sábado, 30 de abril de 2011

10ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis

Dos 117 filmes inscritos, 77 foram selecionados para a Mostra Competitiva da 10ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, que ocorre de 23 de junho a 10 de julho no Teatro Pedro Ivo, em Florianópolis. Entre os selecionados, predominam produções da região Sudoeste: São Paulo, com 31 curtas, Rio de Janeiro com 11, Minas Gerais, com seis e Espírito Santo com 3.
Há duas coproduções internacionais selecionadas: Uma coisa nova para Olli (Brasil/Inglaterra) e O Caminho das Gaivotas(Brasil/Cuba). Caminho das Gaivotas faz parte de um termo de cooperação artística e técnica em animação para a infância assinado entre os ministérios de Cultura dos dois países e terá estreia nacional na Mostra de Cinema Infantil.
Com supervisão de Luiza, diretora da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, a curadoria foi realizada por Melina Curi. Entre os selecionados há 50 animações, 24 ficções e três documentários. Há também uma produção significativa de títulos infanto-juvenis no Sul do Brasil. Do Rio Grande do Sul foram selecionados seis filmes. Do Paraná e de Santa Catarina, quatro de cada Estado.
De Santa Catarina, concorrem as animações Doce turminha e a corda da viola e Turminha da vida, de Eduardo Drachinski,Purgamentum, de Yannet Briggiler e a ficção Joãozinho, bu!, de Rafael Martins. Todos os filmes selecionados para a Mostra Competitiva foram produzidos em 2010 e 2011, um sinal de que existe atualmente no Brasil uma produção regular voltada para as crianças, incluindo o gênero documental.
Os curtas concorrem a prêmios oferecidos pelo festival em parceria com a TV Brasil, no valor de R$ 5 mil para cada categoria: Melhor Filme de Animação, Melhor Filme de Ficção, Prêmio Especial (indicado pelas crianças) e Júri Popular. A Mostra também é um canal de distribuição via Programadora Brasil e Projeto Curta o Curta, além de divulgar e encaminhar a produção para outros festivais, cineclubes e escolas brasileiras.

