quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Edição nº. 54








PAPO NA CONFRARIA: MOACIR PEREIRA



1-O que te motivou a escrever?

No jornalismo, o prazer de comunicar e multiplicar  aquilo que é de interesse público, denunciando o ilegal e promovendo o positivo,  tendo o reconhecimento pela audiência ou pelos gratificantes depoimentos.  Nos livros, a incomparável satisfação de resgatar fatos e personagens, deixando para as novas gerações temas da história ou da conjuntura que devem permanecer na memória do Estado.


2-Cite três livros (e respectivos autores) mais significativos em tua vida.

 D. Quixote, de Cervantes; D. Casmurro, de Machado de Assis; História de Santa Catarina, de Oswaldo Rodrigues Cabral.


3-Indique um livro (Literatura Brasileira) para leitura de: Ensino Fundamental, Ensino Médio e Ensino Superior.

a)      Alunos do Ensino Fundamental (5ª a 8ª séries)
 A Ilha”, de Virgílio Várzea

b)     Alunos do Ensino Médio
 D. Quixote, de Cervantes

c)      Alunos do Ensino Superior
Guerreiros de Deus”, de James Reston Jr.


4-Como se dá o processo da escrita em tua prática cotidiana?

 Na atividade jornalística,  em cima dos acontecimentos, testemunhando-os, de preferência.  Redigindo o texto seco, objetivo. Ou analisando fatos de interesse maior da população.  Na elaboração de livros, com dados pesquisados, entrevistas, biblioteca ao redor e dicionário ao lado.

5-Fale sobre o apoio dispensado pelos setores público e privado à literatura.

 Inexiste em Santa Catarina uma política pública de incentivo à literatura e aos escritores, o que é profundamente lamentável.  Um Estado que é a sexta economia do Brasil poderia ter uma presença mais produtiva e rica na literatura.  Na área privada, há um destaque que merece registro: o grupo Tractebel, que apoia editores, escritores e eventos artísticos e culturais da Capital e do Estado.  É merecedor do melhor prêmio entre os incentivadores.


6- Fale sobre o papel das Academias de Letras em relação à Língua e à Literatura.

Manifesto  frustração em relação às atividades da Academia. Imaginava a realização de ricos debates sobre a literatura catarinense, palestras sobre literatura nacional e internacional, tendências literárias.  Sonhei muito com apreciações sobre os “best sellers”,  sobre os melhores filmes e as músicas que mais tocam nossa alma. 


(*) Ocupante da Cadeira 03 da Academia Catarinense de Letras.





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PASSAREI PASSARÃO PASSARÁ


uma crença
:
eles crescem
criam asas
deixam vazio
o ninho


por incrível
que pareça
são crianças
esses filhos
passarinhos


crias aladas
criadas no bico
desde petizes
com certeza
são aves
azes
‘voáveis’

garças a deus


(Valéria Tarelho, in Agenda da Tribo, 2013/14)
















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AVENCAS E CEDRO (*)

Quem conhece flores e folhagens sabe distinguir uma avenca de outras folhagens. Para quem não sabe posso afirmar que, de todos os tipos de folhagens, a avenca é oque se pode comparar a delicadeza e ternura. É uma planta que prefere locais onde haja bastante sombra e umidade, portanto, é muito recatada...
Anos atrás, usava-se avencas na complementação de ramalhetes de rosas, cravos e violetas de Parma, quando a violeta africana, que conhecemos hoje, em vasinhos e com diversas cores não era, ainda, cultivada por aqui. Os delicados galhos de avencas guarneciam, também, os tradicionais buquês de noivas.
Como quase tudo na vida encontra um contraste, um paradoxo, lembrei-me de uma flor que praticamente se defronta com a avenca o que se refere a delicadeza. Não se trata da vitória régia, enorme planta da Amazônia. Refiro-me à flor do cedro.
O cedro é uma enorme árvore, cuja madeira é muito usada na fabricação de casas e mobiliário, sendo uma das “madeiras de lei”. No entanto, poucas pessoas sabem sobre suas flores. Por se tratar de uma planta hermafrodita, não possui pólen para  sua propagação. As flores, de madeira, são formadas em cachos e caem ao chão quando as cápsulas (botões) se abrem em cinco pétalas e um maciço miolo.
De uma beleza grosseira e inodora a flor do cedro contrasta com a quase diáfana avenca, cada qual com uma beleza peculiar.
Quantas avencas e flores de cedro encontramos na nossa vida, não é mesmo?  Pessoas com delicadeza, sensibilidade e modéstia que, muitas vezes permanecem na sombra, não sobressaindo dos demais, e, no entanto, sendo apreciados e valorizados, apesar de seu quase anonimato.
Em contra partida, aqueles mais fortes, embora não os mais bonitos, fazem sua parte  e conservam-se distantes, como os altos cedros, praticamente no anonimato, nem sempre sutis ou diplomáticos, mas estão sempre ao nosso lado nas horas de aperto.
E você, está na categoria da avenca ou do cedro? É bom dar uma verificada...

