quarta-feira, 31 de julho de 2013

Edição nº. 49




PAPO NA CONFRARIA: Artêmio Zanon

1– O que te motivou a escrever?

Provavelmente foi uma consequência do ato de ler: livros na pequena estante na escola do interior do Estado de Santa Catarina, na pequena localidade de Santa Lúcia, Município de Videira. Às sextas-feiras, após a última aula, quem quisesse, havendo disponíveis, podia levar um livro para casa e devolvê-lo no início da aula, na segunda-feira... E contar o que se leu para a professora. Depois, no ginásio (e naquele tempo, além da cartilha, e dos quatro anos do primário, havia o exame de admissão ao ginásio), entre meus doze e quinze anos, período das quatro séries, o fantástico encontro com a monumental obra Tesouro da Juventude (Reunião de conhecimentos essenciais, oferecidos em forma adequada ao proveito e entretenimento das crianças e adolescentes), em dezoito volumes (sendo o primeiro do ano de 1952 e o último de 1954), e eu concluí o ginásio em 1955. Essa preciosa obra, há poucos anos, consegui adquiri-la em um sebo. Foi também nessa obra, além da coletânea Anthologia Nacional de Fausto Barreto e Carlos de Laet, e outras coletâneas de caráter didático, que conheci os meus Poetas, passando a escrever versos, feito um Gonçalves Dias, um Casimiro de Abreu, um Castro Alves, um Fagundes Varela, um Olavo Bilac, entre outros. E hoje, o poetinha de então... há muitos anos, com mais de trinta livros de poemas, só (sobre)vive em função do ler e do escrever, como reconhece o Acadêmico Celstino Sachet.

2– Cite os três livros (e respectivos autores) mais significativos em tua vida?

Um livro em setenta e dois: a Bíblia (nela, o universo da realidade e da fantasia humanas, até hoje, ainda que com as mudanças da evolução do homo faber sapiens), é a grande fonte de efetiva significância de leitura em minha vida. Os outros, autores e livros, com raríssimas exceções, somos todos perecíveis, limitados, passageiros, quase sempre produtos e frutos de momentos e interesses.

3– Indique um livro (Literatura Brasileira) para leitura de:

a)      Alunos do Ensino Fundamental (5ª a 8ª séries)
b)      Alunos do Ensino Médio
c)      Alunos do Ensino Superior

Permita-me enveredar na omissão. Como tenho certeza de que ninguém citará qualquer obra das minhas para esses “graus de ensino”, não avalizo nenhum (e tenho verdadeiro horror dessas obras literárias didáticas da atualidade...).

4– Como se dá o processo da escrita em tua prática cotidiana?

Nos, não mais do que dez por cento de “inspiração”, mais do que noventa por cento
são de obstinação: procuro ser severo para comigo mesmo: a palavra adequada, a lógica, o bom-senso, a paciência necessária em dar um texto como “definitivo”, jamais a pressa em “produzir” e imediatamente publicar. Alguns de meus livros dados a lume, nos últimos dez anos, são frutos de minha juventude e idade adulta (estou na véspera de 73 anos).

5– Fale sobre o apoio dispensado pelos setores público e privado à Literatura.

Outrora, pela legislação de “incentivo”, quando um Escritor tinha uma obra “aprovada”, e  lhe era dado um “Certificado” autorizando a captação de recursos, penso que a “coisa” funcionava. Quanto ao atual “apoio dispensado pelo setor público”, tenho minhas desconfianças e restrições. Quanto ao setor privado, há que se ter apadrinhamento.

6– Fale sobre o papel das Academias  de Letras em relação à Língua e à Literatura?

Tanto em “Academias de Letras”, quanto em “Associações Literárias”, a “Língua” se vê muito ferida, e quanto “à Literatura”, em todas as entidades literárias, com todo o respeito ao ego do fazer literário de cada um, existem verdadeiros “analfabetos”.

(*) Ocupante da Cadeira 37 da Academia Catarinense de Letras.
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UM HOMEM SÉRIO

Agora estou na esquina da rua Lauro Muller com a Cel. Colaço. Vejo o prédio novo que levantaram aí e lembro-me com saudade da casa em que meu pai tinha loja no mesmo local. Foi aí que eu um dia vi entrar um caboclo e dizer para o meu pai:
- Seu João, eu me confessei e comunguei hoje, e não quero ficar com esse peso na consciência.
E, entregando uma cédula de cem mil réis para o velho:
- Este dinheiro o senhor me deu demais há dois anos passados, no troco dum pagamento que lhe fiz. É seu, guarde-o.
Quando o homem saiu meu pai me disse:
- Ainda existem homens sérios no mundo!


(Nereu Corrêa, Sete Saudades [Texto publicado no “Anuário Catarinense” de 1949], Edições Sanfona, Floripa, 1985)

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MEDUSAS (*)
1

fêmeo efêmero jasmim
perfuma o luar do brejo
beira de praia inconclusa
na vinda da maré tardia
lívida onda transluzindo
azul no cristal da medusa

3

casas vesgas e coxas
ninho de vespas e musgos
onde se acolhem cochichos
comadres de roupas escuras
meninos de olhos ariscos
piscando gatos mouriscos

(Hugo Mund Jr., Edições Sanfona, Floripa, 1985)  



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LI E RECOMENDO (3)

Uma confraria de tolos, escrito por  John Kennedy Toole, com prefácio de Walker Percy e tradução de Alice Xavier,  foi editado pela BestBolso do Rio de Janeiro em 2012. Livro ganhador do Prêmio Pulitzer de ficção em 1981, teve mais de um milhão de exemplares vendidos e foi traduzido para mais dezoito idiomas.

