terça-feira, 8 de novembro de 2011

Confraria da Leitura-pn Edição 29

NOVO LIVRO DE DAVID

Recebi pelo correio “A princesa e o anjo negro” , devidamente autografado, o mais novo livro de contos de David Gonçalves, um escritor catarinense dos mais destacados no cenário nacional. Tenho a honra de considerá-lo meu amigo.
No formato “de bolso”, lançado pela editora Sucesso Pocket de Joinville, o livro reúne quinze excelentes contos escritos, segundo o autor, “no começo deste século”. Listo porque considero importante todos os quinze, sem ressaltar os que mais gostei: Algo rói dentro do peito; Florisbela e o jardim de ervas; A mulher barbada; Casa de Mulheres; A volta que o mundo dá; Sapatos de capim; Estranha e indesejada visita; Maria Sucuri; A montanha se move; O sol caía alaranjado, Ninguém traz uma estrela na testa; Homens e pássaros; Geada negra; Emboscada; e o conto que dá nome ao livro, A princesa e o anjo negro.
Sou um fã do que David escreve. Aprecio muito seus textos. Eles me prendem à leitura, incitam à continuidade, promovem a transgressão do tempo disponível. Envolvem e permitem a participação do leitor enquanto co-autor das histórias.

Um pouco sobre David

David não é catarinense de nascimento; nasceu em Jandaia do Sul, no vizinho Estado do Paraná, mas reside em Joinville, onde despontou para a literatura, há tanto tempo que não pode mais deixar de ser considerado como “um bom catarina da cepa”.
Professor universitário e consultor de empresas, ministra cursos e palestras sobre literatura, comunicação, liderança e marketing. Filho de pequenos agricultores, conviveu com os trabalhadores rurais e, dessa convivência, mantida até hoje, extrai a sua força literária. Seu primeiro livro [1972], o romance “As flores que o chapadão não deu”, foi recolhido pelo regime militar e permaneceu 16 anos na gaveta.Hoje está na sétima edição. Sua tese de mestrado, “Atualização das formas simples em ‘Tropas e boiadas’, livro de Hugo de Carvalho Ramos, orientada por Gilberto Mendonça Teles, é indispensável aos estudiosos de Literatura, Folclore e Comunicação.

Regionalismo

Nesse novo livro de contos, David inclui uma nota pessoal sobre uma discussão que há muito vem permeando os comentários e críticas a respeito da obra literária que produz: é regionalista ou não?
Diz David: “Cansei-me de ouvir que o regionalismo está ‘morto’, que se esgotou como fonte literária etc. Confesso que sou filho de Hugo de Carvalho ramos, Simões Lopes, Valdomiro Silveira, Monteiro Lobato, Mário de Andrade, José Lins do Rego, Graciliano Ramos, João Guimarães Rosa, Bernardo Elis e outros. Nunca me subjuguei a modismo. Escrevo, enfim, sobre o homem da minha aldeia. Quadrínculo é o palco de todas as paixões possíveis. A realidade e o estranho se unem de uma forma única e grotesca. Este país rural, que passa hoje por uma revolução tecnológica, me encanta e, ao mesmo tempo, me deixa constrangido. O êxodo rural ainda não se findou e as periferias das grandes cidades estão cada vez mais inchadas e violentas. Escrevo, pois, sobre os deserdados da vida. Se o que faço é regionalismo, não sei. A riqueza e a miséria estão a olhos vistos, por todos os lados.”

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HOMENAGEM

Manoel Inácio da Silva Alvarenga (1749-1814), na Arcádia Alcindo Palmireno, nasceu em Vila Rica. Poesia: O Desertor, 1774; Glaura, 1799. J. Norberto de Souza e Silva reuniu as Obras Poéticas em 1864. Em 1948, edição de Glaura por Afonso Arinos de Melo Franco (INL).

O JASMINEIRO

RONDÓ XI


Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! Defende este lugar.

Ache Glaura na frescura
Destas penhas encurvadas
Moles heras abraçadas
Com ternura a vegetar.

Ache mil e mil Napéias,
E inda mais e mais Amores,
Do que mostra o campo flores,
Do que areias tem o mar.

Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.

Branda Ninfa que me escutas
Desse monte cavernoso,
Nem o raio luminoso
Nestas grutas possa entrar.

Hás de ver com dor, e espanto,
Como pálida a Tristeza
Dos seixinhos na aspereza
Faz meu canto congelar.

Venturoso Jasmineiro,
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(Glaura, Lisboa, Oficina Nunesiana, 1799, págs. 44-47