(*) Ivonita Di Concílio



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DO ARCO-ÍRIS


Desvairada, a varanda
como os olhos assistentes
de um arco-íris que ora,
ora sem terço, insistente.

No terço de uma hora,
sete tons invasivos,
evasivos, sem demora,
deixam penitente a varanda
isenta do colorido
já outrora.

Damaris Lopes, Poemas à Flor da Pele vol. 7, Somar, p. 46, 2013)

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ARTÊMIO ZANON, DEZ ANOS NA ACL

Há exatamente dez anos o escritor Artêmio Zanon ingressava na Academia Catarinense de Letras. Sua produção em prosa e verso bem como sua presença marcante na vida literária do Estado através de atuação em várias instituições culturais e profissionais, principalmente, na Diretoria da Associação Catarinense de Escritores – ACEs, o credenciaram para que tal acontecesse.

Na minha opinião, Artêmio Zanon (mesmo antes de sua posse) preenche todos os requisitos necessários a um membro da Academia Catarinense de Letras: 1) conhece, defende e vivencia o que diz  o Estatuto da Casa;  2) incorporou  seu objetivo maior,  “... cultivar a Língua Vernácula e defender os valores da cultura nacional e estadual, especialmente no campo literário...”; 3) tem consciência de que para tanto é preciso, antes de qualquer coisa, ser escritor (escrever e publicar literatura: romance, novela, conto, crônica, poemas; produzir pesquisas, ensaios, estudos, críticas sobre artes plásticas, literatura, folclore, cinema, história, cotidiano,  cultura enfim); 4) eleito e empossado, assumiu compromisso com a instituição participando cotidianamente de suas atividades, conhecendo e cumprindo seus direitos e deveres, destaque para “presença às sessões e estar em dia com as contribuições ou outros encargos fixados pela Assembleia”. Por outro lado, como eu, tem clareza que: a) é prudente menos empáfia e mais humildade e companheirismo; b) não basta apenas ostentar o título, a medalha e marcar presença nos eventos mais solenes e “pomposos”, deixando nos ombros de poucos a responsabilidade de resolver sozinhos os inúmeros problemas da Casa; c) é preciso ter consciência da imortalidade acadêmica, não esquecendo, em nenhum momento, a mortalidade do acadêmico.


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FOLHA EM BRANCO


Meus versos não dizem nada
e a este grito surdo
só o abismo lhe responde
em bramidos de solidão
que farfalham sem rimas
nem ecos.

(Clau Assi, Poemas à flor de pele, vol. 7, Somar, p. 37, 2013)

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CLEBER TEIXEIRA E A MÁQUINA 

Dia 03 de dezembro, terça-feira, às 19 horas, aconteceu na Fundação Cultural Badesc a pré-estreia do documentário “Cleber e a Máquina”, dirigido por Rosana Cacciatore. O filme conta a história do poeta, editor e tipógrafo Cleber Teixeira. Durante um ano, a cineasta entrevistou personalidades com quem Cleber compartilhou a vida e o trabalho como o poeta Augusto de Campos, o músico Vitor Ramil, o artista plástico Jayro Schmidt, o crítico literário Raúl Antelo, entre outros.

