domingo, 24 de maio de 2015

Edição nº. 71

PAPO NA CONFRARIA:






PAULO ROBERTO BORNHOFEN

1- O que te motiva a escrever? 

Escrevo para que os outros leiam. Simples assim. 

2- Cite os TRÊS livros (e respectivos autores) mais significativos em tua vida?

A marcha para o oeste,  a epopeia da expedição Roncador-Xingu, de Orlando Villas Boas e Cláudio Villas Boas;

Chatô, o rei do Brasil, de Fernando Morais;

O Anjo Pornográfico, a vida de Nelson Rodrigues, de Ruy Castro.


3- Indique um livro (Literatura Brasileira) para leitura de:

a)    Alunos do Ensino Fundamental (5ª a 8ª séries)

Anita, a guerreira das repúblicas, de Adílcio Cadorin.

b)   Alunos do Ensino Médio

O fantástico na ilha de Santa Catarina, de Franklin Cascaes.

c)    Alunos do Ensino Superior

Saga brasileira, a longa luta de um povo por sua moeda, de Miriam Leitão.


4- Como se dá o processo da escrita em tua prática cotidiana?

Não existe um padrão. Pode ser um fato que eu presencie e que me inspire a escrever um conto.

5- Fale sobre o apoio dispensado pelos setores público e privado à literatura.

No setor público, eu entendo que os editais são fundamentais para cobrir custos com a produção. Só entendo que tais editais deveriam beneficiar apenas os iniciantes. Quem já é conhecido, ou já produz e publica literatura não deveria ser beneficiado. Falo isso não apenas para literatura, mas para todos os setores da cultura. 
O setor privado precisa investir mais. Temos boas iniciativas, mas são poucas.

6- Fale sobre o papel das Academias  de Letras em relação à Língua e à Literatura?

As Academias de Letras, no meu entendimento, são clubes de escritores. O papel delas é justamente esse, reunir aqueles que tem interesse na criação literária. Se determinada Academia é formado por escritores que produzem e publicam, será uma Academia forte e atuante. Por outro lado, se seus integrantes forem mais contemplativos de que produtivos, tal Academia deve encontrar dificuldades em justificar sua existência.


Sobre o autor:

Membro da Academia São José de Letras, Cadeira nº. 1. Membro da Academia de Letras dos Militares de santa Catarina e da Academia de Letras de Blumenau.
Casado com Taisa Adriana Cardoso Bornhofen.
Naturalidade: São José / SC.
Mestre em Desenvolvimento Regional, FURB – Universidade Regional de Blumenau, 2008.

Livros:

- Epicentro de uma tragédia: relatos e dramas de policiais militares que estiveram no centro da tragédia que atingiu Santa Catarina em novembro de 2008. Blumenau: Ed Papa-Livro, 2013. 2ª Ed. 
- Décimo Batalhão de Polícia Militar - Seus primeiros vinte e cinco anos. Blumenau: do autor, 2012.
- Epicentro de uma tragédia: relatos e dramas de policiais militares que estiveram no centro da tragédia que atingiu Santa Catarina em novembro de 2008. Blumenau: Ed Cultura em Movimento, 2010. Livro digital. 
- Gestão Estratégica na Segurança Pública: Livro Didático. Unisul, Palhoça, 2006. Livro publicado em co-autoria com Ana Paula Reusing Pacheco.
- Gestão da Prevenção e Repressão à Violência: Livro Didático. Unisul, Palhoça, 2006 (Organizador).
- Sobrevivência Urbana: aplicação de técnicas visando a redução da oportunidade para a ocorrência de crimes. Diminuição do potencial de vitimização no caos urbano. São Paulo: Nova Sampa, 2001.



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DA SÉRIE “POETAS MULHERES” – 11

  





JE SUIS POEMA




DESAFIO



... assim inexorável
ao menos venha ela
após caminho longo
depois de longa vida bela
com pão, maçãs e vinho
e a paz e o amor grudados
na flor azul da Terra.

Venha como um sono, uma carência
de parar, uma exaustão, um orgasmo.
Assim venha
portanto – incréus ou crentes –
desse sono vamos
despertar no Nada fatalmente.