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INTERNATIONAL WRITERS

A IWA – International Writers and Artists Association – foi fundada em 1978. Em 1998, quando completou 20 anos de existência, organizou um evento para comemoração no Rio de Janeiro, onde compareceram membros de muitos países, como Japão, Grécia, Bósnia, Colômbia, Uruguai, Argentina e mais de duzentos membros brasileiros.
A sede da IWA é em Toledo, Ohio, nos Estados Unidos, e a língua oficial é o Inglês. Opera, entretanto, também em Francês, Italiano, Espanhol e Português.
A diretoria da IWA é composta por integrantes de diversos países, como a República Checa, a Rússia, Cuba, USA, Turquia, Tunísia, Algéria, Coréia, Japão, etc., com representante inclusive junto à UNESCO.
A IWA apoia os direitos e liberdades da Declaração Universal dos Direitos Humanos para todos os povos, no mundo inteiro. Além disso respeita a compreensão de todas as culturas e tradições étnicas, liberdade de expressão e diversidade nos limites de um mundo justo. Mais fundamental do que a liberdade de expressão e diversidade é para a IWA a rejeição do racismo, sexismo, tribalismo e preconceito pela idade, com o empenho em cultivar os valores que levam à realização da felicidade do ser humano.
Entre as atividades da IWA estão as nomeações para o Prêmio Nobel da Paz e para o Prêmio Nobel de Literatura, nomeações para o Prêmio de Ativista da Fundação Gleitsman, de anunciar e apoiar os congressos de Literatura e Arte por outras organizações que oferecem prêmios para os melhores escritores e artistas. A IWA também reconhece o valor e presta homenagem aos escritores e artistas anônimos.
A IWA possui atualmente 1500 membros em 132 países, incluindo príncipes, lords, escritores com Prêmio Nobel da Paz e da Literatura, ex-presidentes, acadêmicos e imortais. Alguns exemplos: Príncipe di Cnosso e di Manzanille, da Itália; Marquês K. Vella Harber, Malta; Fidel Castro Ruz, Cuba; Eduardo Galeano, Noan Chomsky, Toni Morrison; Ariano Suassuna, Fernando Henrique Cardoso, Thiago de Mello, Frei Beto, Leonardo Boff, Isabel Allende, Rigoberta Menchú, dentre inúmeros.
A IWA tem como presidente Teresinka Pereira, escritora brasileira, residente e domiciliada em Ohio, nos Estados Unidos.
Website: http://internationalartistwritersassociation.blogspot.com/

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PONTO DO POETA


Meu ser
meu poder
meu ter
vão buscar a vontade
de trazer teu corpo
pra cicatrizar
a vontade
de amar
ou não.

(Pinheiro Neto LM., set/2011)

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Confraria da Leitura-pn Edição 28

FUNDAÇÃO FRANKLIN CASCAES LANÇA O
18° FLORIPA TEATRO – FESTIVAL ISNARD AZEVEDO

A Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes (FCFFC) promoverá nesta sexta-feira (30/09), às 19h, em sua sede, no Forte Santa Bárbara, uma festa para lançar o 18° Floripa Teatro – Festival Isnard Azevedo. É a primeira vez que se realiza um evento para deflagrar um dos mais importantes festivais de teatro do Sul do Brasil, que ocorrerá de 8 a 16 de outubro.
O lançamento é gratuito e aberto ao público, que será entretido no salão principal e na área externa com performances de artistas que integram o Coletivo Circo Floripa – uma iniciativa de palhaços, atores, trapezistas, mágicos, ilusionistas e equilibristas que atuam em projetos individuais na região da Capital. No pátio, serão armadas lonas para abrigar os convidados e uma banda que animará a noite.
Na oportunidade, o superintendente Rodolfo Joaquim Pinto da Luz fará um breve pronunciamento sobre o Floripa Teatro e, na sequência, será conhecida a programação deste ano, que terá a maior abrangência geográfica de sua história: 55 locais na Ilha e no continente, alguns atendidos pela primeira vez. Esta edição também atinge novo recorde em quantidade de sessões, com 144 apresentações, sendo apenas nove delas com cobrança de entrada.
Um vídeo institucional gravado ano passado será exibido em telão para que os presentes conheçam um pouco mais da proposta e da dimensão que o Isnard Azevedo alcançou desde sua criação, em 1993. Durante o lançamento será anunciada a abertura das inscrições para as nove oficinas ministradas gratuitamente por grupos locais e de outros estados, bem como a disponibilização dos ingressos. O site oficial do evento também será apresentado na mesma noite.
O 18° Floripa Teatro levará 39 espetáculos e intervenções provenientes de seis estados a teatros, casas de espetáculo, lonas, pátios, estacionamentos, largos e calçadões, escadarias, jardins, associações comunitárias, parques, praças, agremiações carnavalescas, campos e quadras de esportes, shoppings, bibliotecas, centros comerciais, supermercados, espaços culturais, terminais de transporte coletivo, escolas, rodoviária e aeroporto.



PONTO DO POETA

Troco teu olhar
Por um verbo.
Teu sorriso
Por um poema.
Vice verso.

(Pinheiro Neto LM., set/2011)

Confira minha coluna no jornal Leste da Ilha

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Confraria da Leitura-pn Edição 27

TRINTA RÉIS

Recebi das mãos do meu particular amigo Artêmio Zanon, dinâmico e brilhante Presidente da Academia São José de Letras – ASAJOL, o número 56, (referente a maio deste ano) do Boletim Informativo daquele Sodalício, intitulado O Trinta Réis.
Meticulosamente elaborado, com trinta páginas, no tamanho 14x21, denota o cuidado e o esmero editorial e a seleção de seu conteúdo. Destaque para os seguintes conteúdos: Otaviano Ramos, por Artêmio Zanon; O Silêncio do Olhar (sobre o romance de Kátia Rebello) por Rudney Otto Pfützenreuter: Coisas de Dom Pernetty, por Osmarina Maria de Souza.
Excelentes as duas homenagens/matérias elaboradas sobre dois escritores (literatos, críticos, historiadores da nossa literatura, criadores e editores): Abel Beatriz Pereira (páginas 18 a 22) e sobre Osvaldo Ferreira de Melo (páginas 27 e 28).
Destaque para a publicação dos poemas Haste Verde (Augusto Barbosa Coura Neto); Supremo Conforto (Otaviano Ramos); Rei Morto, Rei Posto ( Roberto Rodrigues de Menezes); Amada (Solange Rech); Pedaços de Mim, O Rio da Minha Infância e Jesus (Abel Beatriz Pereira); Outono e Lago Azul ( Nadir Helena de Bastos); Círculo Virtuoso e Certidão de Ofício (Artêmio Zanon).
Destaque ainda para a foto da placa em homenagem à ex-Acadêmica Hermelinda Izabel Merize e à inserção da letra do Hino do Município de São José (letra e música do maestro José Acácio Santana), na contracapa da revista.
Parabéns a todos os acadêmicos, confrades daquele Sodalício, por terem à frente de sua entidade tão dedicado, competente e compromissado Presidente, como o é, Artêmio Zanon. Por isso mesmo, não o deixem só. Ensejo que vocês participem, colaborem, e estejam sempre presentes às realizações, aos eventos e, principalmente no cotidiano da ASAJOL.



