quinta-feira, 17 de maio de 2012

Edição 36



QUANDO O GARÇOM É POETA

Olsen Jr.

   Surpresas! Ninguém está livre delas. Não naquele sentido emprestado pelo Barão de Itararé (Apparício Torelli) quando afirmou, “de onde você menos espera, daí mesmo é que não sai nada”. Mas, de repente, o sujeito com quem você conversa esconde, em uma ocupação mundana, um grande talento para uma área totalmente diversa. Um garçom, por exemplo, que é escritor.

   Quando cheguei, o restaurante estava quase lotado, seis garçons se revezavam no atendimento. Ele me vê no balcão, apressa-se em dizer, “consegui baixar na internet, a Divina Comédia”... Retorna pouco depois da mesa que está servindo, as mãos ocupadas com pratos, copos e garrafas... Indago, mostrando interesse no assunto, que livros? Ouço, ou pareço ouvir, enquanto ele passa apressado em direção da copa, “a terra, o céu e o inferno”... Imagino aquele cidadão com mais tempo para se dedicar àquilo que, de fato gosta, livros e leituras. Também, da música, da qual já tinha notícias, após comprar um cd que ele próprio gravara, depois de um ano de “economias”, muitas “horas extras” na alta temporada em Florianópolis no ano passado... Na volta, já com a bandeja cheia, continua a conversa, “tive sorte, consegui o livro em versos, melhor que a prosa lançada, tempos atrás, aqui no Brasil, a poesia é superior”... Não deu tempo de corroborar com a descoberta dele, logo vislumbro seu corpo arqueando-se sobre uma das mesas para servir as bebidas. Sujeito dedicado estava ali. Aceitava com desenvoltura os seus desígnios presentes, uma espécie de preparação para, quem sabe, vôos futuros. Tento me concentrar neste roteiro não escolhido, para pegar o mesmo vôo que aquele homem condenado a servir os seus iguais...

   Logo que passou o “sufoco”, ouço a voz dele, às minhas costas, no balcão, “descobri um sebo, numa galeria aqui na cidade, alguns autores que estava a muito procurando, Rimbaud, Bukovski, Kerouac... Conheces?”... Respondo, huumm! Alguma coisinha, estes caras da “beat generation” como ficaram conhecidos, li quando tinha 17 anos, faz algum tempo, Allen Ginsberg, Thimoty Leary, Gregory Corso, Lawrence Ferlinghetti, William Burroughs, Gary Snyder, Neal Cassady, Peter Orlovsky, Ken Kesey, este, escreveu “Um Estranho no Ninho”... “Bah!” Ouço a exclamação, enquanto ele ri, “esqueci que você é um escritor”... E se afasta para atender um novo chamado na mesa em frente da janela, no outro lado do salão... Aquele sujeito não tinha interlocutores ali... Depois que voltou, com a comanda nas mãos, antes de fazer o pedido para o copeiro, sugeri para ele, rapidamente, precisamos conversar qualquer hora, faço um churrasco, convido alguns jornalistas e escritores, que tal? “Topo”, afirmou ele, se afastando novamente.

   Enquanto pagava a minha conta, comentei no balcão, para o caixa, feliz do restaurante que tem poetas como garçons... O proprietário me olhou, surpreso, mas não se fez de rogado, “do jeito que bebem, preferimos os poetas como fregueses”... Estava rindo ainda, quando me deu o troco.


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POEMAS REUNIDOS

Este é o título da coletânea reunindo todos os meus poemas editados até hoje e mais alguns inéditos, em comemoração aos meus quarenta e cinco anos “fazendo poesia”.
Trata-se de um projeto há algum tempo acalentado por mim e que ganhou forma no último ano de gestão do saudoso mestre Lauro Junkes, então Presidente da Academia Catarinense de Letras.
O volume é apresentado pelo grande estudioso da nossa Literatura, professor Celestino Sachet e traz na contra capa um texto do escritor Olsen Jr..
Em breve estarei divulgando a data, com o respectivo o local e hora, em que será realizada a noite de autógrafos.

7º PRÊMIO FUNCINE

Estão abertas as inscrições para o 7º Prêmio Funcine de Produção Audiovisual Armando Carreirão. Esta edição teve um crescimento de 50%. Em 2011, era de R$ 170 mil e agora vai para R$ 250 mil. Além do aumento dos valores, havia somente um prêmio para a categoria estreante e neste ano serão dois

Serão contemplados oito projetos de curtas-metragens digitais: dois na categoria 1, no valor de R$ 50 mil, quatro na categoria 2, no valor de R$ 30 mil, e dois na categoria 3 (diretores estreantes), no valor de R$ 15 mil.

A apresentação das propostas de filmes concorrentes é realizada em arquivo PDF em CD. O Prêmio é uma realização do Fundo Municipal de Cinema (Funcine) e conta com o apoio da Cinemateca Catarinense, Fundação Franklin Cascaes e Prefeitura Municipal de Florianópolis.

Desde o ano passado, o edital está com um novo formato, aprovado em uma consulta pública. Até 2010, havia prêmios específicos para os gêneros ficção, documentário e animação. Agora, há somente faixas de valor. A mudança privilegia a qualidade das propostas de filmes, independente do gênero, e incentiva projetos de novos diretores.


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CONFRARIA DOS NOVÍSSIMOS

“Todos os loucos e os mendigos possuem uma visão de mundo que invejaria qualquer artista consagrado. Entretanto, suas confusões psicológicas os tornam seres alvejáveis perante a inteligência humana.
Os loucos, dentro de suas loucuras felizes ou infelizes, impõem suas próprias razões sobre os outros valores que não lhes dizem respeito em seus próprios universos. Ou seja, são pessoas completamente normais.
Os mendigos, dentro de suas misérias felizes ou infelizes, rastejam-se diante de uma vida ilusoriamente promissora, confrontando-se com resultados ilógicos e muitas vezes injustos. Ou seja, são pessoas completamente normais.
A questão não é o ponto de vista sobre o cotidiano, mas o cotidiano em si.
Se todos os loucos e mendigos tivessem aderido ao cotidiano de forma pacífica, de certo não subverteriam as obras dos verdadeiros artistas.”