FILMES SELECIONADOS
10ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis
1. A bruxinha Lili e a baleia Belena (de Ducca Rios, Hugo Dourado e Leonardo Copello, animação, BA, 2010, vídeo, 5')
2. A conquista do Espaço (de Chico Deniz, ficção, RS, 2010, 35mm, 15'40'')
3. A fábula da corrupção (de Lisandro Santos, animação, RS, 2010, vídeo HD, 8'15'')
4. A folha da Samaúma (de Ariane Porto, animação, SP, 2010, vídeo, 5')
5. A mansão maluca do professor Ambrósio (de Nelson Botter Jr., animação, SP, 2010, vídeo HD, 8'30'')
6. A menina e o balanço (de Bianca Trancoso, Irson Barbosa Jr. e Thailiny Cruz, animação, ES, 2010, vídeo HD, 1'15'')
7. Animágico! Le grand finale (de Paulo Henrique de Aragão, animação, SP, 2011, vídeo, 1'25'')
8. Animágico! O grande amor (de Paulo Henrique de Aragão, animação, SP, 2011, vídeo, 1'25'')
9. Animágico! O grande truque (de Paulo Henrique de Aragão, animação, SP, 2011, vídeo, 1'30'')
10. A palavra muda (de Alê McHaddo, animação, SP, 2010, vídeo HD, 5')
11.A raposa e a águia (de Bianca Trancoso, Irson Barbosa Jr., Mateus Marvila e Thailiny Cruz, animação, ES, 2010, vídeo HD, 5'40'')
12.As curvas de Niemeyer (de alunos da rede municipal de Vitória, animação, ES, 2010, vídeo HD, 11'10'')
13. A sombra de Sofia (de Flávia Thompson, ficção, SP, 2011, vídeo HD, 13'50'')
14. A velha a fiar (de Cesar Cabral, animação, SP, 2010, vídeo, 5'15'')
15. A viagem de um barquinho (de Márcio Emílio Zago, animação, SP, 2010, vídeo, 3'30'')
16. Bonequices (de Rodrigo Alonso, ficção, PR, 2010, vídeo, 9'10'')
17. Borboleta (de Karla Oliveira, animação, MG, 2011, vídeo, 1'30'')
18. Como se fala na Terra (de Alê McHaddo, animação, SP, 2010, vídeo HD, 5'50'')
19. Conhecimento ilimitado (de Alê McHaddo, animação, SP, 2010, vídeo HD, 8')
20. Cores e botas (de Juliana Vicente, ficção, SP, 2010, 35mm, 9'10'')
21. Doce turminha e a corda da viola (de Eduardo Drachinski, animação, SC, 2011, vídeo, 1')
22.Dontinho _ a missão (de Luiz BoTosso e Thiago Veiga, animação, GO, 2008, vídeo, 7'45'')
23. Ela veio me ver (de Essi Rafael Leal, ficção, MS, 2010, vídeo HD, 16'45'')
24.Ele era um menino feliz _ O Menino Maluquinho, 30 anos depois (de Caio Tozzi e Pedro Ferrarini, documentário, SP, 2010, vídeo HD, 20')
25. Ensolarado (de Ricardo Targino, ficção, MG, 2010, 35mm, 14')
26. Esaú, o catador de histórias (de André Dias Araujo, animação, CE, 2011, 35mm, 10')
27. Fábula das três avós (de Daniel Turini, ficção, SP, 2010, Vídeo HD, 17'15'')
28. Feira da fantasia (de Talvanes Moura, animação, CE, 2010, vídeo, 10'25'')
29. Involução (de Marcelo Tannure, animação, MG, 2011, vídeo, 9'10'')
30. Jéssica e Júnior no mundo das cores (de Marcelo Branco, animação, MS, 2010, vídeo, 3'20'')
31. Joãozinho, bu! (de Rafael Martins, ficção, SC, vídeo HD, 2009, 11'40'')
32. Lápis de cor (de Alice Gomes, ficção, RJ, 2010, vídeo HD / 35mm, 16'10'')
33. Luiz Apple _ a vida de um campeão (de Nildo Ferreira, documentário, SP, 2009, vídeo, 3'40'')
34. Menina da chuva (de Rosaria, animação, RJ, 2010, vídeo, 6'45'')
35. Musicaixa (de Jackson Abacatu, animação, MG, 2010, vídeo, 2')
36. Naiá e a lua (de Leandro Tadashi, ficção, SP, 2010, vídeo HD e 35mm, 13')
37. Nalu (de Stefano Capuzzi Lapietra, ficção, SP, 2010, 35mm, 5'40'')
38. Nilbatar (de Alê McHaddo, animação, SP, 2010, vídeo HD, 8'10'')
39. No escuro (de Leticia Pires, ficção, RJ, 2010, vídeo HD, 11'25'')
40. O amor impossível (de Maurício Squarisi, animação, SP, 2010, vídeo HD, 3'30'')
41.Obsoleto (de Leandro de Souza Henriques, Victor Mendonça dos Santos e Heitor Mendonça dos Santos, animação, RJ, 2011, vídeo, 5'45'')
42. O caminho das gaivotas (de Alexandre Rodrigues, Bárbaro Joel Ortiz, Daniel Herthel e Sergio Glenes animação, Brasil(RJ)/Cuba), 2011, 35mm, 13')
43.O casamento da Ararinha-azul: capítulo 1 (de Marcelo Branco, animação, MG, 2011, vídeo HD, 4'30'')
44. O diário da Terra (de Diogo Viegas, animação, RJ, 2010, vídeo HD, 1'15'')
45. O entregador (de Rogério Beltrame Nicoleli, animação, PR, 2011, vídeo HD, 4'10'')
46. O filho do vizinho (de Alex Vidigal, ficção, DF, 2010, vídeo HD, 7'20'')
47. O galinho do educandário (de Marco Aurélio Penha Ribeiro e Antônio Spina Filho, ficção, PR, 2010, vídeo HD, 9'50'')
48.O jardim dos robôs (de Dayane Junger, Jane Abreu, Marcelo Costa e Rafael Soares, animação, MG, 2010, vídeo, 7'25'')
49. O nervosinho (de Nelson Botter Jr., animação, SP, 2011, vídeo HD, 4'50'')
50. ON line: quando o Windows fecha as portas (de Cristiano Trein, ficção, RS, 2010, vídeo HD, 12'45'')
51. O piá que fazia pipa (de Marco Aurélio Penha Ribeiro, ficção, PR, 2010, vídeo HD, 10')
52. O rato que vê TV (de Cinema Nosso, animação, RJ, vídeo, 1'30'')
53. Os sonâmbulos (de Igor Amin, ficção, MG, 2011, vídeo HD, 6')
54. Pac brós (de Cinema Nosso, animação, RJ, vídeo, 2')
55. Pimenta (de Eduardo Mattos, ficção, SP, 2010, 35mm, 12'45'')
56. Planeta dos Alberts (de Alê McHaddo, animação, SP, 2010, vídeo HD, 8'50'')
57. Purgamentum (de Yannet Briggiler, animação, SC, 2011, vídeo, 10'40'')
58. Remoto controle remoto (de Bruno Bask, animação, SP, 2011, vídeo, 2'35'')
59. Sabiá (de Maurício Squarisi, animação, SP, 2010, vídeo HD, 2'40'')
60. Scratch (de Fred Luz, animação, RS, 2010, vídeo HD, 11'15'')
61. SMS (de Pablo Escajedo, documentário, RS, 2010, vídeo HD, 15')
62. Sonhando passarinhos (de Bruna Carolli, ficção, DF, 2011, vídeo HD, 11'20'')
63. Tadinha (de Maria Luiza Barros, Ducca Rios e Leonardo Copello, animação, BA, 2010, vídeo, 5'25'')
64. TamanduAbandeira (de Ricardo de Podestá, animação, GO, 2011, vídeo HD, 8'10'')
65. Tecnologia rural (de Márcio Emílio Zago, animação, SP, 2010, vídeo, 3')
66. Tempo de criança (de Vavá Novais, ficção, RJ, 2010, vídeo HD, 12'15'')
67.Tentáculos (de Alvaro Victorio, Beto Paiva, Beth Soares, Leandro Batista, Rafael Carvalho, Thiago Quadros e Vinicius Lewer, animação, RJ, 2010, vídeo, 5'45'')
68. Teste das palavras (de Jon Russo, animação, SP, 2010, vídeo, 6'10'')
69. Thiago, o pirata e o caso da fada dos dentes (de Lucas Barão, ficção, SP, 2009, vídeo, 14'45'')
70. Traz outro amigo também (de Frederico Cabral, ficção, RS, 2010, vídeo HD, 14'45'')
71. Turminha da vida (de Eduardo Drachinski, animação, SC, 2011, vídeo, 5'30'')
72. Uma coisa nova para Olli (de Mário Galindo, animação, Brasil(SP)/Inglaterra, 2010, vídeo HD, 4'15'')
73. Uma estrela no quintal (de Danielle Divardin, animação, SP, 2010, vídeo HD, 6'50'')
74. Um dia na vida (de Cinema Nosso, animação, RJ, vídeo, 2')
75. Verde maduro (de Simone Caetano, ficção, GO, 2010, vídeo HD, 16'25'')
76. Virando jogo (de Alê McHaddo, animação, SP, 2010, vídeo HD, 8'35'')
77. Zumbidos (de Juliana Oliveira, animação, SP, 2010, vídeo, 3'20'')

