quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Edição 41




HOMENAGEM AO ATOR ÉDIO NUNES

A Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes  entregou no dia 29 de setembro o Troféu Isnard Azevedo ao ator Édio Nunes, em reconhecimento à contribuição dada por ele ao teatro catarinense. A homenagem encerrou a programação do 19º Floripa Teatro – Festival Isnard Azevedo 2012, juntamente com o espetáculo “R&J Shakespeare – Juventude Interrompida”, apresentado pela Sevenx Produções Artísticas (Rio de Janeiro/RJ).

A honraria ao veterano ator Édio Nunes marca também os 50 anos de carreira do integrante e fundador do Armação, um dos grupos teatrais mais antigos em atuação no País.

Do futebol para o teatro

Nascido em Florianópolis, Édio Nunes de Sousa foi, na década de 1970, um talentoso jogador de futebol, com passagens por times como  Juventus e  Palmeiras, e participação em campeonatos catarinenses e brasileiros. Mas, uma fratura no braço e uma lesão no joelho tiraram dos campos, aos 21 anos, a jovem promessa do futebol de salão de Santa Catarina. Entretanto, se o esporte catarinense perdeu um atleta, a cultura pode festejar em 2012 o cinquentenário de carreira de um de seus mais respeitados atores.
A aproximação com o universo das artes iniciou por acaso, aos 18 anos, a partir do convite de colegas do curso de direito da Universidade Federal de Santa Catarina, em 1962, mesmo ano em que entrava na faculdade. Embora desconfiado, Édio aceitou assistir a um ensaio no antigo Tusc (Teatro Universitário de Santa Catarina) e, a partir dali, não largou mais o palco.
A primeira participação teatral ocorreu com a peça “Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, no Tusc, onde interpretava um cangaceiro, com direção de Odília Carreirão Ortiga. Com a mesma diretora, encenou também “O Santo Inquérito”. Ao longo de cinco décadas, atuou em mais de 50 espetáculos e outras 40 produções audiovisuais, além de fazer diversas participações em rádio e televisão.
Com passagem pelos grupos de teatro do Sesc, Sesi, Clube 6 de Janeiro, O Dromedário Loquaz e Grupo A, Édio Nunes estabeleceu-se no Grupo Armação, coletivo teatral que ajudou a fundar em 1972 e ao qual está vinculado até hoje. Em 1982, o grupo passou a ocupar um prédio histórico, na Praça 15 de Novembro, onde estreou o espetáculo "Zumbi", de Gianfrancesco Guarnieri, Augusto Boal e Edu Lobo, com direção de Oraci Gemba, que foi espetáculo com maior público obtido pelo grupo, e “Os Órfãos de Jânio”, de Millôr Fernandes, com direção do cenógrafo e arquiteto Paulo Rocha (1988/1989 e 1990).
Entre as peças encenadas ao longo da carreira, Édio Nunes destaca ainda "Ana de Jesus - Auto das Cartas", direção e texto de Augusto Sousa, peça encenada com o Grupo Cena 11 (1995); "Sim, Eu Sei", de Fábio Brüggemann, direção de Nando Moraes e participação da atriz Berna Sant'Anna (1992); e "Contestado - A Guerra do Dragão de Fogo contra o Exército Encantado", direção e texto de Antônio Cunha – espetáculo concebido para marcar os 30 anos de criação do Grupo Armação (2003).

Grupo Armação

Criado em 1972, o Grupo Armação estreou em Joaçaba, com o espetáculo “Contestado”, do autor catarinense Romário Borelli, tendo na direção geral Augusto Sousa. O nome foi originado a partir da ideia de carpintaria teatral com um ponto turístico de Florianópolis.
Desde então, o Armação tem mantido atividades ininterruptas, somando cerca de 70 espetáculos de autores da dramaturgia internacional e nacional, dedicando atenção especial à produção teatral catarinense. O grupo circulou por diversos estados e participou de inúmeros festivais, apresentando-se tanto em espaços tradicionais quanto em palcos alternativos, instalados em escolas, ginásios, bares e até em carroceria de caminhões.
Atualmente, o grupo administra o próprio espaço, denominado Casa do Teatro, no centro histórico, transformada em um teatro de bolso, desde 1986. Entre os integrantes do grupo destacam-se Zeula Soares, Ademir Rosa, Sandra Ouriques, Chico de Nez, Antônio Cunha, Waldir Brazil, José Carlos Ramos, entre outros nomes.
O Grupo Armação, que completa 40 anos em 2012, um dos mais antigos em atuação no País, comemora o aniversário, apresentando ao público o espetáculo “Ao Vivo e Em Cores”, inspirado e adaptado a partir das crônicas do jornalista e cronista Sérgio da Costa Ramos. O espetáculo fez parte da programação do 19º Floripa Teatro – Festival Isnard Azevedo.


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ENLACE MATRIMONIAL

O amor
se fez
maior
ser dois
já não podiam

em matrimônio
se uniram
e agora
em antítese amorosa
um apenas.

