este historiador, escritor e exemplo de pessoa que
homenageamos e, com seu nome, estender nossa homenagem a todos que dedicam seu
tempo para escrever e registrar a vida. Prestigiamos, também, nossos artistas
que fazem do seu trabalho o prazer daqueles que veem suas obras.
O Troféu Osvaldo Deschamps de Literatura e
Arte é uma homenagem da AESGF a todos que dedicam seu tempo em escrever e
retratar a vida, seja através das palavras em versos ou em prosa, das imagens
pinceladas nos quadros, das esculturas moldadas na argila ou das cenas dramatizadas
nos palcos.
RELAÇÃO DOS ESCRITORES E ARTISTAS QUE SERÃO HOMENAGEADOS
EM 14 DE SETEMBRO DE 2013:
01. CÉLIO GILBERTO SILVA – ESCRITOR
poeta. – SÃO JOSÉ.
02. ANTONIETA MERCÊS DA SILVA – ESCRITORA -
GOVERNADOR CELSO RAMOS /SC ,
03. JOSÉ CIPRIANO DA SILVA – FLORIANÓPOLIS
- ESCRITOR E ARTISTA PLÁSTICO
04. NEUSA LOPES - ESCRITORA E RADIALISTA.- ITAPOÁ
05. NEREU DO VALE PEREIRA – ESCRITOR-
FLORIANÓPOLIS
06. WILLIAM WOLLINGER BRENUVIDA - ESCRITOR -
GOVERNADOR CELSO RAMOS
07. VALDIR MENDES- ESCRITOR-FLORIANÓPOLIS
08. BILLY REZK - CANTOR - FLORIANÓPOLIS
09. EUNICE BATISTA MARTINS – ARTESÃ.
PALHOÇA,
10. CLEYTOM JOSÉ PEREIRA- ESCRITOR-
URUSSANGA
11. INEZ MARIA
MARCONDES DA SILVA – ESCRITORA -FLORIANOPOLIS
12. DJONATHA GEREMIAS-
JORNALISTA – CRICIÚMA.
13. MARIA DA GRAÇA FORNARI - ARTISTA
PLÁSTICA – FLORIANÓPOLIS
14. ROSANE MACHADO DE ANDRADE, COLUNISTA -
CRICIUMA.
15. JULIA SOUSA - FISCAL DA CULTURA. ESCRITORA –
SÃO JOSÉ
16. MARIA APARECIDA PAMATO SANTANNA – HISTORIADORA,
ESCRITORA - IMBITUBA.
17. TEREZINHA ANDRADE VIECELLI - ESCRITORA -
BRUSQUE.
18. ROSANGELA CASSIA LESZKIEWICZ GORAS -
SECRETARIA DA FEIRA DO LIVRO - FLORIANOPOLIS.
19. CATARINA MEINCHEIN SILVA - COLABORADORA
DA ASSOCIAÇÃO DOS ESCRIOTRES DA GRANDE FLORIANÓPOLIS - SÃO JOSÉ.
20. PINHEIRO NETO. ESCRITOR – FLORIANOPOLIS.
21. VANDO DE OLIVEIRA – MAESTRO E
ESCULTOR - SÃO JOAQUIM.
22. RODRIGO NUNES DA SILVA – FOTOGRAFO -
SÃO JOAQUIM
23. CASSIANO EDUARDO PINTO –ESCRITOR-
LAGES.
24. LUCIANE SILVA - DANÇA CIGANA - FLORIANOPOLIS.
25. ARTÊMIO ZANON – ESCRITOR - SÃO JOSE
26. MARIA TEREZA DA SILVEIRA - POETISA -
ESTUDANTE RESPONSÁVEL PELO EIXO LITERÁRIO DENTRO DE UM PROJETO DE EXTENSÃO NO
IFSC, O projeto atende como CAI- Circuito de Artes Integradas Florianópolis.
27. JOÃO PAULO DE SOUZA MEDEIROS – CANTOR E
RADIALISTA MIRIM- JAGUARUNA SC
28. ADRIANA GARDA DE SOUZA - ESCRITORA -
FLORIANOPOLIS.
29. PEDRO ARTUR ALVES PEREIRA – ESCRITOR - SÃO
JOSÉ.
30. GREIDE DE CORDES PIRES – ESCRITORA -
IÇARA S/C
CONTATOS:
·
Presidente:
Luciane Mari Deschamps (lucianemdeschamps@hotmail.com)
· Presidente de Honra: João Miguel Simão
(academiagcr@gmail.com)
· Vice-presidente: Marli da Cruz
(marli17escritora@hotmail.com)
· Secretária: Andreia Anjos de Lima
· Tesoureira: Edna de Almeida Bastos
· Vice-tesoureiro: José Honório Marques
(zehmarques@hotmail.com)
· Conselho Fiscal: Janine Lúcia Alves
(janinelalves@hotmail.com), Osmar Firmino Cardoso Filho (osmarcardoso.escritor@gmail.com)
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CATARINA CRIATIVA E SEUS PRIVILEGIADOS (*)
O lançamento do programa Catarina Criativa no
Sapiens parque começou mal. Aparentemente coberto de boas intenções com
oficinas, pitching, novas tecnologias, games, audiovisual, reunindo
instituições como: CODESC, Sapiens Parque, Cinemateca Catarinense, Instituto
Sapeientia, Santacine, Acate e Ancine, todos amealhados pela Secretaria de
Turismo, Cultura e Esporte do Governo do Estado de Santa Catarina. Tudo politicamente
correto. Ou melhor, quase tudo. Vou retroagir no tempo para fazer me entender
melhor. Em 1983 o cineasta catarinense Marcos Farias, tentou iniciar um polo de
cinema em Santa Catarina produzindo um filme com quatro histórias de escritores
catarinenses*. Depois de inúmeras tratativas com o Governo de Santa Catarina o
projeto foi rejeitado, pois o governo catarinense preferiu investir numa
produção do Rio de Janeiro. Garota Dourada foi filmado em Garopaba com a
promessa de divulgar Santa Catarina para o Brasil. Há poucos anos atrás, outro
Governador atrasou os editais de fomento ao cinema para investir
significativamente em duas produções que iriam divulgar Santa Catarina para o
mundo: “Segurança Nacional” e “The Heartbreaker”, ambos de Roberto Carminati.