Trata-se da história de Ignatius J. Reilly, intelectual glutão, preguiçoso, egocêntrico e desagradável; um herói solitário em sua cruzada contra a modernidade. Como um Dom Quixote do século XX, Ignatius desbrava as ruas de Nova Orleans dos anos 1960 e enfrenta todo o tipo de tolos, malandros, aproveitadores e policiais desonestos. Por insistência da mãe, busca um emprego, mas cada uma de suas tentativas o leva a uma sucessão de desventuras.

John Kennedy Toole (1937-1969) nasceu em Nova Orleans. Formou-se em Inglês na Columbia University e lecionou no Hunter College e na University of Southwestern Lousiana. Toole escreveu Uma confraria de tolos no início dos anos 1960, mas não teve sucesso nas diversas tentativas de publicar seu romance. Deprimido, cometeu suicídio. Foi por insistência de sua mãe, que acreditava no talento do filho, que este livro alcançou o sucesso merecido.

Segundo Walker Percy, ( a quem a mãe do autor entregou os originais que, na verdade,  “consistia em uma cópia a carbono tão borrada que era quase ilegível”) É realmente uma pena que John Kennedy Toole não esteja vivo e escrevendo. Mas, já que não está, só nos resta fazer o possível para que esta pantagruélica e tumultuada tragicomédia humana esteja ao alcance de um mundo de leitores.

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REGISTRO

VAIA

Recebi o número 33 de do jornal Vaia, de Porto Alegre que tem como Editor Fernando Ramos e Diagramação de Marcos Marques. Destaque para a programação da 6ª. Festa Literária de Porto Alegre – FestiPoa, para a entrevista com Cristóvão Tezza e para o Concurso Literário Contista Estreante. www.jornalvaia.com.br – jornalvaia@gmail.com

O NHEÇUANO

O número 14 do jornal de Roque Gonzales, e editado por Marcos Marques chega às minhas mãos juntamente com Vaia. Um jornal cultural que dá conta das questões do povo Guarani, de livros, de literatura, de poemas e de notícias. Um jornal que sempre mantém aberto um canal para a divulgação de escritores catarinenses, principalmente através dos escritores Inês e Nelson Hoffmann (o primeiro, um amigo que guardo do lado esquerdo do peito).  (...) Nheçu, líder indígena Guarani, defensor de seu povo, sua cultura e sua terra, pioneiro na resistência aos conquistadores, no século XVII, na atual região das Missões, RS(...)

O TRINTA RÉIS

Recebi e agradeço o Boletim Informativo nº. 68, referente aos meses de abril e maio, da Academia São José de Letras, entidade presidida pelo escritor Artêmio Zanon.

POEMAS À FLOR DA PELE

A dinâmica escritora Soninha Porto (de Porto Alegre), presidente da Associação Cultural Poemas à Flor da Pele prepara uma festa ímpar para a comemoração dos 7 anos de existência do movimento. A programação contará com edição de nova coletânea reunindo escritores do Brasil e do exterior, passando pela estruturação da entidade, por lançamentos na Feira do Livro de Porto Alegre, em São Paulo e em outras cidades e culminando com um evento lítero-artístico-cultural na capital gaúcha.


GALERIA TÁTIL
 
Um espaço aonde todos poderão vivenciar a experiência tátil. Desfrutar as obras de arte não só com o olhar mas com o tato também, sentir a obra.
Artistas: Mauricio Muniz, Philippe Arruda, Vinícius Ávila, C. Ronald (C.Carlos Ronald Schmidt), Anderson Rodrigues, Ricardo Barddal e Juliana Hoffmann.





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CONFRARIA DO POEMA-pn


Além daquela janela
está o mar:
mar de maresia
mar de Maria.
É nele que me integro
que me misturo
e me entrego
buscando teu corpo.

Além daquela janela
Posso amar:
sem me negar
sem esconder
sem hesitar.

Além daquela janela
eu sou:
como cativo liberto
como liberto cativo.


 (Cativeiro, Pinheiro Neto, Chrischelle,1979)






terça-feira, 2 de julho de 2013

Edição nº. 48



PAPO NA CONFRARIA: Júlio de Queiroz


1- O que te motivou a escrever?

A leitura constante, documentalmente comprovadamente  me ter sido     ensinada por meu pai quando eu tinha três anos de idade.

2- Cite os TRÊS livros (e respectivos autores) mais significativos em tua vida?

Histórias de nossa terra/ Júlia Lopes de Almeida;Kim/Rudyard Kipling/ No Turquestão bravia/ Karl May.

3- Indique um livro (Literatura Brasileira) para leitura de: a) Alunos do Ensino Fundamental (5ª a 8ª séries), b) Alunos do Ensino Médio, c) Alunos do Ensino Superior.

a) Aventuras de Pedrinho/ Monteiro Lobato
b) O  escâdalo do petróleo/ Monteiro Lobato
c) Vidas ilustres/Hendrik van Loon.