(Texto de Cláudio Domingues – Floyd. Recebi numa das sinaleiras da cidade, não lembro qual. O escritor entregava seus textos em troca de alguma moeda, possivelmente para permitir a impressão de novos trabalhos. Este texto foi escrito no dia 31/12/2011 às 14h39min e é intitulado Cantarei nos albergues e nos hospícios.)
Um poema aos professores (sempre lutando pelo pão de cada dia e por melhores condições de trabalho)

Não era pra ser, 
tudo conspirava contra, 
ninguém queria ver, 
se visse, fazia de cont(r)a. 
E foi assim, acredite,
veio devagar, muito tranquilo,
e de repente, com voraz apetite,
devora tudo aquilo, 

que um dia fez,
calor agora é frio,
o rei nada diz, 

nasceu como ser feliz,
viveu pouco, muito riu,
humilde, é sempre aprendiz. 

(Entre o sol e a lua vive o professor, inédito de Lúcio Darelli)
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REGISTRO


  1. Em minhas mãos o número 37 da revista do Grupo de Poetas Livres, Ventos do Sul. Um belíssimo trabalho encabeçado pela escritora Maura Soares, dedicado a Licinho Campos. Destaque para as homenagens feitas ao artista e escritor, bem como para: Oração dos poetas, destaque literário- Sylvia Amélia Carneiro da Cunha, descobrindo portas novos e promovendo os poetas do grupo. Nestas duas últimas seções, nota-se o volume de poemas produzidos bem como a qualidade da grande maioria deles. Site do Grupo: www.poetas livres.com.br


  1. Boletim do Instituto Histórico e Geográfico 162, referente a abril de 2012.


  1. O Trinta Réis, referente a março/abril de 2012, Boletim da Academia São José de Letras, trabalho excelente de seu Presidente o confrade Artêmio Zanon. Destaque para a excelente matéria em homenagem ao escritor e membro da Academia Catarinense de Letras, Jair Francisco Hamms, “o encantado por palavras” falecido no dia 11 de janeiro de 2012.


  1. O Nheçuano, jornal da cidade de Roque Gonzáles-RS que tem como responsável o escritor e jornalista Marco Marques e onde escreve o meu caro amigo escritor Nelson Hoffmann, que sempre tem aberto espaço para a divulgação das obras produzidas em Santa Catarina.


  1. A ILHA, suplemento literário número 120 referente a março de 2012, editado pelo escritor Luiz Carlos Amorim. Segundo o editor, “são quase trinta e dois anos de publicação da revista do Grupo Literário A ILHA, divulgando a nova literatura que vem sendo produzida nas últimas décadas. Nesta edição, destaque para “literaturacatarinense sempontocom” de Celestino Sachet, “Amemos a Ilha!” de Enéas Athanázio, além de vários poemas de autores diversos.


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CONFRARIA DO POEMA

I
Aberto o compasso
Mostra-se o coração,
Doído, marcado,
Pelas cicatrizes
Entrecortadas
Ao vento.

II
Carótidas obstruídas
Vertigens, tonturas.
Valente coração
Teimoso, bate ainda.

(Pinheiro Neto, Cena 2011-1, Poemas à flor da pele, p. 338) 

segunda-feira, 12 de março de 2012

Edição 35 março 2012-1


                       
                                

A  PRIVADA  DA  VÓ  DO  ALEMÃO
                                  Rui Cesar Bittencourt


Barra da Lagoa, em Florianópolis,  é um local bastante interessante. Com
muito de suas características  ainda preservadas, é única.  Comunidade
pesqueira das mais produtivas, abastece o ano inteiro nosso mercado com
tainhas, enchovas e corvinas. Tem personalidade e vida próprias.
Conheço nativos que conseguem passar meses, às  vezes um  ano inteiro sem
sequer ir ao centro... -  não “carece”...lá  tem tudo, dizem eles.  Quando
vão  é para consultar com os “Doutori”...!!!
Com seu vai e vem ininterrupto dos barcos de pesca, linguajar próprio, fruto
de  seu “fechamento cultural”, ali mantém-se  vivo
 o sotaque carregado açoriano-manezes.
Tem “causos” e  personalidades-peças-raras que são hilários.

O Alemão grandão  é um  deles.

Numa dessas sextas-feiras, de passagem por lá, vejo meu  amigo  subindo a
rampa de acesso à  ponte ex-pênsil – que  agora não balança mais -  depois
de reformada e tornada rígida pelo Prefeito  “Daro ”.
Todo compenetrado, carregava umas tábuas nas costas, atravessadas,
incômodas, uma viga, ou barrete, na frente, caminhando com  dificuldade.
- Vais construir o quê Alemão, com esse madeirame todo?  ...perguntei
brincando.
-  Meio encurvado pelo peso, sacana do jeito que é, prontamente   responde:
-  é  pra  reformar a privada da minha  Vó,  relíquia da família, lá em cima
do morro.
Era verdade.

O  cara é uma peça raríssima. Comprido, quase dois metros de altura, de tão
alto e desengonçado, é até um pouco corcunda, seguramente de tanto olhar
para baixo para conversar com as pessoas. Só vendo o tipo, legítima
encarnação do  manézinho típico da Ilha.
Somos amigos há uns bons anos. Para terem uma idéia, eu meço  um metro e
oitenta e para falar com ele tenho que olhar pra cima...!
De sorriso fácil, fala grossa, olhos grandes e “arregalados”, carrega
vários colares no pescoço e pulsos, com bolas grandes e pequenas de madeira,
como adornos e proteção. Entre os colares pendurados um deles ostenta
miçangas coloridas,  azuis e brancas, não meras coincidências, pois
irremediavelmente circula pela Barra quase que com o uniforme completo do
Avaí, fanaticamente seu time do coração. Está sempre vestindo a camiseta
oficial por fora das calças ou  bermuda e  boné azuis, com o símbolo do
Leão.
Faz um misto de “girafa” (pela altura) com pai-de santo-avaiano, pelos
tantos penduricalhos, cores e excentricidade exibidos.