CONTATOS

Luiza Lins
Diretora da Mostra
luizalins@mostradecinemainfantil.com.br
(48) 3235-5996, 9980-6908

domingo, 24 de abril de 2011

Confraria da Leitura-pn Edição 21

OFÍCIOS SECRETOS

No início de março próximo passado, a Editora Insular lançou o oitavo livro de poemas de Rodrigo de Haro, intitulado OFÍCIOS SECRETOS.

Os outros sete livros de poemas já publicados pelo autor são: Trinta Poemas (1962); Taça Estendida (1968); Pedra Elegíaca (1974); Amigo da Labareda (1991); ) Mistério de Santa Catarina (1992); Livro da Borboleta Verde (1998) e Andanças de Antônio (2005).

O autor, nascido em Paris, França, em 1939, é um “poeta de inspiração universalista, marcado por raízes brasileiras e ibéricas. A mítica São Joaquim, onde ele alcançou o entendimento, representa a infância nas terras altas, também espaço de fantasmas e singulares alumbramentos. Mais tarde encontra na capital, a antiga Desterro, o estímulo para outras percepções: o mar, o espírito da ilha, volátil, paradoxal. Participa desde cedo dos grupos literários mais importantes da capital: Sul, Litoral, etc. Tem obras publicadas em diversas antologias e revistas brasileiras e estrangeiras. No Rio de Janeiro e em são Paulo participa de movimentos de vanguarda, ao lado de alguns dos mais significativos nomes de sua geração. É membro da Academia Catarinense de Letrtas.”

Vive em Florianópolis, na Lagoa da Conceição, onde afirma encontrar “o ambiente ideal para o seu trabalho.”
O livro é composto por cinqüenta e um poemas considerados pelo autor como “herméticos”.

PARA LEMBRAR (hifen 4)

f) Usa-se hífen se o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa pela mesma vogal. ANTES: antiimperialista, contra-ataque, micoondas, micoônibus, micoorgânico, semi-integral. AGORA: anti-imperialista, contra-ataque, micro-ondas, micro-ônibus, micro-orgânico, semi-integral.

g) O hífen deixa de ser usado quando o prefixo termina em vogal e a segunda palavra começa com vogal diferente: ANTES: auto-escola, auto-estrada, extra-oficial, infra-estrutura, semi-analfabeto. AGORA: autoescola, autoestrada, extraoficial, infraestrutura, semianalfabeto.

h) quando o prefixo termina em vogal e a segunda palavra começa com S ou R, não há hífen e a consoante é duplicada.
ANTES: anti-religioso, anti-semita, contra-regra, contra-senha, ultra-som. AGORA: antirreligioso, antissemita, contrarregra, contrassenha, ultrassom.



CONFRARIA DA LEITURA – O PROJETO

Encontra-se em fase de busca de apoio o Projeto Confraria da Leitura, no Distrito da Barra da Lagoa. Além de aumento do acervo – busca de doações de obras literárias, o grupo está debruçado sobre a reformulação do projeto para parcerias e apoio. Tão logo estas etapas sejam concluídas o espaço poderá ser aberto para empréstimos e atividades relacionadas à leitura literária.