4- Como se dá o processo da escrita em tua prática cotidiana?

Metodicamente, às tardes.  Os cortes e remendos acontecem a qualquer             
hora.

5- Fale sobre o apoio dispensado pelos setores público e privado à literatura.

Em verdade, é irrisório. O que importa a ambos é o fogo de artifício                 sem substância. Tudo começa quando alunos do curso primário (apelidado de fundamental) não podem ser reprovados. O médio é quase que só o aprendizado de truques e jeitinhos para os exames vestibulares. O do 3º grau não conseguem sequer exigir um emprego gramatical decente. Além disto, os poderosíssimos meios de comunicação atuais não dependem da palavra escrita e sim da verbalização oral pobre e imediata.

6- Fale sobre o papel das Academias  de Letras em relação à Língua e à Literatura?


As academias de letras deveriam ter como primordial cuidar da língua nacional. Escondem–se em torres de marfim. Não vejo nenhuma delas com coragem para denunciar a traição coletiva das “mídia” falada e escrita, que consideram indispensáveis salpicar palavras do inglês americano a torto e direito. Há milhares de exemplos de deformação da expressão brasileira, além de assassinarem o vocabulário nacional.  Nossos meios de comunicação passaram a desconhecer as palavras “para”, “informação”, “qualificar”, “ramo” e milhares de outras ou mal-traduzidas ou implantadas a força, como se a o português brasileiro seja incapaz de criar neologismos. A última estupidez generalizada é o emprego do verbo “perseguir” como se significasse “buscar” ou o erudito “almejar”. “Perseguir um ideal, um alvo” Só não é cômico, porque é trágico.

(*) Ocupante da Cadeira 10 da Academia Catarinense de Letras.

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O GATO É SELECIONADO PARA FESTIVAL

O curta-metragem O Gato, realizado na 1ª Oficina de Introdução à Prática Audiovisual: do desenvolvimento à produção, promovida em parceria pela Novelo Filmes e Fundo Municipal de Cinema (Funcine), foi selecionado para a mostra competitiva do Festival CinemadaMare, que ocorre de 25 de junho a 7 de setembro por 10 cidades italianas. 
Com direção de Juliana Bassetti e produção de Neca Gamarra, O Gato é uma adaptação do conto homônimo de Christiano Scheiner, autor também do roteiro. Com duração de 11 minutos, a narrativa mostra a mudança na rotina de um executivo e sua secretária depois que ele encontra um gato morto em cima da mesa do escritório. O animal passa a estimular comportamentos inusitados em ambos, trazendo à tona seus desejos mais obscuros.
O Gato venceu um processo seletivo no formato pitching na útlima etapa da oficina, que teve o amparo da produtora Onda Sonora e da Cinesuport. A realização do curta contou com o apoio da Loja Varal, Tucano House Backpacker, Loja do Guarda Pó e Banca Catedral. A oficina foi realizada na sala de cinema da Fundação Cultural Badesc, onde também ocorreu a pré-estreia.
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SEDA

Sinto-me, muitas vezes,
como se fosse
uma peça de seda
tão suave... e macia
enrolada no teu corpo
deslizando feito cobra
mas é teu o meu veneno.

Seda fina vai rasgando
nos teus bruscos movimentos
és sedento
tua calma é aparente
tens fúria apaixonada
desfiando a seda
em franjas.
Agora, restam-me os remendos.

(Telma Lúcia Faria, Anjo Solidão, Ed. Secco, Floripa, 2007)

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BESTIÁRIO MEYER FILHO

Uma pequena mostra da obra do nosso inesquecível Ernesto Meyer Filho pode ser revista e lembrada no prédio situado na Praça XV, esquina com a Rua Tiradentes, numa promoção da Fundação Franklin Cascaes.

Natural de Itajaí, onde nasceu em 1919, Meyer Filho – autodidata  -  ainda  adolescente viu despontar sua arte primitiva e surrealista. Místico, se auto-intitulava “Cidadão Honorário de Marte”, que afirmava haver visitado 20 vezes. Reforçando esse misticismo, ele morreu em 1991 – ano que traz os mesmos números do ano de seu  nascimento.

A curadora  do Memorial Meyer Filho, Kamila Nunes , organizou uma galeria interessante exibindo o “Bestiário” onde estão espalhadas telas com seres humanos acoplados ao fantástico imaginário do  artista na forma de animais, especialmente galináceos.

Na exposição existe uma tela muito curiosa onde o autor, em letra manuscrita, desabafa sua situação de precursor da arte surrealista nos três estados sulinos, sem contar com apoio algum ou qualquer reconhecimento.
Meyer Filho é figura de suma importância na História da cultura catarinense tendo expandido sua obra para outros pontos do País e até ao exterior.

(Ivonita Di Concílio/2013)


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A PRENDA

Sacode o manto de ervas
a fada do outono.
Encrespa o vento, as madeixas
da sua cabeleira.
A harpa em sintonia
desafia novos prelúdios...

Estende o seu bastão
a fada enternecida.
Estampa de flor e folha
no algodão prá tecido.
A natureza é uma prenda
trocando de vestido.