JAZZ EM JOINVILLE


Recebi da Lily Blumerants e repasso para vocês: “Vem aí o JAM NO MAJ - Jazz no Jardim do Museu de Arte, sempre aos domingos a partir de 17:00.
Na primeira edição, dia 25 de setembro serão 2 bandas numa conversa afinada, uma prosa improvisada entre os GRUPOS TITELÊS e DEDO DE PROSA. Participações dos saxofonistas ClÁUDIO MORAES e GLEDISON ZABOTE e LILY BLUMERANTS homenageando as grandes divas do jazz. Haverá uma tenda para garantir a realização dos eventos, mesmo com chuva.
Na segunda edição, dia 23 de outubro, os músicos Roger Felten e Guto Machado abrirão com o especial "CHORANDO NO JAZZ" para depois o Grupo do pianista EDILSON FORTE GRACIANO entrar com o especial "CAINDO NO SAMBA JAZZ" com a participação do trombonista SERGIO COELHO, JAJA BATUCADA no pandeiro e LILY BLUMERANTS vocal.

Na terceira edição, dia 04 de dezembro, o especial vai ser de "LATIN JAZZ" com o QUARTETO DE LILY BLUMERANTS e o QUARTETO do pianista argentino SITO LOZZI com participações super especiais do trompetista uruguaio FIDEL PIÑERO e o acordeonista ORIMAR HESS JR homenageando Astor Piazzolla.

O JAM NO MAJ é um projeto aprovado pelo SIMDEC 2011 (Sistema de Desenvolvimento pela Cultura) patrocinado pela Fundação Cultural e Prefeitura Municipal de Joinville.

Os eventos aconteceram simultaneamente ao tradicional evento "PIQUENIQUE ECOLÓGICO CULTURAL" promovido pelo Museu de Arte de Joinville a partir das 10:00 com várias atrações.
VIVA A MÚSICA !”


MÊS GLAUBERIANO NO CINE PITANGUEIRA

O mês é glauberiano no cine Pitangueira. Em alusão aos 30 anos da morte de Glauber Rocha, estão sendo exibidos quatro longas do diretor. Na terça (13), às 19h, está em cartaz O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro. Estão programados também Cabeças Cortadas, de 1970 (dia 20), e A idade da terra, de 1980 (dia 27).
O Dragão ... narra a história de Antônio das Mortes, um pistoleiro contratado para matar um novo líder cangaceiro que surge no interior do Brasil. Ele realiza sua missão, ao mesmo tempo em que entra em confronto com jagunços e um velho coronel que domina a região.
Na sessão infantil, às 15h, está agendado O Grilo Feliz e os Insetos Gigantes, de Rafael Ribas e Walbercy Ribas. O longa de animação fala do grilo que compõe suas músicas para alegria dos habitantes da floresta, e agora deseja gravar um CD.
Mas a descoberta de fósseis de insetos gigantes faz com que o grilo se envolva em uma inesperada aventura, que o obriga a enfrentar um bando de perigosos louva-deuses comandados por Trambika.
O Cineclube Pitangueira é uma realização da Cinemateca Catarinense e do Fundo Municipal de Cinema com o apoio da Prefeitura. Municipal de Florianópolis e da Fundação Franklin Cascaes.

O quê: Cine Pitangueira exibe O Grilo Feliz e os Insetos Gigantes, de Rafael Ribas e Walbercy Ribas, às 15h, e O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, de Glauber Rocha, às 19
Quando: terça, dia 13 de setembro.
Onde: Casa das Máquinas do Casarão da Lagoa. Praça Bento Silvério, Lagoa da Conceição, Florianópolis.
Quanto: gratuito.

PONTO DO POETA

Trago no corpo
digitais de chagas
não curadas.

(de Vi(vi)da, 2010)


Visite minha coluna no jornal Leste da Ilha

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Confraria da Leitura-pn Edição 26