REFLEXÕES: CURADORIA E CRÍTICA

Estão abertas as inscrições para o seminário “Reflexões: Curadoria e Crítica”, que será realizado no dia 10 de maio, das 9 às 19h, no Hotel Majestic em Florianópolis. O evento é indicado para críticos de arte, curadores, professores, estudantes, jornalistas, pesquisadores e historiadores, e terá apresentação de três painéis com palestrantes e debatedores.

O tema do jornalista Celso Fioravante, especialista em artes plásticas e idealizador do site www.mapadasartes.com.br é “Procura-se um Curador”. O poeta e crítico Péricles Prade, Presidente da Academia Catarinense de Letras, vai discutir “Curadoria: aspectos críticos e éticos”. A professora Lisbeth Rebollo Gonçalves da Universidade de São Paulo e Presidente da Associação Brasileira de Críticos de Arte vai falar sobre “Curadoria, Crítica, Exposição de Arte”.

O que une todas as palestras do seminário é a discussão sobre o papel do profissional da crítica de arte e de curadoria no movimento das artes plásticas. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo e-mail reflexoes2011@gmail.com, informando nome completo, telefone, e-mail, cidade e profissão. Serão emitidos certificados de participação.

O seminário é uma iniciativa da Associação de Amigos do Museu de Arte de Santa Catarina em parceria com a Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA).


ALIFLOR

A Associação Literária Florianópolitana realizou um jantar no último dia 19, no Clube Paula Ramos, para comemorar seus dez anos de existência. Fui convidado, confirmei presença, mas não pude comparecer. Na manhã daquele dia acordei com um resfriado tal que deixou-me de cama, com febre, inclusive.
Espero que a escritora Janice Pavan, Presidente da Aliflor me perdoe pela ausência e que a festa tenha sido um sucesso.








POEMA SOBRE O DIA DO BEIJO

HOJE É DIA DO BEIJO.
DOS PAIS, DAS MÃES, DOS FILHOS,
DOS AMIGOS, DOS AMANTES,
DE TODOS OS SERES VIVENTES,
HUMANOS OU NÃO.

ALGUM, PELO MENOS,
DEVES TER RECEBIDO.
RÁPIDO, PROFUNDO, SUAVE;
NO ROSTO, NA BOCA, NO CORPO;
FALSO, SINCERO, APAIXONADO.

PELA MANHÃ, À TARDE,
TALVEZ AINDA
ANTES QUE A NOITE TERMINE.

TALVEZ O BEIJO TEU
TENHA SIDO SÓ POR ESTE DIA;
TALVEZ PROVA DE UMA ROTINA
AO LADO DE QUEM AMAS.

HOJE É DIA DO BEIJO.
SE NENHUM RECEBESTE
CONTE SEMPRE COM O MEU:

UM BEIJO AMIGO
SEM ESPERAR RETORNO;
UM BEIJO POÉTICO
DO AMOR PELO OUTRO.

(poema composto em 13 de abril de 2011, dia do beijo)

sábado, 2 de abril de 2011

Noite Cultural em Camboriú

A Academia de Letras de Balneário Camboriú estará se reunindo pela primeira vez fora de sua sede. Será dia 6 de abril, quarta feira, no auditório da Prefeitura Municipal de Camboriú e a sessão homenageará os 127 anos de emancipação política desse município,
A homenagem será estendida também ao funcionário público e escritor Militino Testoni pelos 40 anos de atividade e ao Filólogo Dr Luis César Saraiva Feijó, Membro da Academia Brasileira de Filologia - cadeira 28 - doutor em literatura brasileira, que proferirá um panegírico em honra ao Poeta Cruz e Souza.

Filhos de escravos alforriados João da Cruz e Souza é seguramente o maior nome da escola simbolista no Brasil e quiçá do mundo. Segundo o Presidente da Academia de Letras de Balneário Camboriú, Isaque de Borba Corrêa “as ligações do poeta com a cidade de Camboriú, o uso constante de aliterações ou tautagrama pelo Cisne Negro e o que a estilística do poeta tem a ver com o falar dos negros escravos de Camboriú; tudo isso o professor Saraiva Feijó vai sem dúvida explicitar”.

O evento tem todos os ingredientes para ser marcante; uma noite cultural imperdível. Participe!!!!

terça-feira, 22 de março de 2011

Confraria da Leitura-pn Edição 20

PARABÉNS FLORIPA – MEU PRESENTE, TRÊS POEMAS

Neste 23 de março, data em que se comemora os 285 anos de Florianópolis quero homenagear a cidade/ilha que me viu nascer, crescer e tornar-me um escritor encantado com suas belezas e triste pelo que vem acontecendo no seu dia a dia. Minha paixão por ela, cidade/ilha/mulher cresce a cada dia acompanhando a trajetória de minhas três filhas, Christiani, Michelle e Alessandra. São como eu, rebentos da Ilha. De uma Ilha responsável porque capital, livre e plena porque espaço suntuoso e sensual pela qual passam milhares de seres encantados, brasileiros ou não.