(Gladis Deble, Poemas à Flor da Pele, vol. 4, p.148, 2011) 


LI E RECOMENDO (2)

Triângulo rosa: um homossexual no campo de concentração nazista, escrito por Jean-Luc Schwab, traduzido por Angela Cristina Salgueiro Marques e editado pela Mescla Editorial em 2011 é antes de qualquer coisa o relato do depoimento de Rudolf Brazda, complementado com profunda pesquisa histórica realizada pelo autor.
“Da ascensão do nazismo na Alemanha à invasão da Tchecoslováquia, da despreocupação no início dos anos 1930 ao horror do campo de concentração de Buchenwald, esta obra revela em detalhe, pela primeira vez, as investigações policiais que visaram inúmeros homossexuais no Estado nazista. Também aborda, com tato e sem tabu, a questão da sexualidade num campo de concentração.”
O livro conta a história de Rudolf Brazda, nascido na Alemanha em 1913 de pais tchecos,  condenado duas vezes pelo regime nazista por ser homossexual e depois deportado para Buchenwald. Ele ficou preso naquele campo de concentração durante 32 meses, até sua libertação em abril de 1945, e fixou residência na França.

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REGISTRO

ROMANCE

A escritora Zenilda Nunes Lins lançou seu Romance “Reino das Estrelas” no dia 27 último, no auditório da Academia Catarinense de Letras, à Avenida Hercílio Luz, próximo ao Clube Doze de Agosto.
Na ocasião, a escritora e cantora Ivonita Di Concílio prestou uma homenagem musical à autora.

NOA NOA

A Cultura de Santa Catarina perdeu na madrugada do dia 23 de junho o poeta e editor,  Cléber Teixeira, aos 73 anos. A Noa Noa, sua editora mantinha como carro chefe uma  impressora no estilo da prensa de Gutemberg, a marca registrada desse “homem de cultura”. De tanto amar os livros Cléber só os concebia através do modelo artesanal de impressão, a tipografia.
Sua contribuição à Literatura ficará para sempre marcada na história do que se produziu e produzirá em Santa Catarina, embora suas cinzas fiquem depositadas no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, sua cidade natal.




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CONFRARIA DO POEMA-pn

A palavra paixão
não deixa escolha
corrói meu interior.
Conota-se amor
traveste-se amizade.

A palavra paixão
revolve o peito
adormecido sentimento
velhos desejos,
tufão (des)amenidades.

A paixão palavra
Revive o tempo.

(Paixão-Palavra, Pinheiro Neto, A rosa do verso,1988)






quinta-feira, 30 de maio de 2013

Edição 47

  


PAPO NA CONFRARIA: Celestino Sachet(*)


1 – O que te motivou a escrever?
Não sei! A vontade de escrever veio vindo, veio vindo, e se instalou em mim sem dar a mínima explicação desde os primeiros anos da escolaridade formal.

2- Cite os TRÊS livros (e respectivos autores) mais significativos em tua vida?
Dos três livros mais significativos em minha formação cultural, o primeiro, não li: prestei atenção, com muito interesse, na leitura que a professora Lucinda Machado Vieira, lá na terceira série do ensino primário, 1938, lia uma vez por semana para toda a turma. E como ficávamos grudados nas palavras do texto. Era uma adaptação do Pinóquio, a história daquele boneco de madeira que, quando mentia, crescia-lhe o nariz que já estava desse tamanho. O livro foi escrito pelo italiano Carlo Lorenzini Collodi, 1826-1890. A história, em mãos da professora, levava o título Zé Pinho, publicado na revista O Eco, dos padres jesuítas de Porto Alegre. O segundo, que descobri no Colégio Catarinense, entre 1945-1948, quando estava frequentando o curso ginasial, foi Vidas Secas, de Graciliano Ramos, 1892-1931. O terceiro, já na Faculdade Catarinense de Filosofia, Ciências e Letras, 1955-1958, levava o título Grande sertão: veredas, de Guimarães Roas, 1908-1967.

3- Indique um livro (Literatura Brasileira) para leitura de: a) Alunos do Ensino Fundamental (5ª a 8ª séries), b) Alunos do Ensino Médio, c) Alunos do Ensino Superior:

Para leitura dos alunos de ensino fundamental – se é que nós madurões ainda conseguimos convencer crianças em processo de alfabetização e de  primeiras letras – eu indicaria O menino maluquinho, do Ziraldo.
Para os níveis posteriores, vão os mesmos livros que me compraram a simpatia no Colégio Catarinense e na Faculdade de Filosofia. Para repetir: Vidas secas e Grande sertão: veredas.


4- Como se dá o processo da escrita em tua prática cotidiana?

Como se dá o processo da escrita em minha vida cotidiana, é outro mistério. De repente me dá ganas de escrever, sempre à mão, porque, para mim, a palavra é como se fosse barro ao qual devo dar forma de objeto estético. Escrevo e risco, risco, até que a palavra, me olhando, diga:
            - Pára de te intrometer na minha vida. Já está bem assim! E não tenta mais porque estou cansada com tantas mudanças dentro do meu corpo e do meu espírito.

5- Fale sobre o apoio dispensado pelos setores público e privado à literatura.

Sobre o apoio dispensado pelo setor público e pelo setor privado à literatura não me parece que ele seja tão necessário. Acho que os dois não devem meter-se na criatividade do escritor. O melhor que eles fazem é ficarem fora do processo. Ou, então, que se metam a estimular leitores ... e compradores de obra publicada!