(Clau Assi in Poemas à flor da pele, vol. 5, Ed. Somar, p. 50, 2012)


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CINECLUBE IEDA BECK AGORA NA FCBADESC


 O Cineclube Ieda Beck está funcionando desde setembro na sala de cinema da Fundação Cultural Badesc, de Florianópolis. Com uma programação voltada para o cinema produzido em Santa Catarina, a primeira sessão do cineclube na sua nova casa ocorreu no dia 19 com exibição de Cine Art 7, os descaminhos da memória, de Phelipe Janning, e Gerlach Cine Desterro, direção coletiva realizada durante oficina de produção do 13ª Catavídeo.

O Ieda Beck foi inaugurado em 26 de março de 2009, no Grupo de
Teatro Armação, na Rua Praça XV de Novembro, com exibição do documentário Luiz Henrique, no Balanço do Mar, uma realização da diretora e produtora que dá nome ao cineclube. Desde então, foram realizadas sessões itinerantes e no Instituto Arco-Íris.

Com foco no curta-metragem, serão privilegiadas sessões temáticas no Ieda Beck. O tema de inauguração da nova casa do cineclube é a memória e homenageia duas salas de cinema importantes para quem procura a cinematografia produzida fora do eixo norteamericano. Cine Art 7, os descaminhos da memória, documenta a última sala de cinema de rua de Florianópolis, que era administrada por Darci Costa e Alberto Ferminiano.

O segundo filme em cartaz, Gerlach Cine Desterro, aborda a história do escritor e cinéfilo Gilberto Gerlach e sua relação com o Clube de Cinema Nossa Senhora do Desterro, criado por ele em 1968, e que funcionou durante mais de 25 anos no Centro Integrado de Cultura.
          


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CONFRARIA DO POEMA-pn

O corpo nu
Sob a mesa:
Sobremesa poética.

O corpo jaz
Sobre a mesa:
Lágrimas em verso.

Meu verso nu
Sobre a cama:
Estupro poético.

(Nano poemas II, Pinheiro Neto, Poemas à flor da pele, p. 141, 2012)


quarta-feira, 12 de setembro de 2012

EDIÇÃO 40







JOEL PACHECO E SEUS ANJOS

     O arquiteto, fotógrafo e programador visual Joel Pacheco convida para sua mais nova exposição fotográfica, “Anjos dos Açores e de Florianópolis”, de 10 a 30 de setembro às 10hs, no Shopping Iguatemi – Piso L2 ­ (Corredor de acesso ao fraldário) – Bairro Santa Mônica - Florianópolis. 
Na longa caminhada da humanidade para sua evolução, a presença dos anjos foi materializada em grande parte nos cenários da arquitetura religiosa.
Esta exposição traz à luz a beleza e a inocência dos anjos captados num olhar atento para algumas imagens fotografadas em ilhas como: Corvo, Santa Maria, Graciosa e Pico; integrantes do arquipélago açoriano em Portugal e anjos da Ilha de Santa Catarina em Florianópolis.
A religiosidade nos Açores é intensa desde o início da povoação. O território é fortemente marcado pela arquitetura religiosa que exerceu desde cedo o papel de proteção da população, além do isolamento caracterizado pelas condições geográficas através do mar que o rodeia e pelas constantes catástrofes como terremotos e erupções vulcânicas.
A presença européia no litoral catarinense data do início do século XVI, quando navegadores de diversas procedências ancoravam em suas duas baías. Um pequeno povoamento começa a partir de 1530, com a fundação das primeiras vilas da costa como: Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis).
Florianópolis recebeu também forte influência religiosa portuguesa com a chegada na região, de cerca de seis mil colonizadores açorianos e meia centena de madeirenses, entre 1748 e 1756.
Ao pesquisar sobre a arquitetura nos Açores, o autor se deparou com as feições carismáticas dos anjos nos diversos edifícios religiosos, o que lhe tocou e remeteu as lembranças do seu anjo da guarda de sua infância.
A beleza dos anjos se mistura a todas as áreas místicas e esotéricas, culturais e religiosas. Os anjos são classificados popularmente como vários tipos, tais  como: Anjo da guarda, Do amor, Curador, Salvador, Guia espiritual, Da coincidência, Co piloto, Incentivador, Da felicidade e prosperidade, Mensageiro, etc..
Tal plasticidade foi o que o autor tentou capturar através das lentes da sua máquina fotográfica, quando impressionado com as diversas expressões e riquezas de detalhes produzidas por verdadeiras obras de arte que transmitiam paz, delicadeza e pureza.
 “As minhas viagens são sempre cheias de surpresas, e eu tentei capturar esses momentos preciosos com devoção e com o olhar ingênuo de uma criança”, conclui Joel Pacheco.