Perguntei como é que ele faz para tomar banho, com
todos aqueles badulaques ?
- Alguns eu tiro, outros não…nuuuunnnnca do pescoço:  - são “muito fortes”,
dizia ele...!!!  Pelo boné já me ofereceram uma grana,  mas nem pensar em
vender.
 “Bafinho” de cana no ar, fechando os olhos enquanto falava,  seu costume,
me explicava que a privada, lá no alto do morro...  - é antiga pra caramba.
 - Foi  lá que minha Vó  “rezou” durante toda sua vida...e a família
inteira, por muitos anos, também lá sentou pra fazer suas “oraçõezinhas” de
manhã cedo....!!!  E ria, com uma baita cara de sem-vergonha.
-  O  neguinho baixava as calças e sentava no trono de madeira, com vista
panorâmica por entre as largas frestas das tábuas, obrando  e  apreciando o
mar distante lá de cima, com aquele ar puro;  um privilégio para  poucos.
– ‘Tá chegando o bote do fulano, saindo o do beltrano... aquele  ‘tá
carregado, afundado pelo peso, o outro não matou nada....

-  Ôhh  Rui, escuta aqui óh – e se inclinava para falar comigo - vou te
confessar uma coisa que poucos sabem: -  muita revista de “mulhé”  pelada eu
levei lá pra trás....e ria o safado..!!!
 - Agora, te digo, com o ventão nordeste de inverno, que pega de frente no
barraco, imagina, chegava a congelar  o rabo do neguinho. Tinha que ser
ligeiro no ato...!!!  Era vapt-vupt e cair fora.
- Rui, Rui, me pegando pelo braço.:  -  a véinha, que Deus a tenha, gemia,
gemia... mas não desistia...!!!.  E  dá-lhe  gargalhadas.
Eu também, nessas alturas.

Mas  agora ‘tá tudo caindo , a tal da privada, coitada. Abandonada, meia
torta, necessita urgentemente  de  reparos, caso contrário vai virar ninho
de cobras, ou despencar  de vez.
 – Arranjei essa madeira ali na casa Mainho, óh,  restos de uma obra.
Agora vou subir  para fazer o serviço...

 Dia desses, era uma quinta-feira,  com seu Avaí aplicando dois a zero sobre
o Palmeiras, líder do campeonato – lá mesmo em São Paulo -, empolgadíssimo
com o resultado, já  “mamado”, olhos vermelhos de tanto “cafezinho”,
gritava,  melhor,dizendo,  urrava -  mais parecendo um berrante com
auto-falante -  para o lado de lá do canal,  fazendo tremer até as árvores.
Botava as mãos em corneta e explodia...  . AVAEEEEEEEEEEEEEEEHHHHH....dava
até um arrepio o vozeirão.

Pobres garças que se recolhiam  num ninhal próximo para o merecido descanso
noturno,  sem entender nada d’aquilo , voavam em disparada, plena onze horas
da noite.

E lá vai o Alemão arrumar a privada da Vó. Longilíneo, tábuas desarranjadas
nas costas,  atravessando lentamente a ponte, bermuda caindo, mostrava
parte da cueca e da bunda branca.
Figuraço..
Tem cada  peça rara  na Barra.

Outro dia conto pra vocês do tio Vâno...


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1º FAÇA: filmes selecionados

De 177 inscritos, foram selecionados 31 curtas para concorrer a troféus e a R$ 20 mil reais de premiação em dinheiro no 1º FAÇA - Festival Audiovisual Catarinense, que ocorre em abril em Lages (de 12 a 14), Blumenau (de 19 a 21) e Florianópolis (de 26 a 29). São 17 ficções, 9 documentários e 5 animações disputando os prêmios das quatro categorias, incluindo o Júri Popular.

Florianópolis permanece como o maior polo produtor, mas é importante destacar que pequenos municípios, como Irineópolis e Ilha Redonda tiveram filmes selecionados, além de produções de catarinenses realizadas em São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Curitiba (PR).

Serão contempladas quatro categorias, cada uma delas com um prêmio de R$ 5.000,00: Melhor Ficção, Melhor Animação, e Melhor Documentário, eleitos pelo Júri Oficial, e o melhor curta eleito pelo Júri Popular. A curadoria foi integrada por Fernando Boppré, Guto Lima e Lucian Chaussard , todos de Santa Catarina e com reconhecida experiência em cinema.

Embora as inscrições estivessem abertas para filmes realizados em qualquer período, mais de 80% dos títulos selecionados foram produzidos nos últimos cinco anos. É importante observar que o número de inscritos demonstra que o Estado produz um curta por semana. Mas das produções inscritas há 19 finalizadas entre janeiro e fevereiro de 2012, o que dá uma média de pelo menos dois curtas por semana feitos no Estado.

FAÇA é uma realização da Exato Segundo Produções Artísticas em parceria com a Alquimídia.org e da Hemisfério Criativo, responsável pela criação da identidade visual. O evento tem o Apoio Institucional da Cinemateca Catarinense/ABD-SC, FUNCINE – Fundo Municipal de Cinema de Florianópolis, SANTACINE – Sindicato da Industria do Audiovisual de Santa Catarina, SINTRACINE – Sindicado dos Trabalhadores do Audiovisual em Santa Catarina, Fundação Catarinense de Cultura (FCC), Cinema do CIC e Museu da Imagem e do Som (MIS/SC).

O Festival conta ainda com o apoio da Vantuta Impressões, SESC Santa Catarina, FURB (Fundação Universidade Regional de  Blumenau) e Fundação Cultural de Blumenau, Prefeitura Municipal de Blumenau e Paradigma Cine Arte. O Governo de Santa Catarina, por meio da Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte do Estado (SOL) e FUNCULTURAL, é patrocinador do 1º FAÇA – Festival Audiovisual Catarinense.