6- Fale sobre o papel das Academias  de Letras em relação à Língua e à Literatura?

             Das Academias de Letras, escritores e leitores precisam receber, de maneira prática, pistas sobre os melhores caminhos para escrever bem e de ler com mais proveito pessoal até o ponto em que o leitor consiga atravessar o livro com criatividade e com prazer.
           
(*) Ocupante da Cadeira 15 da Academia Catarinense de Letras.

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VIAGENS 

Já nem consigo lembrar
quantas vezes te busquei
com nomes e fomes
criados ao acaso,
de meus cansaços ocasionais
restam marcas na parede
escondidas discretamente
por cartazes de eventos e ideologias

e mal consigo reter-te
para o sono ligeiro
da lassidão do corpo
e a exaustão do braço

(Alfredo Roberto Bessow, Edições Sanfona, Floripa, 1985)

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POR UM NOVO MUNDO (*)

Quando o jornalista Ademir Arnon, presidente da Associação Catarinense de Imprensa, convidou-me para apresentar este livro  em nome daquela entidade, confesso que fiquei  um tanto apreensivo. Afinal, é uma responsabilidade muito grande apresentar um livro destinado a crianças. Acredito que o cuidado deve ser bem maior do que o necessário para a apresentação de um livro que tenha como alvo o público adulto. A criança é um ouvinte/leitor extremamente exigente, nada lhe passa despercebido. Seu senso de observação é muito aguçado e perspicaz. Nessa idade – entre dois e seis anos – a criança está moldando seu caráter, sua personalidade. Alie-se a isso o fato de que todo o livro infantil precisa considerar a criança – alfabetizada ou não – como um ser inteligente.
Pedi um tempo para examinar o material e fui para casa. Estava deveras curioso. Li uma, duas, três vezes. Comecei a gostar da história, da linguagem e da utilização da língua padrão culta, da mensagem, da objetividade do texto. Senti que precisava de elementos mais concretos, mais palpáveis  e que me dessem segurança. Foi aí que  resolvi fazer uma pequena experiência para verificar qual poderia ser a reação do público alvo, isto é,  crianças e professores. Entreguei o livro a uma professora de Séries Iniciais e pedi que o lesse para algumas crianças não alfabetizadas e fiquei observando. Como ela não havia feito nenhuma análise preliminar do livro, agrupou as crianças e iniciou a leitura. A cada frase lida a professora mostrava os desenhos correspondentes e as crianças formulavam muitas perguntas: sobre as características físicas ( as anteninhas, as orelhinhas, os olhinhos) e psicológicas  (os bons, os maus, os alegres, os tristes) das personagens; sobre as diversas cores utilizadas; sobre  palavras e expressões não entendidas; sobre as semelhanças e diferenças dos personagens.  Ao final a professora trabalhou diversas questões a partir das perguntas das crianças e das mensagens que a história tenta passar, tais como: as diferenças, exclusão e inclusão, preconceitos, cores, espaço e tempo, planetas diferentes do nosso e seus possíveis habitantes, fábulas, folclore e outros. As crianças, sempre envolvidas, sorriam, brincavam, interagiam durante todo o processo.
Teste feito, livro aceito, ou melhor, apto para ser recomendado. Agradeci a professora e as crianças e considerei minha tarefa concluída.  Afinal, minha contribuição ultrapassou o simples compromisso de uma apresentação formal  e ainda permitirá aos autores – Augusto de Abreu, do texto e Rael Dionísio, das imagens – algo que não é muito comum no mundo da editoração, isto é, ver seu livro testado antes de ser publicado. Está certo que não se tratou aqui de uma experiência científica mas empática, de aceitação e, por isto mesmo, não menos válida.
                             

(*) Apresentação que fiz para o livro Novo Mundo, de Augusto de Abreu, membro da Academia Desterrense de Letras, editado pela Associação dos Cronistas, Poetas e Contistas Catarinenses. O lançamento do livro está agendado para o dia 7 de agosto, às 19:30 na Livraria Catarinense do Beira Mar Shoping.

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LI E RECOMENDO (1)

Realidade: história da revista que virou lenda, escrito por  Mylton Severiano, com apresentação de Paulo Henrique Amorim foi editado pela Insular este ano. Apresenta a trajetória de um grupo de jornalistas “sem diploma” que, de 1964 a 1969 colocaram nas bancas 33 números da revista (Realidade) que revolucionou a maneira de “fazer revista” no Brasil. Seu autor utiliza uma linguagem simples e ao mesmo tempo elaborada e contagiante que faz com que o leitor não queira desgrudar do livro um só minuto. Quiçá a fórmula trazida da época da revista.

Segundo Paco Maluco (Paulo Henrique Amorim), um dos metais da grande banda Loucos de 64, “Realidade captou aquela ânsia de entender o mundo desorganizado dos anos 60, os costumes, os novos personagens, a miséria que São Paulo desconhecia: uma realidade que soltava um cheiro parecido com o dos mictórios dos bares que nós frequentávamos. Tudo misturado à intervenção militar.”