É através de uma máquina impressora tipográfica do século XIX, que pertencera à família de Rosana Cacciatore, que a diretora se aproxima do “poeta-tipógrafo-editor-visionário Cleber Teixeira”, como se refere a ele o poeta Augusto de Campos. Cleber aceita o desafio de recuperar a máquina que permaneceu 40 anos em silêncio. Este acontecimento constrói uma narrativa que permite o desvendamento  do mundo do artista/artífice singular.

‘Aprendiz de trovador’, como se autodenominava, Cleber Teixeira nasceu em Jacarepaguá no Rio de Janeiro. Mas foi em Florianópolis que editou e escreveu a maior parte de seus livros. A Noa Noa, sua editora é referência na publicação de traduções cuidadas para o português. Figuram entre elas a tradução dos irmãos Campos para poemas do francês Stéphane Mallarmé, uma iniciativa inédita no país. Cleber também publicou traduções de e.e. cummings, Gertrude Stein, Emily Dickinson por José Paulo Paes, Rosaura Eichenberge e outros grandes tradutores brasileiros.

Cleber não era apenas editor e tipógrafo. “Armadura, Espada, Cavalo e Fé” é sua obra poética de maior fôlego. São fragmentos espalhados por diversos livros, em edições compostas e impressas manualmente, com requinte gráfico, ilustradas e com tiragem reduzida, como a maioria dos títulos publicados pela Noa Noa.

O documentário “Cleber e a máquina” foi contemplado em 2011 com o Prêmio Catarinense de Cinema, que garantiu recursos para que o filme fosse rodado. Quem ainda não assistiu, recomendo que o faça sem demora. Vale a pena.

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CONFRARIA DO POEMA-pn
I

Guerreiros olhos
espreitam as sombras
as matas-mosquetes.

Valentia negra
sobrepuja o inimigo,
socorre a irmandade.

Pés de sola branca
com históricos sulcos
dançam o balé do sonho.



II


Zumbi(ndo) nos ouvidos
o surdo som da chibata,
gazélicas pernas ziguezagueiam
errantes à procura do quilombo.

Soltando grilhões e amarras
socorre, ajuda, esconde,
alivia a dor do irmão.

Força (in)humana sufoca ganância,
fragilidade animal liberta vontades,
rompe preconceitos
entrega-se prazer.


III

Tam tam dos tambores
no centro do quilombo,
faz esquecer por instantes
ferro em brasa, grilhões e tronco.

Tam tam dos tambores
pés, terra, poeira e requebro;
Tornam livres, por instantes,
negros iguais humanos.

Tam tam dos tambores
Zumb(i)em ainda hoje
- trezentos anos depois –
colonizador ouvido branco.

( ZUMBI(ANOS)DOR, Pinheiro Neto, Poemas Reunidos, 2010)






quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Edição nº. 53





PAPO NA CONFRARIA: URDA ALICE KLUEGER


1-O que te motivou a escrever?

O que me motivou a escrever foi a alfabetização. Antes dela, eu só imaginava as histórias, e já então com as características do romance - eram histórias que continuavam, a cada dia com novo episódio - e recordo delas como minhas primeiras lembranças, praticamente, no tempo em que tinha 3 anos.



2-Cite três livros (e respectivos autores) mais significativos em tua vida.

Livros que fizeram grande diferença na minha vida - acima de todos, os romances de Franz Kafka, mas em seguida:
1 - Os frutos da terra, de Knut Hamsum, autor norueguês que surgiu na minha mão quase por acaso, aos 15 anos, emprestado na praia (nesse tempo não havia televisão e a gente levava livros para a temporada de verão) por um moço chamado Alexandre Racelli. Ele acabou me dando o livro, e o tenho até hoje.
2 - O tempo e o vento, de Érico Veríssimo, descoberto por acaso nas prateleiras da Biblioteca Pública Dr. Fritz Mueller, em Blumenau, em algum momento depois dos meus 12 anos.
3 - Os pastores da noite, de Jorge Amado, supimpa descrição do mundo e submundo da cidade de Salvador, coisa para a gente nunca mais esquecer, principalmente para quem, como eu, adora aquela cidade!
E tantos, tantos outros - céus, o universo da leitura é a coisa mais fantástica do mundo - como resumi-lo a 3 livros principais?