Contatos: www.faca.art.br

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GERAÇÃO VIVA

Nas bancas a 6ª edição de Geração viva, edição de bolso, do escritor catarinense David Gonçalves.
Vejam o que nos diz o autor sobre esse livro: “Escrevi estes contos quando jovem. Em geral, os autores não gostam dos seus primeiros contos. Mas, confesso, estes contos me engrandecem. Eles focalizam os grandes problemas sociais e econômicos do país no século XX, precisamente a década de setenta, com o êxodo rural, onde os trabalhadores rurais foram expulsos dos campos e incharam as periferias das médias e grandes cidades. Relatei, então, as desigualdades sociais de um país rico, com todos os desmandos possíveis, muito mais visíveis hoje. Geração viva é registro de uma situação histórica vivida também no começo do século XXI. É o retrato doloroso e cruel de uma geração de seres massacrados e explorados pelo sistema a que estão subordinados. Quis retratar, não somente a chaga agrícola do Paraná, mas do país. Essa massa de trabalhadores carentes [ os boias-frias, atualmente denominados sem-terras] e mal alimentados, mas seres humanos que, apesar da dura e mísera realidade, ainda têm alento para sonhar e amar. Representa, enfim, uma massa humana que labuta, perambula, sofre e produz. Uma geração viva.”
São dezessete contos forjados através de um realismo chocante mas sempre trabalhado de maneira clara e precisa, comprometida com o social e o humano.
e-mail do autor: david.goncalves@uol.com.br.  


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CONFRARIA DO POEMA

(HOMENAGEM A FLORIPA - 286 anos)


As curvas da Enseada
desdobram teu todo
em curvas dos olhos
da Ilha dos medos.

As curvas do tempo
encontram nas alvas
no mistério do ventre
escorpiões sem garras.

As curvas da Enseada
vistas por sobre o sonho
te desnudam te orvalham
te fazem Senhora minha
nesta Desterro alcova.



( PN/Enseada, de Minha Senhora do Desterro)



sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Edição 34 - Janeiro 2012


O VENDEDOR DE MARAVILHAS  Jair Francisco Hamms (*)

Foi em Porto alegre. O meu amigo Cardoso calcou o botão do interfone, aproximou a boca do aparelho, indagou:
- Dona Vera, há mais alguém aguardando?
- Dois, ainda, doutor.
- Quem são?
- O do terreno de Santa Maria... e ... aquele que o senhor mandou passar hoje. O dos tecidos.
- Diga ao de santa Maria para passar na quarta. Mande o outro entrar.
Depois, dirigindo-se a mim.
- Só mais um, Hamms. É um cara que, dizem, vende uns tecidos muito bons. E baratos. Queres tomar outro chimarrão?
- Não, obrigado. Não te preocupes comigo.
- Certo. Dá mais uma olhadinha no jornal e depois conversaremos descansados. Jantas comigo?
- com prazer.
- A secretária fez entrar um homem baixinho, magrinho. Uma enorme pasta, feito mala, contrastando com a figurinha mirada.
- Boa tarde, Dr. Cardoso. Quem me recomendou o senhor foi o Dr. Lima. Disse que eu passasse aqui, que era possível que o senhor ficasse com alguma coisinha...
- Vamos ver isto rápido. Tenho um amigo esperando há quase uma hora.
- Tecido, Dr. Cardoso?
- Não é o que o senhor vende?
- Sim, sim. Mas tenho outras coisinhas... perfumes, jóias, relógios, isqueiros, máquinas fotográficas...
Abriu o quase baú. Retirou um retângulo de papelão com dezenas de pequenas mostras de tecidos simetricamente distribuídas.
- Tudo inglês, doutor. É só escolher... O Dr. Lima focou com três. Um deste... com um cinza... e este preto aqui.
- A quanto, isto?
- Pro senhor, que é amigo do Dr. Lima, trezentos.
- Trezentos? Mas não fez a duzentos e cinqüenta para ele?
- duzentos e cinqüenta. Pronto.
- este aqui ta me agradando. Que tal este aqui, Hamms? Vem cá, dá uma olhadinha. Me ajuda.
- É. Este ta bacana.
- Este, então. Quando é que o senhor entrega?
- Na hora que o senhor desejar. Até hoje.
- Não, hoje não. Na segunda-feira. Se eu não estiver aqui, deixe com a minha secretária. E ela lhe entregará o cheque, ta?
- Claro, doutor. Não tem problema. Mas vai ficar só com unzinho? Este cinzinha aqui não lhe agrada?
- Não. Só quero este.
- E o senhor? Não quer? Amigo do Dr. Cardoso, faço o mesmo preço.
- Não, obrigado.
- Perfume pra sua senhora, Dr. Cardoso?
- Não, só isto. Pronto.
- Isqueiro eletrônico. Última novidade nos Estados Unidos e Europa. Veja que maravilha!
- Não. Isqueiro já tenho vários. E não uso nenhum.
- Uísque. Da Escócia. Tenho pra pronta entrega. Todas estas marcas aqui. Veja: Big T, a quarenta, Highland Queen, 15 anos, a cento e vinte, Royal Salut, a duzentos, Haig, a quarenta, Fortification, a cem.Something Special, a oitenta, Old Smugler, a setenta. Cutty Saark, a sessenta. Robertson’s, yellow label, a noventa. Hundred Pippers a…
- Não, não quero mais nada, não. Uísque ainda tenho bastante.
- Relógio com mostrador digital? Que tal? E máquinas fotográficas? Binóculo, veja que maravilha. Pro senhor, eu faço este por trezentos. Custa quase isto pra mim.
- Não. Estou satisfeito.
- Gravatas italianas. Tenho dezenas, por preço inacreditável. E jóias, doutor. Pedras preciosas: água-marinha, ametista, brilhante...
- Estou satisfeito, já disse. Agora, o senhor pode ir. Tenho de atender o meu amigo aqui, de Santa Catarina.
- De Santa Catarina? Pois então? O senhor não vai levar nada para sua esposa? Presentinho de viagem... isto funciona...
- Não, não. Já comprei presente pra ela.
- E pros filhos? Tenho brinquedos japoneses, americanos, alemães. Verdadeiras raridades. Tenho um aqui que...
- Não quero nada não, chefe. Meus guris já estão cheios de cacarecos.
- Pois leve uma coisa que realmente encante uma criança, senhor.
- Não, obrigado.
- E o senhor, Dr. Cardoso? Não vai querer me dizer que vai ficar só com aquele cortezinho e pronto? Tenho maravilhas aqui, doutor. Ma-ra-vi-lhas. Barbeadores elétricos, legítimo caviar russo, vódica, tequila mexicano, tapetes persas, quadros de pintores famosos. Filmes pornográficos, do festival da Dinamarca, verdadeira maravilha, última palavra em safadeza!
- Estou satisfeito, já disse. Agora, me deixe que eu tenho que atender o meu amigo.
- Então, ta bem. Mas pode crer que ta perdendo verdadeiras pechinchas...
Apertou a minha mão. Apertou a mão do Cardoso. Fechou a mala, dirigiu-se à porta. Parou. Com a cabeça, fez um sinal ao Cardoso, chamando-o à parte. Tornou a abrir a pasta, retirou um livro de capa preta.
- E isto, interessa?
Cardoso folheou o livro. De longe, pareceu-me fotos.
- Quanto?
- Depende.
- Depende de que?
- Tempo. Cobro por hora. Duzentos.
Cardoso coçou o queixo. Sorriu.
- Pra pronta entrega?
- Agora, se desejar.
- Esta lourinha, então.
- Quando?
- Segunda.
- Que horas? Ás oito.
- Aqui?
- Aqui, não. Melhor ela telefonar.
- Até segunda.
Cardoso, sorrindo, fechou a porta. Depois passou a língua no bigode. Um velho hábito dele.


