PAPO NA CONFRARIA: GILBERTO GERLACH
1-O que te motivou a escrever?
Comecei a me estender mais na escrita com assunto relacionado a
Cinema. Já na minha infância dava minhas impressões sobre um filme assistido.
Isto se prolongou pela adolescência até que, entre meus 40 e 60 anos o fazia
semanalmente, através do Jornal O ESTADO.
A partir de 1979, pelo lançamento de VIAJANTES ESTRANGEIROS NA
ILHA DE SC (Ed. Assembleia Legislativa SC), passei tb a me dedicar sobre o tema
do passado da Ilha, os navegadores, a comunidade, etc.
Que resultaram nos livros-álbum DESTERRO e SÃO JOSÉ DA TERRA
FIRME. Estando no momento debruçado sobre a história da COLONIA ALEMÃ BLUMENAU
(em livro-álbum de 800 pgs) e FLORIANÓPOLIS (idem, 732 pgs, os 30 primeiros
anos da Cidade).
2-Cite três livros (e respectivos autores) mais significativos
em tua vida.
Creio terem sido estes três livros que mais me marcaram nos meus
18 anos: "O Vermelho e o Negro" (Stendhal); "Bodas em
Tipasa" (Camus); "Minha Vida e outras lembranças" (Unamuno).
3-Indique um livro (Literatura Brasileira) para leitura de:
Ensino Fundamental, Ensino Médio e Ensino Superior.
a) "A Superfície" (Ricardo Hoffmann)
b) "Nur" (Salim Miguel)
c) " Mistério de Santa Catarina" (Rodrigo de Haro)
4-Como se dá o processo da escrita em tua prática cotidiana?
Dedico-me a montar minhas impressões textuais ou visuais
(fotografias, pinturas, etc) quando estou bastante descansado e pelas
madrugadas quando não há a possibilidade de soar o telefone.
É um processo lento pois exige uma maturação, tanto com relação
à escrita qto à escolha e montagem das imagens.
5-Fale sobre o apoio dispensado pelos setores público e privado
à literatura.
Infelizmente o poder público esta cada vez mais cego com relação
`a literatura praticada pelos catarinenses. Basta ver que a Lei Grando não está
sendo aplicada. Creio que falta neste setor uma equipe de conhecedores do
assunto e não políticos nomeados pela força de partidos.
6- Fale sobre o papel
das Academias de Letras em relação à Língua e à Literatura.
As Academias são tentáculos que deveriam ter mais apoio para que
pudessem fazer bem o papel de selecionar o que deva ser divulgado, insuflando
nas Escolas, nos três níveis, o gosto pela língua falada, pela escrita
produzida.
(*)
Ocupante da Cadeira 17 da Academia Catarinense de Letras.
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ESTUPRO
O outro lado da face
Era o que restara,
Por isso agarrou a sorte
Das mãos livres
Num lampejo de bicho mulher,
Que sem honra revida
E mata a violência
Para livrar a cara!
A plástica refaz a máscara
O direito absolve o ato,
Mas de fato, quem curará
A alma?
(Ana Luiza, Poemas à Flor da Pele vol. 7, p.
62, 2013)
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AMO ATÉ OS
PASSARINHOS
Olhando este lindo mar, só posso relembrar da
época em que minha mãe admirava estas ondas, vivas e com um branco azulado
transformando nossas manhãs praianas num dos momentos mais felizes que vivi,
quando Filipe e Bruno exigiam de mim o banho de mar todos os dias. Isto
acontecia nos meses de dezembro até fevereiro, quando ainda estávamos de
férias, eu era professora do Colégio Cristo Rei e Quintino Rizzieri e eles
estudavam no CCR. Que época feliz! São momentos inesquecíveis e já se passaram
18 anos. Imagino que em algum lugar do mundo, alguém está relembrando do
passado: dos seus pequenos, de sua mãe, de sua avó. De uma cidade, das roupas
que usavam, da comida que sua mãe fazia nas manhãs de domingo: bolo de fubá,
sopa deliciosa, caju, pudim , rosca de polvilho e outras guloseimas. Que
saudades! Ou alguém está procurando numa gaveta uma antiga roupa para matar a
saudade de alguém. Em outro lugar, em busca das antigas fotografias ou das mais
antigas cartas, as mais queridas. Se alguém procurar uma crônica desta
escritora, de oito anos atrás, encontrará... Passará seus olhos por curiosidade
no que escrevi, hesitará um instante em rasgar, e depois devolverá ao lugar de
onde veio... Ele ou ela poderão pensar: “Onde andará esta escritora? Nem me
lembrava mais dela. Será que ainda escreve assim ou está escrevendo seu próximo
livro? Outros ainda me acompanham semanalmente, e estão recortando todas as
crônicas para preservarem a história. Obrigada, se não rasgaram, porque eu
sinto uma dor quando alguém joga no lixo, imaginem se rasgar, vai doer mais meu
coração. Guarde em algum cantinho, porque escrevi num instante de ternura.
Nesta manhã os passarinhos acordaram alvoroçados, a família estava defendendo
suas crias, imagino que a maternidade pássara se destacava na estradinha em
direção as águas marinhas, porque havia nascido seus filhotes. Através de voos
rasantes e agitados sobrevoavam as pessoas que por ali passavam. Dois senhores
foram beliscados pelos donos do espaço, e uma senhora gordinha ganhou uma
bicada no bumbum. Da minha sacada eu observava e ainda me lembrava da escritora
Cecília Meireles “Moro no último andar, aqui tudo é mais bonito ao ver o mar”.
