sexta-feira, 17 de abril de 2015

Edição nº. 70

PAPO NA CONFRARIA:






ELOAH WESTPHALEN NASCHENWENG


1.O que te motiva a escrever?

Amo as palavras. O dom não se explica. Conseguir  compor beleza , sentimentos e verdade com palavras e ter a capacidade de  transmitir encanto, tem sido a minha  maior motivação
2.Cite os TRÊS livros (e respectivos autores) mais significativos em tua vida?
a)    O Tempo e o Vento – Erico Veríssimo
b)    A Descoberta do Mundo – Clarice Lispector
c)    Sapato Florido – Mario Quintana

3- Indique um livro (Literatura Brasileira) para leitura de:
a)    Alunos do Ensino Fundamental (5ª a 8ª séries)
O Homem que não parava de Crescer-Marina Colassanti 
b)    Alunos do Ensino Médio
Vidas Secas – Graciliano Ramos
c)    Alunos do Ensino Superior
Grande Sertão Veredas –João Guimarães Rosa

4- Como se dá o processo da escrita em tua prática cotidiana?
No meu processo criativo não existe rotina.  As vezes uma palavra, uma frase ou uma imagem pode ser o início do processo criativo. Penso, dou volta nos pensamentos, amadureço a frase principal e vou colocando no papel palavras ou ideias afins.
Escrevo, reescrevo corto palavras, acrescento outras e vou tecendo meus versos. Os primeiros rabiscos são no papel. Guardo, releio, mudo, depois guardo novamente, releio e disseco. No final satisfeita digito no computador.

5- Fale sobre o apoio dispensado pelos setores público e privado à literatura.
A literatura, principalmente a produção poética tem ocupado o papel secundário na literatura brasileira. As editoras, na sua maioria recusam originais e as livrarias tem um numero muito limitado de livros na área poética à disposição do leitor. Novos escritores pouco ou nenhum apoio recebem de setores privados e públicos, mas a poesia resiste através de produções pessoais, blogs, e outras redes sociais.
6-Fale sobre o papel das Academias  de Letras em relação à Língua e à Literatura?

As Academias tem o papel primordial de cultivar a língua e a Literatura brasileira, valorizar a produção literária dos bons escritores divulgando-a e concedendo notoriedade aos seus membros.
Participar de eventos e movimentos literários, descentralizar suas atividades e
apoiar novos escritores e associações.


SOBRE A AUTORA

Eloah Westphalen Naschenweng, natural de Jaraguá do Sul – SC, professora, pedagoga, graduada em Tecnologia em Automação de Serviços Executivos,  Funcionária Pública Estadual aposentada, Presidente do Grupo de Poetas Livres

OBRAS PUBLICADAS: Fragmentos, Relicário, Além dos Fragmentos,
A Dança da Vida.

PARTICIPAÇÃO EM COLETÂNEAS:
No Limíte da Palavra; Poesias, Crônicas e Contos I; Poesias, Crônicas e Contos II; Poesias, Crônicas e Contos III; Os Mais Belos Poemas e Textos do Grupo de Poetas Livres; A Palavra ConVida; Mangwana – Agenda 2015.



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DA SÉRIE “POETAS MULHERES” – 11


  

[Nova escultura de Elisa Zatera/RS]




JE SUIS POEMA








MATERNIDADE (*)


[ Cheiro de Jardim III Albsertina Prates/SC ]



Arrepender-te-ás talvez
como de uma suprema profanação
de teres um dia me vestido
de bagos e de gomos
e para eles depois te atirado
como um fauno sem lei.
Oh, não te arrependas não
que me deste glória e honra
pois eu só via o milagre da árvore estéril
carregada de frutos
e o sumo das uvas escorrendo
dos seios que nunca amamentaram.


[*  +MAURA DE SENNA PEREIRA, A dríade e os dardos, Liv. São José, 1978, pg. 25]



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[Professora Sueli/wordpress]

vai idade


do espelho
ao espólio
é um piscar
de olhos

[VALÉRIA TARELHO, Livro da Tribo, São Paulo, 2013, pg. 92]





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INDISPLICÊNCIA


Entre os suspiros do vento
Quero ainda viver momentos
Orvalhados de prazer
Certo meu reino não é deserto
Aí dorme meu coração
Minhas ilusões e asas brancas
São voos tecidos de ensejos
Como estrelas peregrinas
Como um lago de desejos
... a vida nos ensina!