(*) Nota da Confraria

Esta é a homenagem da Confraria da Leitura-pn e do Jornal Leste da Ilha ao grande escritor e membro da Academia Catarinense de Letras, Jair Francisco Hamms: a reprodução da crônica que dá nome ao seu segundo livro. Foi uma edição da Edeme (do grande Lourival), em 1973, que contou com a participação da Universidade Estadual. A edição traz na capa uma ilustração de Rodrigo de Haro e é apresentada por Raul Caldas Filho.
Jair nasceu em 11de abril de 1935 e deixou o convívio de seus amigos, confrades  e familiares quase agorinha, em 11de janeiro de 2012.

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POEMAS À FLOR DA PELE

A Associação Cultural Poemas à Flor da Pele foi convidada para participar ativamente da programação cultural do Centro Cultural de São Paulo. Durante todo este ano a diretoria da ACPFP, em parceria com aquele centro promoverá lançamentos, recitais, saraus, palestras, etc., com escritores de todo o Brasil integrantes da entidade, buscando não apenas difundir o trabalho que vem sendo feito pela Associação em Porto Alegre e em diversos estados brasileiros, mas divulgar também a produção individual desses mesmos associados.
Segundo a Presidente da ACPFP, escritora Soninha Porto, o primeiro evento deverá ser realizado no final de março com o lançamento do volume 4 da coletânea Poemas à flor da pele (poesia) e do volume 1 da coletânea Poemas à flor da pele (contos e crônicas), além de performances, declamações, coreografias, teatro, etc.
Aliás, diga-se de passagem, os dois livros estão belíssimos. Um trabalho gráfico maravilhoso, capa impecável,  uma grande parte dos textos bastante maduros, enfim, uma contribuição significativa para a estante dos novos escritores brasileiros.

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CONFRARIA DO POEMA

Teu fascínio
Ofusca meus pensamentos
Enquanto sozinho me debato
Pelo portal do teu desejo.

Teu fascínio
Cega minhas vontades
Enquanto caminho a esmo
Por labirintos em teus olhos.

Teu fascínio
Estupra-me a mente
Enquanto cego fico
Sob a nuvem do teu ventre.

(Pinheiro Neto LM., Fascinação/2012)

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PRÊMIO LITERARTE 2012



Nos dias 4 e 5 de fevereiro, na Cidade de Curitiba, acontecerá a entrega do Troféu "Prêmio LITERARTE de Cultura 2012", promovido pela Associação Internacional de Escritores e Artistas.

Idealizada pela LITERARTE, a outorga é uma grande homenagem a todos aqueles que brilharam durante o ano de 2011 no cenário cultural e têm como objetivo central reconhecer e trazer a público as melhores iniciativas culturais tendo como critério: talento, criatividade, empreendedorismo, respeito, companheirismo e apoio cultural.
Com este Prêmio, a LITERARTE reconhece, distingui e premia a quem se destaca na sociedade com excelência na gestão de suas carreiras, contribuindo assim efetivamente para o desenvolvimento cultural e, consequentemente, socioeconômico do país.
O evento será realizado durante um final de semana cultural, na Sala de Conferências do Hotel Nikko Curitiba, com programação especial composta por: Cerimônia Solene de outorga do Prêmio, Posse dos Conselheiros Literarte, Chá Literário com lançamentos, lançamento oficial do Catálogo Artístico Literário Bilíngue, Exposição de Artes Plásticas, Jantar de Confraternização e Passeio Turístico Cultural. Será definitivamente um final de semana que entrará para a história e abrirá o ano cultural.

A escolha dos homenageados se deu perante um rigoroso processo de análise por parte da Diretoria LITERARTE e será conferido por mérito próprio de desempenho.

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VÍDEOS SOBRE SARTRE

O Núcleo Castor  acaba de lançar mais quatro novos vídeos do "Seminário Sartre: Psicanálise Existencial", ministradas pelo professor Pedro Bertolino da Silva, da Universidade Federal de Santa Catarina (aposentado), estudioso de Jean-Paul Sartre há mais de 40 anos, em seminários com os profissionais dos Consultórios Associados em Psicologia e Psicoterapia de Florianópolis e Blumenau, que também é poeta,  ensaísta e membro da Academia Catarinense de Letras.

