quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Confraria da Leitura-pn Edição 17

RECANTINHO (crônica de uma história registrada no cardápio)

A história deste bar – hoje também restaurante - se confunde com a história da família Felício. O terreno, de posse do senhor Bertolino, morador da Barra da Lagoa, foi passado para o filho, seu Oríbo (pai do Anízio), por ocasião do casamento com D. Joana. Por sua vez, ao casar com Irizete, Anízio herdou a parte do terreno onde hoje estão construídos sua casa e o bar.

A idéia de abrir um bar foi da esposa Irizete. Assim que nasceram os gêmeos, Jamilly e Lucas, em 1990, não podendo trabalhar fora, com as despesas aumentando consideravelmente e o salário do Anízio não sendo mais suficiente, sugeriu ao marido que abrissem um barzinho. Nora e sogra trabalhariam na cozinha e o Anízio atenderia na frente.
Aprovada a idéia, construíram, à época, apenas a parte onde hoje ainda é a cozinha, com a ajuda do amigo Totonho, padrinho dos gêmeos. As primeiras mesas de plástico, conseguiram emprestadas com o Valério Matos, da Porto Belo.
Como não tinham carro, Irizete e D. Joana foram comprar todos os utensílios (panelas, pratos, talheres, copos, etc.) de ônibus, “na cidade”. Naquela época as pessoas podiam andar tranquilamente no centro de Florianópolis com muitas sacolas sem serem molestadas ou roubadas.
Começaram abrindo às 16 horas servindo apenas aperitivos e pirão de caldo com peixe frito ou camarão. Na década de 90 o rio da Barra ainda era farto. O próprio Anízio, geralmente com o auxílio do amigo Adailton, capturava todo o peixe e todo o camarão necessários. Por noite era uma média de 5 a 12 quilos de camarão capturados na “croa”. À época ainda não havia o canal nem o rio era drenado.
Hoje o Recantinho é bar e restaurante. Com a mesma cor desde o início, verde, sem placa ou publicidade alguma, é um dos restaurantes mais simpáticos e de grande sucesso da Barra. A propaganda de boca em boca, totalmente espontânea é que provoca tal fenômeno. Além disso, ao longo da história há questões que vêm se mantendo inalteradas. Sem falar o paladar e do esmero no preparo de todos os pratos, há o atendimento peculiar prestado pelo Anízio (“o marido da dona”). Sempre simpático e atencioso, abraçando e beijando cada freguês em particular bem como cumprimentando efusivamente cada novo cliente, Anízio vai de mesa em mesa conferir cada pedido e colher a opinião dos fregueses sobre o resultado, autorizando muitas vezes a “saideirinha da casa”.
Com todo o sucesso, Anízio continua o mesmo. Quer conferir? Apareça na Barra entre 4 e 6 da manhã. Vai encontrá-lo com seu carrinho de mão amarelo comprando os frutos do mar fresquinhos (lulas, anchovas, tainhas, camarões, etc.) que chegam nos barcos dos pescadores. Ou então, é bem capaz que o encontre “governando” os peixes, preparando as postas e os filés que serão servidos.
É ele pessoalmente quem assume a responsabilidade pela seleção dos produtos servidos no Recantinho.

PARA LEMBRAR (hífen 1)

O hífen é mantido com os prefixos: além, aquém, ex, pós, pré, pró, recém, sem, vice. EXEMPLOS: sem-terra, ex-senador, vice-prefeito, recém-nascido, pós-graduação, pré-vestibular, pró-reitor, além-mar.


