quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Edição nº. 50






PAPO NA CONFRARIA: Leatrice Moellmann



1-O que te motivou a escrever?

 Meu instinto.

2-Cite três livros (e respectivos autores) mais significativos em tua vida.

 Incidente em Antares de Érico Veríssimo
 Dicionário de Português Schi faiz favoire de Mário Prata
 Papillon de Henri Charrière

3-Indique um livro (Literatura Brasileira) para leitura de: Ensino Fundamental, Ensino Médio e Ensino Superior.

Ensino Fundamental: As Reinações de Narizinho de Monteiro Lobato
Ensino Médio: Dom Casmurro de Machado de Assis
Ensino Superior: o livro deverá estar de acordo com a área específica cursada.

4-Como se dá o processo da escrita em tua prática cotidiana?

A minha prática se divide em “inspiração” e “transpiração”.

5-Fale sobre o apoio dispensado pelos setores público e privado à literatura.

O apoio está decadente, uma vez que  as ferramentas da tecnologia (computadores e afins) atualmente são mais valorizadas do que os livros.

6-Fale sobre o papel das Academias de Letras em relação à Língua e à Literatura.

As Academias de Letras são entidades estimuladoras do uso correto da Língua e da Literatura, entretanto deixam a desejar.


(*) Ocupante da Cadeira 07 da Academia Catarinense de Letras.

X-X-X-X-X-X-X-X-X-X

MATERNIDADE

Arrepender-te-ás talvez
como de uma suprema profanação
de teres um dia me vestido
de bagos e de gomos
e para eles depois te atirado
como um fauno sem lei.
Oh, não te arrependas não
que me deste glória e honra
pois eu só via o milagre da árvore estéril
carregada de frutos
e o sumo das uvas escorrendo
dos seios que nunca amamentaram.

(Maura de Senna Pereira, Sete poemas de amor, Edições Sanfona, Floripa, 1985)

X-X-X-X-X-X-X-X-X-X
 A EDITORA E AS FORTALEZAS DA UNIVERSIDADE (*)
     
 A magnífica reitora da UFSC pode indicar quem ela quiser para a diretoria da editora daquela Universidade, afinal ela foi eleita pela maioria da comunidade universitária. Só não acredito que o Patrimônio da União permita que ela venda ou alugue alguma das fortalezas históricas da Ilha de Santa Catarina. Planejadas como baluarte do regime colonial português, elas serviram de cárcere comum e de Estado, local de fuzilamento de heroicos catarinenses e singelos postos de meteorologia. Utilizá-las como cenário de casamento de dondocas deslumbradas ou shows de duplas sertanejas é outra história. Difícil de acreditar!
Quanto ao novo diretor da editora, vale lembrar que é aquele que em meados de 2005 negava a identidade econômica e cultural barriga-verde em artigos na mídia impressa, considerando-a orgulho eurocêntrico de um Estado que está na periferia do Brasil. Ignorava solenemente as raízes do povo catarinense, sua economia e sua cultura.
E promovia simpósios na UFSC para discutir a “subserviência econômica e cultural” e o “projeto europeizante” ao qual Florianópolis estaria submetida. E, como resultado dos eventos, considerava Floripa produto de consumo criado por publicitários, inserida num cenário frio que se transformou em campo de refugiados onde é cada vez mais difícil driblar a dor do exílio.
Além de ofender a inteligência de catarinenses, migrantes e turistas, revelava pretensiosamente que sua biblioteca particular era repleta de “livros parisienses”, querendo demonstrar uma erudição não bem confirmada em seus textos. Florianópolis não precisa de professores de linguística para julgá-la de forma artificiosa, míope e doentia, contestávamos no mesmo espaço. O novo diretor da EdUFSC foi agora entrevistado no ND, justamente na edição que estampa na capa uma bela manchete: Floripa é a melhor capital para se viver.
Nascido em São Paulo, o doutor em linguística é da mesma equipe que extinguiu a disciplina de literatura catarinense do currículo da Universidade. Indagado sobre a fatia do bolo dedicada à escritura catarinense, tergiversou: autores do Estado não perderão espaço e serão mantidas no catálogo. Só que a estratégia não segue a do Alcides, referindo-se a Alcides Buss, ex-diretor.
Desalojá-la do prédio em que se encontra é sua primeira missão. Só se espera que não venda, nem feche a Editora da UFSC. Com essa linha de pensamento e as ações expostas na entrevista, de catarinense ela não terá nada. Mas cuidado! Catarina, a Santa, costuma castigar aqueles que usam seu santo nome em vão.

(*) Artigo publicado pelo escritor e historiador João Carlos Mosimann no jornal Notícias do Dia em 01de agosto de 2013).