3-Indique um livro (Literatura Brasileira) para leitura de: Ensino Fundamental, Ensino Médio e Ensino Superior.

a - de sexto ao nono ano:
Que me perdoem a falta de modéstia, mas o pessoal gosta um bocado de dois romances meus, chamados "Verde Vale" e "No tempo das tangerinas". Mas há muuuuitos outros - eu citaria, também, "Vidas Secas", do Graciliano Ramos, "Meu pé de laranja lima", de José Mauro de Vasconcelos, etc., etc. Por favor, nunca deem livros chatos para adolescentes!

b - para alunos do Ensino Médio: He he, de novo sem modéstia, "Viagem ao Umbigo do Mundo", que eles gostam muito. Diversos de Jorge |Amado. "O tempo e o vento", de Érico Veríssimo. Céus, e quantos outros, quantos outros!

c - Para o pessoal do Ensino Superior - de novo vou deixar a modéstia de lado e citar dois romances meus: "Cruzeiros do Sul" e "Sambaqui".E os clássicos, todos eles, a começar por Machado de Assis e Dostoiewsky - e se há alguém achando que é muita leitura, eu li tais autores aos 14/15 anos. Portanto, aos livros! 



4-Como se dá o processo da escrita em tua prática cotidiana?

Eu diria que sou escritora em tempo integral. Assim como sou historiadora em tempo integral. Estou constantemente atenta ao que se passa, ao que vivo, para ver, para "sentir" o que irei escrever - e os textos se formam no cérebro, e em qualquer momento, depois, posso sentar e passá-los para o papel. Não sei não ser escritora. Tudo pode virar material para algum texto.


5-Fale sobre o apoio dispensado pelos setores público e privado à literatura.

Uma vez concorri a um edital e ganhei 5.000,00 reais da Prefeitura Municipal de Blumenau  para ajudar a publicar um livro, que foi o Sambaqui. Tal valor não cobria, nem de perto, sequer os gastos com a pesquisa feita, mas ajudou a pagar parte da publicação do livro. Foi só. E ainda me incomodei um monte: tinha que prestar contas sobre o que fizera com o dinheiro, e o fiz direitinho - e minhas contas nunca foram aceitas. Sempre se pedia de novo um documento que eu já tinha entregue, e eu levava fotocópia do dito cujo já recebido pela entidade de prestação de contas, e depois era pedido de novo e eu repetia o processo, um abuso! Acabei entendendo que tal acontecia para que eu não voltasse a procurar o poder público, e não procurei mais. Vive-se com mais tranquilidade sem ele, ufa!

6- Fale sobre o papel das Academias de Letras em relação à Língua e à Literatura.

Sem resposta.


(*) Ocupante da Cadeira 02 da Academia Catarinense de Letras.


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ENCONTRO DE ESCRITORES EM JOINVILLE



 No dia 09 de novembro próximo, a  Associação da Confraria das Letras de Joinville, leia-se escritor David Gonçalves, realizará naquela cidade o I ENCONTRO CATARINENSE DE ESCRITORES.

O programa do Evento está assim estruturado:

Às 9.45 – realização das inscrições  a R$ 20,00 por participante. Às 10.00, abertura oficial. Das 10.15 às  10.50 a conferência de abertura “O [DES]LIMITE DA POESIA” proferida pelo professor e escritor GILBERTO MENDONÇA TELES.

Às 14.00 a palestra “DESAFIO INSTITUCIONAL DA LITERATURA EM SANTA CATARINA”  com Mery Garcia. Às  14.30 a palestra “RUMOS NOVOS DA LITERATURA INFANTO JUVENIL” com Sueli de Souza Cagneti. Às 15.15 painel com vários escritores catarinenses intitulado Panorama da Literatura Catarinense – oportunidades e desafios.

Às 17.30 ocorrerá o lançamento da “Quarta antologia Confraria das Letras” e às 18.00 o evento será encerrado.