1- SENHORA
Minha Senhora do Desterro
Onde te escondes?
Vagueias por acaso
Nas noites de vento sul?
Passeias pelas dunas,
pela Lagoa, pelo farol?
Onde te escondes
Senhora minha
desta Desterro
que amo?
Por que me apareces
somente em tempo feio
em céu fechado
com forte vento soprando?
Onde estás
Senhora minha?
Onde estás
minha Desterro?


2- RECLAME
As árvores clamam
por tempos mais puros.
O mar reabre
judicialmente
a questão do aterro.
Vozes roucas
e assombradas
reclamam o odor
que sobrevoa
as Três Pontes;
a derrubada
do Miramar;
a morte
da Ponta do Coral.
É hora do acerto!
Os elementos
da natureza
vingarão o estupro
da minha Desterro.


3- SAL(I)DADE
Jaz sobre as pedras frias
que circundam a ilha
o verde musgo
amarelado
da poluição.
As vozes das bruxas
o canto das sereias
o grito dos sacis
foram abafados
pelos roncos das motos
pelos tiros, pelas mortes.
A loucura tomou conta
da terra de Dias Velho.
Já não há certeza
já não há segurança
para sentar à praça
ouvir o conto do tempo
ouvir as ondas
namorando o Miramar.
Já não há mais vontade
de sentir o vento sul
gelar a espinha
e resfriar a paisagem.
Já não há mais tempo
Para nós (des)humanos.

(Os três poemas são do meu livro “MINHA SENHORA DO DESTERRO”, 1981)

PARA LEMBRAR (hifen 3)

d) com prefixos, usa-se sempre o hífen diante de palavra iniciada por H. Exemplos: anti-higiênico, extra-humano, super-homem, neo-humanismo, pseudo-herói, co-herdeiro, eletro-hidráulico, macro-história, micro-história, semi-hospitalar, intra-hepático, ultra-hiperbólico, psico-higiene, geo-história, contra-harmônico, anti-histórico.
ATENÇÃO: Mantém-se a grafia sem hífen com os prefixos des, dis, in, re, trans, entre outros de uso consagrado. A extensão da regra das palavras compostas é determinada pela publicação do novo Vocabuláraio Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras (ABL).

e) quando o prefixo termina em vogal e a segunda palavra começa com S ou R, não há hífen e a consoante é duplicada.
ANTES: anti-religioso, anti-semita, contra-regra, contra-senha, ultra-som. AGORA: antirreligioso, antissemita, contrarregra, contrassenha, ultrassom.


UM CÃO AO TELEFONE

No próximo dia 06 de abril o escritor Théo Drumond estará lançando seu novo livro, na sala ESPÍRITO DAS ARTES, um espaço cultural localizado na Cobal de Botafogo, na Rua Voluntários da Pátria, no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro.
"UM CÃO AO TELEFONE e outras crônicas", é um livro que contém 17 histórias, muitas delas vividas pelo autor, e que ficaram guardadas na memória por muitos anos, até voltarem à lembrança como que para serem recordadas e escritas. Com certeza, alguns leitores terão a oportunidade de fazer renascerem episódios de suas vidas, que também ficaram armazenados em seus corações, lendo "UM CÃO AO TELEFONE e outras crônicas".
"A Lucidez do Joãozinho", "História de Pescadores", "Os Excluídos", "A Humanidade e seus Contrastes", "Um Carnaval Inesquecível", "Procurando Empregada"- são algumas das crônicas que compõem o livro.
O autor lembra “que toda a importância arrecadada será enviada para o Pavilhão Infantil do INCA, que já recebeu R$ 1.000 reais pela venda antecipada de 50 exemplares.”
Para os que desejarem adquirir a obra é só visitar o outlook do autor ou efetuar contato através do e-mail theodrummond@uol.com.br.
Theo espera “que os que morem no Rio, e queiram ajudar a quem precisa, possam comparecer ao lançamento - o que desde já agradeço, em meu nome e no nome do Instituto Nacional do Câncer, do Rio de Janeiro”.

segunda-feira, 14 de março de 2011

TODO DIA É DO POETA E DA POESIA

Hoje é dia do poeta. Um dia como outro qualquer, porque na minha opinião “o dia” em que se comemora alguma profissão, alguma classe, alguma área do conhecimento ou das relações humanas e sociais é uma comemoração pró-forma. Todos os dias são dias de todos. Ao fazermos as coisas que nos cabem de maneira correta, com esmero, com profissionalismo, com amor, sem vaidades, sem mentiras, sem querer levar vantagens sobre o próximo, nosso dia-a-dia torna-se o nosso dia, sejamos médicos, lixeiros, pais, engenheiros, professores, bibliotecários, administradores, advogados, jornalistas, políticos, mães, filhos, donas de casa, mulheres, homens, gays, astronautas, pescadores, coveiros, etc., etc., etc.
E por pensar assim, aí vão mais alguns fragmentos e outros poemas, porque todos os dias devem ser dias de poesia:

I- COPACABANA (Leatrice Moellmann) *

Durante décadas, Copacabana,
Sorvi o clima que de ti emana.
São tantas as lembranças, são pedaços
De vida, alegrias e cansaços.