A última curva do caminho
Quero que seja leve como o arminho
Onde sinta a inocência
Desde o tempo de ontem
E agora – esta indisplicência!

[ VANI CAMPOS, Relicário, Somar, Porto Alegre, 2014, P. 20]



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RIMA POBRE


100 gotas de novalgina
e o fogo indo e vindo
indo e vindo pela testa



[ADELAIDE DO JULINHO, Face book, 10/04/2015]

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O SILÊNCIO


quantas vezes o silêncio
existe porque é pleno
de palavras, tantas palavras
acarretando ideias
tantas vozes lembradas
tantos sons de riso e de lamento,
tantos choros e tantos gritos
uma cacofonia
se fossem libertadas
todas estas notas aflitas!
melhor recorrer ao silêncio,
até que a calma disponha a
sonoridade e o seu sentido
até que canções afaguem o ouvido
até que o choro se faça luto
e todas as alegrias
assim como as tristezas
possam finalmente ter sentido
libertar-se na linha breve do poema
esvair-se na desvelada atmosfera
e aí prosseguir sabiamente
as eterna leis da natureza.

[MARIA PETRONILHO, Lisboa, Fece book, março 2015]


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CLAMA

de cama a chama
devassa na sala que dama
furtiva não mais, trama
estranha de pele que entranha
cavala que cava espanta
vontade de gozo na manha
bala degusta e clama
vontade de ti...

[FLAVIA D'ANGELO, RJ, Face Book, março, 2015]



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[POEMA]






deflora-me
com a ponta delicada dos teus dedos
e penetre o meu gosto
com a tua língua

insere teu sujeito inteiro
nas entranhas
libere o teu tempero
no canal dos meus desejos
marca-me com tuas mãos
deixe em mim o teu selo

prenda-me nos mistérios
dos teus olhos negros
mostre o monstro que me come no escuro
eu não tenho medo de habitar no teu inferno
quando o paraíso no teu corpo eu descubro.

 (LUANA DIAS, Porto Velho, Face book, 03/03/2015)


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DETONANDO





Você é meu remédio sem bula
o imperfeito mais que perfeito
Spa cheio de gula
lado esquerdo no direito
minha face oculta
rodovia sem pedágio
prêmio e multa
eleição sem sufrágio
veículo sem condutor
sopro na orelha
lobo e ovelha
Coisa confusa
que se chama amor!

[ ROSA PENA, 29/03/2015, em sua página no Facebook]

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SOBRE O TRIÂNGULO VAZIO; O NÁUFRAGO


Quando termina a casa
uma rua espreita, e aguarda:
Tudo rápido passa
o tempo o automóvel as massas
e as vontades passageiras
como um passatempo
ainda perpassam
anéis e dedos;
...................mas dentro
a terra finca suas raízes
num rio profundo
e muito lento
onde a poesia se nutre do silêncio
onde o homem, se não tivesse tanta pressa
olharia sem medo
se ouvisse
alguém chamar amor...
No entanto,
tudo o que há é o náufrago
de raízes partidas (e sem tempo)
louco pra chegar mais cedo em casa
e ser o hiato
entre a garagem, a TV
(e pasmem!) o sofá da sala.

[LOU ALBERGARIA, BH, Face book, 09/04/2015]

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 ("Pescadores", de Maria de Fátima Pavei - Içara)


MAREJANDO


O mar me possui.
Ele me tem inteira,
faz-me ilha,
barco pequeno,
pequena cabotagem,
toque de velas.

- Mestre José, meu pai!
Verde nos olhos,
Na alma,
Verde de mar,
Verde de amara,
- tão verde de morrer.