O I Encontro Catarinense de Escritores será realizado na Fundação Cultural de Joinville, no auditório Alfredo Salfer. Maiores informações:

Fones: 47.3427.5366 – 47.9119.3832 – com Sílvio Vieira


DAVID GONÇALVES - david.goncalves@uol.com.br




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A VIDA QUE EU QUERIA


A vida anda
e a ousadia me acompanha:
estampa minha face.
Pelas ruas, pelos bares,
já posso dispensar os pares.
Não que me baste
mas a energia se renova
e me permito prazeres
antes inimagináveis:
uma chuva de granizo,
um temporal ao acaso,
um chope na Paulista
(segunda sem lei)
sem culpas ou marasmos.

Vivendo a vida
do jeito que eu queria
meus fantasmas
partem desacreditados.

(Rosângela de Souza Goldini, Poemas à Flor da Pele vol. 5, p. 146, 2012)


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WILLY ZUMBLICK 100 ANOS

O artista plástico catarinense Willy Alfredo Zumblick faria 100 anos, no dia 26 de setembro, se vivo estivesse. Um dos raros eventos realizado para homenagear o centenário do pintor tubaronense é o documentário “Zumblick na eternidade”, dirigido por Zeca Nunes Pires e produzido pela TVUFSC. Como diz o crítico de arte e artista, Janga Neves no documentário,  "Santa Catarina costuma ser muito ingrata com a memória de sua gente".

 “Willy sonhou ser caminhoneiro, foi ourives, artista plástico dos melhores e um grande ser humano, sempre ao lado de sua esposa Célia. Além disso, é um dos raros artistas que possui um Museu para abrigar suas obras. Um Museu com problemas por não seguir normas técnicas", para Pires, é isso que o documentário tenta abordar e transmitir, com ênfase para os quadros do artista, pelos quais o diretor tem admiração.

 Com pesquisa da historiadora e recém eleita para a Academia Catarinense de Letras Lélia Pereira da Silva Nunes, que escreveu dois livros sobre Willy Zumblick, Zeca contou com a colaboração de dois estagiários do Curso de Cinema da UFSC. Anderson Brito e Jefferson Moreira foram câmeras, editores e também capricharam na finalização do documentário. Esse é outro ponto que o diretor gosta de enfatizar, " é muito bom trabalhar com estagiários como eles, aprendo bastante com eles".

 “Zumblick na eternidade”, conta com uma entrevista realizada por Zeca Pires em 2002 com o artista e sua esposa Célia. Na época Zeca fez a entrevista com o apoio da TVi - Televisão e Cinema.  Além do próprio artista e sua esposa, o documentário é narrado por amigos (Jurema Fischer, Maria Celeste Neves, Esperidião Amin e outros), por críticos e artistas (Janga Neves, Carlos Asp e Arlinda Volpato), por jornalistas (Moacir Pereira, Sérgio da Costa Ramos e Guto Kuerten), além de outros depoimentos importantes.

Para o diretor Zeca Nunes Pires o que mais ele admira nos quadros do Zumblick é a luz. Pires explica, "Normalmente quando discutimos com o diretor de fotografia a estética das imagens de um filme, costumamos comparar a fotografia do filme a ser realizado com a obra de um artista plástico, para que os dois, diretor e fotógrafo, falem a mesma língua.
Paradoxalmente, o diretor de fotografia parte de uma tela escura e pinta o filme com luz, o artista plástico por sua vez inicia com uma tela branca e pinta o quadro com cor, chegando ao final a uma aproximação do cinema com as artes plásticas. O que mais me impressiona na obra do Zumblick é essa luz cinematográfica que ele consegue na maioria dos seus quadros".

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LI E RECOMENDO (5)

O REINO DOS ESQUECIDOS, escrito por Miro Morais e lançado este ano é o terceiro romance do autor. Conta a história de Dom Manoel Manso, um fidalgo muito próximo ao Imperador que, por razões misteriosas, abandona a Corte no Rio de Janeiro e se lança à aventura de criar no Sul do Brasil um povoado onde as pessoas possam ser felizes. Para realizar o seu sonho não lhe basta dominar a natureza hostil e fascinante e aprender a conviver com ela. O seu projeto entra em conflito com as crenças e as regras, a ordem e a desordem e o Poder que reina sobre tudo e todos. E isso se transforma em mais uma ameaça para o seu plano e a sua vida.
Pequenos e grandes heróis expõem suas paixões, seus ódios, seus amores, a traição, a solidão, suas esperanças, tristezas e alegrias. As suas múltiplas histórias se entrelaçam – em capítulos que se autojustificam – dentro de um enredo maior, onde convivem os aventureiros e os acomodados; os santos e os assassinos. Às vezes em uma só pessoa.