Anos dourados, mas labuta insana
Foi minha vida em Copacabana.
Na praia a areia, o mar, grandes espaços,
Em casa minha filha nos meus braços.

Topar nas ruas com celebridades,
Os camelôs, as feiras... que saudades!
Olhar vitrinas sem poder comprar.

Festejar futebol nos campeonatos,
Viver em paz, gozar tempos pacatos...
Meu coração não pode te olvidar.

II- O CLAUSTRO INTERIOR (Júlio de Queiroz) *

Então, é esta a tarefa de toda a vida:
Fazer sem o querer; matar o desejo.
Amar, pelo amor, até mesmo o mais vil.
Beijar a ferida mortal mais abjeta no transbordamento
do amar.
Buscar sem buscar; amar a caminhada;
Transformar pedras ossudas em pétalas macias
Por nenhum outro motivo a não ser compartilhar o amor
..........................................................................................

III- EMIGRADO ( Emanuel Medeiros Vieira) *

Emigrados:
seremos sempre,
emigrados.

Em busca de um outro mar,
da última ilha,
seguindo os pássaros,
atrás do último pássaro.
De um mar a outro,
de uma ilha outra ilha,
e, então, dormiremos,
uma noite sucedendo-se outra.


IV- MISTICISMO NO MORRO (Alzemiro Lídio Vieira) **

Ele vai subindo o morro,
vai levando seu gingado,
na insistência de viver.
Na distância o cintilante
numa visão multicor.
É malandro, é amante,
sabe muito de amor.

V- DE MINHAS BRUXAS (Artêmio Zanon) **

A bruxa em sua vassoura mágica vivia
No meu mundo infanteiro em avoentos ares:
- À noite – era eu medroso! -, enorme parecia,
Tão enorme que já me punha em vãos cismares.

Quando o vento das frôndeas se debatia
Acreditava eu fosse a bruxa em seus penares;
Ficava, então, ansiando pela luz do dia
A falta de candeias, estrelas, luares...

Às vezes o latir de um pervagante cão,
Mais me deixando aflito no cenário estranho
Fazia-me recitar inocente oração.

Agora que confesso esses fatos de antanho
Sinto uma força que me toma o coração
E na poesia, creio, plenitude ganho.



VI- DOENÇA E CURA (Péricles Prade) ***

O livro de poemas
na mão esquerda, o de contos
na mão direita, e sobre a cama
solteira, o romance,
aquele de 500 páginas,
na cabeceira transformado
em mágica montanha.

Eis a doença
e sua cura, a mente prisioneira
na estante que flutua.


VII- POEMA IMPOTENTE (Pinheiro Neto) ****

Por que o verso
tão fraco?

Por que o verbo
tão covarde?

Meu povo chora
o choro do desalento;
meus velhos choram
pelos seus moços
meus moços choram
pelos meus velhos.

Por que a impotência
do poema?

(* - Revista DA Academia Catarinense de Letras, nº. 23; ** Antologia Literária de “O Trinta Réis”, da Academia São José de Letras, vol 1; *** Sob a faca giratória, 2010, Papa Terra editora; **** A rosa do verso, 1988, Cepec editora)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Confraria da Leitura-pn Edição 19

Pinheiro Neto (poetapinheironeto@gmail.com)


MEMÓRIA DOCENTE – I

Quero registrar hoje um livro que recebi de presente das mãos de uma das organizadoras e que me deixou imensamente feliz. Trata-se de Memória docente: histórias de professores catarinenses (1890-1950), organizado por Vera Lúcia Gaspar da Silva e Dilce Schüeroff. Tal felicidade justifica-se por dois motivos: primeiro por ter nas mãos o primeiro livro planejado, produzido e, acima de tudo urdido pela minha querida amiga e eminente pesquisadora Vera Lúcia, segundo pelo fato de que tal livro apresenta depoimentos de vários professores (que também freqüentaram o universo cultural e literário catarinense) com quem tive a felicidade de conviver, alguns por muitos, outros por poucos momentos. Ler os depoimentos de Abel Beatriz Pereira, Albi Pereira, Januário Raimundo Serpa, Jamille Trindade Sadelli Pacito, Laurita Franzone Pereira, Lydio Martinho Callado, Nereu do Valle Pereira, Vilma de Souza Fernandes, dentre outros, me fez voltar no tempo, recordar meus estudos primários no antigo Grupo Escolar Silveira de Souza, me ver sentado nas carteiras de dois lugares, nas aulas das professoras Jamille (no primeiro ano) e Laurita (no segundo ou terceiro, não lembro bem); ainda guardo os “boletins” com carinho. Me fez lembrar das participações em atividades culturais e literárias com Abel B. Pereira (sua revista literária A Figueira), Lydio Martinho Callado na Academia Catarinense de Letras (meu colega “imortal”), Nereu do Valle Pereira, meu professor na universidade e depois meu colega no magistério e na literatura, Januário Serpa, colega de magistério e amigo de papo filosófico-literário com quem tive a oportunidade de degustar excelentes “cachacinhas” no bistrô Ponto do Poeta.
Não fosse pelo valor histórico e cultural desse livro, para mim, o valor sentimental já seria o suficiente para comentá-lo, recomendá-lo, divulgá-lo sem prurido algum. Irei indicá-lo a todos quantos, ainda vivos, possam recordar-se de ex-colegas e ex-professores, no estado, no Brasil e onde for possível.
O livro foi apresentado por Neide Almeida Fiori e foi dedicado a Maria da Graça Vandresen, ambas professoras e pesquisadoras catarinenses renomadas.
(Em breve, devo tecer mais alguns comentários sobre esse livro.)