 [MAURA DE SENNA PEREIRA, A dríade e os dardos, Livraria São José, 1978, pg. 93]



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PETIT POIS

F
ervilha
na veia
um poema
“verderreticente”

...

ser poeta
- ao ponto –
não é sopa



[VALÉRIA TARELHO, Livro da Tribo, São Paulo, 2013, pg. 294]





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PALAVRA

A palavra lavra e rasga
Vai aos porões da alma
E em silêncio mostra o norte
O horizonte da dor.

A palavra mima e acaricia
Sublima e enternece
A singeleza das coisas
Do que está no universo.

A palavra dura ou doce
Transparece o terno amor


 [ VANI CAMPOS, Relicário, Somar, Porto Alegre, 2014, P. 91]



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CORDURA
  
Não deve crer-me
neste momento.
Arrisco um encontro
com a cordura,
mas saio machucada.
De que vale
a luz da vela
sem a noite
para olhá-la?


[Terezinka Pereira, EUA, abril 2015] 


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 MARINHOS 
               
   
                             meus olhos são peixes 
                                        te pressinto 
                                        me sentes 
                               e armas tuas redes

                              eu te navego 
                              te bebo em espumas 
                              desmancho em sedes
                              me encontro nos ares 
                              me perco em mares 
                              vagueio em brumas 
                              te aceno em ais
                               naufrago em ti

                              tu me ousas 
                               te espraias 
                               exploras as rotas 
                               descansas nas grutas 
                               me inundas 
                              explodes em ondas 
                              eternizas em mim
                               


[ Tânia Francalacci  Schambeck, 2015, especialmente para Confraria da Leitura-pn]






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LI E RECOMENDO (11)








DISCÍPULOS DE NINGUÉM

Novo romance de Olsen Jr, lançado pela Letras Contemporâneas no final de 2014, 431 páginas, integra uma coleção (Humanos e rebeldes, As paixões inúteis, O homem solitário) que o autor resolveu denominar de “O preço da liberdade”. Podem ser lidos separadamente e cobre um período que vai8 do início dos anos 1970 (separação dos Beatles) e encerra em 1980 (com a morte de John Lennon).

Neste novo romance, dois personagens principais reunidos por um acaso: de um lado, Ernani Savoy, mais velho, formado em contabilidade, casado, pai de família, buscando melhores oportunidades de trabalho na cidade grande; de outro, Osvaldo Ortiz, em véspera de fazer um vestibular onde busca uma ocupação que melhor possa sustentar o que acredita seja a sua real vocação, quer ser escritor.

A uni-los, um quarto de pensão na mesma cidade, os bares de então, o dia a dia de cada um e a solidão que parece perpassar todas as “escolhas” que ambos fazem para conseguir o que querem, mas sobretudo a obsessão e o idealismo com que perseguem os seus objetivos.

Para Ernani, que renunciou a um emprego por questões ideológicas, resta o desabafo “... Sinto-me um estranho, alguém que evitou fazer – de maneira forte – o jogo dos fracos. Vejo a cada passo a impotência da vontade diante da necessidade. Eles vivem cobrando-nos a decência e ações honestas... E nós, em troca de uma dignidade infame, portando-nos como cordeiros tentando mantê-la no alto enquanto a nossa própria condição humana se esfacela. Somos fortes quando renunciamos a luta para restabelecê-los em todos os níveis”.

Já Osvaldo, às voltas com questões idealistas, o pensamento “Vivo procurando a verdade, ela está em todos os lugares, mas não era suficiente procura-la em todos os lugares, era necessário imaginá-la em algum lugar. Uma imaginação que não admitira controle, mas que gerava emoções controláveis. Não pode haver sentido – concluía – para uma arte que esteja desvinculada do real.”

Ambos acreditam que a raiz de seus dissabores se encontra no passado, onde cada um carrega um fardo e procura administrar com o que aprendeu e com o que encontra no caminho. (Das orelhas do livro)

Para o escritor Péricles Prade, responsável pelo prefácio da obra, “Quando afirmamos que seus personagens são autobiográficos, e o autor de seus discursos, ansiedades, desejos e contradições se manifesta através deles (ou o contrário), somos obrigados a dizer que a literatura precisa também destes traços dialéticos, quase dramatúrgicos, criados pela ojeriza que o autor tem à submissão humana, qualquer que ela seja, de onde ela venha e tão bem manifesta em sua obra.”