[MILA RAMOS, SC,  Na grande noites dos girassóis, 2ª ed., Ipê, Joinville, 1987, pg.29]






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LI E RECOMENDO (11)

A OBRA DE EDUARDO GALEANO (HOMENAGEM)








1-    MORRE O ESCRITOR EDUARDO GALEANO

"Na década de 1970 o escritor uruguaio Eduardo Galeano foi um dos nossos "Gurus"... Falava da América Latina com propriedade, com paixão (compaixão) e o seu discurso vinha inflamado, lembrava o nosso Darcy Ribeiro... Aliás, o Darcy foi um dos escritores que colaboraram para que Galeano escrevesse aquele livro emblemático que todo o latino deve ler "As Veias Abertas da América Latina"... Lembro também daquele singelo livro de contos "Vagamundo" em que o autor faz a famosa viagem na Bolívia no que se conhece como o "Trem da Morte" e a história da mãe que acalenta um filho que está morto em seu colo, todos no trem sabem que a criança está morta, mas são cúmplices daquela dor de mãe... E aquela obra prima que ganhou o mais cobiçado prêmio para um escritor sul americano, o Casa de las Americas, o livro "Dias e Noites de Amor e de Guerra"... Galeano gostava de futebol, escreveu um belo livro sobre o assunto... Esteve no Brasil várias vezes, principalmente em Florianópolis, falava o português fluentemente e sabia como ninguém insuflar uma paixão pela terra que nos acolhe, era um ativista com causa e não tergiversava, sim, sabia como lidar com as utopias... Outra lacuna se abre com sua morte aos 74 anos... Fica uma obra, não perdemos a referência, apenas um valoroso companheiro de viagem, se isso ainda é possível, penso que sim, estou mais triste hoje"...

 (Nota na página de Olsen Jr. no Face book em 13/04/2015).



2-    A FUNÇÃO DA ARTE

[Eduardo Galeano]

Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o sul.

Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.

Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto o seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.

E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:

— Me ajuda a olhar!


[ Em Livro dos Abraços ]

Da homenagem ,feita pela revista Germina, Adelaide do Julinho, Face, 13/04/2015




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DA SÉRIE “EU SOU POEMA”





BELA JUVENTUDE (*)




Vejam como está roída
A boca da rapariga
Que deixaram estirada entre os juncos.

Ao se lhe abrir o peito,
Achava-se o esôfago tão carcomido!
Finalmente em refolho meio ao diafragma
Encontrou-se ninho de jovens ratos.

Uma pequena irmãzinha jazia morta.
Viviam os demais de fígado, rins,
Sorviam o sangue gelado e, ali,
Por certo desfrutavam de bela juventude.

Rápida e bela também foi a morte deles;
Todos atirados na água, juntos.
Ah, como guincharam os minúsculos focinhos!



[*Gottfried Benn (1886 – 1956), poeta do movimento expressionista alemão. Tradução livre de Silveira de Souza, especialmente para Confraria da Leitura-pn]




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DA SÉRIE “CRÔNICAS, CONTOS E OUTROS TANTOS”




  

                        
PARIS: FESTAS, PERFUMES E ENCANTOS



Sentir-se só, sim. Solitário, nunca! Porque quem lê está sempre rodeado de pessoas, de lugares maravilhosos, além de viajar pelos mais diversos espaços. Ao ler “Paris é uma Festa” do escritor Ernest Hemingway viajei na imaginação e sonhei em conhecer Paris. O sonho se realizou. Emocionava-me ao entrar nos cafés e o ar frio quase me congelando. Lembrava-me de Hemingway descrevendo a paisagem “o vento frio arrancando as folhas das árvores”. Perguntava-me: “Onde está o Café de Amateus?” Afinal era frequentado pelo escritor, e me realizei ao entrar num dos Cafés. Experimentei o café-crème, vinho de Sion e trutas au bleu. O rio continuava com suas águas rasas no inverno. Num dos restaurantes à beira do Sena degustei o chamado goujon (peixe da família das carpas), uma delícia! Em seu livro, Hemingway descrevia o pescado, as correntezas, os castanheiros e os pescadores, de forma extraordinária. Tudo ali na minha frente era só olhar. Andava entre a realidade e a imaginação, devagar e quase tropeçando ao contemplar Paris. Voltando-me para o livro, o escritor sempre falava: “que quando a primavera chega nossos problemas desaparecem, exceto o de saber onde se poderia ser mais feliz.” Pensei “um dia, retornarei na primavera.” Hemingway ao escrever Paris é uma festa, imaginei-o escrevendo de seu escritório, no qual tinha uma janela, enquanto a inspiração entrava na sala seu cérebro perambulava no Sena a procura de inspiração. Hemingway escreveu inúmeras vezes sobre o maravilhoso Sena “Quando paro de escrever, não quero me afastar da lembrança do rio, onde posso ver trutas, no remanso das águas. Sempre me deu felicidade ver aqueles homens pescando, jamais me senti solitário nas margens do Sena.” Quando você for a Paris não se esqueça de ler antes da viagem “Paris é uma festa” de Ernest Hemingway, e sinta seus perfumes e encantos ...