O reino dos esquecidos é uma obra destinada a incluir-se entre os grandes romances clássicos. O mundo imaginário – maravilhoso e inacreditavelmente real -, as múltiplas histórias articuladas com o enredo central, os personagens, tudo envolve e fascina a cada página, a cada parágrafo, a cada frase, em que as palavras são precisas. Um raro livro, em qualquer tempo, sem gratuidades dentro da literatura. Uma obra ao mesmo tempo lúcida e capaz de provocar uma maior visão sobre o mundo humano e sobre cada leitor.
  
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AUDIOTECA SAL E LUZ 

A Audioteca Sal e Luz é uma instituição filantrópica, sem fins lucrativos, que produz e empresta livros falados (audiolivros) e que corre o risco de acabar.

São livros que alcançam cegos e deficientes visuais (inclusive os com dificuldade de visão pela idade avançada), de forma totalmente gratuita.

Seu acervo conta com mais de 2.700 títulos que vão desde literatura em geral, passando por textos religiosos até textos e provas corrigidas voltadas para concursos públicos em geral. São emprestados sob a forma de fita K7, CD ou MP3.

Para ter acesso ao acervo da Audioteca, basta se associar comparecendo à sede, que fica situada à Rua Primeiro de Março, 125. Mas não precisa ser morador do Rio de Janeiro. Qualquer pessoa de qualquer parte do país pode tornara-se sócio desse belíssimo projeto. Todos os interessados podem solicitar o livro pelo telefone, escolhendo o título pelo site, cujo envio será gratuito através dos Correios.

A maior preocupação dessa entidade reside no fato de que, apesar do governo estar ajudando, é preciso apresentar resultados. É necessário atingir um número significativo de associados, que realmente contemplem o trabalho, senão ele irá se extinguir e os deficientes não poderão desfrutar da magia da leitura.

Contatos:
Christiane Blume - Audioteca Sal e Luz. Rua Primeiro de Março, 125- 7º Andar. Centro - RJ. CEP 20010-000
Fone: (21) 2233-8007
Horário de atendimento:
 08:00 às 16:00 horas 


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CONFRARIA DO POEMA-pn

O poema
deve ser
enxuto
metafórico
denso
reticencioso.

Se longo
- arrastado
molhado
insosso -
enjoa
enoja.

(Sobre o poema (01), Pinheiro Neto, 2013)







quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Edição nº. 52



(Pinheiro Neto, Poema visual, in Poemas Reunidos, p.159, ACL, 2010)


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OITENTA ANOS AGORA! por VALDIR ALVES 

Lá nos primórdios, os oceanos eram calmos e tranquilos. Os viajantes só dispunham dos remos para empurrar os barcos em seus deslocamentos. Havia serenidade nas viagens, mas obrigatoriamente eram curtas e limitadas; e proibidas para determinadas ilhas reservadas, especialmente, para os deuses. Assim navegava a humanidade até o dia que os vikings arrombaram a ilha do deus vento. E o vento libertado foi soprando, esparramando por todos os cantos do mundo a sua força. Os vikings, primeiro tentaram detê-lo, mas perceberam que quem corre para a liberdade é sempre mais rápido e astuto que o carcereiro. E assim escolheram se libertarem com ele inventando a quilha e as velas, que davam às embarcações equilíbrio e estabilidade, mas, principalmente, combustível para longas jornadas. 


Lembro-me da lenda a propósito dos 80 aniversários deste ilustre brasileiro Jaison Barreto que, na biografia das minhas boas lembranças, foi o protagonista de um embate memorável disputando o cargo de governador de Santa Catarina, em 1982. O discurso veemente, a postura serena e inflexível, o verbo feito pão, o pão que haviam subtraído dos catarinenses. Com dignidade violou uma ilha da ditadura e soltou o vento da liberdade, o vento que se esparramaria por todo o Brasil soprado pela sinfonia dos galos tecendo uma nova manhã, segundo o debruado do João Cabral de Mello Neto.