Sobre o autor 
     Nascido em Florianópolis, Joel Pacheco é arquiteto, fotógrafo, programador visual e pesquisador de temas como paisagem, etnografia e cultura popular, em 2004, lançou o livro “Florianópolis a 10ª Ilha dos Açores – O Encontro das Origens” (atualmente na 3ª edição).  
O livro "A Canoa baleeira dos Açores e da Ilha de Santa Catarina" foi lançado em Dezembro de 2009 em Florianópolis e em Julho/Agosto de 2010 nas Ilhas do Faial e do Pico nos Açores/Portugal. Participou também como autor e co-autor de projetos e pesquisas vinculadas ao patrimônio cultural em Florianópolis e Açores/Portugal e ainda de diversos projetos gráficos: “Transporte Coletivo em Florianópolis” (livro); “Florianópolis Memória Urbana” (livro); “Atlas do Município de Florianópolis” (livro); “Fortalezas em Santa Catarina” (obra em CD rom); “Guia Digital, Caminhos e Trilhas de Florianópolis” (livro e CD rom); “Fortes da Cidade”; “Roteiros do Ambiente”; “Circuito Cultural de Florianópolis”; “Construir Cultura” (livro). Realizou várias exposições fotográficas e publicou diversas séries de imagens em livros, revistas, cartões postais e telefônicos no Brasil, Portugal e Canadá.

Ficha técnica
     A exposição é composta por 11 fotografias coloridas com tamanho 30x45 centímetros montadas sobre molduras douradas e vidro de 50x65 centímetros, sendo 5 imagens dos Açores e 6 imagens de Florianópolis e complementada por um banner de 50x120 centímetros de apresentação, contendo informações sobre a exposição.
    
OBS. As obras serão comercializadas com moldura ao preço de R$450,00 cada unidade.

Contatos:
 (48) 9971-4143


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A FLOR QUE ROÇA A PELE

contrai nervos
explode suores
versos brotam oscilam
entre o retrato e o sonho
infindos vestidos de infinito
à janela um luar enorme
céu pontilhado de estrelas
caem prata e úmidos
sobre a derme
que vibra intensa
libertando-se em poesia.

(Soninha Porto in Poemas à flor da pele, vol. 5, Ed. Somar, 2012)


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FUNCINE FAZ 23 ANOS  E LANÇA 4 FILMES


            O Fundo Municipal de Cinema de Florianópolis (Funcine) comemora 23 anos dia 14 de setembro, sexta-feira, às 20 horas, no Teatro da Ubro, em Florianópolis, com o lançamento de quatro filmes. Além da sessão de pré-estreias, serão abertas as inscrições para o concurso de vinhetas da entidade.
            Vão ser lançados os filmes Documentário, de Rafael Schlichting, Vento Sul, de Renan Cabral Fontana, O Travesseiro de Penas, de Jefferson Bittencourt, e Eles foram por ali, de Gabriel Bueno Almeida. Será exibido também Linha do Mar, de Felipe Vernizzi, que teve pré-estreia no dia 5 de setembro. Todos foram premiados e realizados com recursos do edital Armando Carreirão, do Funcine..
            Documentário apresenta depoimentos e encenações sobre o processo estético do diretor de cinema Rogério Sganzerla, O Travesseiro de Penas é sobre Alicia e Jordan, um casamento, memórias e uma doença desconhecida, Eles foram por ali faz uma breve imersão na cultura do graffiti de Florianópolis, e Vento Sul trata da revisão irônica de uma mulher sobre sua vida como bruxa. Linha do Mar fala de um personagem que foge durante a noite para dormir na areia da praia.
            O concurso da vinheta da entidade vai premiar o vencedor com R$ 3 mil. Os concorrentes devem entregar três versões, com 30, 15 e 5 segundos de duração. O vídeo será usado como imagem institucional nos eventos patrocinados pelo Funcine. Mais informações poderão ser obtidas em no sitewww.pmf.sc.gov.br/entidades/funcine a partir do dia 14 de setembro.
            Segundo Cláudia Cárdenas, presidente do Funcine, a entidade está preparando um boxe com 20 filmes realizados no período de 2004 a 2009, premiados pelo edital Armando Carreirão. Serão três DVDs, com tiragem de mil exemplares, e distribuição para as escolas públicas municipais de Florianópolis e cineclubes e pontos de cultura de Santa Catarina.
            O edital de cinema do Funcine, que premia anualmente oito projetos de curtas com um valor total de R$ 250 mil, é a principal ação da entidade de fomento ao cinema. Entre os curtas financiados pelo prêmio, estão Qual queijo você quer, de Cíntia Domit Bittar, que foi selecionado para 28 festivais, acumula 12 Prêmios e faz atualmente uma carreira internacional, e O Gigante, de Igor Pitta, recentemente concluído e ainda inédito, com seleção confirmada para o Festival de Málaga (Espanha), Festival Lucas (Alemanha), Festival de Cine de Bogotá (Colômbia) e para quatro festivais brasileiros, entre eles o Festival de Brasília.

  

OS FILMES

“documentário”, de Rafael Favareto Schlichting (Documentário/20’/2012/Joaçaba/SC, São Paulo/SP e Rio de Janeiro/RJ)
Sinopse: Documentário de depoimentos e encenações sobre o processo estético do diretor de cinema Rogério Sganzerla. Com Albino Sganzerla, Angelo Sganzerla, Zenaide Sganzerla Filha, Zenaide Sganzerla, Gilberto Gil, Carlos Ebert, Arrigo Barnabé, Jorge Mautner, Guilherme de Almeida Prado, Péricles Cavalcanti (entrevistados) e Gabrielle Lopes, Theo Castilho, Renata Fasanella, Alexandro Marques, Guilherme Baumgart, Ezequiel Machado, Dan Rossetto, Julio Martí, Breno Cavalcanti, Ingrid Lima e Janete Lindani (atores).