(Maria de Fátima Pavei,


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DA SÉRIE “NOSSA LÍNGUA”





GAFES EXECUTIVAS

AS AVES-MARIAS

Em ave-maria, o primeiro elemento (ave) é interjeição (latina), que significa salve;  por isso não varia. O outro elemento ( maria) é substantivo e varia normalmente. Destarte, seu plural é ave-marias, assim como o plural de salve-rainha é salve-rainhas.

Recentemente, porém, um repórter perguntou a um dos ministros da área econômica (agora ex-ministro) se existia saída para a crise. A resposta veio mambembe:

“Existe, sim: é ajoelhar e rezar três aves-marias.”

Ave!!! Ministro que não sabe rezar ao menos três ave-marias tem, no mínimo, que rezar dez salve-rainhas e uns vinte pai-nossos para ficar no cargo... Como não soube...



 [ Luiz Antônio Sacconi, Gafite, nº. 1, abril 1987, Nossa Editora, p. 11]


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DA SÉRIE  “REPASSANDO”



[Arte em café, 3d, Michele Espíndola, Lagoa da Conceição, Floripa]




LATIM, Língua maravilhosa! 


O vocábulo"maestro" vem do latim "magister" e este, por sua vez, do advérbio "magis" que significa "mais" ou "mais que".

Na antiga Roma o "magister" era o que estava acima dos restantes, pelos seus conhecimentos e habilitações!

Por exemplo um "Magister equitum" era um Chefe de cavalaria, e um "Magister Militum" era um Chefe Militar.

Já o vocábulo "ministro" vem do latim "minister" e este, por sua vez, do advérbio "minus" que significa "menos" ou "menos que".

Na antiga Roma o "minister" era o servente ou o subordinado que apenas tinha habilidades ou era jeitoso.

*COMO SE VÊ, O LATIM EXPLICA A RAZÃO POR QUE QUALQUER IMBECIL PODE SER MINISTRO ... MAS NÃO MAESTRO !*
 

[Da Internet, sem autor identificado]



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DA SÉRIE “POEMAS VISUAIS”

1-


[ E (CLIPS) ANDO , Pinheiro Neto, Poemas Reunidos ]




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2-

[Poema Visual de Fátima Queiroz, SP]





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DA SÉRIE "PARA SÓ[R]RIR E REFLETIR"






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CONFRARIA DO [meu] POEMA-pn







E bebo a palavra
e me embebedo.

Goles de versos
      de verbos
e(s)coam, vão e não voltam.

Não registro. Bebo só.

E a palavra deixa tonto
atônito com o saber
        que descubro
        ao beber.

A palavra embebeda
           o sonho.




(Pinheiro Neto, Bebe(r) palavra, A rosa do verso, 1988, p.34)   





sexta-feira, 20 de março de 2015

Edição nº. 69



 PAPO NA CONFRARIA: ANTÔNIO MANOEL DA SILVA







1.    O que te motiva a escrever?

R. É o feedback com o leitor, independente se o resultado foi satisfatório ou não.  O que importa é colher as críticas sobre o que foi escrito, muito embora seja obviamente compreensível e humanamente aceitável, que todo escritor sempre anseia por um resultado positivo sobre qualquer trabalho literário produzido e publicado. E a satisfação do leitor é tudo o que se espera como feedback.
Dentro desta perspectiva, sempre norteio as minhas ações para uma busca incessante do aprimoramento do meu universo vocabular, visando atingir um nível literário mais elevado e satisfatório.

2.    Cite três livros (e respectivos autores) mais significativos em tua vida?

R. “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell; “O Príncipe”, de Nicolau Maquiavel; “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel Garcia Marques.