PARA LEMBRAR (hífen 2)

a) O hífen é abolido quando se perdeu a noção de que a palavra é composta, e mantido em todos os demais casos. Antes: pára-quedas, manda-chuva, pára-brisa. Agora: paraquedas, mandachuva, parabrisa.
b) Usa-se hífen com os prefixos hiper – inter – super apenas quando combinados com elementos iniciados por R. Exemplos: hiper-requintado, inter-relacionado, inter-racial, super-revista.
c) Palavras com o prefixo sub recebem hífen apenas quando combinados com elementos iniciados por B e R. Exemplos: sub-regra, sub-reptício, sub-bibliotecário.
ATENÇÃO: Nem todos os pontos do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa são claros. Por isso, algumas dúvidas sobre o emprego das normas somente devem ser esclarecidas pela publicação do novo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras – ABL.

AUGURANDO UM FELIZ CARNAVAL
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Tomou coragem. Uma coragem meio acovardada, mas a única no momento. Respirou fundo e soltou: “olha seu Belmiro, sei que o senhor tem seus motivos para não me dispensar amanhã. Mas eu não venho trabalhar não. E vou lhe dizer por que. Amanhã, o Ânsia de Vômito, meu bloco carnavalesco, vai desfilar pelas ruas da cidade como faz todos os anos. Se o senhor não sabe, há mais de dez anos isso acontece. É uma tradição do carnaval. Não posso faltar. Sou um dos fundadores. Esta é minha palavra final. Não adianta o senhor gritar, ameaçar ou fazer qualquer coisa; amanhã é dia sagrado. O senhor pode cortar meu ponto e descontar o meu dia de trabalho. É seu direito. Pode fazer o que quiser. Só que não virei trabalhar. E é só!” Lembra que o chefe ficou boquiaberto, que tentou esboçar alguma reação, mas ele nem esperou para ver qual seria. Não interessava mais nada. Nem lhe ocorreu que Belmiro era chefe há apenas seis meses. Deu as costas e saiu.
.........
(Pequeno trecho do conto “Tetonas pretas”, pgs. 58 e 59 do livro “Histórias de (a)mar e outras” – 2009)

QUINTANEANDO

As muitas metáforas (Aninha)
Nas aragens de um por do sol. (Rosamel)
Entre músicas cai a tarde no Guaíba (Gladis)
Com o sol se despedindo no horizonte, (Marcinha)
Erguendo um brinde ao nosso sorriso. (Telma)

Estou aqui, queria estar acolá.
Não sei se estou por mim
Ou se estou onde está o mar. (Baby)

A noite vem chegando terna e exuberante. (Kinda)
Parafraseando aquela música,
Porto Alegre é demais. (Marco Gomes)

Balbúrdia, música e estrelas
Giram em torno da poesia. (Soninha)

E, no tear do tempo,
Teço com meu verso paixão. (Pinheiro Neto)

(Este poema – produção coletiva a 20 mãos – foi construído por ocasião do lançamento da antologia “Poemas a flor da pele” na Feira do Livro de Porto Alegre, na tarde de quatro de novembro na Casa Mário Quintana.)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Confraria da Leitura-pn Edição 18

Pinheiro Neto (poetapinheironeto@gmail.com)