“O Travesseiro de Penas”, de  Jefferson Bittencourt dos Santos (Ficção/20'/2012/Florianópolis/SC)
Sinopse: Alicia e Jordan se casam e descobrem uma felicidade que ainda não conheciam. Mas apenas três meses depois, ela desenvolve uma desconhecida doença. Neste lento processo, misturam-se as memórias de Alicia com os tormentos de Jordan por se sentir impotente frente àquela situação. E um desfecho inesperado ainda está para acontecer

“Eles foram por ali”, de Gabriel Bueno Almeida (Documentário/23’/2012/Florianópolis/SC)
Na beira da praia ou numa viela entre prédios. À luz do dia – exposto aos olhares curiosos – ou de madrugada, instigado pela contraversão e afirmando a sua ilegalidade. Este documentário procura proporcionar ao espectador uma breve imersão na cultura do graffiti de Florianópolis, a partir de conversas e “rolês” com os praticantes dessa subcultura.


“Vento Sul ”, de Renan Cabral Fontana (Ficção/16’/2012/Florianópolis/SC)
Uma velha se joga do penhasco e vê a vida passar diante de seus olhos. De um parto macabro até o conflito com a comunidade na vida adulta, ela faz uma revisão irônica de sua vida como bruxa ilhoa.


“Linha do Mar”, direção de  Felipe Vernizzi
(Ficção/20’/2012/Florianópolis) (estou aguardando nova sinopse)
André é uma criança de seis anos de idade que mora próximo ao mar. Sonâmbulo, todas as noites ele foge em direção a praia, onde se deita na areia. Julia, a mãe de André, passa  redobrar a atenção com ele e levando ela criar uma estratégia para perceber as fugas do filho. Durante o sono do filho ela amarra um barbante entre os dois, percebendo assim a sua saída e lhe dando proteção. A história da um salto de quase 30 anos, André agora vive em uma metrópole, trabalha em uma grande empresa e tem uma família. Apesar de não ser mais sonâmbulo, ele tem sonhos frequentes com o mar qual passou sua infância, e esses sonhos o perturbam como se eles apontassem um vínculo importante perdido em sua vida. André decide ir à praia de sua infância com a família. 

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CONFRARIA DO POEMA-pn

A cada dia
mais nos conhecemos
a cada instante
mais nos adentramos.

O gozo é mais pleno
os corpos são mais um
os desejos mais perfeitos
as aventuras mais ousadas.

Somos mais nós
a cada dia:
o amor e a posse
a doação e o egoísmo
o orgasmo e a morte.

(Dia a dia, Pinheiro Neto/ Poemas reunidos, p. 183, 2012)


domingo, 2 de setembro de 2012

Edição 39





A POESIA FEITA ESPUMA EM SAMPA


No dia 17 ultimo tive a oportunidade ímpar de assistir no  Teatro Madame (antigo Madame Satã), na capital paulista, a peça “São Paulo surrealista 2: A poesia feita espuma”. Foi algo imediato, sem planejamento ou combinação. Tínhamos terminado a reunião com a Coordenação da Associação Poemas à Flor da Pele no Centro Cultural lá pelas vinte horas e a Célia Abila, perguntou o que iríamos fazer em seguida, falando-nos da peça em questão. Estávamos todos sem programa específico, o que nos fez aceitar o convite na hora. Rachamos um taxi e nos dirigimos para o Teatro.

Como chegamos cedo – a peça só começaria às 21 horas – procuramos um local para comer (e beber, é claro) alguma coisa. Percorremos a redondeza e nos deparamos com alguns bares onde os clientes estavam mais preocupados em beber cachaça e criar caso do que conversar sobre teatro ou literatura. Quase desistindo, voltamos para a frente do Teatro e, ao olharmos para o outro lado da rua, nos deparamos com uma mini lancheria exatamente com quatro mesinhas, por sinal, todas ocupadas. Observamos que a clientela que lá estava tinha como objetivo assistir a mesma peça que nós. Como não havia mais mesa, o garçom improvisou uma mesinha com um latão virado de boca para cima e um isopor redondo dentro. Excelente: comemos um belíssimo sanduíche e tomamos umas 5 ou 6 cervejas e estávamos prontos para a peça.

“Os poetas estão mortos. A população foi amansada na cidade onde nada mais é permitido. Só existe uma possibilidade de reparo: a palavra poética. A cidade que pariu e sufocou o poeta Roberto Piva treme com mais um ano eleitoral, como se isso importasse. Apelamos para a nova partícula descoberta e mandamos o Piva conversar com Deus, mas ele estava bêbado e tocando banjo. Em virtude desses acontecimentos, nos manifestamos solicitando: 1- a imediata transformação do Marco Zero e dos Shopping Centers em termas de livre acesso, pela localização estrategicamente privilegiada e espaço suficiente para receber jovens em idade de curiosidade; 2- jaulas para os fiéis que praticam homofobia caridosa; 3- reflorestamento do Memorial da América Latina; 4- adoção da obra de Rimbaud nas escolas para adolescentes e feijoada na merenda; 5- caixas de som tocando Villa-Lobos na Avenida Paulista; 6- livros de poesia Beat ao lado de microfones a cada dois quarteirões, para que o cidadão possa parar e ler em voz alta durante seu trajeto; 7- atualização periódica do “Necrológio” de poetas e artistas inteligentes; 8- teatro-samba; 9- taças de vinho distribuídas gratuitamente nos escritórios e agências bancárias.