X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X

A REVOLTA DOS DEUSES 

Transbordo ópera na espreita
explosão nuclear, começo e fim
medos, tsunami, violação do instante

Abro as cortinas e entulhos se sobrepõem
transformações sísmicas
medos, lágrimas e espanto

Já é tarde demais
os Deuses já despem os véus


(Dora Dimolitsas, Poemas à flor da pele, vol. 5, Somar, Porto Alegre, 2011)

x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x


LI E RECOMENDO (4)

A Ilha dos ventos volúveis, escrito por Raul Caldas Filho e editado pela Insular em 2011 é o primeiro romance do autor que em linguagem acessível e contagiante nos transporta para uma época aparentemente mais amena, mas nem por isso menos turbulenta, no contexto da Ilha de Santa Catarina nos anos de 1940.

Renato Lima, carioca e Sérgio Gomes, nascido em São Francisco do Sul; dois jovens que chegam a Florianópolis com o objetivo de encontrar novos horizontes em suas respectivas vidas. “A partir daí, o leitor empreende uma verdadeira viagem rememorativa a então menor capital brasileira, erguida sobre uma bela ilha, com a sua paisagem deslumbrante, sua majestosa ponte, seus ventos instáveis, seus aromas e sonoridades, suas ruas estreitas, igrejas, praças e jardins. E através das ações, andanças e relacionamentos dos dois personagens, o leitor passa a conhecer a história e os costumes de uma cidade “onde as paredes têm ouvidos” e “um olho invisível” a tudo que parece acompanhar. À medida que eles vão se identificando com os habitantes e integrando-se à fechada sociedade provinciana, surgem figuras marcantes e peculiares, vivendo num tempo em que o mar e o porto exerciam função preponderante na vida local.”

“Disputas políticas, paixões, traições amorosas, rivalidades, mexericos, preconceitos, nomes reais que se misturam aos personagens e conflitos de gerações literárias, dão o necessário tempero à trama, que se desenvolve em diversos ambientes sociais, tendo como décor, além da luxuriante natureza, bares, restaurantes, clubes e lupanares.”

Raul Caldas Filho, expressivo contista, cronista e jornalista que nos brinda com esta romance, nasceu na histórica São Francisco do Sul, santa Catarina, em 1940, mas cresceu e fez seus estudos na capital do estado. É formado em Direito. Como jornalista profissional trabalhou ou colaborou com os principais jornais catarinenses a partir de 19063. Foi também repórter da revista Manchete durante dois anos (1967/68) no Rio de Janeiro e correspondente da editora Bloch em Santa Catarina. Já publicou dez livros entre ficção, crônicas, reportagens e textos variados. Participou ainda de dezenove coletâneas.
x-x-x-x-x-x-x-x-x

REGISTRO

LITERATURA IÇARENSE
 A Academia Içarense de Letras e Artes  promoveu a I Mostra da Literatura Içarense, no mes de julho passado, no Supermercado Giassi , da cidade de Içara. O evento teve por objetivo levar aquela academia às ruas da cidade para dialogar sobre a arte de escrever e divulgar a produção dos escritores içarenses a toda população.
A Aila foi criada por iniciativa dos escritores içarenses em 2008. Hoje conta com 33 acadêmicos, publicando em média 05 novas obras por ano. Para 2013, a Aila está preparando o lançamento de sua primeira Antologia. A Academia Içarense de Letras e Artes  pode ser encontrada no face ou site www.aila.com.br.
NOVOS ACADÊMICOS
A Academia São José de Letras deu posse aos escritores Marcos Antonio Meira, Kátia Rebello e Roberto José Pugliese, como seus mais novos membros. A sessão solene foi realizada no auditório do Centro de Atenção à Terceira Idade, localizado na Avenida Beira Mara de São José e foi presidida pelo escritor Artêmio Zanon, presidente daquela entidade.
BOLETIM DO IHGSC
Recebi o Boletim do Instituto istórico




Histórico e Geográfico de Santa Catarina número 174. Destaque para o Seminário “Portugal e Brasil – o papel dos agentes institucionais acadêmicos e culturais na perenidade das relações”. O evento contou com a chancela do Comissariado Geral Português com sede em Lisboa.

OFICINA

Estão abertas até 13 de agosto as inscrições para a oficina “Fotografia Gambiarra”, com o artista plástico Diego de Los Campos. Com elementos de custo baixo e fáceis de achar no mercado, ou reciclados, a oficina tem como proposta a fabricação de acessórios para máquinas fotográficas digitais, profissionais, compactas ou de celular. Os participantes fabricarão acessórios que serão usados para a realização de um trabalho em animação, vídeo ou série fotográfica. Cada aluno deverá levar consigo uma câmera, tripé, notebook, cartolina preta, papelão, cola quente, estilete, tesoura, fita crepe, celofanes, cristais, lupas, binóculos, e para recuperar lentes de câmeras, scanner, dvd e cd quebrados, um olho mágico para porta. As aulas ocorrem na Fundação Cultural Badesc de 19 de agosto a 9 de setembro, às segundas-feiras, das 8h30 às 11h30. São 15 vagas com preferência para professores da rede municipal de ensino. Inscrição gratuita pelo email arte.e.publico@gmail.com, informando nome, profissão e contato.

x-x-x-x-x-x-x-x-x

CONFRARIA DO POEMA-pn

Ser pai
É conduzir pela mão
e também com o coração.