NOVO PRESIDENTE NA ACL

Com o falecimento do caro amigo e confrade Lauro Junkes, a presidência da Academia Catarinense de Letras foi ocupada pelo também confrade (e não menos caro amigo) Péricles Prade. Dinâmico, com currículo invejável, homem público ligado à política, às artes, à literatura e à vida acadêmica como um todo, Péricles reúne as condições necessárias para levar a ACL ao lugar de merecimento buscado por Pítsica, por Junkes e por outros tantos acadêmicos que ocuparam a presidência do órgão.
Dentre os inúmeros desafios, Péricles, deverá coordenar o processo de preenchimento das três cadeiras vagas em 2010, ocupadas, respectivamente por: Hoyedo Gouvêa Lins (11), Carlos Humberto Corrêa (17) e Lauro Junkes (32). A exemplo do que pensam inúmeros confrades e considerando a contribuição deixada por Lins, Junkes e Corrêa para a Literatura e para a Cultura, é preciso que os pretensos novos acadêmicos tenham em seu currículo uma produção sólida voltada para a LITERATURA E PARA A LÍNGUA NACIONAL, isto é, tenham escrito e publicado romances, contos, crônicas, poemas, crítica literária, história da literatura e da cultura de nosso Estado. É preciso também que após a eleição, atuem, contribuam, estejam presentes, participem da vida do Sodalício.


PONTO DO POETA

Minha senhora do Desterro
onde te escondes?
Vagueias por acaso
nas noites do Vento Sul?
Passeias pelas dunas,
pela Lagoa, pelo farol?
Onde te escondes
Senhora minha
desta Desterro
que amo?
Por que me apareces
somente em tempo feio,
em céu fechado,
com forte vento soprando?
Onde estás, senhora minha?
Onde estás, minha Desterro?

(Senhora, pg. 17, do livro Minha Senhora do Desterro, 1981)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Confraria da Leitura-pn Edição 16






UM ESCRITOR: JOÃO CARLOS MOSIMANN
Engenheiro, professor e historiador - nascido em Brusque (SC), dedica seu tempo à pesquisa da História de Santa Catarina, sobre a qual publicou inúmeros trabalhos em jornais e revistas especializadas. Foi colaborador do antigo AN Capital e colabora desde 2003 no caderno de Cultura do Diário Catarinense. Autor do livro Tragédia e mistério na Villa Renaux, publicado em 2.000 pela Editora Insular, reeditado em 2.006 (Ed. Autor). Concentrou esforços na pesquisa das incursões de navegadores europeus à Ilha de Santa Catarina no século 16, compondo a obra intitulada Porto dos Patos – A fantástica e verdadeira história da Ilha de Santa Catarina na era dos descobrimentos, editada em 2.002, em co-edição com a Fundação Franklin Cascaes e reeditada em 2.004 (Ed. Autor), sob o patrocínio da Eletrosul. Em 2.003 editou o livro Ilha de Santa Catarina - 1777-1778 – A invasão espanhola, com o apoio cultural da Tractebel, garimpando pioneiramente toda a documentação espanhola e portuguesa sobre aquele importante evento. A mais recente obra, Catarinenses – Gênese e História, foi agraciada com o Prêmio do Edital Elisabete Anderle da Fundação Catarinense de Cultura, o que propiciou a edição independente da obra.



UM LIVRO: CATARINENSES – GÊNESE E HISTÓRIA
“A maioria dos historiadores procura na história político-administrativa, nos governantes e nas elites dominantes, a razão de ser da História. Antagonicamente, o homem comum revela-se ao pesquisador o fundamento e a gênese de um povo. Não perca tempo com Vice-Reis e capitães-generais, já aconselhava Capistrano de Abreu, enverede pelos inventários dos bandeirantes. O grande agente da História é o homem, organizado em sociedade, e a sociedade humana assume sempre esse caráter de agente e objeto da História. Sob esse aspecto, o catarinense constituiu-se no agente principal de seu desenvolvimento, ator e motor de sua própria história, vocacionado desde cedo, normalmente alheio ao poder público, decidindo a direção em sociedade.”
Catarinenses – Gênese e História é, em suma, a História dos catarinenses, entendidos como essa mescla de etnias e culturas forjadas pelo ambiente e integradas através de um processo gradual de conquista de espaço e de afirmação de sua gente: territorialidade e povo. A gama de manifestações, diferenciada pelo povoamento e pelo habitat, gerou, incontestavelmente, essa colcha de matizes étnicas e culturais, mas nela se teceu uma complexa identidade que encerra um conjunto de representações, hoje ligadas por um nexo comum, caracterizando pouco a pouco o povo catarinense.