E conclui, “Enfim, a leitura de Discípulos de ninguém é fundamental para se compreender uma época de triste memória, cujos fatos históricos e personagens centrais (Osvaldo e Ernani), projetados no curso do tempo, propicia, o melhor/maior conhecimento do que se passa no presente.”




SOBRE O AUTOR

Olsen Jr. (Chapecó, 1955) é jornalista e escritor. Graduou-se em Direito pela FURB, de Blumenau, e tem especialização em nível de Mestrado pela UFSC. Atua desde a década de 70 como organizador e editor de vários jornais alternativos, entre eles o Acadêmico ( com oito anos de circulação consecutiva e ininterrupta), recebendo, em 1976, os prêmios Parker Pen do Brasil, como um dos melhores informativos – de nível universitário – do País, e da União Brasileira de Escritores, seccional do Rio de Janeiro, pelo Mérito Cultural, em 1981.
Em sua atuação como editor, fundou várias editoras, entre elas a Acadêmica e a da FURB, ambas em Blumenau, e a Paralelo 27 e a Obra Jurídica, em Florianópolis.
Publicou dentre vários trabalhos, coletâneas e antologias, os livros: Desterro, SC; Os esquecidos do Brasil; Estranhos no paraíso; Confissões de um cínico; O burguês engajado; A cidade dos homens indiferentes e Memórias de um fingidor.
Ocupa a Cadeira número 11 da Academia Catarinense de Letras.

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DA SÉRIE “EU SOU POEMA”







A EXPRESSÃO DA ALMA (*)



Com lábios vacilantes e sonoridade não ajustada
Empenho-me e luto para a correta sintonia
Da música de meu ser, noite e dia
Com sonho e pensamento e sentimento entrelaçada.

Imprimo então em meu íntimo as sensações do real
Ao redor, com oitavas de mística transcendência,
 Que na direção do infinito voam em reverência
Saindo do escuro recanto do chão sensual.

É esta a canção da alma que me empenho em elevar
Através dos portais dos sentidos, sublime e inteira
E, como num grito de todo o meu ser, dispersá-la no ar.

Mas se isso eu fiz— tal a trovoada que espalma
E rompe sua própria nuvem, minha carne deveu ali perecer
Ante aquele terrível apocalipse da alma.


 [*Elisabeth Barret  Browning. Tradução livre de Silveira de Souza, especialmente para Confraria da Leitura-pn]




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DA SÉRIE “CRÔNICAS, CONTOS E OUTROS TANTOS”





[Albertina Prates/SC, O canto do sabiá - espaço]]




Alô:

resolveu telefonar:
 
-- olha, aqui em casa têm umas camisas, uns livros. tudo seu.

-- você guardou essas tralhas?

ambos riram. 

ele, de prazer, porque alguém ainda se importava.

ela, de vergonha, por se importar.

(Mariza Lourenço, Valinhos/SP, Germina: revista de literatura e arte)
                          

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DA SÉRIE “NOSSA LÍNGUA”





GAFES EXECUTIVAS


QUÁ, QUÁ, QUÁ

Em português uma boa gargalhada se representa assim: quá-quá-quá (com hífen).

Em português, todas as fórmulas de tratamento se escrevem com iniciais maiúsculas: V.Sª.,  V. Exª., V. A, V. M.., etc. Essas fórmulas devem ser escritas sempre abreviadas, a não ser quando se trate do presidente da República, cujo tratamento devido é Excelentíssimo Senhor Presidente , Vossa Excelência, Sua Excelência, etc., sempre por extenso.

Ao Papa também se deve  tratamento por extenso: Vossa Santidade, Sua Santidade.

Voltemos, porém, a coisas menos santas. Veja como apareceu nos jornais a declaração de um famoso deputado federal pelo Rio de Janeiro:

“Se v. exas. vem me dizer que este governo é sério, respondo como José Bonifácio: quá, quá, quá.”



