PAPO NA CONFRARIA: URDA ALICE KLUEGER
1-O que te motivou a escrever?
O que me motivou a escrever foi a alfabetização. Antes dela, eu
só imaginava as histórias, e já então com as características do romance - eram
histórias que continuavam, a cada dia com novo episódio - e recordo delas como
minhas primeiras lembranças, praticamente, no tempo em que tinha 3 anos.
2-Cite três livros (e respectivos autores) mais significativos
em tua vida.
Livros que fizeram grande diferença na minha vida - acima de
todos, os romances de Franz Kafka, mas em seguida:
1 - Os frutos da terra, de Knut Hamsum, autor norueguês que
surgiu na minha mão quase por acaso, aos 15 anos, emprestado na praia (nesse
tempo não havia televisão e a gente levava livros para a temporada de verão)
por um moço chamado Alexandre Racelli. Ele acabou me dando o livro, e o tenho
até hoje.
2 - O tempo e o vento, de Érico Veríssimo, descoberto por acaso
nas prateleiras da Biblioteca Pública Dr. Fritz Mueller, em Blumenau, em algum
momento depois dos meus 12 anos.
3 - Os pastores da noite, de Jorge Amado, supimpa descrição do
mundo e submundo da cidade de Salvador, coisa para a gente nunca mais
esquecer, principalmente para quem, como eu, adora aquela cidade!
E tantos, tantos outros - céus, o universo da leitura é a coisa
mais fantástica do mundo - como resumi-lo a 3 livros principais?
3-Indique um livro (Literatura Brasileira) para leitura de:
Ensino Fundamental, Ensino Médio e Ensino Superior.
a - de sexto ao nono ano:
Que me perdoem a falta de modéstia, mas o pessoal gosta um
bocado de dois romances meus, chamados "Verde Vale" e "No tempo
das tangerinas". Mas há muuuuitos outros - eu citaria, também, "Vidas
Secas", do Graciliano Ramos, "Meu pé de laranja lima", de José
Mauro de Vasconcelos, etc., etc. Por favor, nunca deem livros chatos para
adolescentes!
b - para alunos do Ensino Médio: He he, de novo sem
modéstia, "Viagem ao Umbigo do Mundo", que eles gostam muito.
Diversos de Jorge |Amado. "O tempo e o vento", de Érico
Veríssimo. Céus, e quantos outros, quantos outros!
c - Para o pessoal do Ensino Superior - de novo vou deixar a
modéstia de lado e citar dois romances meus: "Cruzeiros do Sul" e
"Sambaqui".E os clássicos, todos eles, a começar por Machado de Assis
e Dostoiewsky - e se há alguém achando que é muita leitura, eu li tais autores
aos 14/15 anos. Portanto, aos livros!
4-Como se dá o processo da escrita em tua prática cotidiana?
Eu diria que sou escritora em tempo integral. Assim como sou
historiadora em tempo integral. Estou constantemente atenta ao que se passa, ao
que vivo, para ver, para "sentir" o que irei escrever - e os textos
se formam no cérebro, e em qualquer momento, depois, posso sentar
e passá-los para o papel. Não sei não ser escritora. Tudo pode virar
material para algum texto.
5-Fale sobre o apoio dispensado pelos setores público e privado
à literatura.
Uma vez concorri a um edital e ganhei 5.000,00 reais da
Prefeitura Municipal de Blumenau para ajudar a publicar um
livro, que foi o Sambaqui. Tal valor não cobria, nem de perto, sequer os
gastos com a pesquisa feita, mas ajudou a pagar parte da publicação do livro.
Foi só. E ainda me incomodei um monte: tinha que prestar contas sobre o que
fizera com o dinheiro, e o fiz direitinho - e minhas contas nunca foram
aceitas. Sempre se pedia de novo um documento que eu já tinha entregue, e eu
levava fotocópia do dito cujo já recebido pela entidade de prestação de
contas, e depois era pedido de novo e eu repetia o processo, um abuso! Acabei
entendendo que tal acontecia para que eu não voltasse a procurar o poder
público, e não procurei mais. Vive-se com mais tranquilidade sem ele, ufa!
6- Fale sobre o papel
das Academias de Letras em relação à Língua e à Literatura.
Sem
resposta.
(*)
Ocupante da Cadeira 02 da Academia Catarinense de Letras.
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ENCONTRO
DE ESCRITORES EM JOINVILLE
No dia 09 de novembro próximo, a Associação da Confraria das Letras de
Joinville, leia-se escritor David Gonçalves, realizará naquela cidade o I
ENCONTRO CATARINENSE DE ESCRITORES.
O
programa do Evento está assim estruturado:
Às
9.45 – realização das inscrições a R$
20,00 por participante. Às 10.00, abertura oficial. Das 10.15 às 10.50 a conferência de abertura “O
[DES]LIMITE DA POESIA” proferida pelo professor e escritor GILBERTO MENDONÇA
TELES.
Às
14.00 a palestra “DESAFIO INSTITUCIONAL DA LITERATURA EM SANTA CATARINA” com Mery Garcia. Às 14.30 a palestra “RUMOS NOVOS DA LITERATURA
INFANTO JUVENIL” com Sueli de Souza Cagneti. Às 15.15 painel com vários
escritores catarinenses intitulado Panorama da Literatura Catarinense –
oportunidades e desafios.
Às
17.30 ocorrerá o lançamento da “Quarta antologia Confraria das Letras” e às
18.00 o evento será encerrado.
O
I Encontro Catarinense de Escritores será realizado na Fundação Cultural de
Joinville, no auditório Alfredo Salfer. Maiores informações:
Fones:
47.3427.5366 – 47.9119.3832 – com Sílvio Vieira
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A VIDA QUE EU QUERIA
A vida anda
e a ousadia me acompanha:
estampa minha face.