NOS SERTÕES DO SÃO FRANCISCO

Recebi das mãos do querido confrade José Artulino Besen, devidamente autografado, um exemplar da segunda edição de seu livro Nos Sertões do São Francisco: recordações do mundo sertanejo.
A clareza e objetividade da narrativa e a excelência das fotos em preto e branco, tiradas todas pelo autor do livro, nos fazem viajar, sofrer e sorrir com as águas do São Francisco que, de longe na maioria das vezes, acompanham a lida e a persistência do sertanejo brasileiro.
Considero extremamente importante reproduzir aqui o prefácio escrito por Júlio de Queiroz pois resume com clareza o que passa ao leitor a obra do Padre Besen.
“É estranho o modo pelo qual uma obra literária autêntica se afirma. Longe de louvores descabidos de grupelhos, tão exagerados quanto inconstantes, as obras de genuíno valor vão lentamente se propalando em círculos crescentes, tocando sensibilidades, exigindo mais leitores.
Um é o gosto da terra árida e ingrata que faz com que aqueles que nela vivem sejam lacônicos, avaros de trejeitos verbais.
Um outro é o gosto da gente que vive sem rodeios. Desde sempre abandonada e menosprezada.
Mas há também o gosta da hospitalidade genuína de quem sabe o acre sabor da fome permanente.
Junte todos estes gostos e ter-se-á o gosto da vida. De vida dura, tão dura que não permite sequer um único sonho do universo burguês. É viver a dura vida e ter a mortalha pronta.
Mas este livro tem, acima de todos estes aspectos, o gosto da fraternidade legítima – este mais belo fruto humano do cristianismo. E é por isto que ele floresce numa empatia comovedora. Ficaria menor se aceitasse ser neutro estudo social; ficaria menor ainda se decaísse para relatos caricaturais de costumes, gentes, situações e época.
“Nos Sertões” – a mais brasileira das paisagens – “do São Francisco”, o mais brasileiro dos rios – o que se testemunha é um descendente de emigrantes alemães, ido do Sul, distribuir sua fé, seu “ser para o outro” e, no constante milagre deste país magnífico, chamar de irmãos todos os dele tão diferentes; deles, sofrer as dores; com eles dividir esperanças rudes e pequenas alegrias imediatas e os dramas imensos que a parcimônia do viver não deixa virar epopéias.
Neste livro, os do Sul descobrirão uma parte do Brasil que o coração do Padre José A. Besen orvalhou e, dele, lhes trouxe os neologismos encantadores, a justeza do bem dizer sem escolaridades e a fidelidade inconsciente àquilo que faz com que o Brasil seja brasileiro.”

Quem é José A. Besen

O padre José Artulino Besen nasceu em Antônio Carlos, Santa Catarina. Realizou os estudos em sua terra natal, no Seminário de Azambuja e na Universidade Gregoriana, em Roma. Foi ordenado sacerdote em 3 de julho de 1976, pela imposição das mãos de Dom Afonso Niehues.
Seu primeiro campo de trabalho foi lecionar no Seminário de Azambuja, na Fundação Educacional e Brusque e no Instituto Teológico de Santa Catarina, em Florianópolis.
Em 1984 foi nomeado primeiro pároco de São Francisco Xavier, Saco Grande II, no norte da Ilha de Santa Catarina. Três anos depois viajou para a diocese de Barra, no sertão baiano, tendo sido pároco em Oliveira dos Brejinhos e Ipupiara e administrador paroquial de Brotas de Macaúbas. Retornando em 1990, foi provisionado nas paróquias de Saco dos Limões, Catedral Nossa Senhora do Desterro e, desde 2001, Nossa Senhora de Lourdes, Agronômica, todas na Ilha de Santa Catarina. Atualmente é provisionado na paróquia de São José, na Grande Florianópolis.
Há 25 anos é professor de História da Igreja no ITESC, publicou diversos livros no campo da história eclesiástica e da hagiografia (biografia de santos) e muitos artigos em revistas e jornais. É membro da Academia Catarinense de Letras (cadeira 13) e sócio do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina.

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HOMENAGEM

Manoel Inácio da Silva Alvarenga (1749-1814), na Arcádia Alcindo Palmireno, nasceu em Vila Rica. Poesia: O Desertor, 1774; Glaura, 1799. J. Norberto de Souza e Silva reuniu as Obras Poéticas em 1864. Em 1948, edição de Glaura por Afonso Arinos de Melo Franco (INL).

O JASMINEIRO (Rondó XI)

Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! Defende este lugar.

Ache Glaura na frescura
Destas penhas encurvadas
Moles heras abraçadas
Com ternura a vegetar.

Ache mil e mil Napéias,
E inda mais e mais Amores,
Do que mostra o campo flores,
Do que areias tem o mar.

Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.

Branda Ninfa que me escutas
Desse monte cavernoso,
Nem o raio luminoso
Nestas grutas possa entrar.

Hás de ver com dor, e espanto,
Como pálida a Tristeza
Dos seixinhos na aspereza
Faz meu canto congelar.

Venturoso Jasmineiro,
Etc., etc., etc..

(Glaura, Lisboa, Oficina Nunesiana, 1799, págs. 44-47

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ZÉ PERRI, O DOC, *
João Carlos Mosimann* *

Depois que dois amigos saíram decepcionados do cinema após assistirem a DeSaint-Exupéry a Zé Perri resolvi conferir. Um deles, grande poeta, a quem os aspectos lúdicos poderiam até agradar, não se convenceu. Os dois deixaram a sala frustrados com a falta de evidências, qualquer vestígio da presença do piloto em Florianópolis.
O pretenso Doc usou o estilo clássico de documentário, alternando formas como depoimentos, imagens e uma locução over, conhecida no cinema como voz do saber, um artifício para dar credibilidade ao tema. A fala, melódica e aveludada, posta sobre uma imagem do piloto, por exemplo, faz referência às várias vezes que esteve no Campeche. Os escolares que o assistirem certamente acreditarão.
O verdadeiro documentário serve de fonte de informação para todos os que pretendem saber como foi e como aconteceu, uma forma de registro e mediação da realidade, calcada em fatos reais, segundo Manuela Penafria, uma especialista. E esse não foi o caso, infelizmente! Fiel ao imaginário de Deca Rafael, mas enganoso com relação à presença do piloto. E é justamente a associação feita a Saint-Exupéry de forma artificiosa que configura uma reinvenção da memória do pescador, essa representação que lhe confere falta de credibilidade.
Os aviadores franceses merecem a reverência dos catarinenses, como mereceram de argentinos e chilenos. Na qualidade de heróis de um período histórico da aviação e da aventura humana, do qual o campo do Campeche fez parte. Entre eles sobressaía Mermoz, símbolo da epopeia e modelo de todos os aviadores, este, sim, habitué do Campeche. Mas que a homenagem seja espontânea, natural, baseada na verdade dos fatos. A transformação da área do Campeche em complexo turístico e cultural, como algumas autoridades sonham, pode prescindir de artifícios e de invencionices que, seguramente, serão desmentidos num futuro não muito longínquo.
* TEXTO PUBLICADO DIA 20/08/2011 NO DC (9267)
** PESQUISADOR E ESCRITOR


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PONTO DO POETA

Trago no peito
Cicatrizes de verbos
Mal conjugados.