DEPRIMENTE

O lançamento do livro Cruz e Sousa, o poeta alforriado de Godofredo de Oliveira Neto, organizado pela UFSC no dia 17 último foi um verdadeiro fracasso. Marcado para as 19 horas, iniciou após as 20. Os próprios responsáveis diretos pela organização que deveriam ser os primeiros a chegar para recepcionar os visitantes e o autor chegaram atrasados.
Realizado no auditório da Biblioteca daquela universidade, não havia nenhum indicativo – cartazes, no mínimo. Presenças, umas 15 pessoas, no máximo. Autoridades da UFSC, nenhuma além da responsável pelo lançamento. Membros da Academia Catarinense de Letras, Flávio José Cardozo, Jair Francisco Hamms, eu e Celestino Sachet – que naquele ato representava o presidente em exercício. Nem os acadêmicos que pretendem disputar a presidência daquele sodalício compareceram. Nem o livro para ser autografado chegou. O que valeu foram as falas do autor e do representante da ACL. E olha que o lançamento era em homenagem aos 90 anos da ACL, aos 50 da UFSC e em memória de Lauro Junkes.




OLSEN JR.

No dia 30 deste mês, no Restaurante Lindacap, a partir das 19 horas será lançado o livro Memórias de um fingidor, do meu querido amigo Oldemar Olsen Jr. O novo romance de Olsen Jr. é editado pela Insular.
Aproveito a oportunidade para registrar com imensa alegria que Olsen voltou a publicar suas crônicas em jornal, desta feita no Notícias do Dia, da Rede Record. A crônica nacional, hoje tão insossa, ganha um novo e significativo alento com a volta de Olsen e suas polêmicas todas às segundas feiras. Uma de suas frases: “Só não polemiza quem concorda com tudo. Em jornalismo, não polemizar é estar morto sem o atestado de óbito.”


PONTO DO POETA

NATAL 2010

Bate à nossa porta
mais uma vez o Natal:
barbas brancas,
passos lentos,
sorriso tímido
voz matinal.

Mais uma vez bate
à nossa porta o Natal:
uma pobre manjedoura,
ecológicos animais,
escatológicos humanos,
estrela triunfal.

O Natal mais uma vez
bate à nossa porta:
famílias reunidas,
anjos distorcidos
esperanças corroídas,
corte sazonal.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Confraria da Leitura-pn Edição 15




NITA EXPÕE EM CURITIBANOS

Dia 19 de novembro às 20 horas, a artista plástica Nita estará recebendo seus convidados para uma “vernissage” em Curitibanos. A exposição ficará aberta de 20 a 25 de novembro na Galeria Art & Festa, sempre das 9 às 21 horas, à rua Archias Ganz, 129, naquela cidade.
Começou a pintar há 10 anos, embora desde criança sempre esteve voltada para as artes.
Frequentou escola de artes e vários cursos com outros pintores.
Natural de Urubici, reside em Curitibanos desde 1983.
Essa é a primeira vernissage de Nita que agora vê realizar-se um sonho antigo.
Com o tema sensualidade a artista explora de maneira toda particular o gosto por pintar corpos através da observação da estética da natureza humana.
Sempre contando com o apoio total da família há 4 anos vem trabalhando no tema que ora culmina em exposição.
Pretendo estar presente. Sucesso, Nita!

UM ESCRITOR: DAVID GONÇALVES

Nasceu em Jandaia do Sul, Paraná, em 1952 e reside há muito tempo em Joinville, Santa Catarina. Professor universitário e consultor de empresas, ministra cursos e palestras sobre literatura, comunicação e liderança. Filho de pequenos agricultores, conviveu com os trabalhadores rurais e, dessa convivência, mantida até hoje, extrai a sua força literária. O seu primeiro livro [1972], As flores que o chapadão não deu, foi recolhido pelo regime militar e permaneceu 16 anos na gaveta. Os primeiros contos e romances foram publicados em mimeógrafo. Atualmente, suas obras técnicas e literárias são amplamente lidas nas escolas e nas empresas e diversas teses já foram escritas por elas. OBRAS PUBLICADAS: As flores que o chapadão não deu, Geração Viva, Terra braba, O rei da estrada, O campeão, O sol dos trópicos, Acima do chão, Águas de Outono, Os caçadores de aranhas, O assassino da rua 1.500, O homem que só tinha segunda-feira, Até sangrar, Admirável Margarida, Contos escolhidos, Paixão cega, Pó e sombra, Entrem e sejam bem-vindos. Site www.davidgonçalves.com.br