Paralelamente, desde 2001, militantes realizadores do Cinema em Santa Catarina,
juntamente com o Governo do Estado, têm promovido o maior e melhor sistema de
fomento ao audiovisual no Estado. Ainda é pouco, mas é a melhor forma
encontrada de aquecer a economia do audiovisual, sem deixar de respeitar e
considerar o trabalho dessas gerações de artistas e profissionais. Catarina
Criativa comete o absurdo de escolher, sem nenhum critério, o filme “Pequeno
Segredo” de David Schurmann, como carro chefe do Programa. A família também
está realizando o documentário de longa-metragem sobre o submarino alemão
afundado em nossos mares na Segunda Grande Guerra. O próprio release da
Secretaria ressalta: “O longa-metragem “Pequeno Segredo”, de David Schurmann, vai
movimentar o cenário do audiovisual catarinense e mostrar as belezas naturais
de Florianópolis e região para o mundo”. Não seria melhor fazer uma
publicidade? É claro que os produtores e co-produtores estão defendendo os seus
projetos, mas o governo, representado por Beto Martins, defender acintosamente
a escolha sem critérios dessa produção, dizendo que teve o trabalho de ler o
livro homônimo, no qual o filme se baseia, é extremamente preocupante. É certo
que ele desconhece nossas produções. Pois com sua decisão, passou por cima de
todos os filmes e de todos os realizadores que lutaram para implantar um
sistema de Editas, exemplo para o país, que fomenta a produção catarinense,
desde 2001, de forma democrática e transparente. Como o próprio Beto Martins,
humildemente admitiu no início do seu discurso, ele é da área de gestão pública
e em matéria de cultura está aprendendo. Entrou na escola errada meu caro. Mas,
ética vem de berço. Por isso, creio que alguns entraram de gaiato nessa
tramoia. Conheço o Manoel Rangel dos tempos da ABD e por sua atuação a frente
da ANCINE, tenho certeza que ele não tinha conhecimento desses trâmites
obscuros. Mas há tempo de remediar, acho que existem nesses processos pessoas e
entidades capazes de ver a roubada que estão entrando e consertar o programa
desde já.
(*) ZECA
NUNES PIRES, é cinéfilo e cineasta. Com graduação em Jornalismo
(UFSC) e em Administração (ESAG/UDESC), Mestrado em História (UFSC), Zeca tem
vários curtas e documentários premiados e dois longas-metragens: Procuradas
(2004) , co-dirigido por José Frazão e A Antropóloga (2010). É um dos criadores
da Cinema Catarinense, FUNCINE, Curso de Cinema da UNISUL.
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ESPERA (*)
Espera.
Esfera.
Janela de
vidro
e o meu
rosto
é posto
tímido.
No quadrado
há falta,
saudade
dela.
Um bocado
espera
cela.
Caem
lágrimas
como chuva
que
escorre!.
(Paulo
Henrique Frias, Poemas à flor da pele, vol. 5, Ed. Somar, 2012)
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LÉLIA NA ACADEMIA DE
LETRAS
No dia 26
último a Academia Catarinense de Letras elegeu mais uma mulher para seu Quadro.
Trata-se da escritora, pesquisadora e historiadora Lélia Pereira da Silva Nunes
que ocupará a cadeira 26 vaga em 2012 com a morte da poeta Sylvia Amélia
Carneiro da Cunha.
Em entrevista
concedida ao jornalista Regis Mallmann, do Notícias do Dia, Lélia compromete-se em, a partir de agora,
“aproveitar ao máximo o convívio com escritores os quais considera mestres da
literatura da atualidade e mostrar minha capacidade de trabalho e disposição”.
A Academia Catarinense de Letras foi a
primeira do gênero no país a abrir as portas para as escritoras, em 1927,
quando ingressaras Delminda Silveira e a minha querida e saudosa amiga Maura de
Senna Pereira.
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CONFRARIA DO POEMA-pn
O
som do tempo
fere
meus olhos
cega
meus ouvidos
ensurdece
minha voz.
No
compasso das horas
caminham
descompassados
os
braços, os olhos, as mãos.
Buscas
descontroladas
encontram
infindáveis
verdades
estanques.
(Ensaio A, Pinheiro Neto,
Chrischelle/Poemas Reunidos, 2010)