No vídeo XII "Seminários Sartre: Psicanálise Existencial - A mitologia do primeiro-motor", Pedro Bertolino fala sobre a ruptura existencialista sartreana com as metafísicas antigas, medievais, clássicas ou contemporâneas, estabelecidas pela mitologia do "primeiro-motor-imóvel" aristotélico; apropriada pelo misticismo da Idade Média, dissimulado em nossa cultura até esses dias de terceiro milênio; o engodo da derivação das verdades e o absurdo conveniente da "necessidade lógica", conduzente ao ateísmo metafísico-acadêmico, com a dissolução do cristianismo na mitologia politeísta dos gregos antigos.
No vídeo XIII "Seminários Sartre: Psicanálise Existencial - A mitologia da Razão Universal",Pedro Bertolino trata do invento "mirabile" de Descartes para negociar com a Santa Inquisição, Cardeal Berule, contra a Ciência Moderna, de Kepler e Galileu; a mitologia da Razão Universal como máquina pensante para substituir o Deus do Cristianismo e dispensar a Revelações Divinas, os profetas ou os livros sagrados por conta das idéias inatas, claras e distintas; a confusão entre percepção e conhecimento, inventando as ilusões de ótica, descartando as verificações experimentais da ciência, em favor das especulações puramente lógicas.
No vídeo XIV de "Seminários Sartre: Psicanálise Existencial - O homem positivista como " paixão-inútil"", fala sobre Sartre e a tradição luterana clássica, sua formação espiritualista cristã, a reputação do positivismo de Augusto Comte e de todas as epistemologias; o confronto sartreano com a tradição filosófica, sempre misticismo metafísico, ateísmos de sacristia ou de academia; as bases antropológicas ou cientificas da Ontologia de Sartre em "L'être e Le neant", a liberdade como constatação antropológica de campo, portanto, cientifica experimental.

E, por fim, no vídeo XV "Seminários Sartre: Psicanálise Existencial - O ateísmo de Sartre e Galileu", Bertolino aborda a contestação dos ateísmos metafísicos por Jean-Paul Sartre e seu existencialismo, relação de Sartre com Deus e a Religião; Sartre no Stalag II e a celebração do Natal (Bariona): um "auto de natal"; O existencialismo contra o ateísmo materialista de Engels e Marx, a Crítica da Razão Dialética e a negação da Dialética da Natureza; Sartre e o Marxismo; a seriedade e a competência filosófica de Sartre; o homem como paixão-inútil e o inverso da Paixão de Cristo; o desejo absurdo do homem positivista e sua conduta de fracasso
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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Edição 33 - Dezembro 2011



MAIS UM NATAL 
                
Trago nas mãos
As mensagens de todos os povos
Que sofreram e sofrem com guerras.
Auguro alegria, paz e bem aventurança.

Trago nos pés
As sandálias de todos os andarilhos
Que presenciaram dor e perseguição.
Desejo águas límpidas e terras libertas.

Trago nos ombros
As mochilas de todos os estudantes
Que bradaram por paz e democracia.
Grito por sabedoria e reconhecimento.

Trago no olhar
O compromisso de todos os professores
Que, impotentes, semeiam o saber pela vida afora.
Distribuo  perseverança mas sem medo de ir à luta.

Trago nos olhos
A escuridão de todos os deficientes
Que buscam reconhecimento e direitos iguais.
Exijo solidariedade e compaixão.

Trago na cabeça
A miséria de todos os pobres
Que reclamam trabalho, saúde e educação.
Espalho alegria, amizade e companheirismo.

Trago na lembrança
O tempo de todos nós
Que não volverá nunca mais.
Espero que seja doce sem ser diabético.

Trago no coração
O rosto de cada um de vocês
Que tentam dar o melhor de si a cada dia.
Desejo que  estejamos todos vivos e bem
No próximo ano e no Natal que vem.

(PN/2011 – Feliz Natal e 2012 pleno de realizações a todos)



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TRINTA RÉIS  

Recebi das mãos do meu particular amigo Artêmio Zanon, dinâmico  Presidente da Academia São José de Letras – ASAJOL, o número 56, do Boletim Informativo daquele Sodalício, intitulado O Trinta Réis.
Meticulosamente elaborado, com trinta páginas, no tamanho 14x21, denota o cuidado e o esmero editorial e a seleção de seu conteúdo. Destaque para os seguintes conteúdos: Otaviano Ramos, por Artêmio Zanon; O Silêncio do Olhar (sobre o romance de Kátia Rebello) por Rudney Otto Pfützenreuter: Coisas de Dom Pernetty, por Osmarina Maria de Souza.
Excelentes as duas homenagens/matérias elaboradas sobre dois escritores (literatos, críticos, historiadores da nossa literatura, criadores e editores): Abel Beatriz Pereira (páginas 18 a 22) e sobre Osvaldo Ferreira de Melo (páginas 27 e 28).
Destaque também para a publicação dos poemas  Haste Verde (Augusto Barbosa Coura Neto); Supremo Conforto (Otaviano Ramos); Rei Morto, Rei Posto ( Roberto Rodrigues de Menezes); Amada (Solange Rech); Pedaços de Mim, O Rio da Minha Infância e Jesus  (Abel Beatriz Pereira); Outono e Lago Azul ( Nadir Helena de Bastos); Círculo Virtuoso e Certidão de Ofício (Artêmio Zanon).
Destaque ainda para a foto da placa em homenagem à ex-Acadêmica Hermelinda Izabel Merize e à inserção da letra do Hino do Município de São José (letra e música do maestro José Acácio Santana), na contracapa da revista.
Parabéns a todos os acadêmicos, confrades daquele Sodalício, por terem à frente de sua entidade tão dedicado, competente e compromissado Presidente, como o é, Artêmio Zanon. Por isso mesmo, não o deixem só. Ensejo que vocês participem, colaborem, e estejam sempre presentes às realizações, aos eventos e, principalmente no cotidiano da ASAJOL em 2012 e sempre.


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KÁTIA REBELLO


O silêncio do olhar” é o mais novo livro dessa escritora catarinense, nascida e residente em Florianópolis.

“Alguém já disse que um perfume é como um poema para os sentidos. O silêncio do olhar leva você a um mundo de sensações. Aloja de perfumes onde Anita trabalhava era como uma experiência para os cinco sentidos: o olfato se rende à descrição dos odores que se insinuam das páginas do livro tão logo você começa a folheá-lo, o tato em suaves toques nos frascos em pura sensualidade, a audição eleva-se em deleite na musicalidade do idioma francês, a visão prende-se aos vidros trabalhados por renomados artistas. O paladar ela saciou mais tarde, na súbita visita ao paraíso.
Anita lidava com um mar de fragrâncias, quando um poeta cruzou o seu caminho. Fábio escrevia poemas, entretanto tinha dificuldade em se expressar verbalmente. ‘Não existiria palavra para expressara seu sentimento’?
Às vezes o silêncio do olhar vale mais do que mil palavras, mas, é também uma declaração de amor à palavra: A palavra que descreve, que expressa o amor ou a ausência dele.”