Pelas ruas, pelos bares,
já posso dispensar os pares.
Não que me baste
mas a energia se renova
e me permito prazeres
antes inimagináveis:
uma chuva de granizo,
um temporal ao acaso,
um chope na Paulista
(segunda sem lei)
sem culpas ou marasmos.
Vivendo a vida
do jeito que eu queria
meus fantasmas
partem desacreditados.
(Rosângela de Souza Goldini, Poemas à Flor da Pele vol. 5, p. 146, 2012)
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WILLY ZUMBLICK 100 ANOS
O artista plástico
catarinense Willy Alfredo Zumblick faria 100 anos, no dia 26 de setembro, se
vivo estivesse. Um dos raros eventos realizado para homenagear o centenário do
pintor tubaronense é o documentário “Zumblick na eternidade”, dirigido por Zeca
Nunes Pires e produzido pela TVUFSC. Como diz o crítico de arte e artista,
Janga Neves no documentário, "Santa Catarina costuma ser muito
ingrata com a memória de sua gente".
“Willy sonhou ser
caminhoneiro, foi ourives, artista plástico dos melhores e um grande ser
humano, sempre ao lado de sua esposa Célia. Além disso, é um dos raros artistas
que possui um Museu para abrigar suas obras. Um Museu com problemas por não
seguir normas técnicas", para Pires, é isso que o documentário tenta
abordar e transmitir, com ênfase para os quadros do artista, pelos quais o
diretor tem admiração.
Com pesquisa da
historiadora e recém eleita para a Academia Catarinense de Letras Lélia Pereira
da Silva Nunes, que escreveu dois livros sobre Willy Zumblick, Zeca contou com
a colaboração de dois estagiários do Curso de Cinema da UFSC. Anderson Brito e
Jefferson Moreira foram câmeras, editores e também capricharam na finalização
do documentário. Esse é outro ponto que o diretor gosta de enfatizar, " é
muito bom trabalhar com estagiários como eles, aprendo bastante com eles".
“Zumblick na
eternidade”, conta com uma entrevista realizada por Zeca Pires em 2002 com o
artista e sua esposa Célia. Na época Zeca fez a entrevista com o apoio da TVi -
Televisão e Cinema. Além do próprio artista e sua esposa, o documentário
é narrado por amigos (Jurema Fischer, Maria Celeste Neves, Esperidião Amin e
outros), por críticos e artistas (Janga Neves, Carlos Asp e Arlinda Volpato),
por jornalistas (Moacir Pereira, Sérgio da Costa Ramos e Guto Kuerten), além de
outros depoimentos importantes.
Para o diretor
Zeca Nunes Pires o que mais ele admira nos quadros do Zumblick é a luz. Pires
explica, "Normalmente quando discutimos com o diretor de fotografia a
estética das imagens de um filme, costumamos comparar a fotografia do filme a
ser realizado com a obra de um artista plástico, para que os dois, diretor e
fotógrafo, falem a mesma língua.
Paradoxalmente, o diretor de fotografia parte de uma tela escura e pinta o filme com luz, o artista plástico por sua vez inicia com uma tela branca e pinta o quadro com cor, chegando ao final a uma aproximação do cinema com as artes plásticas. O que mais me impressiona na obra do Zumblick é essa luz cinematográfica que ele consegue na maioria dos seus quadros".
Paradoxalmente, o diretor de fotografia parte de uma tela escura e pinta o filme com luz, o artista plástico por sua vez inicia com uma tela branca e pinta o quadro com cor, chegando ao final a uma aproximação do cinema com as artes plásticas. O que mais me impressiona na obra do Zumblick é essa luz cinematográfica que ele consegue na maioria dos seus quadros".
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LI E
RECOMENDO (5)
O REINO DOS ESQUECIDOS,
escrito por Miro Morais
e lançado este ano é o terceiro romance do autor. Conta a história de Dom
Manoel Manso, um fidalgo muito próximo ao Imperador que, por razões
misteriosas, abandona a Corte no Rio de Janeiro e se lança à aventura de criar
no Sul do Brasil um povoado onde as pessoas possam ser felizes. Para realizar o
seu sonho não lhe basta dominar a natureza hostil e fascinante e aprender a
conviver com ela. O seu projeto entra em conflito com as crenças e as regras, a
ordem e a desordem e o Poder que reina sobre tudo e todos. E isso se transforma
em mais uma ameaça para o seu plano e a sua vida.
Pequenos
e grandes heróis expõem suas paixões, seus ódios, seus amores, a traição, a
solidão, suas esperanças, tristezas e alegrias. As suas múltiplas histórias se
entrelaçam – em capítulos que se autojustificam – dentro de um enredo maior,
onde convivem os aventureiros e os acomodados; os santos e os assassinos. Às
vezes em uma só pessoa.
O
reino dos esquecidos é
uma obra destinada a incluir-se entre os grandes romances clássicos. O mundo
imaginário – maravilhoso e inacreditavelmente real -, as múltiplas histórias
articuladas com o enredo central, os personagens, tudo envolve e fascina a cada
página, a cada parágrafo, a cada frase, em que as palavras são precisas. Um
raro livro, em qualquer tempo, sem gratuidades dentro da literatura. Uma obra
ao mesmo tempo lúcida e capaz de provocar uma maior visão sobre o mundo humano
e sobre cada leitor.
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CONFRARIA DO POEMA-pn
O poema
deve ser
enxuto
metafórico
denso
reticencioso.
Se longo
- arrastado
molhado
insosso -
enjoa
enoja.
(Sobre o poema (01), Pinheiro Neto, 2013)