PARA LEMBRAR
Perde o acento o U tônico das formas que/qui e gue/gui de verbos como apaziguar, argüir, averiguar, redargüir, obliquar. Antes: apazigúe(s), argúem, averigúe(s), obliqúem. Agora: apazigue(s), arguem, averigue(s), obliquem.

POEMAS
O lançamento oficial da coletânea “Poemas a flor da pele” será realizado no dia 28 de outubro, dentro da programação do XVIII Congresso Brasileiro de Poesia que acontece anualmente em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. Estarei lá.

ADEUS AO LAURO

Na manhã do dia 21 deste mês de outubro foi enterrado, no Jardim da Paz, o corpo do professor, doutor e crítico literário Lauro Junkes, Presidente da Academia Catarinense de Letras. Faleceu no dia anterior, 20 de outubro, dia do Poeta. Ele que foi um grande incentivador dos iniciantes, poetas, contistas, cronistas, romancistas, ensaístas, etc. Ele que sempre tratou a todos com muita atenção e muito carinho, incentivando sempre. Ele que pesquisou, estudou e escreveu sobre a Literatura do Estado onde nasceu: Santa Catarina. Como disse o confrade Péricles Prade durante a cerimônia de último adeus: “ele deve estar agora usufruindo da vasta biblioteca celeste”. Fique com Deus, Lauro.


SEMANA DA BIBLIOTECA

Entre 25 e 29 de outubro, a Biblioteca Pública Municipal Machado de Assis, órgão da Fundação Cultural de Balneário Camboriú (FCBC), promove a Semana da Biblioteca. Na abertura oficial, segunda-feira, 25, a partir das 9h30, presença confirma de autoridades municipais, estudantes, representantes da Academia de Letras e convidados. Às 10h a escritora Marlene Rothbarth lança o seu livro “Júlia e Gabriel visitam Itajaí”, que tem ilustrações de Lindinalva Deólla. Teatro de fantoches, contação de histórias e a presença de ilustres convidados completam a agenda de eventos que é aberta à comunidade, com entrada franca.
Programação completa no site: www.balneariocamboriu.sc.gov.br


PONTO DO POETA

Quero nunca
perder de vista
teus olhos verde-jade.
Tua alma, teu corpo
tua verdade.

Quero não ser peso
para o teu coração
para tuas vontades
para tua canção.

Ofereço em troca:
meus espectros
minha demência,
meus monstros,
minha impotência.

(Poema Ro I, pg.276, antologia Poemas a flor da pele, 2009)

MEU BLOG: http://confrariadaleitura-pn.blogspot.com

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

BIBLIOTECA PROF. OSNI RÉGIS

Esta notícia me foi enviada pela bibliotecária Michelle Pinheiro, minha filha. Por considerá-la de suma importância, repasso a todos através deste blog:

“Quinze mil livros de bordas amareladas descansam tranquilos no número 1344 da Avenida Mauro Ramos, no centro de Florianópolis. Olhos apressados passam reto pela placa que sinaliza, logo depois da igreja evangélica nababesca, a existência de um pequeno achado: uma biblioteca quase-pública (mas sem público) que guarda o acervo de uma vida toda.

Quem sai do pandemônio do resto da cidade e entra nos fundos da casa que esconde a biblioteca sente um leve deslocamento no espaço e no tempo. Não parece Florianópolis, nem 2010. O sol das 15h passa pelas vidraças e bate nas prateleiras cheias de clássicos de direito, sociologia, filosofia, história, teoria literária e literatura. No quintal, uma bananeira exibe um cacho verde. Volta e meia, um bem-te-vi pousa na grama. Só o que remete ao mundo lá de fora são dois computadores parados num canto.