É acompanhar cada passo
com amor e com razão.

É amanhecer cada dia
com esperança e retidão.

(Pinheiro Neto/ago/2013)









quarta-feira, 31 de julho de 2013

Edição nº. 49




PAPO NA CONFRARIA: Artêmio Zanon

1– O que te motivou a escrever?

Provavelmente foi uma consequência do ato de ler: livros na pequena estante na escola do interior do Estado de Santa Catarina, na pequena localidade de Santa Lúcia, Município de Videira. Às sextas-feiras, após a última aula, quem quisesse, havendo disponíveis, podia levar um livro para casa e devolvê-lo no início da aula, na segunda-feira... E contar o que se leu para a professora. Depois, no ginásio (e naquele tempo, além da cartilha, e dos quatro anos do primário, havia o exame de admissão ao ginásio), entre meus doze e quinze anos, período das quatro séries, o fantástico encontro com a monumental obra Tesouro da Juventude (Reunião de conhecimentos essenciais, oferecidos em forma adequada ao proveito e entretenimento das crianças e adolescentes), em dezoito volumes (sendo o primeiro do ano de 1952 e o último de 1954), e eu concluí o ginásio em 1955. Essa preciosa obra, há poucos anos, consegui adquiri-la em um sebo. Foi também nessa obra, além da coletânea Anthologia Nacional de Fausto Barreto e Carlos de Laet, e outras coletâneas de caráter didático, que conheci os meus Poetas, passando a escrever versos, feito um Gonçalves Dias, um Casimiro de Abreu, um Castro Alves, um Fagundes Varela, um Olavo Bilac, entre outros. E hoje, o poetinha de então... há muitos anos, com mais de trinta livros de poemas, só (sobre)vive em função do ler e do escrever, como reconhece o Acadêmico Celstino Sachet.

2– Cite os três livros (e respectivos autores) mais significativos em tua vida?

Um livro em setenta e dois: a Bíblia (nela, o universo da realidade e da fantasia humanas, até hoje, ainda que com as mudanças da evolução do homo faber sapiens), é a grande fonte de efetiva significância de leitura em minha vida. Os outros, autores e livros, com raríssimas exceções, somos todos perecíveis, limitados, passageiros, quase sempre produtos e frutos de momentos e interesses.

3– Indique um livro (Literatura Brasileira) para leitura de:

a)      Alunos do Ensino Fundamental (5ª a 8ª séries)
b)      Alunos do Ensino Médio
c)      Alunos do Ensino Superior

Permita-me enveredar na omissão. Como tenho certeza de que ninguém citará qualquer obra das minhas para esses “graus de ensino”, não avalizo nenhum (e tenho verdadeiro horror dessas obras literárias didáticas da atualidade...).

4– Como se dá o processo da escrita em tua prática cotidiana?

Nos, não mais do que dez por cento de “inspiração”, mais do que noventa por cento
são de obstinação: procuro ser severo para comigo mesmo: a palavra adequada, a lógica, o bom-senso, a paciência necessária em dar um texto como “definitivo”, jamais a pressa em “produzir” e imediatamente publicar. Alguns de meus livros dados a lume, nos últimos dez anos, são frutos de minha juventude e idade adulta (estou na véspera de 73 anos).

5– Fale sobre o apoio dispensado pelos setores público e privado à Literatura.

Outrora, pela legislação de “incentivo”, quando um Escritor tinha uma obra “aprovada”, e  lhe era dado um “Certificado” autorizando a captação de recursos, penso que a “coisa” funcionava. Quanto ao atual “apoio dispensado pelo setor público”, tenho minhas desconfianças e restrições. Quanto ao setor privado, há que se ter apadrinhamento.

6– Fale sobre o papel das Academias  de Letras em relação à Língua e à Literatura?

Tanto em “Academias de Letras”, quanto em “Associações Literárias”, a “Língua” se vê muito ferida, e quanto “à Literatura”, em todas as entidades literárias, com todo o respeito ao ego do fazer literário de cada um, existem verdadeiros “analfabetos”.

(*) Ocupante da Cadeira 37 da Academia Catarinense de Letras.
X-X-X-X-X-X-X-X-X-X


UM HOMEM SÉRIO

Agora estou na esquina da rua Lauro Muller com a Cel. Colaço. Vejo o prédio novo que levantaram aí e lembro-me com saudade da casa em que meu pai tinha loja no mesmo local. Foi aí que eu um dia vi entrar um caboclo e dizer para o meu pai:
- Seu João, eu me confessei e comunguei hoje, e não quero ficar com esse peso na consciência.
E, entregando uma cédula de cem mil réis para o velho:
- Este dinheiro o senhor me deu demais há dois anos passados, no troco dum pagamento que lhe fiz. É seu, guarde-o.
Quando o homem saiu meu pai me disse:
- Ainda existem homens sérios no mundo!