No começo do mês de outubro, reta final da eleição, fui assistir um comício na cidade Imbituba. Os fatos, com pequenos detalhes que diferenciavam aqui ou ali, se repetiam numa sucessão de comícios por diversas cidades que eu acompanhava sempre que possível: palavras de ordem contra a ditadura, contra as oligarquias e, finalmente a vitória inexorável da democracia faziam de Jaison Barreto uma comemoração. Era o começo de uma catarse, embora ainda lambuzada de medo.


Nesta oportunidade, para compor uma matéria que eu preparava para o Jornal O Globo, perguntei para um garoto, ainda imberbe, que acompanhava o evento nas proximidades, que motivação tinha para apoiar um candidato da oposição. “O Jaison – me respondeu – é a novembrada do palanque”. Atônito, fiquei ali sem comentar, sem anotar, atônito até o garoto partir. Mas nunca esqueci aquele sucinto e esclarecedor encontro.


Como também nunca esqueci o Jaison Barreto cidadão comum, com o estranho gosto de misturar uísque com coca-cola, é verdade, mas sábio quando entre um gole e outro argumentava que a ignorância não se higieniza, se varre. Logo, educação era o fundamental. O palco e o boteco tinham harmonia, eram os versos do Quintana apertando o interruptor: Venho do fundo das eras/Quando o mundo mal nascia/Sou tão antigo e tão novo/ Como luz de cada dia.


A alegria durou até a abertura das urnas no mês de novembro. Junto com elas, todavia, se abriram também os depósitos das falcatruas que os penduricalhos da ditadura obsequiavam aos poderosos de plantão. Roubaram a eleição de Jaison Barreto. Mas não roubaram os ventos da liberdade, estes estavam espalhados e, sobretudo, soprando nos corações libertários das pessoas que não se trocaram por uns poucos vinténs, da gente honesta brasileira. Não roubaram o desejo dos catarinenses de por fim a ditadura, não roubaram dos catarinenses o desejo de acabar com as oligarquias.


Hoje, estes milhões de brasileiros que estão nas ruas exigindo o fim da corrupção, exigindo o aroma da honestidade, estão também cantando um pouco: parabéns Jaison Barreto, feliz aniversário.
 
Com o carinho do escriba Valdir Alves (Jornalista e escritor - texto publicado em sua página no facebook)




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SYNT
  
Synt, garoto impuro
Esse garoto morava num túmulo
Synt, garoto impuro que não tinha voz
Mas mantinha distância em cada parte
De sua cordialidade
Não, não diga nada, não há nada a dizer
Não, não fale nada, não há nada a declarar

Synt, goroto impuro
Esse garoto se escondia do mundo
Synt, garoto impuro que não tinha nada a dizer
Mas mantinham os desentendimentos em cada parte
De sua superficialidade
Onde seu próprio medo é morrer sozinho
Onde seu próprio desejo é morrer sozinho

(Blimer, apenas um verme que se alimenta de cicatrizes de verão, 04/06/2006)


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AUDIOTECA SAL E LUZ 


A Audioteca Sal e Luz é uma instituição filantrópica, sem fins lucrativos, que produz e empresta livros falados (audiolivros) e que corre o risco de acabar.

São livros que alcançam cegos e deficientes visuais (inclusive os com dificuldade de visão pela idade avançada), de forma totalmente gratuita.

Seu acervo conta com mais de 2.700 títulos que vão desde literatura em geral, passando por textos religiosos até textos e provas corrigidas voltadas para concursos públicos em geral. São emprestados sob a forma de fita K7, CD ou MP3.

Se você conhece algum cego ou deficiente visual, fale desse trabalho, seja um divulgador.

Para ter acesso ao acervo da Audioteca, basta se associar comparecendo à sede, que fica situada à Rua Primeiro de Março, 125. Mas não precisa ser morador do Rio de Janeiro. Qualquer pessoa de qualquer parte do país pode tornara-se sócio desse belíssimo projeto.


Todos os interessados podem solicitar o livro pelo telefone, escolhendo o título pelo site, cujo envio será gratuito através dos Correios.