 [ Luiz Antônio Sacconi, Gafite, nº. 1, abril 1987, Nossa Editora, p. 16]


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DA SÉRIE  “PARA SÓ[RIR] E REFLETIR”







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DA SÉRIE “POEMAS VISUAIS”






[Fátima Queiroz, Fooom, 2015]


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[Pinheiro Neto, Poemas Reunidos, 2010]




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O MELHOR LIVRO DE POEMAS QUE ESCREVI POUQUÍSSIMOS PODERÃO LER NESTA VIDA.
ELE ESTÁ IMPRESSO NO MEU CORAÇÃO! E TU, COM CERTEZA ESTÁS LÁ, EM TODOS
OS VERSOS QUE NÃO FORAM PUBLICADOS.

(Pinheiro Neto)




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CONFRARIA DO [meu] POEMA-pn








Vai vento
e volta
cata-vento.

Vai bumerangue
e não volta
des(a)tino.



(Pinheiro Neto, Jogo 5, A rosa do verso, 1988, p.51)   






sexta-feira, 17 de abril de 2015

Edição nº. 70

PAPO NA CONFRARIA:






ELOAH WESTPHALEN NASCHENWENG


1.O que te motiva a escrever?

Amo as palavras. O dom não se explica. Conseguir  compor beleza , sentimentos e verdade com palavras e ter a capacidade de  transmitir encanto, tem sido a minha  maior motivação
2.Cite os TRÊS livros (e respectivos autores) mais significativos em tua vida?
a)    O Tempo e o Vento – Erico Veríssimo
b)    A Descoberta do Mundo – Clarice Lispector
c)    Sapato Florido – Mario Quintana

3- Indique um livro (Literatura Brasileira) para leitura de:
a)    Alunos do Ensino Fundamental (5ª a 8ª séries)
O Homem que não parava de Crescer-Marina Colassanti 
b)    Alunos do Ensino Médio
Vidas Secas – Graciliano Ramos
c)    Alunos do Ensino Superior
Grande Sertão Veredas –João Guimarães Rosa

4- Como se dá o processo da escrita em tua prática cotidiana?
No meu processo criativo não existe rotina.  As vezes uma palavra, uma frase ou uma imagem pode ser o início do processo criativo. Penso, dou volta nos pensamentos, amadureço a frase principal e vou colocando no papel palavras ou ideias afins.
Escrevo, reescrevo corto palavras, acrescento outras e vou tecendo meus versos. Os primeiros rabiscos são no papel. Guardo, releio, mudo, depois guardo novamente, releio e disseco. No final satisfeita digito no computador.

5- Fale sobre o apoio dispensado pelos setores público e privado à literatura.
A literatura, principalmente a produção poética tem ocupado o papel secundário na literatura brasileira. As editoras, na sua maioria recusam originais e as livrarias tem um numero muito limitado de livros na área poética à disposição do leitor. Novos escritores pouco ou nenhum apoio recebem de setores privados e públicos, mas a poesia resiste através de produções pessoais, blogs, e outras redes sociais.
6-Fale sobre o papel das Academias  de Letras em relação à Língua e à Literatura?

As Academias tem o papel primordial de cultivar a língua e a Literatura brasileira, valorizar a produção literária dos bons escritores divulgando-a e concedendo notoriedade aos seus membros.
Participar de eventos e movimentos literários, descentralizar suas atividades e
apoiar novos escritores e associações.


SOBRE A AUTORA

Eloah Westphalen Naschenweng, natural de Jaraguá do Sul – SC, professora, pedagoga, graduada em Tecnologia em Automação de Serviços Executivos,  Funcionária Pública Estadual aposentada, Presidente do Grupo de Poetas Livres

OBRAS PUBLICADAS: Fragmentos, Relicário, Além dos Fragmentos,
A Dança da Vida.

PARTICIPAÇÃO EM COLETÂNEAS:
No Limíte da Palavra; Poesias, Crônicas e Contos I; Poesias, Crônicas e Contos II; Poesias, Crônicas e Contos III; Os Mais Belos Poemas e Textos do Grupo de Poetas Livres; A Palavra ConVida; Mangwana – Agenda 2015.