(Nereu Corrêa, Sete Saudades [Texto publicado no “Anuário Catarinense” de 1949], Edições Sanfona, Floripa, 1985)

X-X-X-X-X-X-X-X-X-X



MEDUSAS (*)
1

fêmeo efêmero jasmim
perfuma o luar do brejo
beira de praia inconclusa
na vinda da maré tardia
lívida onda transluzindo
azul no cristal da medusa

3

casas vesgas e coxas
ninho de vespas e musgos
onde se acolhem cochichos
comadres de roupas escuras
meninos de olhos ariscos
piscando gatos mouriscos

(Hugo Mund Jr., Edições Sanfona, Floripa, 1985)  



x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x


LI E RECOMENDO (3)

Uma confraria de tolos, escrito por  John Kennedy Toole, com prefácio de Walker Percy e tradução de Alice Xavier,  foi editado pela BestBolso do Rio de Janeiro em 2012. Livro ganhador do Prêmio Pulitzer de ficção em 1981, teve mais de um milhão de exemplares vendidos e foi traduzido para mais dezoito idiomas.

Trata-se da história de Ignatius J. Reilly, intelectual glutão, preguiçoso, egocêntrico e desagradável; um herói solitário em sua cruzada contra a modernidade. Como um Dom Quixote do século XX, Ignatius desbrava as ruas de Nova Orleans dos anos 1960 e enfrenta todo o tipo de tolos, malandros, aproveitadores e policiais desonestos. Por insistência da mãe, busca um emprego, mas cada uma de suas tentativas o leva a uma sucessão de desventuras.

John Kennedy Toole (1937-1969) nasceu em Nova Orleans. Formou-se em Inglês na Columbia University e lecionou no Hunter College e na University of Southwestern Lousiana. Toole escreveu Uma confraria de tolos no início dos anos 1960, mas não teve sucesso nas diversas tentativas de publicar seu romance. Deprimido, cometeu suicídio. Foi por insistência de sua mãe, que acreditava no talento do filho, que este livro alcançou o sucesso merecido.

Segundo Walker Percy, ( a quem a mãe do autor entregou os originais que, na verdade,  “consistia em uma cópia a carbono tão borrada que era quase ilegível”) É realmente uma pena que John Kennedy Toole não esteja vivo e escrevendo. Mas, já que não está, só nos resta fazer o possível para que esta pantagruélica e tumultuada tragicomédia humana esteja ao alcance de um mundo de leitores.

x-x-x-x-x-x-x-x-x

REGISTRO

VAIA

Recebi o número 33 de do jornal Vaia, de Porto Alegre que tem como Editor Fernando Ramos e Diagramação de Marcos Marques. Destaque para a programação da 6ª. Festa Literária de Porto Alegre – FestiPoa, para a entrevista com Cristóvão Tezza e para o Concurso Literário Contista Estreante. www.jornalvaia.com.br – jornalvaia@gmail.com

O NHEÇUANO

O número 14 do jornal de Roque Gonzales, e editado por Marcos Marques chega às minhas mãos juntamente com Vaia. Um jornal cultural que dá conta das questões do povo Guarani, de livros, de literatura, de poemas e de notícias. Um jornal que sempre mantém aberto um canal para a divulgação de escritores catarinenses, principalmente através dos escritores Inês e Nelson Hoffmann (o primeiro, um amigo que guardo do lado esquerdo do peito).  (...) Nheçu, líder indígena Guarani, defensor de seu povo, sua cultura e sua terra, pioneiro na resistência aos conquistadores, no século XVII, na atual região das Missões, RS(...)

O TRINTA RÉIS

Recebi e agradeço o Boletim Informativo nº. 68, referente aos meses de abril e maio, da Academia São José de Letras, entidade presidida pelo escritor Artêmio Zanon.

POEMAS À FLOR DA PELE

A dinâmica escritora Soninha Porto (de Porto Alegre), presidente da Associação Cultural Poemas à Flor da Pele prepara uma festa ímpar para a comemoração dos 7 anos de existência do movimento. A programação contará com edição de nova coletânea reunindo escritores do Brasil e do exterior, passando pela estruturação da entidade, por lançamentos na Feira do Livro de Porto Alegre, em São Paulo e em outras cidades e culminando com um evento lítero-artístico-cultural na capital gaúcha.


GALERIA TÁTIL
 
Um espaço aonde todos poderão vivenciar a experiência tátil. Desfrutar as obras de arte não só com o olhar mas com o tato também, sentir a obra.
Artistas: Mauricio Muniz, Philippe Arruda, Vinícius Ávila, C. Ronald (C.Carlos Ronald Schmidt), Anderson Rodrigues, Ricardo Barddal e Juliana Hoffmann.





x-x-x-x-x-x-x-x-x

CONFRARIA DO POEMA-pn


Além daquela janela
está o mar:
mar de maresia
mar de Maria.
É nele que me integro
que me misturo
e me entrego
buscando teu corpo.

Além daquela janela
Posso amar:
sem me negar
sem esconder
sem hesitar.