(Vi[vi]da 1, 05/09/2011)


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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Confraria da Leitura-pn Edição 25




NA HISTÓRIA DA MINHA VIDA

No dia 7 de julho último, durante um almoço no restaurante Lindacap, com vários escritores membros da Academia Catarinense de Letras, e o então candidato Olsen Jr., recebi das mãos da querida amiga, confreira e eminente poeta Leatrice Moellmann, devidamente autografado, um exemplar de seu mais recente livro intitulado “Na história da minha vida”.
Para Telma Lúcia Faria, poeta que escreve na primeira aba do livro, “Na história da minha vida” é uma pequena faceta de um brilhante chamado Leatrice.” E continua: “ Falar do cuidado formal, estilo e linguagem impecáveis seria ‘lugar comum’, considerando que a autora é reconhecida e festejada em instituições como Academia Catarinense de Letras e Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, entre tantas outras entidades culturais, por mérito e talento. Prefiro falar do ser humano Leatrice, de quem aprendi a gostar, respeitando-a como parâmetro de mulher valorosa que buscou e conquistou seu espaço. .... Prefiro falar do seu jeito pueril, do olhar profundo, da sensualidade que transborda de seus versos.”
E é justamente esse lado de Leatrice que, o grande cronista Carlos Adauto Vieira, Vice-Presidente da Academia de Letras e Artes de São Francisco do Sul e ex-aluno da autora ressalta na apresentação do livro: “As mulheres nos ensinam a amar. Porque sabem fazer com corpo, alma e talento. Mais, ainda, se cultas. Isto é, com aquele conhecimento sobre as obras não divinas, porém simplesmente humanas.
E mais adiante: “ Tem-se observado ao longo dos tempos Safo, Cloé, Elizabeth Bishop, Florbela Espanca, Cecília Meireles, Júlia da Costa, Leatrice. Desta, também, os versos fervem de paixão, tanto que ela diz conhecer todos os amores “A mais autêntica sinceridade, o amor-luxúria e o amor-amizade. Amores que me fazem bem feliz”.
Parabéns e sucesso, querida amiga!

VENTOS DO SUL

Em minhas mãos o número 35 da Revista “Ventos do Sul”, do Grupo de Poetas Livres. O exemplar não é meu, tomei-o emprestado da Academia Catarinense de Letras, entidade a qual pertenço, para fazer este pequeno registro. É a segunda vez que comento tal iniciativa daquele Grupo.
Simples, toda em preto e branco, inclusive a capa, com tiragem semestral, a revista continua contribuindo significativamente para a divulgação de poetas novos e “antigos”.
Na carta da presidente Maura Soares – o editorial – ficam claros os objetivos dos Poetas Livres (completou 12 anos de existência em 2010) que, com a revista, procura “divulgar não só o autor catarinense, aqueles aqui nascidos, mas também aqueles que escolheram Santa Catarina par viver e constituir família”.
Desse número destaco: a) a Medalha do Poeta – Maria Vilma Campos, para uso dos associados em eventos que comparecerem representando o Grupo; b) a 6ª. Edição do concurso Liberte-se nas asas da poesia; c) a 5ª. Edição do concurso on-line Trovas e/ou Quadras; d) os poemas de inúmeros poetas catarinenses e brasileiros, vivos ou não.
A seguir transcrevo da página 26 da revista, o poema “O NÓ NA GARGANTA” (do livro Vertente, pg. 74), do grande poeta e meu querido amigo ALZEMIRO LÍDIO VIEIRA:

Os trilhos da fuga
aos poucos estreitam
enquanto o nó aperta a garganta.
Na calada do momento,
na calada da madrugada,
na calada da justiça.
Agora só existe um estrondo
com a máscara do silêncio
no peito do cabisbaixo.
A vasculhar em restolhos
definições humanas.
Enquanto o atordoamento
se alastra
no tribunal do íntimo.
Porque da justiça lá fora,
escoa-se um eco pelas laterais
do tempo...

GENIAL COMO SEMPRE (uma crônica de Olsen Jr)