O POEMA E EU



Dar um depoimento sobre minha prática cotidiana enquanto “poeta” não é uma coisa muito simples para mim. Acredito que não deva ser também para muitos escritores. Mas vamos lá. Vou tentar.
Começo com alguns questionamentos: Será que sou um poeta na verdadeira acepção da palavra? Será que posso considerar-me um? O que é, afinal, ser poeta?
Há quarenta e cinco anos, um pouco mais, um pouco menos, venho registrando minhas impressões, meus sentimentos, minhas (re)visões do mundo através de trovas, poemas visuais, poemas livres, etc.
Se poesia, originariamente do grego poíesis significa fazer, indicando, por conseguinte que “poeta é aquele que faz versos”, prefiro me ver como um “fazedor de versos” que utiliza a metáfora, as imagens, as comparações. Sou, portanto, segundo Manuel da Fonseca (Poemas completos, p.26), um dentre os muitos “que têm olhos de água” justamente “para reflectirem todas as cores do mundo e as formas e as proporções exactas, mesmo das coisas que os sábios desconhecem”.
Desde que comecei essa caminhada, muito antes de Iriamar (1978) não tenho me preocupado em construir poemas utilizando uma “linguagem literariamente correta ou bonita” mas em transportar para o papel o que pode estar recôndito no íntimo do ser humano e do (m)eu corpo humano. Assim, não tenho tratado o poema com a preocupação de elaborar nas suas entrelinhas um conjunto de normas poético-literárias, mas em trabalhar o poema perquirindo sua essência, isto é, enquanto veículo que apresenta a poesia como “paragem das palavras sobre algo” (Teresa Guedes em Ensinar a poesia, p. 34). Como algo necessário à vida e ao cotidiano das pessoas em geral e dos estudantes – principalmente aqueles entre 7 e 14 anos – em particular.
Na poesia a linguagem é poder que se exerce sobre o imaginário. Nas nossas escolas tolera-se livres incursões imaginárias apenas no período da pré-escola ao se trabalhar a educação sensorial. Após essa fase, a tendência é reprimir qualquer manifestação que esteja fora da linguagem articulada.
Mas, o que queremos? Se nossos cursos de formação de profissionais para o ensino de Língua e Literatura não “perdem tempo” com o ensino da poesia, como querer que os alunos que se formarão professores aprendam a gostar e a trabalhar a Língua através desse gênero literário?
É preciso iniciar um processo sistematizado de desmistificação da poesia, quer em nível de professores, quer em nível de alunos.
De uma maneira geral, deveremos pensar em um ensino da poesia nas escolas que traga como alvo: o desenvolvimento do poder criador da criança; o desenvolvimento da imaginação e da sensibilidade; a iniciação da criança no contexto da arte em geral, além da formação do sentido estético dessa criança.
Bem, divagações à parte. Cabe-me falar um pouco sobre como se dá concretamente o processo criativo no meu cotidiano.

Não tenho nenhuma questão mais sofisticada em minha relação com a produção de meus textos, sejam eles poesia ou prosa. Existe primeiramente uma motivação. Preciso ser motivado. Tal motivação pode ser externa ou interna. A externa pode vir através de observação da natureza, de fatos sociais, de conversas entre pessoas, de teatro, cinema, vídeo, tv, etc. Já a interna aflora a partir do estado de espírito em que me encontro em determinados momentos.
Para Kahlil Gibran (Cartas de amor do profeta p. 97) “os poetas têm que escutar o ritmo do mar. Quando ouvimos esse ritmo, algo mais surge além dos sons, pois a cada nova onda que quebra na areia com toda a sua força e densas espumas, uma pequena marola volta para o oceano produzindo um barulho secundário. Aí, uma outra onda encontra-se com essa marola, vem uma nova onda e o fluxo e o refluxo continuarão para sempre. E não importa o momento em que sentamos à beira da praia pela primeira vez.Ele afirma que “esta é a música que precisamos aprender – as coisas sempre vão e vem.”
Como um “fazedor de versos”, agradeço todos os dias ao Pai Eterno e aos meus pais por ter nascido nesta Ilha e aprendido, ainda muito cedo, a ouvir o ritmo do mar.
Quanto a local, hora, momentos melhores para escrever, não há preferências. Escrevo a qualquer hora e em qualquer lugar. Basta haver uma motivação.
È importante ressaltar que esse “escrever a qualquer hora e em qualquer lugar, desde que motivado”, não significa que a obra sai pronta e acabada. Essa motivação me impulsiona a efetuar os primeiros registros, os primeiros apontamentos para posterior trabalho mais acurado.
Geralmente guardo esses registros por um bom tempo. Não sou um escritor apressado. Em outro casos não, a coisa em si toma outras feições. A motivação é tão intensa que a vontade de aprofundar e de ver o texto pronto me faz trabalhar incessantemente. Me faz querer burilá-lo, mexer em sua estrutura, concluí-lo.
É por isso que experimento sempre. Que procuro buscar novas roupagens poéticas para meus poemas. “Todas as coisas são belas, e se tornam ainda mais belas quando não temos medo de conhecê-las e experimentá-las. A experiência é a Vida com asas.” (Kahlil Gibran, p. 64)
Hoje não existe um padrão geral definido que caracterize as artes e as letras, como no Romantismo, Realismo ou outros momentos literários. Não há dogmas, regras ou normas a serem seguidas ou respeitadas com rigidez. O verso livre está posto porém, se eu quiser, posso publicar um livro de sonetos. O que existe hoje é justamente a busca do novo, do original. Tudo já foi dito, tudo já foi escrito. É preciso dizer ou escrever de uma maneira nova, original; de uma maneira compatível com a realidade deste mundo e de um homem globalizado e interdisciplinar.









PONTO DO POETA

Acéfalo sigo
Pela minha vida
(per)correndo poemas.
Não são meus
Os versos, as rimas,
As letras, as palavras.
Não é meu o poema.

(Ensaio C, pg. 69, do livro Chrischelle, 1979)