Este texto, impresso sobre a foto de um vidro de perfume e que compõe a contracapa do livro, nos dá uma pequena amostra da fragrância que poderá despertar o sentido maior de todos aqueles que se aventurarem na leitura do romance de Kátia.

A autora

Kátia Rebello nasceu e vive em Florianópolis. Formou-se em Biblioteconomia, é especialista em Educação, Mestre e Doutora em Literatura pela UFSC. Em 1988 recebeu o Prêmio Virgílio Várzea da Fundação Catarinense de Cultura.
Escreveu os seguintes livros: Antologia do varal Literário (1983), A casa da praia (1988), Homicídio em dó maior (1996), Coincidência (1999), Em nome da arte (2000), Olhos de vidro (2001), Por falar em fantasma (2005).
É membro da Academia Desterrense de Letras, ocupando a cadeira nº2, cujo patrono é Victor Meirelles.


Abaixo a capa do livro e foto da autora:
                                 



segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Edição 32 - História de Içara






                                                                 (A capa do livro)

                
                                 (A autora e o acadêmico e historiador Jali Meirinho, no dia em que ele aceitou prefaciar a obra, acompanhados deste "blogueiro")


No dia 30 próximo, a escritora Maria de Fátima Silveira Pavei estará lançando seu novo livro. Trata-se de um trabalho exaustivo sobre sua cidade natal, Içara. É a primeira vez que alguém se debruça sobre a história daquele município, inclusive presenteando a comunidade com o hino oficial.
A seguir transcrevo o texto produzido pelo confrade da ACL Jali Meirinho e que serve de apresentação do livro:

“Cronista do cotidiano, daquilo que pulsa na vida da sua cidade, a autora, sem ser historiadora por ofício, procurou reunir fragmentos constitutivos para uma história local, no caso a história do município de Içara. Dentre os gêneros da História, este é o que oferece as contribuições mais substantivas para o conhecimento da história regional, partindo desta para a amplitude estadual e nacional.

Este livro, de Maria de Fátima Silveira Pavei, enfeixa elementos para os estudiosos do futuro produzirem novas conclusões da relevância da história do município. Reuniu a documentação original, marco da emancipação municipal. Cuidou do registro biográfico dos administradores, outra forma de abrir caminho para que especialistas, no porvir, distingam as capacidades de cada um inseridos no desenvolvimento social, econômico e administrativo do município.

A cultura local,mereceu atenção da poetisa e cronista, editando importantes tópicos de referência sobre o envolvimento dos içarenses nas manifestações artísticas, literárias, religiosas e na preservação dos seus bens culturais, através dos seus clubes, suas igrejas, seus museus, da Fundação Ambiental e da Academia Içarense de Letras.

Com o título Segredos e Emoções das 53 comunidades do município de Içara a Autora reúne o que de mais relevante este livro nos oferece. Neste capítulo compôs os elementos fundamentais para o conhecimento da história e da vida do município. Garimpou depoimentos, testemunhos, lembranças, observações individuais, narrando os momentos mais significativos de muitas vidas.
Buscou a participação ativa da comunidade, intimamente vinculada ao processo histórico. São fragmentos, sintéticos,mas de conteúdo significativo para uma construção maior. Ela mesmo define: É um desafio contar a história dos içarences, percorrendo cada cantinho da terra, ouvir as histórias de vida destas  pessoas, ás vezes felizes e outras entristecidas dentro de seus casulos.

As centenas de fotos compondo o volume, ilustrando a narrativa e vivenciando os fatos, valorizam o estudo em seus diversificados enfoques.
Alem dos Trilhos do Trem - Içara - 50 anos de emancipação política 1961-2011, vem somar-se ao notável elenco de histórias locais produzidas em Santa Catarina. Ensaios nascidos da espontaneidade, desafiando as metodologias científicas,mas resguardando a seriedade na pesquisa; transferindo para a linguagem escrita as vozes saídas das comunidades que integram o município.

Esperamos poder vislumbrar em Maria de Fátima Silveira Pavei, outros olhares alargando a compreensão do catarinensismo.




quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Confraria da Leitura-pn Edição 31

MOACIR PEREIRA

A histórica greve dos professores é o novo livro que o jornalista e escritor Moacir Pereira estará lançando no dia seis de dezembro, terça feira, às dezenove horas, na Assembléia Legislativa.
O livro traz em detalhes a greve dos professores da rede pública estadual ocorrida este ano e que teve o acompanhamento sistemático de Moacir Pereira, através de sua coluna no Diário Catarinense e em seu blog.
Na minha opinião, foi uma das mais completas e marcantes sequências de colunas diárias sobre um mesmo episódio, já realizada por um jornalista em todo o Brasil.


RAUL CALDAS

No dia oito de dezembro, quinta feira, às 18 horas, na livraria Livros & Livros, o querido amigo, escritor e boêmio Raul Caldas Filho estará lançando seu mais novo livro, o romance intitulado A Ilha dos ventos volúveis.

O livro, mais uma edição da Editora Insular, do incansável, batalhador e competente Rolin, já vem com uma credencial extremamente significativa: foi escolhido para receber o prêmio da Academia Catarinense de Letras como destaque na Categoria Romance de 2011.

IVONITA

A escritora Ivonita Di Concílio convidando todos os seus amigos para sua posse na cadeira número 13 da ALB –Academia de Letras do Brasil Seccional Florianópolis, na Assembléia Legislativa.

Convida também para confraternização no Restaurante Rancho Beira Mar, às vinte e duas horas do mesmo dia 13 do corrente, quando a proprietária, Sra.Sílvia, homenageará a escritora oferecendo aos seus amigos, um jantar “à moda da casa”, com o preço especial de R$ 15,00 por pessoa.

A escritora promete brindar a todos os presentes com suas interpretações, cantando músicas para todos os gostos.

Para quem não sabe, o restaurante em questão possui pista de dança e fica situado à avenida Beira Mar, próximo ao Koxixo’s.