Os passarinhos ficaram horas cuidando da rua branca e calorosa neste início de
inverno, 28 de maio de 2013. De repente uma menina e sua mãe atravessavam o
espaço dos pássaros. Talvez o poeta Pinheiro Neto se estivesse observando a
cena escreveria outros poemas, e lembrei-me deste, que ilustra um momento lindo
que vivi deliciando-me da comunicação
dos passarinhos: “Quero uma manhã inteirinha, clara, limpinha, com sol,
orvalho, beleza. Quero uma manhã manhãzinha, com criança, menininha, cachos
dourados, róseas faces, sorriso doce,
palavra paz. Quero uma manhã todinha, mas que comece mais tarde, às nove, quem
sabe, ás dez...”(Pinheiro Neto). E eu?
Quero viver feliz até ficar velhinha, e meus cabelos dourados se tornarão
prateados, meu sorriso permanecerá escondido através da minha felicidade ao
escrever, e olhando para estas águas cristalinas. Aqui a felicidade me
acompanha dia e noite, e a escritora que sou ama até os passarinhos...
(Maria de Fátima Pavei, 2013)
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CARTA A EMMA THOMAS
(OU AOS)
Ainda sofro as sequelas
das paixões que virão,
dos camaradas futuros
e de todo aquele "spleen" matutino
do orvalho sobre a relva, em que aguardei
de suor forçado,
e de lágrima tardia
e escaldante.
Permeia a carta
no qual o destinatário é a mulher,
fraca e ideal
e que procuro noites a fio,
em que bebo do cinzeiro
e esparramo as cinzas no copo de Gin-Tônica sílaba de desespero:
"Não!"
Mas talvez falte-me mais tônicas
ou mais um etil silábico,
para compor a palavra-mor
chave de todos os apêndices,
que se partilha,
e se justapõe,
envolto pelas Hematomas do sentido.
(Pedro Vieira Homem)
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EDITAL FCBADESC: ÚLTIMAS SEMANAS
O prazo de
inscrições para o Edital de Exposições do Espaço Fernando Beck da Fundação
Cultural Badesc termina em 27 de janeiro. Artistas e curadores podem enviar
seus projetos pelos correios ou entregar diretamente na Fundação, de segunda a
sexta, das 12h às 19h. O folder impresso com o regulamento do concurso também
pode ser retirado na Fundação e a versão online está disponível em www.fundacaoculturalbadesc.com. Nesta edição foi
ampliado o número de selecionados de quatro para sete, com a criação da
modalidade curador. Serão contemplados seis projetos de artistas com prêmio
total de R$ 7,2 mil e um para o projeto de curador no valor de R$ 2,4 mil.
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HELENA
FRETTA ABRE EXPOSIÇÃO DE GRAFITE
Depois de uma semana grafitando as paredes externas da Helena Fretta Galeria de
Arte na rua Presidente Coutinho, em Florianópolis, os artistas Alma Set3, Bug,
Dogz, GBA, Tim Tchais, Toy e Wagz, e a fotógrafa Vânia Martins apresentam no
interior da casa seus trabalhos no suporte da tela e do papel. A
exposição Floripa no Graffiti abre na terça-feira, dia 21, às
19 horas, com imagens de personagens e caligrafias.
Segundo a marchande Helena Fretta, a proposta de fazer uma exposição com a arte
de rua vem sendo planejada há cinco anos, “mas agora surgiu o momento adequado,
com uma proposta de reunir sete grafiteiros pelo trabalho reconhecido que eles
vêm desenvolvendo na cena artística de Florianópolis”.
A curadoria
é da artista plástica e fotógrafa Vânia Martins, que vai expor também
fotografias de grafites na Helena Fretta. Serão exibidas fotos na galeria,
apresentando, retratando os trabalhos dos grafiteiros Alma Set3, Bug e GBA.
Todas as obras estarão à venda.
A
intenção de Helena, ao convidar artistas para grafitar a fachada da galeria e
ao promover a exposição, é estimular o mercado do grafite em Santa Catarina. Na
opinião da marchande, esta é uma forma de ampliar as possibilidades do idioma
do grafite brasileiro, com suas cores e humor que têm sido reconhecido no
Brasil e no exterior.
O quê:
exposição Floripa no Graffiti. Quando:
abertura dia 21 de janeiro, às 19 horas. Visitação até 22 de fevereiro, de
segunda a sexta, das 9h às 18h30 e aos sábados, das 9h às 13h. Onde: Helena Fretta Galeria de Arte.
Rua Presidente Coutinho, 532, Centro, Florianópolis. Quanto: gratuito.
CONTATO
Helena Fretta
(48) 3028-2345, 3223-0913, 9961-9007
(48) 3028-2345, 3223-0913, 9961-9007
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CONFRARIA DO POEMA-pn
Entre tuas coxas
percebo a flacidez
do meu desejo.
Entumecidos pensamentos
resgatam antigos momentos
buscam a posse outra vez.
Sou só
impotente de palavras
pleno de vontades.
(Cena
V1, Pinheiro Neto, 2013)