Além daquela janela
eu sou:
como cativo liberto
como liberto cativo.


 (Cativeiro, Pinheiro Neto, Chrischelle,1979)






terça-feira, 2 de julho de 2013

Edição nº. 48



PAPO NA CONFRARIA: Júlio de Queiroz


1- O que te motivou a escrever?

A leitura constante, documentalmente comprovadamente  me ter sido     ensinada por meu pai quando eu tinha três anos de idade.

2- Cite os TRÊS livros (e respectivos autores) mais significativos em tua vida?

Histórias de nossa terra/ Júlia Lopes de Almeida;Kim/Rudyard Kipling/ No Turquestão bravia/ Karl May.

3- Indique um livro (Literatura Brasileira) para leitura de: a) Alunos do Ensino Fundamental (5ª a 8ª séries), b) Alunos do Ensino Médio, c) Alunos do Ensino Superior.

a) Aventuras de Pedrinho/ Monteiro Lobato
b) O  escâdalo do petróleo/ Monteiro Lobato
c) Vidas ilustres/Hendrik van Loon.

4- Como se dá o processo da escrita em tua prática cotidiana?

Metodicamente, às tardes.  Os cortes e remendos acontecem a qualquer             
hora.

5- Fale sobre o apoio dispensado pelos setores público e privado à literatura.

Em verdade, é irrisório. O que importa a ambos é o fogo de artifício                 sem substância. Tudo começa quando alunos do curso primário (apelidado de fundamental) não podem ser reprovados. O médio é quase que só o aprendizado de truques e jeitinhos para os exames vestibulares. O do 3º grau não conseguem sequer exigir um emprego gramatical decente. Além disto, os poderosíssimos meios de comunicação atuais não dependem da palavra escrita e sim da verbalização oral pobre e imediata.

6- Fale sobre o papel das Academias  de Letras em relação à Língua e à Literatura?


As academias de letras deveriam ter como primordial cuidar da língua nacional. Escondem–se em torres de marfim. Não vejo nenhuma delas com coragem para denunciar a traição coletiva das “mídia” falada e escrita, que consideram indispensáveis salpicar palavras do inglês americano a torto e direito. Há milhares de exemplos de deformação da expressão brasileira, além de assassinarem o vocabulário nacional.  Nossos meios de comunicação passaram a desconhecer as palavras “para”, “informação”, “qualificar”, “ramo” e milhares de outras ou mal-traduzidas ou implantadas a força, como se a o português brasileiro seja incapaz de criar neologismos. A última estupidez generalizada é o emprego do verbo “perseguir” como se significasse “buscar” ou o erudito “almejar”. “Perseguir um ideal, um alvo” Só não é cômico, porque é trágico.

(*) Ocupante da Cadeira 10 da Academia Catarinense de Letras.

x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-
O GATO É SELECIONADO PARA FESTIVAL

O curta-metragem O Gato, realizado na 1ª Oficina de Introdução à Prática Audiovisual: do desenvolvimento à produção, promovida em parceria pela Novelo Filmes e Fundo Municipal de Cinema (Funcine), foi selecionado para a mostra competitiva do Festival CinemadaMare, que ocorre de 25 de junho a 7 de setembro por 10 cidades italianas. 
Com direção de Juliana Bassetti e produção de Neca Gamarra, O Gato é uma adaptação do conto homônimo de Christiano Scheiner, autor também do roteiro. Com duração de 11 minutos, a narrativa mostra a mudança na rotina de um executivo e sua secretária depois que ele encontra um gato morto em cima da mesa do escritório. O animal passa a estimular comportamentos inusitados em ambos, trazendo à tona seus desejos mais obscuros.
O Gato venceu um processo seletivo no formato pitching na útlima etapa da oficina, que teve o amparo da produtora Onda Sonora e da Cinesuport. A realização do curta contou com o apoio da Loja Varal, Tucano House Backpacker, Loja do Guarda Pó e Banca Catedral. A oficina foi realizada na sala de cinema da Fundação Cultural Badesc, onde também ocorreu a pré-estreia.
x-x-x-x-x-x-x-x-x-x 


SEDA

Sinto-me, muitas vezes,
como se fosse
uma peça de seda
tão suave... e macia
enrolada no teu corpo
deslizando feito cobra
mas é teu o meu veneno.

Seda fina vai rasgando
nos teus bruscos movimentos
és sedento
tua calma é aparente
tens fúria apaixonada
desfiando a seda
em franjas.
Agora, restam-me os remendos.

(Telma Lúcia Faria, Anjo Solidão, Ed. Secco, Floripa, 2007)

x-x-x-x-x-x-x-x-x

BESTIÁRIO MEYER FILHO

Uma pequena mostra da obra do nosso inesquecível Ernesto Meyer Filho pode ser revista e lembrada no prédio situado na Praça XV, esquina com a Rua Tiradentes, numa promoção da Fundação Franklin Cascaes.