3.    Indique um livro (Literatura Brasileira) para leitura de:

a)    Alunos do Ensino Fundamental (5ª a 8ª séries)
b)    Alunos do Ensino Médio
c)    Alunos do Ensino Superior

R.           Embora eu tenha formação pedagógica, com habilitação para trabalhar com alunos do Ensino Médio, por não exercer a profissão, meus conhecimentos acerca de literatura específica da área educacional estão deveras desatualizados. Por outro lado, atrevo-me a sugerir alguns livros, todos relacionados com a História do Brasil. São eles: “Enquanto o Brasil Nascia”, de Pedro Doria, poderia ser muito proveitoso para os alunos do Ensino Fundamental.
Para o Ensino Médio, eu recomendo três livros de Laurentino Gomes: ¨1808”, sobre a vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil; “1822”, discorrendo sobre a Independência do Brasil; e “1889”, tratando temas relacionados com o fim da Monarquia  e a introdução da República.
Para os alunos do Ensino Superior, por ser um livro crítico e com assuntos que certamente irão polarizar as discussões nos seminários de salas de aula, indico o livro de Leandro Narloc, com o título “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil”

4.    Como se dá o processo de escrita em tua prática cotidiana?

R. Costumo escrever à noite, embora algumas produções literárias tenham sido elaboradas no período diurno. São textos especificamente produzidos para a publicação de livros, matérias para jornais, pasquins, poesias, discursos, enfim, todo tipo de texto literário.
Considero-me um escritor eclético, isto é, escrevo sobre qualquer tema, bastando apenas que meu senso crítico o considere interessante. Prova disso são os meus três livros lançados: o primeiro, infantil; o segundo, histórico; e o terceiro, de contos.
Além da literatura, também gosto de compor músicas. Neste particular, já alcancei resultados surpreendentes: sou autor da letra do Hino do Município de São Bonifácio, reconhecido por força de Lei; autor da letra e da melodia do Hino da Academia de Letras de Palhoça, dentre outras composições musicais premiadas em festivais do gênero.

5.    Fale sobre o apoio dispensado pelo setor público e privado à Literatura.

R. No âmbito estadual, tentei, por diversas vezes, sem obter sucesso, levantar recursos junto à Secretaria de Desenvolvimento Regional da Grande Florianópolis, para a edição e publicação no meu segundo livro, FURADINHO: fragmentos de sua história.
No nível municipal, protocolei, por três vezes, na Prefeitura de Palhoça, projetos de edição do livro acima mencionado, cujo desenrolar culminou em meras promessas de cunho político, até hoje não cumpridas.
De igual modo foram as incessantes investidas no setor privado, na busca de apoio financeiro para tal intento, o que invariavelmente resultavam em fracasso, apesar de haver amparo legal (Lei nº 8.313, de 23 de dezembro de 1991 – Lei Rounet, dentre outras.), quanto à concessão de benefícios na Declaração do Imposto de Renda.

6.    Fale sobre o papel das Academias de Letras em relação à Língua e à Literatura.

R. É função primordial das Academias de Letras, estudar, cultivar e divulgar a língua vernácula, pois nisto reside a essência do labor literário. Além disso, é imprescindível que promovam ações e mecanismos que estimulem à criação literária e cultural, tanto dos seus acadêmicos como de outros escritores e do público em geral. Neste sentido, a participação das Academias de Letras em eventos como feira e lançamento de livro, de artesanato, de cultura, encontro de escritores, palestra e seminário literário..., além de diversificar as atividades dos seus acadêmicos, certamente irá contribuir para o surgimento de novos escritores e simpatizantes desses sodalícios.

SOBRE O AUTOR:

Antônio Manoel da Silva é escritor, compositor e poeta, e tem três livros editados e diversos trabalhos literários publicados. É servidor efetivo do Tribunal Regional da 12ª Região – Santa Catarina, e Membro Efetivo da Academia de Letras de Palhoça, onde ocupa a Cadeira nº 17, cujo patrono é o seu conterrâneo, Manoel dos Santos Lostada.



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DA SÉRIE “POETAS MULHERES” – 11




[Taça de cristal, Albertina Prates, SC]
 


JE SUIS POEMA


CONSUBSTANCIAÇÃO

Quando me deito nos teus canteiros mornos,
Jurerê-mirim, Isla de los Patos, Santa Catarina,
não me basta a alegria telúrica
de ter nascido em ti
nem o pensamento quase bíblico
de que sou feita do teu barro.

Meu corpo é o teu imenso corpo da ilha
e meu sangue o rasgão líquido dos teus rios
a linfa nervosa das tuas cachoeiras
a água matuta das tuas lagoas.
Plantas rebentam de tuas carnes, de meus chãos
e sinto-me carregada da tua seiva e do teu pólen
em todas as idades
desde tua própria pré-história
até mesmo o teu porvir.