Essas, entre outras solicitações que o espectador pode sugerir, contribuindo para que a vida recupere sua vocação sensual e lírica, são nossas propostas para cada apresentação de “São Paulo Surrealista 2: A Poesia Feita Espuma”, onde homenageamos a cidade eternamente escondida pela hipocrisia e pelas leis corroedoras da felicidade.”

O espetáculo muito bem encenado por um grupo de competentes jovens atores, promove a interação constante com a platéia e se coloca enquanto um ritual, não estando, portanto, sujeito às ações proibitivas da lógica ou da moral. Mortos e vivos caminham lado a lado em cena construindo a mística da capital surrealista do Brasil.

Cabe ressaltar que a peça apresenta como curador poético e suporte teórico o escritor Cláudio Willer que, em dado momento participa dela ativamente  fazendo a leitura de um texto por ele produzido. Parabéns a todos e a cada um dos integrantes do grupo e aí vai o endereço para quem estiver interessado em fazer contato: www.teatrodoincendio.com.br

Terminado o espetáculo, encontrando uma certa dificuldade em conseguir um taxi, compartilhamos o que o titular do blog Cronópios conseguira por telefone. Fomos embora de carona a Célia Abila, ele, eu e a Olívia, uma senhorinha, amiga do Cláudio Willer há mais de 50 anos que, corajosamente, viera desacompanhada até o Bairro Bela Vista para prestigiar o espetáculo e aquele escritor. (pn/2012)

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SALMO PARA O BEM AMADO

Imprecauções não ergo e sim ditirambos
e sim aleluias
e sim hosanas
às pedras e às dores do caminho.
Onde está a harpa do rei David
onde estão as cítaras hebréias
onde está Sulamita
e onde as virgens loucas?
A todas essas cordas e bocas eu conclamo
a todas ao meu lado quero
para ajudarem a bendizer a tormenta
que me arrebatou a primavera,
as geenas que padeci,
as pedras e as dores, as lutas e as revoltas,
a bendizê-las
porque foram elas que me aproximaram de ti.

(Maura de Senna Pereira [1904-Florianópolis a 1991-Rio de Janeiro], Sete Poemas de Amor, Ed. Sanfona, 1985)


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A POESIA NOS SEIS ANOS DA POEMAS


Afirmar que a poesia não tem mais lugar na vida das pessoas neste nosso mundo nanociberfacebloglobalizado é, no mínimo, uma sandice! Que a falta de tempo, a luta por sobrevivência, conflitos sócio-político-ideológicos, mobilidade urbana, violência, insegurança, drogas, educação, saúde e inúmeros outros problemas tornam o homem diuturnamente insensível, inapto para captar a beleza que está posta ao seu redor, é pior ainda.

Nunca se escreveu tanto, se leu tanto, se declamou tanto, se debateu tanto, se compartilhou tanto poesia como nos dias de hoje. De norte a sul de todos os países e principalmente do nosso, proliferam grupos, associações, academias, confrarias, cujo objeto de ação é a poesia. Nas esquinas e nos sinaleiros inúmeros divulgadores anônimos de seus escritos poéticos os distribuem na ânsia muito mais da leitura de quem os recebe do que das poucas moedas que lhes são oferecidas.

Poetas iniciantes com ou sem livros publicados, poetas consagrados, poetas de coletâneas, poetas de blogs ou do facebook, todos de alguma maneira vêm contribuindo para provar que o poema é e sempre será o gênero literário mais leve e ao mesmo tempo mais sério e preciso de levar poesia à alma das pessoas.

E o que a “Poemas à Flor da Pele” tem a ver com esse cenário? Tudo!

Criado em 2006 enquanto movimento de divulgação poética através do Orkut, “Poemas à Flor da Pele” vem se consolidando como um dos mais sólidos e dinâmicos espaços de agregação de poetas e de promoção de atividades culturais, artísticas e sociais, reconhecido em todos os continentes. Foram tantas as participações em eventos, feiras e bienais, promoções e co-promoções, edições de livros e e-books, que o grupo houve por bem oficializar o movimento, transformando-o em uma Associação Cultural.

À frente de todo esse processo está sua idealizadora e Coordenadora, a dinâmica escritora e promotora cultural Sonia Ferrarezi, mais conhecida como Soninha Porto. Seu trabalho hercúleo vem projetando nacional e internacionalmente não apenas o objeto de trabalho da Poemas, a nova poesia, mas e principalmente os poetas que integram o movimento e a Associação e que são o alicerce de tudo o que a Poemas planeja e executa. A garra e a competência de Soninha à frente da Associação tem contribuído para uma diminuição da (ainda) enorme distância entre escritor/poeta e aluno/leitor, uma vez que as atividades programadas e realizadas pela Poemas sempre tem levado em consideração a aproximação com escolas, professores e alunos.