A maior preocupação dessa entidade reside no fato de que, apesar do governo estar ajudando, é preciso apresentar resultados. 

É necessário atingir um número significativo de associados, que realmente contemplem o trabalho, senão ele irá se extinguir e os deficientes não poderão desfrutar da magia da leitura.

Só quem tem prazer na leitura, sabe dizer que é impossível imaginar o mundo sem  livros.

A Audioteca não precisa de dinheiro, mas de DIVULGAÇÃO!

Contatos:

Christiane Blume - Audioteca Sal e Luz. Rua Primeiro de Março, 125- 7º Andar. Centro - RJ. CEP 20010-000
Fone: (21) 2233-8007
Horário de atendimento:
 08:00 às 16:00 horas 



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(EX) PLANADAS

Roubaram pra cacete
pisando leve em tapetes imaculados
cochicham entre cafezinhos e rodadas de uísque
Conspiram, planejam, prevaricam, escamoteiam,
tergiversam, subornam e dão sumiços em processos
Dom Bosco, nos proteja
Juruna, esbaforido, atravessa o Anexo II da Câmara,
o turista americano tira uma fotografia
Prestes compra flores do cerrado na Catedral
No Setor Hoteleiro Sul executivos paulistas
planejam uma grande noitada e, sofregamente,
procuram cadernetas com endereços de
cafetinas cinco estrelas
Índios invadem a sede da FUNAI,
um disco voador foi visto em Sobradinho
E reivindico a Constituinte feliz, utópica, macunaímica
Belisca meu pescoço, moça
Me fere me acaricia me morde me decifra
Só cifras
Um cooper desesperado, uma pensão pulguenta,
um zelador atônito
Um beijo sanguinário, um cão sarnento,
um boteco infecto, uma mijada espumante,
uma batida no Eixo.

(Emanuel Medeiros Vieira, Sete planos de asas, Edições Sanfona, 1985)




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LI E RECOMENDO



Sentimentos confiscados, de Jacqueline Aisenman, contos e crônicas, lançado este ano e editado pela Design Editora de Jaraguá do Sul.

Para Carlos Henrique Schroeder, com esse livro, Jacqueline “prova ser uma das cronistas mais afiadas do país, e com uma versatilidade impressionante aborda assuntos tão díspares como desejo e redenção, e mostra como a delicadeza e a sutileza são o verdadeiro tempero da crônica brasileira.

Os textos ora se contrapõem,, ora se sobrepõem, sempre numa dualidade incrível (são sempre dois textos em um). E esta faca de dois gumes deixará marcas indeléveis nos leitores, pois a verdadeira literatura sempre confisca.”

Nascida em Laguna, Santa Catarina, viveu também em Curitiba, Ponta Grossa, São José dos Pinhais, Florianópolis e há mais de vinte anos reside em Genebra, na Suíça.
Já publicou: Pedaços de mim e coisas assim; Muito mais do que a solidão; Coracional; Poesia nos bolsos; Entre os morros da minha infância, Lata de conserva; Palavras para o seu coração e Briga de foice.

Criou em 2009 e até hoje edita a revista literária eletrônica e o site Varal do Brasil, “fazendo uma ponte de palavras entre o continente europeu e o Brasil”.


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INSCRIÇÕES PARA O 15º CATAVÍDEO


As inscrições para a 15ª edição do Catavídeo – Mostra Livre Catarinense vão até o dia 30 de setembro. O festival é uma janela livre, que permite a exibição e o debate do audiovisual produzido em Santa Catarina.

 Podem ser inscritos vídeos finalizados em qualquer ano, formato e duração, mas que sejam inéditos no festival. Se você é catarinense, reside no estado, ou seu audiovisual foi realizado em Santa Catarina, poderá exibir e conversar com o público sobre sua produção. Inscrições em www.catavideo.org. O 15º Catavídeo ocorre de 25 a 29 de novembro na Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis. 


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CONFRARIA DO POEMA-pn


Sorvo o sangue
dos teus versos
repagino poemas.


 (Nanopoemas V (a), Pinheiro Neto, Poemas à flor da pele, p. 144, 2013)