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DA SÉRIE “POETAS MULHERES” – 11


  

[Nova escultura de Elisa Zatera/RS]




JE SUIS POEMA








MATERNIDADE (*)


[ Cheiro de Jardim III Albsertina Prates/SC ]



Arrepender-te-ás talvez
como de uma suprema profanação
de teres um dia me vestido
de bagos e de gomos
e para eles depois te atirado
como um fauno sem lei.
Oh, não te arrependas não
que me deste glória e honra
pois eu só via o milagre da árvore estéril
carregada de frutos
e o sumo das uvas escorrendo
dos seios que nunca amamentaram.


[*  +MAURA DE SENNA PEREIRA, A dríade e os dardos, Liv. São José, 1978, pg. 25]



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[Professora Sueli/wordpress]

vai idade


do espelho
ao espólio
é um piscar
de olhos

[VALÉRIA TARELHO, Livro da Tribo, São Paulo, 2013, pg. 92]





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INDISPLICÊNCIA


Entre os suspiros do vento
Quero ainda viver momentos
Orvalhados de prazer
Certo meu reino não é deserto
Aí dorme meu coração
Minhas ilusões e asas brancas
São voos tecidos de ensejos
Como estrelas peregrinas
Como um lago de desejos
... a vida nos ensina!

A última curva do caminho
Quero que seja leve como o arminho
Onde sinta a inocência
Desde o tempo de ontem
E agora – esta indisplicência!

[ VANI CAMPOS, Relicário, Somar, Porto Alegre, 2014, P. 20]



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RIMA POBRE


100 gotas de novalgina
e o fogo indo e vindo
indo e vindo pela testa



[ADELAIDE DO JULINHO, Face book, 10/04/2015]

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O SILÊNCIO


quantas vezes o silêncio
existe porque é pleno
de palavras, tantas palavras
acarretando ideias
tantas vozes lembradas
tantos sons de riso e de lamento,
tantos choros e tantos gritos
uma cacofonia
se fossem libertadas
todas estas notas aflitas!
melhor recorrer ao silêncio,
até que a calma disponha a
sonoridade e o seu sentido
até que canções afaguem o ouvido
até que o choro se faça luto
e todas as alegrias
assim como as tristezas
possam finalmente ter sentido
libertar-se na linha breve do poema
esvair-se na desvelada atmosfera
e aí prosseguir sabiamente
as eterna leis da natureza.

[MARIA PETRONILHO, Lisboa, Fece book, março 2015]


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CLAMA

de cama a chama
devassa na sala que dama
furtiva não mais, trama
estranha de pele que entranha
cavala que cava espanta
vontade de gozo na manha
bala degusta e clama
vontade de ti...

[FLAVIA D'ANGELO, RJ, Face Book, março, 2015]



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[POEMA]






deflora-me
com a ponta delicada dos teus dedos
e penetre o meu gosto
com a tua língua

insere teu sujeito inteiro
nas entranhas
libere o teu tempero
no canal dos meus desejos
marca-me com tuas mãos
deixe em mim o teu selo

prenda-me nos mistérios
dos teus olhos negros
mostre o monstro que me come no escuro
eu não tenho medo de habitar no teu inferno
quando o paraíso no teu corpo eu descubro.

 (LUANA DIAS, Porto Velho, Face book, 03/03/2015)


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DETONANDO





Você é meu remédio sem bula
o imperfeito mais que perfeito
Spa cheio de gula
lado esquerdo no direito
minha face oculta
rodovia sem pedágio
prêmio e multa
eleição sem sufrágio
veículo sem condutor
sopro na orelha
lobo e ovelha
Coisa confusa
que se chama amor!

[ ROSA PENA, 29/03/2015, em sua página no Facebook]

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SOBRE O TRIÂNGULO VAZIO; O NÁUFRAGO


Quando termina a casa
uma rua espreita, e aguarda:
Tudo rápido passa
o tempo o automóvel as massas
e as vontades passageiras
como um passatempo
ainda perpassam
anéis e dedos;
...................mas dentro
a terra finca suas raízes
num rio profundo
e muito lento
onde a poesia se nutre do silêncio
onde o homem, se não tivesse tanta pressa
olharia sem medo
se ouvisse
alguém chamar amor...
No entanto,
tudo o que há é o náufrago
de raízes partidas (e sem tempo)
louco pra chegar mais cedo em casa
e ser o hiato
entre a garagem, a TV
(e pasmem!) o sofá da sala.