Quando me levanto
a sacudir a tua poeira morena
e ungida com o perfume de vinte lírios novos
e mulher e ilha deixam de ser uma unidade pagã
ainda sinto me prender e me abraçar
e envolver, implacável, a tua existência cósmica
o abraço varonil do mar.




[+ MAURA DE SENNA PEREIRA – SC ,  A dríade e os dardos, Livraria São José, Rio de Janeiro, 1978, pgs. 29 e 30]




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[VALÉRIA TARELHO – SP]


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SOFISMAS II

Sou apenas um momento
Dentro da eternidade
Navegando na saudade
Sou levada pelo tempo.

Ando pela terra dentro enfim
Jorrei das nuvens como chuva
Vago pelo espaço no sopro do vento
Entendo a mudez das montanhas.

Um nunca e um agora
Dancei nas teclas dum piano
Deslizando em arco-íris
No comando de meus próprios passos.


[VANI NUNES – RS , Relicário, Somar, Porto Alegre, 2014, p. 19]



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[Vania Viana, AL]



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[Rosângela Goldoni, RJ]




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[Mary Lovely, SP]


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[Cláudia Lima, DF]



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[Cris M. Branco, RS]

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A LÁGRIMA   

  


Oh! lágrima cristalina 
Tão salgada e pequenina 
Quanta dor tu redimes 
Mesmo feita de amarguras 
És tão sublime tão pura 
Que só virtudes exprimes. 


[ + HELENA KOLODY, in Blogue Literatura Brasileira e Paranaense – um tributo à poetisa paranaense. Seu primeiro poema.]          




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LI E RECOMENDO (10)





O LOBO DA ESTEPE (no original, Der Steppenwolf) livro de Hermann Hesse, publicado em 1927 é considerado o melhor dos livros de Hesse, e um dos romances mais representativos do século XX. No Brasil foi traduzido por Ivo Barroso. A edição que possuo e que reli nestes dias é de1968, publicada pela Civilização Brasileira como volume 95 da coleção Biblioteca do Leitor Moderno, com supervisão gráfica de Roberto Pontual e desenho de capa de Marius Lauritzen Bern. É interessante ressaltar que nos sites literários recentes os créditos da publicação são dados à Editora Record cuja edição data de 1993.

O livro conta a história de Harry Haller, um outsider, um misantropo, alcoólatra e intelectualizado, angustiado e que não vê saída para sua tormentosa condição, autodenominando-se “lobo da estepe”.  Convém ressaltar que os dois únicos capítulos que compõem o livro – Anotações de Harry Haller e Tratado do Lobo da Estepe – trazem como uma espécie de sub título a expressão “SÓ PARA LOUCOS”.

Na verdade, Harry Haller é um esquisitão. Nunca contente com a vida, ele possui apenas duas certezas: A primeira, é que dentro dele duas entidades travam uma batalha. O homem, e o lobo. Enquanto um vive, o outro ri e graceja. A segunda, é que quando finalmente completar cinquenta anos, se matará. Mas até esta libertação, há muito o que suportar.
Como nada é tão simples, Harry vê sua vida revirada quando recebe um estranho livreto nomeado de ” o tratado do lobo da estepe” e posteriormente conhece Hermínia e Pablo, peças-chave para o seu desenvolvimento, já que o conduzem com maestria para a destruição daquele antigo e insatisfeito Misantropo que já foi.
O sentimento de estar perdido entre dois mundos é outro ponto de empatia com o personagem, a transição entre o velho e o novo. Entre a burguesia que tanto odeia e sente necessidade e a liberdade que tanto anseia e teme. Enquanto não é capaz de escolher seu caminho, sofre. E tenta continuamente alçar-se para algum dos lados, procurando pertencer a algum lugar, sempre sem êxito.
Para Franklin  de Oliveira – que escreveu as orelhas da edição feita pela Civilização Brasileira, “Hermann Hesse já foi definido como o homem mais sábio de nosso tempo. Sábio, não no sentido de erudito, embora tivesse sido enorme a sua cultura, mas na acepção de homem que viveu a condição s kalokagatia platônica: a perfeição moral pela funda participação em tudo que é belo, justo, bom e verdadeiro. Sábio como sinônimo de santo – a sabedoria como desnudamento da oculta santidade da vida, a sacralidade do existir.”