Vale a visita. Se não para pegar um livro (nem todos são emprestáveis), pelo menos para sentar, ler e aproveitar o ambiente agradável durante um tempo.

O charme do lugar começa pela sua história. O acervo pertenceu ao político, professor e apaixonado por leitura Osni Régis. Após assistir My fair lady, estrelado por Audrey Hepburn, ele resolveu construir na sua casa uma pequena-semi-réplica da biblioteca que aparece no filme. Depois que morreu, em 1991, a família decidiu abrir o espaço ao público e criou a Fundação Prof. Osni Régis, que banca a manutenção de tudo com recursos próprios.

Para quem estuda Direito, os muitos títulos na área representam o paraíso. Mas também há clássicos literários brasileiros e estrangeiros - franceses, latinos, gregos, uma prateleira toda de Agatha Christie e muitas raridades. Entre elas, aHistória da Literatura Ocidental, de Otto Maria Carpeaux, em sete volumes, uma pequena autobiografia de Ferreira Gullar, cartas eróticas de James Joyce para a mulher, as obras completas de Tomás de Aquino, Karl Marx e números de revistas pouco encontráveis por aí, como a francesa Les Temps Modernes, fundada por Jean-
Fazer a manutenção de tudo isso já é complicado o bastante, por isso todas as ofertas de doações de livros são delicadamente negadas. O acervo permanece com 15 mil volumes há quase vinte anos.

“Livro é para ser lido, deixá-lo parado na estante não é o objetivo”, diz Isabel Régis, filha de Osni Régis e presidente do conselho curador da Fundação. Ela lamenta que a biblioteca tenha tão poucos visitantes. “Quando vem alguém é mais pra pesquisar na área de literatura e direito. Ou então as pessoas entram, olham o lugar e vão embora”.

Quem fica lá todos os dias cercada pelos maiores clássicos mundiais é Maria, que recebe os passantes, cuida dos livros, deixa o lugar sempre impecável e fica de olho no amadurecer dos cachos de bananas. “São mais gostosas que qualquer uma que se vende no supermercado”, saliva.

Ler um pouco, levantar, ir até o gramadinho lá fora, pegar uma banana, comer, escutar um passarinho. Por que mesmo ninguém nota aquela placa na Mauro Ramos?

_______

Quem quiser aparecer por lá pra checar se as bananas já maduraram, anote aí:
Biblioteca Prof. Osni Régis, nº 1344, Avenida Mauro Ramos, Centro, Florianópolis
Horário de funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 14h às 18h
Mais informações: (48) 3223 4833”

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Confraria da Leitura-pn Edição 14





UM ESCRITOR: FLÁVIO JOSÉ CARDOZO

Nasceu em Lauro Müller, SC, em 1938, estudou na terra natal, em Turvo, Tubarão, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre. Frequentou o Curso de Jornalismo da PUC-RS. Trabalhou no Departamento Editorial da Editora Globo de Porto Alegre, foi diretor da Imprensa Oficial de Santa Catarina e da Fundação Catarinense de Cultura. É membro da Academia Catarinense de Letras.
Como ficcionista, publicou Singradura, Porto Alegre, Globo, 1970, 2a. ed. Porto Alegre, Movimento, 2002; Zélica e outros, Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1978, 2a. ed. São Paulo, FTD, 2001, Longínquas baleias, Florianópolis, Lunardelli, 1986, e Guatá, Rio de Janeiro, Record, 2005. Tem-se dedicado também à crônica, com larga atuação na imprensa. Publicou nesse gênero: Água do pote, Florianópolis, Lunardelli / UFSC, 1982; Sobre sete viventes, Florianópolis, Sanfona, 1985; Beco da lamparina, Florianópolis, Lunardelli / Diário Catarinense, 1987; Sofá na rua, Florianópolis, ACES, 1988; Tiroteio depois do filme, Florianópolis, Lunardelli / Diário Catarinense, 1989; Senhora do meu Desterro, Florianópolis, Fundação Franklin Cascaes / Lunardelli, 1991, Trololó para flauta e cavaquinho (em parceria com Silveira de Souza), Florianópolis, Garapuvu, 1999; Uns papéis que voam, São Paulo, FTD, 2003; Duas violas arteiras (em parceria com Sérgio da Costa Ramos), Florianópolis, Bernúncia / Academia Catarinense de Letras, 2008; Sopé (com desenhos de Tércio da Gama), Florianópolis, Editora Unisul, 2009; Batuque bem temperado (em parceria com Jair Francisco Hamms), Florianópolis, Insular / Academia Catarinense de Letras, 2009. Na área da literatura infanto-juvenil, publicou O tesouro da Serra do Bem-bem, São Paulo, Saraiva, 2002. Traduziu O aleph e História universal da infâmia, de Jorge Luis Borges.
É intensa a atividade do escritor nas escolas - do nível fundamental à universidade - em decorrência da adoção e estudo de seus livros.
FJC mora em Santo Antônio de Lisboa, interior da Ilha de Santa Catarina (Florianópolis). (E-mail: fjcardozo@terra.com.br)