Mylton Severiano, paulista de Marília, onde concluiu o ensino médio e um curso de música de seis anos, hoje mora em Florianópolis. Passou por inúmeras redações de jornais, revistas e telejornais, antes de se tornar free-lancer e dedicar-se a criar peças para campanhas eleitorais e a escrever livros. Publicou, entre outros, Se liga! O livro das drogas (Record), a biografia Paixão de João Antônio (Casa Amarela) e Nascidos para perder – história do Estadão (Insular).

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REGISTRO

LANÇAMENTO

O romance de Miro Morais, O reino dos esquecidos, editado pela Insular, será lançado no dia 7 de junho próximo, a partir das 19:30 na Lindacap, em Florianópolis.

VAIA

Recebi o número 33 de do jornal Vaia, de Porto Alegre que tem como Editor Fernando Ramos e Diagramação de Marcos Marques. Destaque para a programação da 6ª. Festa Literária de Porto Alegre – FestiPoa, para a entrevista com Cristóvão Tezza e para o Concurso Literário Contista Estreante. www.jornalvaia.com.br – jornalvaia@gmail.com

O NHEÇUANO

O número 14 do jornal de Roque Gonzales, referente a abril e maio deste ano e editado por Marcos Marques chega às minhas mãos juntamente com Vaia. Um jornal cultural que dá conta das questões do povo Guarani, de livros, de literatura, de poemas e de notícias. Um jornal que sempre mantém aberto um canal para a divulgação de escritores catarinenses, principalmente através dos escritores Inês e Nelson Hoffmann (o primeiro, um amigo que guardo do lado esquerdo do peito).  (...) Nheçu, líder indígena Guarani, defensor de seu povo, sua cultura e sua terra, pioneiro na resistência aos conquistadores, no século XVII, na atual região das Missões, RS(...)

O TRINTA RÉIS

Recebi e agradeço o Boletim Informativo nº. 68, referente aos meses de abril e maio, da Academia São José de Letras, entidade presidida pelo escritor Artêmio Zanon.

POEMAS À FLOR DA PELE

A dinâmica escritora Soninha Porto (de Porto Alegre), presidente da Associação Cultural Poemas à Flor da Pele prepara uma festa ímpar para a comemoração dos 7 anos de existência do movimento. A programação contará com edição de nova coletânea reunindo escritores do Brasil e do exterior, passando pela estruturação da entidade, por lançamentos na Feira do Livro de Porto Alegre, em São Paulo e em outras cidades e culminando com um evento lítero-artístico-cultural na capital gaúcha.


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CONFRARIA DO POEMA-pn

A palavra chega rápido.
Não a domino.

Fogem as imagens
              as figuras
              as idéias.

Animal xucro
fêmea insaciável.

Ah... palavra!
(prostituída)?
Sem substituta –
A cada dia mais potra!

(Palavra, Pinheiro Neto, A rosa do verso,1988)






terça-feira, 23 de abril de 2013

Edição nº. 46





PAPO NA CONFRARIA: JALI MEIRINHO (*)
       
1- O que te motivou a escrever?
    
 Na casa do meu avô, Emilio. Os livros andavam por lá.  Livros, jornais, revistas ilustradas, almanaques e, também, o rádio; lembro-me bem do Tico-Tico, o gibi nacional. Antes de frequentar o primário, eu já soletrava e desenhava letras. Depois, no ginásio, veio a ideia de um jornal manuscrito e, daí para Jornalismo e a História foi como água corrente no Itajaí-Açu.


2 - Cite os TRÊS livros (e respectivos autores) mais significativos em tua vida?

- A trilogia O Tempo e o Vento (O Continente -O Retrato – O Arquipélago)de Erico Veríssimo.
- Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freyre.
- Quando Nosso Mundo se Tornou Cristão, de Paul Veyne.


3 - Indique um livro (Literatura Brasileira) para leitura de:

a) Para alunos do Ensino Fundamental (5ª a 8ª séries):  Qualquer  título da obra infanto-juvenil de Maria  de Lourdes  Ramos Krieger.

b) Para alunos do ensino Médio:  A Realidade Catarinense do Século XX - Coletânea do IHGSC, organizada por Carlos Humberto Corrêa.

c) Para alunos do Ensino Superior: Bichos Procuram Buracos em Paredes Brancas, de C. Ronald.



4- Como se dá o processo da escrita em tua prática cotidiana?

Na ficção, o escritor visualiza o branco da tela e cinzela o que flui da imaginação. Escrever História requer pesquisa, busca de dados, confronto de valores; abstrai-se o processo criativo. Após reunir o grosso das informações,o historiador tem que desemburrá-las, fazer escolhas sobre o que interessa ao leitor que busca conhecimento histórico.  É um dever, abstrair  o fictício da narrativa histórica. Tarefa difícil, porque depois que o mito contamina a verdade histórica, esta verdade torna-se, quase sempre, irrecuperável.
5- Fale sobre o apoio dispensado pelos setores público e privado à literatura.

     O apoio do Governo a literatura e, no sentido mais ampliado, as manifestações culturais, sempre foi e sempre será questionado. É notório o descaso das autoridades para com os valores culturais.  Ocorre que alguns governantes são mais competentes, cientes de sua responsabilidade; outros são omissos ou delegam atribuições a incompetentes. Já tivemos governo disposto acabar com a Biblioteca Pública do Estado. Importante é que as instituições, não vinculadas ao Poder Público,mantenham alerta para evitar ações demolidoras. E mais, que estas instituições implodam rochas na busca de diálogo vivo com o Governo de plantão.  Não se negará aplauso a quem usar vara de marmelo para disciplinar ação inteligente, nesta seara.