“O romancista Hesse começou com Peter Camenzind, de tranquila poeticidade. Mas logo veio Demian, uma exposição. Outra explosão: O lobo da estepe, onde tudo é tensão, ambivalência, atração e repulsão, sístole e diástole, sincresis e diacresis, inspiração e expiração, oscilações polares, rasgadas dilacerações do ser – o ser sem resgate. Fera ou homem, ou homem-e-fera?
Num verso de um poema de Hesse encontro a chave de O lobo da estepe: ‘Sentimento estranho o de quem caminha na neblina!’”

SOBRE O AUTOR

Hermann Hesse nasceu em 1877, em Calw (Alemanha), filho de missionários protestantes. Entra cedo em choque com os pais, que queriam o filho pastor; não se submete à disciplina da escola e foge para a Suíça.

Hesse trabalha, então, como livreiro. Dedica-se à poesia e publica "Poemas" (1902). Dois anos depois, o romance "Peter Camenzind" - história de um jovem que se rebela contra sua aldeia natal e foge - tem grande aceitação de crítica e público.

O jovem escritor casa-se, mas continua revoltado contra o meio burguês e as convenções sociais - como se lê em "Gertrud" (1910). Muda-se para a Índia e conhece o budismo, que adotaria pelo resto da vida.

Após o início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, engaja-se em atividades contra o militarismo alemão. Em 1919, publica "Demian", influenciado pelas idéias do psicanalista Carl G. Jung.

"Sidarta" é de 1922. Sem encontrar a solução para seus problemas na Índia, conta a história de sua vida em "O Lobo da Estepe" (1927). Em 1943, publica "O Jogo das Contas de Vidro", romance utópico, situado no ano de 2200.

Entre seus outros livros, vale citar, em especial, os romances "Rosshalde" (1913), "Knulp" (1915) e "Narciso e Goldmund"(1930). Prêmio Nobel de literatura em 1946, Hermann Hesse morreu em 1962, na cidade de Montagnola (Suíça).




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DA SÉRIE “EU SOU POEMA”




[Desenho de Di Cavalcanti, "Figuras no cabaré". Página de Letícia Blythe]




NO CABARÉ VERDE (Às cinco horas da tarde)
                           
                            Arthur Rimbaud, Outubro,1870



Depois de oito dias eu tinha as botas arranhadas
Pelos seixos dos caminhos. Entrei em Charleroi.
— No Cabaré Verde solicitei torradas
Na manteiga e o melhor presunto que houvesse lá.

Bem à-vontade, estiquei as pernas sob a mesa
Verde e fiquei a contemplar os motivos primitivos
Da tapeçaria. E foi adorável quando — que beleza!—
Garota de enormes tetas, os olhos vivos,

— Essa aí não haverá beijo que a espante! —
Trouxe, risonha, as torradas em breve instante,
Manteiga e presunto morno em prato multicor.

Presunto rosado e branco, perfumado de um dente
De alho; e mais um imenso copo de chope, esplendente,
Iluminado por tardio raio do sol a se pôr.

                                                                                    
 (Tradução livre de Silveira de Souza/SC, especialmente para esta Confraria, março/2015)



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DA SÉRIE “CRÔNICAS, CONTOS E OUTROS TANTOS”



'tenho um puxadinho', ele disse, 'vamos lá'. ela foi e ficou encantada. tudo muito limpinho e arrumado. menos o quarto, a cama, os lençóis, embolados das estripulias noturnas com outra ou outro ou outrem. 
vamos lá, ela pensou, mas não disse.



(De Mariza Lourenço, SP, sem título, facebook, março 2015)



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DA SÉRIE “NOSSA LÍNGUA”






GAFES EXECUTIVAS


UMA TELEFONEMA

Muita gente anda fazendo o que não deve por este Brasil afora: uma telefonema. Quem faz um telefonema, porém, fala melhor, ouve melhor, impressiona melhor. Sempre.

Um de nossos ministros, então, vai a Cuba. Trata-se de acontecimento histórico: reatamento de relações diplomáticas. Mais histórico ainda foi o modo como o ministro classificou a ligação telefônica que possibilitou o diálogo entre o chefe de Estado cubano e o presidente brasileiro: “ Esta é uma histórica telefonema”.