Sabemos que nossas escolas toleram o que chamo de “livres incursões imaginárias” apenas no período da pré-escola ao trabalhar a educação sensorial. Após essa fase, a tendência é reprimir qualquer manifestação que esteja fora da linguagem articulada. Sabemos também que os cursos de formação de professores de Língua e Literatura no Brasil não “perdem tempo” com o ensino da poesia. Isto posto, como esperar que os alunos que se formarão professores aprendam a gostar e a trabalhar a Língua através desse gênero literário?

É preciso iniciar um processo sistematizado de desmistificação da poesia, quer no âmbito da formação dos professores, quer na formação dos alunos, principalmente no primeiro e no segundo grau.

De uma maneira geral, acredito ser necessário pensar em um ensino da poesia nas escolas que traga como alvo: o desenvolvimento do poder criador da criança; o desenvolvimento do poder criador da criança; o desenvolvimento da imaginação e da sensibilidade; a iniciação da criança no contexto da arte em geral, além da formação do sentido estético dessa criança.

Acredito também que a escola não poderá dar conta disso sozinha. Será preciso aliar-se, aparceirar-se com instituições que congregam poetas e estudiosos da poesia especificamente e da literatura como um todo, a fim de romper o academicismo intransigente e ultrapassado e deixar a criança, o estudante aprender a “escutar o ritmo do mar”, o que hoje só é permitido aos Poetas.

E é aí que entra o trabalho que vem sendo desenvolvido com competência e perseverança pela Associação Cultural Poemas à Flor da Pele durante esses seus seis belos anos de existência. Trabalho esse que é coroado com esta nova produção da Editora Somar. (pn/2012)

(PRÓXIMO LANÇAMENTO: Feira do Livro de Porto Alegre, dia 03 de novembro, das 18 às 22 horas)


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NOVÍSSIMOS (Poetas)

I – BLIMER

Largue a mão, estamos adiante
O acaso é mais belo que a história
Pois tudo é impalpável
Rastejando estou, aqui e agora
Sem amor, sem orgulho.

Porque fedes tanto, oh rio de dejetos?
Seja fostes tão belo
Quanto à recente arte inconseqüente,
É porque tudo foi traduzido cruelmente
Dentro dos sentidos dos olfatos em ação.

(Blimer, A eplepsia dos bastardos, 06/07/2012)

II – ADRIANA LEAL

São apenas sonhos...
Que levam a um mundo imaginário,
De encontro aos mais íntimos desejos...
Às vezes, tão profanos e tão puros...
Tão reais que se sente e se perde ao inventar.
O passeio pelo corpo faz calar
E num olhar invasor, faz tremer.
Delírio das longas noites quentes...
Sombra de um viver, deixa amar!

(Adriana Leal, Noite quente, do livro “Fechei os olhos para me ver”,2012, sobre o qual comentarei em brevemente)

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VALENTIN


            Com uma carreira de prêmios em festivais, o filme Valentin, de Alejandro Agresti, esteve em cartaz no dia 28 de agosto, às 20h, no Cineclube Pitangueira, na Lagoa da Conceição, em Florianópolis. O longa faz parte da programação do Ciclo de Cinema Argentino. A indicação classificativa é de 12 anos e a entrada é gratuita.

O filme é ambientado na Buenos Aires de 1960. Valentin (Rodrigo Noya) é um menino de nove anos que mora com sua avó (Carmen Maura), já que seu pai vive ocupado trabalhando e sua mãe está desaparecida desde a separação de seus pais. Solitário, Valentin divide seu tempo sonhando ser um astronauta e ouvindo as histórias contadas por sua avó.

Seu grande sonho é conhecer sua mãe, mas seu pai se irrita só de ouvir a simples menção do nome dela. Valentin passa a acreditar que possa ter enfim uma mãe quando conhece Leticia, a mais nova namorada de seu pai.

O Cineclube Pitangueira é uma realização da Cinemateca Catarinense e do Fundo Municipal de Cinema com o apoio da Prefeitura. Municipal de Florianópolis e da Fundação Franklin Cascaes.



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CONFRARIA DO POEMA-pn

A lifetime together
another live separated.
We are different:
while young
-vivid and eager-
without sentiments.

Now we are old,
sand inside the hourglass
fast going down
-by the gullet-
death exorcize.

(Poema Esparso/ Uma vida juntos/outra vida separados./Somos diferentes:/enquanto moços/ - vívidos e ávidos - / sem sentimentos./ Agora velhos,/ areia da ampulheta/ descendo rápido/ - goela abaixo -/ exorcismo de morte.)