Natural de Itajaí, onde nasceu em 1919, Meyer Filho – autodidata  -  ainda  adolescente viu despontar sua arte primitiva e surrealista. Místico, se auto-intitulava “Cidadão Honorário de Marte”, que afirmava haver visitado 20 vezes. Reforçando esse misticismo, ele morreu em 1991 – ano que traz os mesmos números do ano de seu  nascimento.

A curadora  do Memorial Meyer Filho, Kamila Nunes , organizou uma galeria interessante exibindo o “Bestiário” onde estão espalhadas telas com seres humanos acoplados ao fantástico imaginário do  artista na forma de animais, especialmente galináceos.

Na exposição existe uma tela muito curiosa onde o autor, em letra manuscrita, desabafa sua situação de precursor da arte surrealista nos três estados sulinos, sem contar com apoio algum ou qualquer reconhecimento.
Meyer Filho é figura de suma importância na História da cultura catarinense tendo expandido sua obra para outros pontos do País e até ao exterior.

(Ivonita Di Concílio/2013)


x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x


A PRENDA

Sacode o manto de ervas
a fada do outono.
Encrespa o vento, as madeixas
da sua cabeleira.
A harpa em sintonia
desafia novos prelúdios...

Estende o seu bastão
a fada enternecida.
Estampa de flor e folha
no algodão prá tecido.
A natureza é uma prenda
trocando de vestido.

(Gladis Deble, Poemas à Flor da Pele, vol. 4, p.148, 2011) 


LI E RECOMENDO (2)

Triângulo rosa: um homossexual no campo de concentração nazista, escrito por Jean-Luc Schwab, traduzido por Angela Cristina Salgueiro Marques e editado pela Mescla Editorial em 2011 é antes de qualquer coisa o relato do depoimento de Rudolf Brazda, complementado com profunda pesquisa histórica realizada pelo autor.
“Da ascensão do nazismo na Alemanha à invasão da Tchecoslováquia, da despreocupação no início dos anos 1930 ao horror do campo de concentração de Buchenwald, esta obra revela em detalhe, pela primeira vez, as investigações policiais que visaram inúmeros homossexuais no Estado nazista. Também aborda, com tato e sem tabu, a questão da sexualidade num campo de concentração.”
O livro conta a história de Rudolf Brazda, nascido na Alemanha em 1913 de pais tchecos,  condenado duas vezes pelo regime nazista por ser homossexual e depois deportado para Buchenwald. Ele ficou preso naquele campo de concentração durante 32 meses, até sua libertação em abril de 1945, e fixou residência na França.

x-x-x-x-x-x-x-x-x

REGISTRO

ROMANCE

A escritora Zenilda Nunes Lins lançou seu Romance “Reino das Estrelas” no dia 27 último, no auditório da Academia Catarinense de Letras, à Avenida Hercílio Luz, próximo ao Clube Doze de Agosto.
Na ocasião, a escritora e cantora Ivonita Di Concílio prestou uma homenagem musical à autora.

NOA NOA

A Cultura de Santa Catarina perdeu na madrugada do dia 23 de junho o poeta e editor,  Cléber Teixeira, aos 73 anos. A Noa Noa, sua editora mantinha como carro chefe uma  impressora no estilo da prensa de Gutemberg, a marca registrada desse “homem de cultura”. De tanto amar os livros Cléber só os concebia através do modelo artesanal de impressão, a tipografia.
Sua contribuição à Literatura ficará para sempre marcada na história do que se produziu e produzirá em Santa Catarina, embora suas cinzas fiquem depositadas no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, sua cidade natal.




x-x-x-x-x-x-x-x-x

CONFRARIA DO POEMA-pn

A palavra paixão
não deixa escolha
corrói meu interior.
Conota-se amor
traveste-se amizade.

A palavra paixão
revolve o peito
adormecido sentimento
velhos desejos,
tufão (des)amenidades.

A paixão palavra
Revive o tempo.

(Paixão-Palavra, Pinheiro Neto, A rosa do verso,1988)






quinta-feira, 30 de maio de 2013

Edição 47

  


PAPO NA CONFRARIA: Celestino Sachet(*)


1 – O que te motivou a escrever?
Não sei! A vontade de escrever veio vindo, veio vindo, e se instalou em mim sem dar a mínima explicação desde os primeiros anos da escolaridade formal.

2- Cite os TRÊS livros (e respectivos autores) mais significativos em tua vida?
Dos três livros mais significativos em minha formação cultural, o primeiro, não li: prestei atenção, com muito interesse, na leitura que a professora Lucinda Machado Vieira, lá na terceira série do ensino primário, 1938, lia uma vez por semana para toda a turma. E como ficávamos grudados nas palavras do texto. Era uma adaptação do Pinóquio, a história daquele boneco de madeira que, quando mentia, crescia-lhe o nariz que já estava desse tamanho. O livro foi escrito pelo italiano Carlo Lorenzini Collodi, 1826-1890. A história, em mãos da professora, levava o título Zé Pinho, publicado na revista O Eco, dos padres jesuítas de Porto Alegre. O segundo, que descobri no Colégio Catarinense, entre 1945-1948, quando estava frequentando o curso ginasial, foi Vidas Secas, de Graciliano Ramos, 1892-1931. O terceiro, já na Faculdade Catarinense de Filosofia, Ciências e Letras, 1955-1958, levava o título Grande sertão: veredas, de Guimarães Roas, 1908-1967.