Muita gente anda fazendo o que não deve fora do Brasil...

(pg. 10)

 [ Luiz Antônio Sacconi, Gafite, nº. 1, abril 1987, Nossa Editora, p. 10]



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DA SÉRIE  “REPASSANDO”






O FRASCO DE MAIONESE E O CAFÉ


Quando as coisas na vida parecem demasiado, quando 24 horas por dia não são suficientes... Lembre-se do frasco de maionese e do café.
Um professor, durante a sua aula de filosofia sem dizer uma palavra, pega um frasco de maionese e esvazia-o. Tira a maionese e enche-o com bolas de golf.
A seguir pergunta aos alunos se o frasco estava cheio. Os estudantes respondem que sim.
Então o professor pega uma caixa cheia de pedrinhas e mete-as no frasco de maionese. As pedrinhas enchem os espaços vazios entre as bolas de golf.
O professor volta a perguntar aos alunos se o frasco estava cheio, e eles voltam a dizer que sim.
Então o professor pega outra caixa...uma caixa cheia de areia e derrama todo o conteúdo dentro do frasco de maionese. Claro que a areia preenche todos os espaços vazios. Uma vez mais o professor volta a perguntar se o frasco estava cheio. Nesta ocasião os estudantes respondem um unânime "Sim !".
Em seguida o professor acrescenta duas xícaras de café ao frasco e claro que o café preenche todos os espaços vazios entre a areia. Os estudantes neste momento começam a rir...mas reparam que o professor está sério e lhes diz:
“QUERO QUE SE DEEM CONTA QUE ESTE FRASCO REPRESENTA A VIDA.
 As bolas de Golf são as coisas Importantes como a FAMÍLIA, a SAÚDE, os AMIGOS, tudo o que você AMA DE VERDADE. São coisas que mesmo que se perdêssemos todo o resto, nossas vidas continuariam cheias.
As pedrinhas são as outras coisas que importam, como: O trabalho, a casa, o carro, etc.
A areia é todo o demais, as pequenas coisas.
Se puséssemos primeiro a areia no frasco, não haveria espaço para as pedrinhas nem para as bolas de Golf. O mesmo acontece com a vida.
Se gastássemos todo o nosso tempo e energia nas coisas pequenas, nunca teríamos lugar para as coisas realmente importantes.
Preste atenção às coisas que são cruciais para a sua Felicidade.
Brinque ensinando os seus filhos, Arranjem tempo para ir ao medico,
namore e vá com a sua/seu namorado(a)/marido/mulher jantar fora, Dedique algumas horas para uma boa conversa e diversão com seus amigos.
Haverá sempre tempo para trabalhar, limpar a casa, arrumar o carro... ocupe-se sempre das bolas de Golf primeiro, que representam as coisas que realmente importam na sua vida.
Estabeleça suas prioridades, o resto é só areia...”
Porém, um dos estudantes levantou a mão e perguntou o que representaria, então, o café.
O professor sorriu e disse:
..”.O café é só para vos demonstrar, que não importa o quanto a nossa vida esteja ocupada, sempre haverá espaço para um café com um amigo.”

[Da Internet, sem autor identificado]

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DA SÉRIE “POEMAS VISUAIS”




[Ciclo do lobo, Pinheiro Neto, SC, Chrischelle]



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[Poema Visual de Fátima Queiroz, SP]



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O MELHOR LIVRO DE POEMAS QUE ESCREVI POUQUÍSSIMOS PODERÃO LER NESTA VIDA. ELE ESTÁ IMPRESSO NO MEU CORAÇÃO! E TU, COM CERTEZA ESTÁS LÁ, EM TODOS OS VERSOS QUE NÃO FORAM PUBLICADOS.

(Pinheiro Neto)



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CONFRARIA DO [meu] POEMA-pn


Não há tempo.
O hoje precisa ser sorvido
já, sem perguntas,
     sem cobranças.

Vê a história do homem.
O instante é fa(e)tal,
morte e vida sempre juntas,
                      (des)caminham.

Não há tempo.
O espaço da ânsia é agora.
Não há tempo.
A dialética dos corpos,
                   limpos, nus,
precisa ser provada,
                    (com sabor)
pelo menos uma vez.

     
(Pinheiro Neto, Mo[vi]mento 2, A rosa do verso,  p.48)