Sou muito econômico em elogios. Quando alguém faz algo que eu acredito poderia tê-lo feito, cedo as minhas reverências. Sim, refiro-me ao último filme de Woody Allen “Midnight inParis”.Foi um amigo quem me alertou: “Vá assistir porque é a tua cara”...
O filme toca em algo que está nas minhas entranhas. Explico, sempre acreditei estar vivendo em uma época errada. Lembrei de Bernard Shaw “Porque fui nascer com tais contemporâneos”, só uma blague... Também não se confunda “nostalgia” com “saudosismo”.
A primeira está condicionada a um imaginário que construímos (leituras, imagens, depoimentos) e introjetamos de maneira a construir um corpo à parte de nossa realidade, masque pode ser emulada como se fosse real; já o segundo, estimula lembranças de fatos vivido se que são evocados eventualmente por imagens recorrentes. Em comum, o fato de que por momentos estamos viajando no “passado” e isso nos distrai da insolência do cotidiano em que estamos inseridos.
Não vou contar o filme, mas estar junto com Scott Fitzgerald e Zelda Sayre à mesa com Ernest Hemingway discutindo “Writers at Work”, regado com a bebida preferida de cada um; ou então encontrando a modelo que já tinha sido “Musa” de Modigliani, agora era de Picasso, mas tinha “Papa” no páreo e por quem o personagem também se apaixona e tudo na década de 1920, para nós a “Época de Ouro”... No “Maxim’s” ouvindo Cole Porter ao piano cantando “Let’s do It (let’s fall in Love)” ou então com Toulouse-Lautrec, Degas e Gauguin, eles vivendo em plena “Belle Époque”, num cabaré, acreditando que a tal “Época Dourada” era a Renascença com Miguel Ângelo e Cia. Ou ainda naquela mesa bem humorada curtindo Luis Buñel, Salvador Dali e Man Ray e os mistérios da anatomia de um rinoceronte e não há nada de estranho em se ter a consciência (temporária) de viver em outra época onde o que importa é o talento e o que cada um pode fazer com ele.
Claro, falta interlocutores, alguém que entenda isso. Então não há nada de errado em deixar os originais de um romance em andamento no estúdio de Gertrude Stein e sua fiel escudeira Alice B. Toklas, mesmo sabendo que ambas dividem a cama e nós não temos nada com isso, o que conta mesmo é a arte.
A verdadeira arte é aquela que nos ajuda a entender a vida. A grande arte é esta, como sugere este filme “Meia Noite em Paris” em que o Woody Allen, transmite esta impressão (para nós que somos escritores, principalmente) que o roteiro foi escrito para nós e com o qual nos identificamos porque sempre haverá uma “Idade do Ouro” onde gostaríamos de estar, mesmo que – sem o saber – já estejamos nela.


HOMENAGEM

Inácio José de Alvarenga Peixoto (1744-1793) nasceu no Rio de Janeiro. As suas Obras Poéticas foram editadas por J. Norberto de Souza e Silva em 1865, por Domingos Carvalho da Silva em 9956, e por Rodrigues Lapa em 1960 (MEC). A seguir um poema que ele fez para a filha.

A MARIA EFIGÊNIA
(em 1786, quando completava sete anos de idade)

Amada filha, é já chegado o dia
Em que a luz da razão, qual tocha acesa,
Vem conduzir a simples natureza,
É hoje que o teu mundo principia.

A mão, que te gerou, teus passos guia,
Despreza ofertas de uma vã beleza,
E sacrifica as honras e a riqueza
Às santas leis do Filho de Maria.

Estampa na tu’alma a caridade,
Que amar a Deus, amar aos semelhantes
São eternos preceitos da verdade;

Tudo o mais são idéias delirantes;
Procura ser feliz na eternidade,
Que o mundo são brevíssimos instantes.

(Obras Poéticas de Inácio José de Alvarenga Peixoto,
Rio, 1865, páginas 197-198)

A ILHA

Recebi o número 117, edição de junho, do Suplemento Literário A ILHA, que completou, naquele mês, 31 anos de ininterrupta circulação.
O Suplemento é o órgão de divulgação de um grupo literário com o mesmo nome e que tem como coordenador o escritor Luiz Carlos Amorim, um dos candidatos à cadeira número 32, ocupada até então pelo saudoso Lauro Junkes, dinâmico ex-presidente daquele Sodalício.
A ILHA começou suas atividades em São Francisco do Sul, em 1982, migrou para Joinville dois anos depois e lá desenvolveu atividades diversas, como o Varal da Poesia, recitais de poemas, publicação de livros e da revista. Em 2000, com a mudança do coordenador do grupo para Florianópolis, a sede do Grupo e, consequentemente do Suplemento, passaram para a capital.
Parabéns, portanto, ao grupo, pela longevidade.

POEMA ESPARSO X

Uma vida juntos
outra vida separados.
Somos diferentes:
enquanto moços
- vívidos e ávidos –
sem sentimentos.

Agora velhos,
areia da ampulheta
descendo rápido
- goela abaixo –
exorcismo de morte.

(Poemas à flor da pele, Pinheiro Neto, 2010)

Confira minha coluna no Jornal Leste da Ilha

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Confraria da Leitura-pn Edição 24

13º CATAVÍDEO é lançado na terça no Cine Pitangueira

Com exibição dos vídeos mais votados em 2010, será lançado nesta terça-feira, dia 9 de agosto, às 19h, no Cine Pitangueira, as inscrições para o 13º CATAVÍDEO - Mostra de Vídeos Catarinenses. O evento se consolidou como a principal janela de exibição dos audiovisual produzido no Estado e a partir desta data os produtores interessados em exibir seus filmes na Mostra já podem realizar as inscrições através do site www.catavideo.org.

Podem ser inscritos vídeos produzidos em qualquer ano, desde que inéditos na mostra e realizados em Santa Catarina ou que tenham a participação de catarinenses. As inscrições vão até o dia 9 de setembro. A organização anunciará algumas novidades para esta edição, como o sorteio de premiação para as produções inscritas e a realização de pelo menos duas sessões em cada dia do evento, que ocorrerá de 4 a 13 de novembro na Fundação Cultural Badesc, localizada no Centro de Florianópolis.

O CATAVÍDEO exibe todos os filmes inscritos e o objetivo é resgatar produções que circularam pouco e foram parar nas prateleiras dos realizadores, além de estabelecer um panorama recente do cinema produzido no Estado. Ao longo de 12 anos, o festival formou um acervo de aproximadamente 1.000 vídeos, com um quadro significativo da produção da década. A intenção é ampliar o número de títulos para preservar a memória e fomentar a exibição. Nas últimas três edições, a média anual de títulos inscritos foi superior a 100 filmes.