3- Indique um livro (Literatura Brasileira) para leitura de: a) Alunos do Ensino Fundamental (5ª a 8ª séries), b) Alunos do Ensino Médio, c) Alunos do Ensino Superior:

Para leitura dos alunos de ensino fundamental – se é que nós madurões ainda conseguimos convencer crianças em processo de alfabetização e de  primeiras letras – eu indicaria O menino maluquinho, do Ziraldo.
Para os níveis posteriores, vão os mesmos livros que me compraram a simpatia no Colégio Catarinense e na Faculdade de Filosofia. Para repetir: Vidas secas e Grande sertão: veredas.


4- Como se dá o processo da escrita em tua prática cotidiana?

Como se dá o processo da escrita em minha vida cotidiana, é outro mistério. De repente me dá ganas de escrever, sempre à mão, porque, para mim, a palavra é como se fosse barro ao qual devo dar forma de objeto estético. Escrevo e risco, risco, até que a palavra, me olhando, diga:
            - Pára de te intrometer na minha vida. Já está bem assim! E não tenta mais porque estou cansada com tantas mudanças dentro do meu corpo e do meu espírito.

5- Fale sobre o apoio dispensado pelos setores público e privado à literatura.

Sobre o apoio dispensado pelo setor público e pelo setor privado à literatura não me parece que ele seja tão necessário. Acho que os dois não devem meter-se na criatividade do escritor. O melhor que eles fazem é ficarem fora do processo. Ou, então, que se metam a estimular leitores ... e compradores de obra publicada!

6- Fale sobre o papel das Academias  de Letras em relação à Língua e à Literatura?

             Das Academias de Letras, escritores e leitores precisam receber, de maneira prática, pistas sobre os melhores caminhos para escrever bem e de ler com mais proveito pessoal até o ponto em que o leitor consiga atravessar o livro com criatividade e com prazer.
           
(*) Ocupante da Cadeira 15 da Academia Catarinense de Letras.

X-X-X-X-X-X-X-X-X-X


VIAGENS 

Já nem consigo lembrar
quantas vezes te busquei
com nomes e fomes
criados ao acaso,
de meus cansaços ocasionais
restam marcas na parede
escondidas discretamente
por cartazes de eventos e ideologias

e mal consigo reter-te
para o sono ligeiro
da lassidão do corpo
e a exaustão do braço

(Alfredo Roberto Bessow, Edições Sanfona, Floripa, 1985)

X-X-X-X-X-X-X-X-X-X









POR UM NOVO MUNDO (*)

Quando o jornalista Ademir Arnon, presidente da Associação Catarinense de Imprensa, convidou-me para apresentar este livro  em nome daquela entidade, confesso que fiquei  um tanto apreensivo. Afinal, é uma responsabilidade muito grande apresentar um livro destinado a crianças. Acredito que o cuidado deve ser bem maior do que o necessário para a apresentação de um livro que tenha como alvo o público adulto. A criança é um ouvinte/leitor extremamente exigente, nada lhe passa despercebido. Seu senso de observação é muito aguçado e perspicaz. Nessa idade – entre dois e seis anos – a criança está moldando seu caráter, sua personalidade. Alie-se a isso o fato de que todo o livro infantil precisa considerar a criança – alfabetizada ou não – como um ser inteligente.
Pedi um tempo para examinar o material e fui para casa. Estava deveras curioso. Li uma, duas, três vezes. Comecei a gostar da história, da linguagem e da utilização da língua padrão culta, da mensagem, da objetividade do texto. Senti que precisava de elementos mais concretos, mais palpáveis  e que me dessem segurança. Foi aí que  resolvi fazer uma pequena experiência para verificar qual poderia ser a reação do público alvo, isto é,  crianças e professores. Entreguei o livro a uma professora de Séries Iniciais e pedi que o lesse para algumas crianças não alfabetizadas e fiquei observando. Como ela não havia feito nenhuma análise preliminar do livro, agrupou as crianças e iniciou a leitura. A cada frase lida a professora mostrava os desenhos correspondentes e as crianças formulavam muitas perguntas: sobre as características físicas ( as anteninhas, as orelhinhas, os olhinhos) e psicológicas  (os bons, os maus, os alegres, os tristes) das personagens; sobre as diversas cores utilizadas; sobre  palavras e expressões não entendidas; sobre as semelhanças e diferenças dos personagens.  Ao final a professora trabalhou diversas questões a partir das perguntas das crianças e das mensagens que a história tenta passar, tais como: as diferenças, exclusão e inclusão, preconceitos, cores, espaço e tempo, planetas diferentes do nosso e seus possíveis habitantes, fábulas, folclore e outros. As crianças, sempre envolvidas, sorriam, brincavam, interagiam durante todo o processo.
Teste feito, livro aceito, ou melhor, apto para ser recomendado. Agradeci a professora e as crianças e considerei minha tarefa concluída.  Afinal, minha contribuição ultrapassou o simples compromisso de uma apresentação formal  e ainda permitirá aos autores – Augusto de Abreu, do texto e Rael Dionísio, das imagens – algo que não é muito comum no mundo da editoração, isto é, ver seu livro testado antes de ser publicado. Está certo que não se tratou aqui de uma experiência científica mas empática, de aceitação e, por isto mesmo, não menos válida.
                             