6- Fale sobre o papel das Academias  de Letras em relação à Língua e à Literatura?

Cumprir o preceito estatutário que reza: “Cultivar a língua vernácula e defender os valores da cultura nacional e estadual, principalmente no campo literário”.


(*) Ocupante da Cadeira 30 da Academia Catarinense de Letras.


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MIRO MORAIS NO REINO DA ACADEMIA DE LETRAS

Na edição de agosto de 2012 dei em primeira mão a notícia sobre o novo romance de Miro Morais, anunciando também sua candidatura à cadeira 20 da Academia Catarinense de Letras, cujo último ocupante foi Osvaldo Ferreira de Melo, eminente historiador, escritor e músico catarinense.

No dia 22 de abril último, passadas três disputas sem que nenhum dos concorrentes alcançasse o número de votos necessários, eis que Miro é eleito, para alegria daqueles acadêmicos que nele votaram justo por sabê-lo um dos melhores e mais consistentes romancistas de nosso estado.

Sociólogo, professor universitário, pesquisador, Altamiro Morais de Matos foi fundador e reitor de universidade no oeste de Santa Catarina, professor e Diretor da Faculdade de Educação, Superintendente da Fundação Catarinense de Cultura dentre outras funções públicas.

Como escritor, é autor de dois sucessos de mídia e de venda no país e no exterior, A coroa no reino das possibilidades e Cândido assassino. Seu novo romance, O reino dos esquecidos, será lançado em maio pela editora Insular.

Não tenham dúvidas, meus caros confrades da ACL, o Miro chega disposto a ajudar, quer contribuir, quer mostrar presença e serviço em favor da Literatura e de nossa entidade, que vive um período muito difícil, esquecida pelo Governo do Estado.

E é isso: na minha opinião, qualquer um que pretenda ser um membro da Academia Catarinense de Letras necessita: 1) conhecer o que diz todo o Estatuto daquela Casa;  2) incorporar seu objetivo maior,  “...cultivar a Língua Vernácula e defender os valores da cultura nacional e estadual, especialmente no campo literário...”; 3) ter a consciência de que para tanto é preciso antes de qualquer coisa ser escritor (escrever e publicar literatura – romance, novela, conto, crônica, poemas; produzir pesquisas,  ensaios, estudos, críticas sobre artes plásticas, literatura, folclore, cinema, história, cotidiano,  cultura enfim).

Eleito e empossado, todo acadêmico precisa assumir compromisso com a instituição participando cotidianamente de suas atividades, conhecendo e cumprindo seus direitos e deveres (artigos 14 e 15 do Estatuto). Destaque para “presença às sessões e pagamento das contribuições ou outros encargos fixados pela Assembléia”. Necessita também ter clareza: a) que é prudente menos empáfia e mais humildade e companheirismo; b) que não basta apenas ostentar o título e a medalha e marcar presença nos eventos mais solenes e “pomposos”, deixando nos ombros de poucos a responsabilidade de resolver sozinhos todos os problemas. c) que é preciso ter consciência da imortalidade acadêmica, não esquecendo em nenhum momento a mortalidade do acadêmico.

Parabéns meu caro, para ti e para aqueles, como eu, que acreditamos sempre! Valeu pela persistência e pelo destemor. E sejas bem vindo ao convívio de teus novos confrades!

Sobre o novo romance de Miro

O reino dos esquecidos, está estruturado em oito capítulos que sobrevivem por si só mas são costurados pela história do Barão de Vinhedo, Dom Manoel Manso, personagem central. São eles: Início da aventura; Rumo ao desconhecido; A construção dos sonhos; Um novo olhar; Origem de Mariano Paixão; O amor de Fábio Paixão; O reino ameaçado e Início final.
Dom Manoel manso, um fidalgo muito próximo ao Imperador, por razões misteriosas, abandona a corte no Rio de Janeiro e se lança à aventura de criar no Sul do Brasil um povoado onde as pessoas possam ser felizes. Para realizar o seu sonho não lhe basta dominar a natureza hostil e fascinante e aprender a conviver com ela. O seu projeto entra em conflito com as crenças e as regras, a ordem e a desordem e o Poder que reina sobre tudo e todos. E isso se transforma em mais uma ameaça para o seu plano e a sua vida.
Mas a determinação de Manoel Manso não tem fronteiras. Aos poucos ele atrai para sua idéia, vista como visionária, sobretudo, os que nada tinham. Nem bens materiais nem esperanças. E, logo, também os ambiciosos de riqueza e poder. E tudo vai se transformando em um universo com alma própria.
Pequenos e grandes heróis expõem suas paixões, seus ódios, seus amores, a traição e a solidão, suas esperanças, tristezas e alegrias. As suas múltiplas histórias se entrelaçam – em capítulos que se auto justificam – dentro de um enredo maior, onde convivem os aventureiros e os acomodados; os santos e os assassinos.
Para Dom Manoel Manso o ser humano é o seu santo e o seu demônio. E, dentro dele, perde o que ele conseguir mais fragilizar. E é esse desafio da liberdade que ele próprio, cada um dos moradores do lugar que fundou e o país se deparam todos os dias, todos os momentos, que o desencanta e fascina.