Além da Mostra, o CATAVÍDEO promove oficinas, que serão realizadas em parceria com o SESC. Estão programadas oficinas de Cineclubismo, Cultura Digital, Divulgação de Audiovisuais, Classificação Indicativa e Animação.

O regulamento para inscrições pode ser acessado em www.catavideo.org e após fazer o registro online, os realizadores devem entregar uma cópia da ficha de inscrição assinada, juntamente com a cópia de seu vídeo e material de divulgação no Fundo Municipal de Cinema de Florianópolis. O Funcine fica anexo à Fundação Franklin Cascaes, no Forte Santa Bárbara, Centro, e funciona de segunda a sexta, das 13 às 18h, fone (48) 3224-6591 e 9989-4215. O material pode ser entregue pessoalmente ou via correios. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mailcatavideo@alquimidia.org.

A cada ano, a organização traz um debatedor convidado para abrir o festival. Nas edições anteriores vieram os diretores Eduardo Valente, Gustavo Spolidoro, Carlos Nader Emerson Schmidlin, Kiko Goifmann e Rodrigo Grota. O CATAVÍDEO é realizado pela Associação Cultural Alquimídia e Funcine, em parceria com a Fundação Cultural Badesc, Sesc e Cinemateca Catarinense, com o apoio do Museu da Imagem e do Som e produção da Exato Segundo Produções Artísticas.

O quê: Lançamento das inscrições do 13º CATAVÍDEO - Mostra de Vídeos Catarinenses, e sessões de cinema às 15 e 19h.
Quando: terça-feira, 9 de agosto.
Onde: Casa das Máquinas do Casarão da Lagoa. Praça Bento Silvério, Lagoa da Conceição, Florianópolis.
Quanto: gratuito.

FILMES

Fogo.Doc (Leandro Andrade)
|Fpolis|5’|Doc.|2005|
Documentário com o lado pitoresco dos acontecimentos do dia 19 de setembro de 2005, data em que acorreu o incêndio na ala norte de Mercado Público de Florianópolis.

Seca na Mesopotâmia (Coletiva – LAPIS)
|Fpolis|9’|Animação|2009|
Na antiga Mesopotâmia, a seca é um grande problema a ser enfrentado.

Degelo Seco (Alceu Kunz)
|Sombrio/Rio de Janeiro|15’|Ficção|2008|
Um homem conversa com sua geladeira e demais objetos do conjugado onde mora.

A incrível história da vovozinha e o lobo mau (Kurt Shaw e Rita de Cácia Oenning da Silva)
|Fpolis/Rio de Janeiro|3’|Animação|2010|
Três crianças de 4 anos da creche Salgueiro, no Rio de Janeiro, narram a história da Chapeuzinho Vermelho, dando a essa uma versão bastante diferente. O resultado é inesperado e demonstra a fabulosa criatividade e capacidade adaptativa de crianças pequenas. Nas suas narrativas, povoada por personagens que se transmutam de um personagem a outro, o Lobo Mau casa com a vovozinha e todos vivem felizes para sempre.

Braziland (Giuseppe Consentini)
|Laguna|5’|Ficção|2010|
Humor negro sobre o horário porlítico brasileiro.

D'Exibicionismo (Jone Schuster)
|Maravilha|3’|Ficção|2010|
Ele só sentia prazer se alguém o estivesse observando.

Making of (Fabrício Porto)
|Joinville e São Francisco do Sul|17’|Ficção|2010|
Bene é um videomaker que, em um dia de suas gravações experimentais, encontra Bia. Os dois conversam e decidem trocar as fitas de suas câmeras. Após ver as imagens de Bia, Bene acredita que está fazendo parte de um filme.

A 7ª Margem (Renato Grillo)
|Fpolis|25’|Ficção|2010|
Metáfora sobre a insustentável situação do país em seus vários níveis. Perdido, o personagem vaga sobre a própria vida em busca de saídas. O filme traz em si o conceito de marginalidade. Realizado sem recursos técnicos e financeiros em apenas três dias. Seja marginal, seja herói.
Duração total da sessão: 82 minutos


CONTATO

Guto Lima
Exato Segundo Produções Artísticas
(48) 9952-5657, 9989-4215

Fifo Lima
Assessoria de Imprensa
(48) 4141-2116, 9146-0251


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POEMA DE TEREZINKA PEREIRA


4:30am


Faz uns minutos
notei que estava falando
comigo mesma.
Então retruquei:
Deixa de perder tempo
em conversa fiada!
Vai dormir!



terça-feira, 26 de julho de 2011

Confraria da Leitura-pn Edição 23

ENFIM UM VIKING NA ACL


Após seis tentativas eis que, na noite de 25 de julho de 2011, o meu caríssimo amigo, escritor Olsen Jr., foi eleito para integrar o grupo de imortais que freqüentam a Casa de José Boiteux. Uma caminhada longa; que o diga o Artêmio Zanon. E também uma questão de justiça!!!!

Não tenham dúvidas, meus confrades da ACL, o Olsen tem experiência, vontade, disposição, disponibilidade e idéias. Chega disposto a ajudar, quer contribuir, quer mostrar presença e serviço em favor da Literatura e do Sodalício, este vivendo um marasmo sem precedentes. Ele, o Olsen é um escritor disciplinadíssimo; escreve diariamente e tem obras de peso publicadas.