PARA LEMBRAR

Perdem o acento as paroxítonas com I e U tônicos depois de ditongo. São casos raros. Antes: feiúra, feiúme, baiúca, bocaiúva, reiúno. Agora: feiura, feiume baiuca, bocaiuva, reiuno.

POEMAS A FLOR DA PELE
O lançamento oficial da coletânea “Poemas a flor da pele” deste ano está previsto para a noite do dia sete de outubro, dentro da programação do XVIII Congresso Brasileiro de Poesia que acontecerá de 25 a 30 de outubro em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul.
Vários escritores de todo o Brasil, estão distribuindo as imagens promocionais de “POEMAS A FLOR DA PELE” em suas páginas. No Facebook Soninha Porto abriu um grupo especial para a promoção, o compartilhamento e a troca de experiências de todos os poetas participantes de livro e quem mais desejar. Queremos ver todos e cada um dos integrantes do grupo ampliando esse trabalho para que ecoe por todos os cantos do mundo esse movimento poético já consagrado.
Além do Congresso em Bento Gonçalves, dois outros lançamentos já confirmados:
- dia 22 de outubro, 19:30, na Livraria Cultura, Rua Tulio de Rose, 80, Passo da Areia, Porto Alegre/RS;
- dia 4 de novembro, 14 h, na 56ª feira do Livro, Memorial do Rio Grande do Sul, Centro Histórico de Porto Alegre/RS.


PONTO DO POETA

As águas claras
Refletem teu rosto,
Espelho da vida.
Teu rosto, meu rosto,
identificam-se
confundem-se.
Filha do corpo
da carne, do rosto;
filha da vida.
As águas refletem
teu claro rosto;
que se confunde
com meu rosto moreno.
As águas dos olhos
confundem teu rosto,
confundem meu rosto
com o rosto da(f)ilha,
com o rosto da vida.

( Este poema, intitulado Chrischelle, deu nome ao livro que lancei pela Editora Lunardelli em 1979. Trata-se de uma junção dos nomes de minhas filhas, CHRIStiane e MiCHELLE, para mim um belíssimo neologismo. A capa da primeira edição, inclusive, traz o desenho de duas meninas correndo de mãos dadas. Nesta 14 edição/postagem da Confraria da leitura-pn, quero homenagear minha sobrinha, a filha da Idione e do meu grande amigo Aurino José do Espírito Santo – o Nonô. Eles gostaram tanto que a batizaram como Chrischelle, o nome que dei ao meu segundo livro de poemas. Ela casa no próximo dia 2 de outubro. Parabéns e felicidades, menina!)
MEU BLOG: http://confrariadaleitura-pn.blogspot.com

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

RÉQUIEM PARA A BALEIA

( sueli tereza mazzucco mazurana)
Baleia Franca
Branca e preta
Pede socorro
- Eu não morro!

Faltou água
Não flutua
- A culpa é tua!

O ventre se arrasta
Dolorido.
Pungente
O gemido
Fere o coração.
- Não te darei perdão!


Os olhos
Fitam o homem
E cobram
Atitude
Ur-gente
- Demente!