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SETE ANOS DA POEMAS À FLOR DA PELE

A qualidade das criações levou-nos a buscar cada vez mais o registro da palavra. Invadimos, assim, a internet com concursos, festivais de poemetos, e-books, onde fizemos brotar o desejo em promover e divulgá-la em todas as suas manifestações. 

Com este intuito, abrimos nossos trabalhos de antologias e coletâneas em 2008, pelo Congresso Brasileiro de Poesia de Bento Gonçalves/RS, para escritores iniciantes e consagrados do Brasil e de outros países, num processo que mais lembrava a música: afinando-se palavras.
 
Em 2010, criamos a Associação Cultural Poemas à Flor da Pele, com integrantes do Rio Grande do Sul e de outros estados e a Editora Somar para, nós mesmos organizarmos as publicações. 

São 7 anos de eventos memoráveis e livros marcantes, e neste volume 6, homenageamos a força da palavra, com destaque a 7 escritores: 
Doroty Dimolitsas, de São Paulo, Gladis Deble, de Bagé/RS, Pinheiro Neto, de Barra da Lagoa/SC, Sonia Maria Grillo, a B@by , de Vitória/ES, Sonia Medeiros Imamura, de Búzios/RJ, Telma Moreira, do Rio de Janeiro e Vany Campos de Porto Alegre/RS, que tiveram atuações poéticas e presenciais junto ao grupo que fizeram toda a diferença no processo de interação e crescimento do grupo Poemas à Flor da Pele. Estes sete integrantes significam apenas a simbologia dos 7 anos porque, na verdade teríamos 70 vezes 7 a homenagear.

Convidei meus amigos, adoráveis poetas Ana Luiza Conceição para fazer a orelha do livro, Iara Pacini para elaborar a capa e a orelha e Jorge D Barbosa para revisar o trabalho, ficou maravilhoso!

Poemas à Flor da Pele pode-se dizer que reflete a essência de viver, a poesia.
Clarice em seus devaneios fala o que Poemas pensa: 

Viver em sociedade é um desafio porque às vezes ficamos presos a determinadas normas que nos obrigam a seguir regras limitadoras do nosso ser ou do nosso não-ser... Quero dizer com isso que nós temos, no mínimo, duas personalidades: a objetiva, que todos ao nosso redor conhece; e a subjetiva... Em alguns momentos, esta se mostra tão misteriosa que se perguntarmos - Quem somos? Não saberemos dizer ao certo!!! Agora de uma coisa eu tenho certeza: sempre devemos ser autênticos, as pessoas precisam nos aceitar pelo que somos e não pelo que parecemos ser... Aqui reside o eterno conflito da aparência x essência. E você... O que pensa disso? 

(Soninha Porto, Editora Somar, Poemas à Flor da Pele, abril 2013)

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MOSTRA NUEVA MIRADA É EXIBIDA PARA ESTUDANTES 

Desde o dia 8 de abril, a Fundação Cultural Badesc recebe escolas de Florianópolis para exibição de filmes da Mostra Itinerante do Festival Internacional de Cinema Nueva Mirada para Infância e a Juventude. Ao todo, são dez programas disponíveis, que incluem curtas-metragens e longas de animação e ficção. As sessões para o público escolar ocorrem às 9h30 e às 15h30 e podem ser agendadas pelo emailarte.e.publico@gmail.com ou pelo telefone (48) 3224-8846, das13h às 18h. 

Os filmes são protagonizados por personagens de culturas e hábitos diversos, desde a América até a Europa. “Trata-se de longas e curtas-metragens de animação e ficção criados para que crianças, jovens e toda a família possam encontrar nos filmes um espaço de encontro e de comunicação que, além de divertir,motive a reflexão, a curiosidade e o prazer da descoberta”, diz a diretora do Festival Internacional de Cinema “Nueva Mirada” Suzana Vellegia.

O festival ocorre anualmente em Buenos Aires, na Argentina, é um dos mais importantes eventos do gênero no mundo e pela primeira vez vem ao Brasil através de uma parceria com o Sesc. De acordo com o presidente do Conselho Nacional do Sesc, Antonio Oliveira Santos, a Mostra possibilita que crianças e jovens, além de pais, professores e produtores culturais tenham acesso a uma cinematografia de qualidade, abordando questões relativas ao universo infanto-juvenil em diversos países. A partir de maio, a Mostra Nueva Mirada será apresentada por outras cidades de Santa Catarina. Contatos: Helena Stürmer (47) 9127-8113 e Fifo Lima (48) 9146-0251.

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ERRATA
Na edição anterior faltou a legenda da foto na entrevista Flávio José Cardozo. O escritor, aparece acompanhado pela bibliotecária Michelle Pinheiro, após palestra ministrada a alunos na cidade de Criciúma.
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CONFRARIA DO POEMA-pn
I
A pele das mãos
enrugada.
Nevos melanocíticos
cortam e cantam:
passado sem paixões.

II

Reúnem-se espectros
no pátio da vida.
Planejam o seqüestro
do tempo que resta.

(Nano poemas , Pinheiro Neto/2011)