(*) Apresentação que fiz para o livro Novo Mundo, de Augusto de Abreu, membro da Academia Desterrense de Letras, editado pela Associação dos Cronistas, Poetas e Contistas Catarinenses. O lançamento do livro está agendado para o dia 7 de agosto, às 19:30 na Livraria Catarinense do Beira Mar Shoping.

x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x


LI E RECOMENDO (1)

Realidade: história da revista que virou lenda, escrito por  Mylton Severiano, com apresentação de Paulo Henrique Amorim foi editado pela Insular este ano. Apresenta a trajetória de um grupo de jornalistas “sem diploma” que, de 1964 a 1969 colocaram nas bancas 33 números da revista (Realidade) que revolucionou a maneira de “fazer revista” no Brasil. Seu autor utiliza uma linguagem simples e ao mesmo tempo elaborada e contagiante que faz com que o leitor não queira desgrudar do livro um só minuto. Quiçá a fórmula trazida da época da revista.

Segundo Paco Maluco (Paulo Henrique Amorim), um dos metais da grande banda Loucos de 64, “Realidade captou aquela ânsia de entender o mundo desorganizado dos anos 60, os costumes, os novos personagens, a miséria que São Paulo desconhecia: uma realidade que soltava um cheiro parecido com o dos mictórios dos bares que nós frequentávamos. Tudo misturado à intervenção militar.”

Mylton Severiano, paulista de Marília, onde concluiu o ensino médio e um curso de música de seis anos, hoje mora em Florianópolis. Passou por inúmeras redações de jornais, revistas e telejornais, antes de se tornar free-lancer e dedicar-se a criar peças para campanhas eleitorais e a escrever livros. Publicou, entre outros, Se liga! O livro das drogas (Record), a biografia Paixão de João Antônio (Casa Amarela) e Nascidos para perder – história do Estadão (Insular).

x-x-x-x-x-x-x-x-x

REGISTRO

LANÇAMENTO

O romance de Miro Morais, O reino dos esquecidos, editado pela Insular, será lançado no dia 7 de junho próximo, a partir das 19:30 na Lindacap, em Florianópolis.

VAIA

Recebi o número 33 de do jornal Vaia, de Porto Alegre que tem como Editor Fernando Ramos e Diagramação de Marcos Marques. Destaque para a programação da 6ª. Festa Literária de Porto Alegre – FestiPoa, para a entrevista com Cristóvão Tezza e para o Concurso Literário Contista Estreante. www.jornalvaia.com.br – jornalvaia@gmail.com

O NHEÇUANO

O número 14 do jornal de Roque Gonzales, referente a abril e maio deste ano e editado por Marcos Marques chega às minhas mãos juntamente com Vaia. Um jornal cultural que dá conta das questões do povo Guarani, de livros, de literatura, de poemas e de notícias. Um jornal que sempre mantém aberto um canal para a divulgação de escritores catarinenses, principalmente através dos escritores Inês e Nelson Hoffmann (o primeiro, um amigo que guardo do lado esquerdo do peito).  (...) Nheçu, líder indígena Guarani, defensor de seu povo, sua cultura e sua terra, pioneiro na resistência aos conquistadores, no século XVII, na atual região das Missões, RS(...)

O TRINTA RÉIS

Recebi e agradeço o Boletim Informativo nº. 68, referente aos meses de abril e maio, da Academia São José de Letras, entidade presidida pelo escritor Artêmio Zanon.

POEMAS À FLOR DA PELE

A dinâmica escritora Soninha Porto (de Porto Alegre), presidente da Associação Cultural Poemas à Flor da Pele prepara uma festa ímpar para a comemoração dos 7 anos de existência do movimento. A programação contará com edição de nova coletânea reunindo escritores do Brasil e do exterior, passando pela estruturação da entidade, por lançamentos na Feira do Livro de Porto Alegre, em São Paulo e em outras cidades e culminando com um evento lítero-artístico-cultural na capital gaúcha.


x-x-x-x-x-x-x-x-x

CONFRARIA DO POEMA-pn

A palavra chega rápido.
Não a domino.

Fogem as imagens
              as figuras
              as idéias.

Animal xucro
fêmea insaciável.

Ah... palavra!
(prostituída)?
Sem substituta –
A cada dia mais potra!

(Palavra, Pinheiro Neto, A rosa do verso,1988)