Eutanásia, não!
A baleia quer viver!
Olha o esguicho!
Ela está consciente
Sabe o que queremos ver
- Que espetáculo!

Mas o homem
Cruza os braços
E faz planos
Sobre o cadáver
Da baleia
- Eu não quero morrer!

Museu, exposição:
Fantástico!
Uma história,
Era uma vez
Uma baleia
Franca, branca e preta
Que morreu
Cansada
De pedir
Para viver...
- Venham ver!

Baleia branca
Franca
Requiescat in pace!

Orleans, 15/09/2010.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

UMA ESCRITORA


SONINHA PORTO, mulher gaúcha, de Cruz Alta, terras das Missões do Rio Grande do Sul. Estudou no Colégio Sévigné, é Bacharel em Relações Públicas pela PUC/RS (1979). Trabalhou por mais de 20 anos em banco e aposentou-se precocemente em 1998. Casou-se duas vezes e tem 3 filhos, suas obras primas..
Iniciou sua vida literária em 2002, ao entrar no mundo virtual, despertada que foi pelos versos e mensagens que recebia pela internet e pela leitura de grandes poetas, entre eles Mário Quintana, e aos poucos foi fazendo suas poesias. Em 2005, a convite de uma amiga, entrou no orkut e seu olhar voltou-se direto para o mundo poético emergente naquele site.Trabalhou como Assessora da CAPORI, 2006/2007 e não parou mais. Atualmente escreve para vários sites e blogs ligados à literatura interagindo com poetas, escritores e artistas realizando, sempre que possível, encontros e saraus para promover a poesia.Teve atuação destacada em vários concursos, principalmente na 29ª EXPOESIA, 2007, promoção da CAPORI/RS e Sport Clube Internacional, de Porto Alegre e no concurso do Blog Artistas Solidários em 2008. Tem poemas selecionados no Projeto Leitura para Todos (Companhia de Transportes Urbanos), de Belo Horizonte e já integrou o grupo de jurados do concurso realizado pela POESIARTE, Cabo Frio/RJ (2007).
Desde 2006 mostra seus trabalhos em diversos livros promovidos por entidades culturais de Porto Alegre e de outros estados, alguns também do mundo virtual.. Destaca as da CAPORI/RS, da casa do Poeta de Canoas/RS, do Projeto 24 horas de Poesia, da Editora Alcance, da Antologia Delicatta e Poetas do Café (comunidade do orkut). Em 2008 participa das Antologias dos Poetas Virtuais do Orkut, (Fortaleza/CE), da virtual do Blocos Online, de Leila Míccolis - Saciedade dos Poetas Vivos, "Intimidade" e as promovidas pelo Proyecto Cultural Sur Brasil - Poesia do Brasil e Poeta mostra a tua cara e as do V Belô Poético. Administra a Comunidade Poemas à Flor da Pele, onde realiza festivais literários, concursos permanentes e divulga autores novos e consagrados no espaço ou em E-books virtuais. O último E - book lançado, abril de 2010, pelos 4 anos da comunidade circula pelo Brasil, Europa e Estados Unidos. Incentivou representantes da comunidade, de outras capitais brasileiras a realizar eventos de aniversário da Poemas, em Belém/PR, Belo Horizonte/MG, Brasília/DF, Vitória/ES, Porto Alegre/RS, Rio de janeiro/RJ, Londrina e São Paulo/SP. Coordenou as duas Antologias "Poemas à Flor da Pele" (em parceira com o Proyecto Cultural Sur), junto com poetas da comunidade e mais livros infantis "Poemas à Flor da Idade", todos lançados em outubro, nos anos de 2008/2009, no Congresso de Poesia em Bento Gonçalves; Este ano lança a 3ª ediçãom desta Antologia uqe é sucesso em todo o país;.
Esse trabalho a fez descobrir o rumo, o que gosta de fazer e o que faz com prazer: estar às voltas com a poesia. Lancou em 5 de novembro de 2009, na 55ª Feira do Livro de Porto Alegre o seu primeiro livro: doEU.
Contatos:
smf.soninhaportoalegre@gmail.com