 (Scattered Poem X- Pinheiro Neto/ Translation by Terezinka Pereira/2012)



quinta-feira, 26 de julho de 2012

EDIÇÃO 38


                        
MUDANÇA
Flávio José Cardozo
Eis aí: depois de tanto aperto, a casa própria. Miudinha, arretiradinha, financiadinha por vinte anos, mas própria. Adeus, aluguel. Adeus, infeliz mudança quase todo ano.
O caminhão já veio. É um caminhão comum, dos pequenos, mas pra que melhor e maior se é tão pouco o que vai ser levado, se é tão curta a viagem do Saco Grande para o Roçado?
- Não vai caber tudo – diz a mulher.
- Dá e sobra – responde o marido.
- Pois tomara que dê.
Começa o carregamento. O marido e o motorista, com a ajuda de um guri da vizinhança, cuidam do mais pesado – guarda-roupa, cama do casal, cama da sogra, armário, fogão, mesa, cadeiras, geladeira. Um trabalhão. Mas um trabalhão gostoso – é a última mudança na vida, se Deus quiser. A mulher arruma as miudezas, entrouxa as roupas, empilha pratos e xícaras. A mãe dela descansa numa espreguiçadeira, convalesce duma zipra na perna.  É uma senhora gorda, que se abana sem cessar, toda encalorada.
- Não vai caber tudo não – insiste a mulher, quando quase todos os trecos grandes foram ajeitados no caminhão.
O homem coça a cabeça, pois de fato o espaço é pouco e ainda faltam alguns objetos de certo porte, como o fogão, o botijão de gás, as cadeiras. Olha as miudezas, olha a sogra imensa e começa a acreditar que vão ter problemas.
Sobem, por fim, os trens que faltam, sobem as roupas, as panelas, os pratos, a gaiola do coleira, as vassouras, os quadros de santos. Sobe até, sem muita discrição, um objeto branco e intrigante, um urinol de propriedade da sogra – intrigante porque até hoje o genro não entende como é que num tal tamanhinho pode se sentar um tal tamanhão. Mas enfim...
Enfim, com mais algumas bugigangas, o caminhão se empanturra de não se agüentar de pé. Nele, nem mais um alfinete. Ou melhor: ainda conseguem encarapitar sobre tudo a espreguiçadeira.
E agora a questão: e eles vão onde? Porque o plano tinha sido este: a sogra, com seus três metros de fundos, ia na frente com o motorista; o casal, na esportiva, lá em cima.
- Eu não disse que não cabia? – fala a mulher, vitoriosa.
- Paciência. Ninguém morre por isso. Tua mãe vai com o motorista. Nós vamos de ônibus.
O quê? A mulher não aceita. Nunca que a mamãe vai sozinha por aí com um desconhecido. Decide ir com ela.
- Mas como? O caminhão vai sem motorista?
A mulher é teimosa. Ajeita a mãe, acomoda-se em cima duma perna dela, obriga o motorista a ficar na pontinha do banco – um perigo. Mas deu. Parece que deu.
O homem fica olhando o caminhão se indo, meio de banda. Está feliz, ri sozinho: nunca pensou que tivesse tanto na vida.

(Do livro Uns papéis que voam)
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O REINO DOS ESQUECIDOS

Este é o novo romance do escritor MIRO MORAIS, autor de dois sucessos de mídia e de venda no país e no exterior, A coroa no reino das possibilidades e Cândido assassino, a ser lançado ainda este ano pela editora Insular.

O romance está estruturado em oito capítulos que sobrevivem por si só mas são costurados pela história do Barão de Vinhedo, Dom Manoel Manso, personagem central. São eles: Início da aventura; Rumo ao desconhecido; A construção dos sonhos; Um novo olhar; Origem de Mariano Paixão; O amor de Fábio Paixão; O reino ameaçado e Início final.
Dom Manoel manso, um fidalgo muito próximo ao Imperador, por razões misteriosas, abandona a corte no Rio de Janeiro e se lança à aventura de criar no Sul do Brasil um povoado onde as pessoas possam ser felizes. Para realizar o seu sonho não lhe basta dominar a natureza hostil e fascinante e aprender a conviver com ela. O seu projeto entra em conflito com as crenças e as regras, a ordem e a desordem e o Poder que reina sobre tudo e todos. E isso se transforma em mais uma ameaça para o seu plano e a sua vida.

Mas a determinação de Manoel Manso não tem fronteiras. Aos poucos ele atrai para sua idéia, vista como visionária, sobretudo, os que nada tinham. Nem bens materiais nem esperanças. E, logo, também os ambiciosos de riqueza e poder. E tudo vai se transformando em um universo com alma própria.

Pequenos e grandes heróis expõem suas paixões, seus ódios, seus amores, a traição e a solidão, suas esperanças, tristezas e alegrias. As suas múltiplas histórias se entrelaçam – em capítulos que se auto justificam – dentro de um enredo maior, onde convivem os aventureiros e os acomodados; os santos e os assassinos.

Para Dom Manoel Manso o ser humano é o seu santo e o seu demônio. E, dentro dele, perde o que ele conseguir mais fragilizar. E é esse desafio da liberdade que ele próprio, cada um dos moradores do lugar que fundou e o país se deparam todos os dias, todos os momentos, que o desencanta e fascina.

Só para lembrar, Miro Morais, um dos grandes nomes da literatura catarinense e brasileira concorre à cadeira número 20 da Academia Catarinense de Letras.