MUSEU DA COMUNICAÇÃO


No dia 29 de novembro passado, na sede da Associação Catarinense de Imprensa, foi assinado o edital de lançamento para a reforma do prédio onde funcionou o Abrigo de Menores, no bairro Agronômica, para a futura instalação do Museu da Comunicação de Santa Catarina e a sede da ACI.
O referido edital estabelece o prazo de até 120 dias para a conclusão do processo licitatório e estima em R$149.500,00 o custo total dos projetos.

Segundo o presidente da ACI, Ademir Arnon, trata-se de um sonho antigo da ACI que somente agora começa a assumir contornos definitivamente concretos.

O Secretário de Turismo, Cultura e Esporte, Cézar Souza Júnior, salientou que o Museu deverá ser um dos mais modernos do mundo já que estará alicerçado sobre duas questões pontuais, interação e tecnologia. . A idéia é instalar um museu que supere o simples armazenamento e exposição de peças antigas e permita o acesso e a interação do visitante pessoalmente ou de qualquer parte do mundo, através da navegação via internet.



NOITE CULTURAL NA FCBC

A Galeria Municipal de Arte da Fundação Cultural de Balneário Camboriú (FCBC) recebe mais uma mostra coletiva do CROMA (Grupo de Artes Visuais de Balneário Camboriú). A exposição Tudo Vale a Pena reúne obras dos artistas plásticos Ana Pellizzaro, Cezar Silveira, Cilmara Tamochunas Bittencourt, Danielle Prandi, Fabiana Langaro Loos, Fabiana Schaefer, Halina Garcia, Jana Neves Garcia, Moacir Schmitt Junior e Rudi Scaranto Dazzi. A noite cultural será na sexta, 2 de dezembro, a partir das 20h30. Além da abertura da exposição, na oportunidade serão lançados ainda os livros Mudança de Paradigmas, de Berenice Dunbar, Na Guerra dos Três Mundos, de Paloma Hernandez e Relatório Confidencial, de Luiz Antonio Hecker Kappel. A interferência musical estará por conta de Jorge Barcellos e Clóvis Martinês, formando um dueto de violões. A visitação será de 5 a 23 de dezembro de 2011, de segunda a sexta, das 13 às 19 horas. A Galeria Municipal de Arte da Fundação Cultural de Balneário Camboriú fica na Rua 2412, 111.

“O CROMA (Grupo de Artes Visuais de Balneário Camboriú) acredita na liberdade como a melhor expressão para a arte. Suas reuniões acontecem virtualmente ou em lugares inusitados, e nem sempre com todos seus membros, ou mesmo, marcando datas prévias, mas sempre há a felicidade por encontrar, abraçar e interagir. Cumplicidade e comprometimento são os lemas desses artistas plásticos de Balneário Camboriú que levam a arte e o nome da cidade para o Brasil e mundo afora. Cada artista domina uma técnica e estilo próprio e todos são unidos pelos mesmos ideais artísticos. A comunhão de ideias, a troca de experiências, a descontração e o amor pela arte fazem parte da filosofia deste grupo criado há aproximadamente três anos.“ (Texto de Fabiana Langaro Loos)

Sobre os livros:
Mudança de Paradigmas: O romance Mudança de Paradigmas, já traduzido na língua inglesa, é uma saga familiar que tem início no século 17, no Maranhão. É uma mistura de ficção e realidade, na qual a autora relata os costumes e a cultura deixada pelos franceses.

Na Guerra dos Três Mundos: Num planeta muito distante da Terra, cujo lugar nossos olhos não alcançam, há uma sociedade onde o único vício das pessoas é o amor e o sexo. E é nessa sociedade que começa a história de Areti e seus amigos, no planeta L do Sistema Alpha.

Relatório Confidencial: Realidade e ficção se misturam nesta emocionante história narrada num tom despretensioso, informal e entusiasta. O cenário principal é o aeroporto Hercílio Luz em Florianópolis. A empolgante viagem literária se inicia com a chegada de um avião procedente do Paraguai, que acabou sendo alvo de ações da Polícia Federal e da Interpol. Os valores arrecadados com a venda desta obra serão integralmente revertidos à Associação Amor pra Down.

Fundação Cultural de Balneário Camboriú, Rua 2412, nº 111 - Centro
Período de visitação da mostra: 5 a 23 de dezembro de 2011, das 13 às 19h
Mais informações:
(47) 3366.5325, das 13h às 19h




SUELI MAZZURANA

Recebi e repasso do mesmo jeito – senão perderia a graça - o convite da querida amiga e escritora de Orleans, Sueli Mazzurana, para o lançamento de seu novo livro:

“é com alegria saindo pelos poros que convido para o lançamento do meu livro há tanto tempo alacentado Contos Italianos (Qui la conta, mête donta - Le storie de la nona), com 29 histórias contadas na região de Rio Maior e outras localidades próximas de Urussanga. É escrito no dialeto vêneto falado na região de Erto/Casso (Longarone), e adaptado pelos falantes protagonistas das histórias, ao longo do tempo. Acompanha uma produção em audio, para resgatar a sonoridade desse falar, pois a proposta principal do projeto é resgatar esse falar, que, sabe-se, é carregado de gestos e sons.
Dia; 18/12/2011
Hora: 17:00
Local: Igreja de São Gervásio e Protásio (Rio Maior - Urussanga)
Programação: Santa missa, apresentações artísticas e café colonial.
Preço do café colonial: R$ 10,00 (reserva por este e-mail ou pelo telefone 48 3466 4669 até dia 15/12).
Preço do livro: R$ 25,00 (pode ser adquirido por este e-mail ou pelo telefone, remessa postal, despesas por conta do interessado).

Ficarei muito contente se puder contar com sua presença, ou com a aquisição do livro.

Obrigado pelo convite, Sueli. Se der, com certeza estarei lá. Se não, desejo desde já, todo o sucesso possível tanto no lançamento como nas vendas.



PONTO DO POETA

As rugas
do pensamento
cerceiam
escassas vontades.

Aprisionado
a indecisões
divago em labirintos
- labirintites.

(Poemas à flor da pele/2010)