[LOU ALBERGARIA, BH, Face book, 09/04/2015]

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 ("Pescadores", de Maria de Fátima Pavei - Içara)


MAREJANDO


O mar me possui.
Ele me tem inteira,
faz-me ilha,
barco pequeno,
pequena cabotagem,
toque de velas.

- Mestre José, meu pai!
Verde nos olhos,
Na alma,
Verde de mar,
Verde de amara,
- tão verde de morrer.

[MILA RAMOS, SC,  Na grande noites dos girassóis, 2ª ed., Ipê, Joinville, 1987, pg.29]






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LI E RECOMENDO (11)

A OBRA DE EDUARDO GALEANO (HOMENAGEM)








1-    MORRE O ESCRITOR EDUARDO GALEANO

"Na década de 1970 o escritor uruguaio Eduardo Galeano foi um dos nossos "Gurus"... Falava da América Latina com propriedade, com paixão (compaixão) e o seu discurso vinha inflamado, lembrava o nosso Darcy Ribeiro... Aliás, o Darcy foi um dos escritores que colaboraram para que Galeano escrevesse aquele livro emblemático que todo o latino deve ler "As Veias Abertas da América Latina"... Lembro também daquele singelo livro de contos "Vagamundo" em que o autor faz a famosa viagem na Bolívia no que se conhece como o "Trem da Morte" e a história da mãe que acalenta um filho que está morto em seu colo, todos no trem sabem que a criança está morta, mas são cúmplices daquela dor de mãe... E aquela obra prima que ganhou o mais cobiçado prêmio para um escritor sul americano, o Casa de las Americas, o livro "Dias e Noites de Amor e de Guerra"... Galeano gostava de futebol, escreveu um belo livro sobre o assunto... Esteve no Brasil várias vezes, principalmente em Florianópolis, falava o português fluentemente e sabia como ninguém insuflar uma paixão pela terra que nos acolhe, era um ativista com causa e não tergiversava, sim, sabia como lidar com as utopias... Outra lacuna se abre com sua morte aos 74 anos... Fica uma obra, não perdemos a referência, apenas um valoroso companheiro de viagem, se isso ainda é possível, penso que sim, estou mais triste hoje"...

 (Nota na página de Olsen Jr. no Face book em 13/04/2015).



2-    A FUNÇÃO DA ARTE

[Eduardo Galeano]

Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o sul.

Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.

Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto o seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.

E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:

— Me ajuda a olhar!


[ Em Livro dos Abraços ]

Da homenagem ,feita pela revista Germina, Adelaide do Julinho, Face, 13/04/2015




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DA SÉRIE “EU SOU POEMA”





BELA JUVENTUDE (*)




Vejam como está roída
A boca da rapariga
Que deixaram estirada entre os juncos.

Ao se lhe abrir o peito,
Achava-se o esôfago tão carcomido!
Finalmente em refolho meio ao diafragma
Encontrou-se ninho de jovens ratos.

Uma pequena irmãzinha jazia morta.
Viviam os demais de fígado, rins,
Sorviam o sangue gelado e, ali,
Por certo desfrutavam de bela juventude.

Rápida e bela também foi a morte deles;
Todos atirados na água, juntos.
Ah, como guincharam os minúsculos focinhos!



[*Gottfried Benn (1886 – 1956), poeta do movimento expressionista alemão. Tradução livre de Silveira de Souza, especialmente para Confraria da Leitura-pn]




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DA SÉRIE “CRÔNICAS, CONTOS E OUTROS TANTOS”




  