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11ª MOSTRA DE CINEMA INFANTIL

O Fim do Recreio, de Vinicius Mazzon e Nélio Spréa, do Paraná, é o grande vencedor da 11ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. O curta foi escolhido pelo Júri Oficial e pelo voto do público infantil. Disque Quilombola, de David Reeks, de São Paulo, ganhou Menção Honrosa do Júri. Cada um dos filmes recebe um Prêmio Aquisição no valor de R$ 10 mil da TV Brasil. O Destaque Especial do Júri foi para o curta Rap Consciente, realizado por alunos da Escola Amenóphis de Assis, do Espírito Santo. O anúncio dos vencedores vai ser realizado na tarde deste domingo, às 16h, antes do show Cante com o Peixonauta no Teatro Pedro Ivo, no encerramento da Mostra.

O Júri Oficial foi integrado pelo diretor da série de animação infantil Meu AmigãoZão, Andrés Lieban, pela produtora Patricia Alves Dias e pela cineasta Patricia Monegatto. Eles justificam a escolha do curta O Fim do Recreio “pela sua inventiva construção narrativa que valoriza com humor, delicadeza e sensibilidade o ponto de vista da criança, protagonizando seus próprios dramas, sem perder a sua natureza espontânea”. No filme, crianças de uma escola se unem para mudar um projeto de lei que pretende acabar com o recreio escolar.

Sobre a Menção Honrosa concedida a Disque Quilombola, os jurados argumentam que documentários são comumente realizados sobre crianças e não para crianças. No caso deste curta, avaliam, é possível cumprir a dupla façanha de fazer documentário sobre crianças, afirmando seus espaços, e revelando para outras crianças seus próprios mundos, usando a linguagem universal da brincadeira. “O filme é uma obra política, um olhar etnográfico apurado que dialoga com os mundos adulto e infantil do nosso vasto país”, escrevem os jurados na justificativa do voto.

O destaque para o Rap Consciente é uma referência especial pela relevância do crescimento quantitativo e qualitativo de conteúdos audiovisuais realizados por crianças e jovens. Na edição da Mostra deste ano, concorreram 88 produções de todo o Brasil, que foram exibidos ao longo de 17 dias de programação.

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SAUDADE

Quando chegares, saudade,
No desdobrar da vida,
- nem vivida –
Eu te divisarei, lá longe,
No barco parado, sem vela,
Boiando no mar sem verão
- nem procela –
Parado em ti.

Quando chegares, saudade,
Na noite amanhecida,
- nem dormida –
Eu te avisarei, de longe,
E abrirei os braços, no abraço
Da coisa conhecida
- e já perdida –
No meu entardecer.
(Mila Ramos, Sete Sumos, Ed. Sanfona, 1985)




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PALÍNDROMO: VOCÊ SABIA? 


Um 
palíndromo é uma palavra ou um número que se lê da mesma maneira nos dois sentidos, normalmente, da esquerda para a direita e ao contrário.
Exemplos: OVO, OSSO, RADAR. O mesmo se aplica às frases, embora a coincidência  seja tanto mais difícil de conseguir quanto maior a frase; é o caso do conhecido: 

SOCORRAM-ME, SUBI NO ONIBUS EM MARROCOS.
Diante do interesse pelo assunto (confesse, já leu a frase ao contrário), seguem alguns dos melhores palíndromos da nossa língua:
 
ANOTARAM A DATA DA MARATONA
ASSIM A AIA IA A MISSA
A DIVA EM ARGEL ALEGRA-ME A VIDA
A DROGA DA GORDA 
A MALA NADA NA LAMA
A TORRE DA DERROTA
LUZA ROCELINA, A NAMORADA DO MANUEL, LEU NA MODA DA ROMANA: ANIL É COR AZUL 
O CÉU SUECO
O GALO AMA O LAGO
O LOBO AMA O BOLO
O ROMANO ACATA AMORES A DAMAS AMADAS E ROMA ATACA O NAMORO 
RIR, O BREVE VERBO RIR
A CARA RAJADA DA JARARACA
SAIRAM O TIO E OITO MARIAS
 
ZÉ DE LIMA RUA LAURA MIL E DEZ

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NOVÍSSIMOS (Escritores)

Em tempos passados, acelerava os passos, gastava quase o dobro do tempo acreditando numa saborosa ingenuidade.
Mas nada era verdade!
O tempo foi passando e meus dias foram se arrastando, mas ainda podia sentir que algo no âmago ia se transmutando.
Ainda podia querer!
Sentia que a vida dilacerava minhas visões, não conseguia encontrar vias na dita dilaceração.
Em tempos passados, acreditava ter encontrado a base de tudo que se me fazia amargo.
Acordava em desespero danado!
Buscava conforto na crença de algo intocável, algum sentido favorável, mas era em tempos já passados.
Já não podia mais saber!
Não sabia do que precisava, não sabia dizer, gritar, pedir, objetivar nem ao menos queria crer.
Mirava a foto de alguém que podia me entender, mas isso também não era verdade. Não queria mais crer.
Agora, passo pelo tempo com o mesmo prazer de outrora, já não corro nem grito, agora sei o que fazer:
Esquecer!

(Tempos passados/Mirkin-2010)

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CONFRARIA DO POEMA (PN)

Teu olhar
- vôo de gaivota –
meu guia.
Solto,
navega em teu seio
meu fantasma: solidão.
Flor primária
ou
botão último
                      de outono?
Teu beijo
- sal de rio –
esconde o concreto
de tênue relação.

 (Fugaz relação, Ciclo dos Olhos, p. 21)