                        
PARIS: FESTAS, PERFUMES E ENCANTOS



Sentir-se só, sim. Solitário, nunca! Porque quem lê está sempre rodeado de pessoas, de lugares maravilhosos, além de viajar pelos mais diversos espaços. Ao ler “Paris é uma Festa” do escritor Ernest Hemingway viajei na imaginação e sonhei em conhecer Paris. O sonho se realizou. Emocionava-me ao entrar nos cafés e o ar frio quase me congelando. Lembrava-me de Hemingway descrevendo a paisagem “o vento frio arrancando as folhas das árvores”. Perguntava-me: “Onde está o Café de Amateus?” Afinal era frequentado pelo escritor, e me realizei ao entrar num dos Cafés. Experimentei o café-crème, vinho de Sion e trutas au bleu. O rio continuava com suas águas rasas no inverno. Num dos restaurantes à beira do Sena degustei o chamado goujon (peixe da família das carpas), uma delícia! Em seu livro, Hemingway descrevia o pescado, as correntezas, os castanheiros e os pescadores, de forma extraordinária. Tudo ali na minha frente era só olhar. Andava entre a realidade e a imaginação, devagar e quase tropeçando ao contemplar Paris. Voltando-me para o livro, o escritor sempre falava: “que quando a primavera chega nossos problemas desaparecem, exceto o de saber onde se poderia ser mais feliz.” Pensei “um dia, retornarei na primavera.” Hemingway ao escrever Paris é uma festa, imaginei-o escrevendo de seu escritório, no qual tinha uma janela, enquanto a inspiração entrava na sala seu cérebro perambulava no Sena a procura de inspiração. Hemingway escreveu inúmeras vezes sobre o maravilhoso Sena “Quando paro de escrever, não quero me afastar da lembrança do rio, onde posso ver trutas, no remanso das águas. Sempre me deu felicidade ver aqueles homens pescando, jamais me senti solitário nas margens do Sena.” Quando você for a Paris não se esqueça de ler antes da viagem “Paris é uma festa” de Ernest Hemingway, e sinta seus perfumes e encantos ...

(Maria de Fátima Pavei,


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DA SÉRIE “NOSSA LÍNGUA”





GAFES EXECUTIVAS

AS AVES-MARIAS

Em ave-maria, o primeiro elemento (ave) é interjeição (latina), que significa salve;  por isso não varia. O outro elemento ( maria) é substantivo e varia normalmente. Destarte, seu plural é ave-marias, assim como o plural de salve-rainha é salve-rainhas.

Recentemente, porém, um repórter perguntou a um dos ministros da área econômica (agora ex-ministro) se existia saída para a crise. A resposta veio mambembe:

“Existe, sim: é ajoelhar e rezar três aves-marias.”

Ave!!! Ministro que não sabe rezar ao menos três ave-marias tem, no mínimo, que rezar dez salve-rainhas e uns vinte pai-nossos para ficar no cargo... Como não soube...



 [ Luiz Antônio Sacconi, Gafite, nº. 1, abril 1987, Nossa Editora, p. 11]


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DA SÉRIE  “REPASSANDO”



[Arte em café, 3d, Michele Espíndola, Lagoa da Conceição, Floripa]




LATIM, Língua maravilhosa! 


O vocábulo"maestro" vem do latim "magister" e este, por sua vez, do advérbio "magis" que significa "mais" ou "mais que".

Na antiga Roma o "magister" era o que estava acima dos restantes, pelos seus conhecimentos e habilitações!

Por exemplo um "Magister equitum" era um Chefe de cavalaria, e um "Magister Militum" era um Chefe Militar.

Já o vocábulo "ministro" vem do latim "minister" e este, por sua vez, do advérbio "minus" que significa "menos" ou "menos que".

Na antiga Roma o "minister" era o servente ou o subordinado que apenas tinha habilidades ou era jeitoso.

*COMO SE VÊ, O LATIM EXPLICA A RAZÃO POR QUE QUALQUER IMBECIL PODE SER MINISTRO ... MAS NÃO MAESTRO !*
 

[Da Internet, sem autor identificado]



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DA SÉRIE “POEMAS VISUAIS”

1-


[ E (CLIPS) ANDO , Pinheiro Neto, Poemas Reunidos ]




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2-

[Poema Visual de Fátima Queiroz, SP]





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DA SÉRIE "PARA SÓ[R]RIR E REFLETIR"






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CONFRARIA DO [meu] POEMA-pn







E bebo a palavra
e me embebedo.

Goles de versos
      de verbos
e(s)coam, vão e não voltam.

Não registro. Bebo só.

E a palavra deixa tonto
atônito com o saber
        que descubro
        ao beber.

A palavra embebeda
           o sonho.




(Pinheiro Neto, Bebe(r) palavra, A rosa do verso, 1988, p.34)