E é isso: na minha opinião, qualquer um que pretenda ser um membro da Academia Catarinense de Letras necessita: 1) conhecer o que diz o artigo primeiro do Estatuto daquela Casa, isto é, “...cultivar a Língua Vernácula e defender os valores da cultura nacional e estadual, especialmente no campo literário...”; 2) ter a consciência de que para tanto é preciso antes de qualquer coisa ser escritor (escrever literatura – romance, novela, conto, crônica, poesia; produzir pesquisas, ensaios, estudos, críticas sobre artes plásticas, literatura, folclore, cinema, história, cotidiano, cultura enfim); c) após o ingresso, todo acadêmico precisa ter compromisso com a instituição participando cotidianamente de suas atividades, inclusive as burocráticas, inteirando-se de seus problemas “mundanos” e colaborando com a Diretoria no sentido de buscar resolvê-los. Necessita também ter clareza: a) que é prudente menos empáfia e mais humildade e companheirismo; b) que não basta apenas ostentar o título e a medalha e marcar presença nos eventos mais solenes e “pomposos”, deixando nos ombros de poucos a responsabilidade de resolver sozinhos todos os problemas. c) que é preciso ter consciência da imortalidade acadêmica, não esquecendo em nenhum momento a mortalidade do acadêmico.

Parabéns meu caro, para ti e para aqueles que acreditaram sempre! Valeu pela persistência e pelo destemor. E que sejas bem vindo ao convívio de teus novos confrades!

Quem é Olsen Jr.

Nasceu em Chapecó-SC, no dia 06 de junho de 1955. É formado em Direito pela FURB-Blumenau e pós-graduação UFSC. É jornalista e escritor.
Na década de 70 participou de vários movimentos culturais compondo o que ficou conhecido como “a resistência” ao regime estratocrático que se aboletava no país e que durou 21 anos. Seja organizando o jornal alternativo (com oito anos de circulação consecutiva e ininterrupta) “Acadêmico”, premiado pela Parker Pen do Brasil como um dos melhores informativos – nível universitário – do País (São Paulo, 1976) e pela União Brasileira de Escritores, seccional do Rio de Janeiro, pelo Mérito Cultural (Rio, 1981), entrevistando personalidades polêmicas como Plínio Marcos, Darcy Ribeiro, Mário Lago, João Antônio, Dom evaristo Arns, Leandro e Rodolfo Konder, Pedro Lyra, Ivan Cavalcanti Proença entre outros, ou ainda organizando os Festivais Universitários da Canção e salões de Artes Plásticas, Cooperativa de Livros, Festivais de cinema Super 8, Concursos Literários (poesia e contos) para universitários brasileiros, ou então, fundando editoras, seja a Editora Acadêmica e a Editora da FURB, ambas em Blumenau, a Editora Paralelo 27 e a Obras Jurídicas, em Florianópolis.
Filosoficamente se define como um existencialista, do tipo Sartriano (para quem o homem é uma paixão inútil, mas ainda assim, uma paixão); na política, considera-se um brasileiro perplexo, embora consiga manter em alta suas convicções de um dia viver em um mundo mais fraterno. Para isso o seu empenho, dentro da área que escolheu: a literatura, no sentido de (re)vitalizar a participação crítica do homem na realidade, assegurando a liberdade de expressão e a iniciativa de tentá-la, interagindo e fazendo valer, dialeticamente, este equilíbrio que se busca. Dele já afirmou Rodolfo Konder, “Olsen consegue confirmar a verdade do que disse certa vez o velho Bruxo argentino Jorge Luis Borges: “ser escritor não é uma profissão, é um destino”.
Seu livro de contos, Desterro, SC, foi considerado pela Câmara Brasileira do livro um dos 10 melhores livros de contos publicados no Brasil em 1999 e esteve na finalíssima do Prêmio Jabuti de 2000.
Publicou as seguintes obras: Os esquecidos do Brasil (contos, 1993); Desterro, SC (contos, 1998); Estranhos no Paraíso (romance, 1989); Confissões de um cínico (crônicas, 2002); O burguês engajado (novela, 2003); A cidade dos homens indiferentes (contos, 2004) e Memórias de um fingidor (romance, 2010).


HOMENAGEM

José Basílio da Gama (1740 ou 41-1795) na Arcaria Termindo Sipílio, nasceu em Minas Gerais. Publicou O Uraguai, em 1769. As suas Obras Poéticas foram editadas por José Veríssimo em 1903. A Academia Brasileira de Letras publicou em 1941 uma edição fac-similar da original, de O Uraguai.

Fragmento de O URAGUAI

Fumam ainda nas desertas praias
Lagos de sangue épidos e impuros,
Em que ondeiam cadáveres despidos,
Pasto de corvos. Dura inda nos vales
O rouco som da irada artilheria.
Musa, honremos o Herói, que o povo rude
Subjugou do Uraguai, e no seu sangue
Dos decretos reais lavou a afronta,
Ao tanto custas, ambição de império!
E vós, por quem o Maranhão pendura
Rotas cadeias e grilhões pesados,
Herói, e Irmão de Heróis, saudosa e triste,
Se ao longe a vossa América vos lembra,
Protegei os meus versos. Possa entanto
Acostumar ao voo as novas asas,
Em que um dia vos leve. Desta sorte,
Medrosa deixa o ninho a vez primeira
Água, que depois foge à humilde terra,
E vai ver de mais perto no ar vazio
O espaço azul, onde não chega o raio.
..............................................................
(O Uraguai, págs. 1-3, Lisboa, MDCCXIX)



BOLETIM DO IHGSC

Recebi como de praxe em meu endereço particular o Boletim do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, número 155, referente a junho de 2011. AGRADEÇO!

Quero registrar a secção “Historiadores de Santa Catarina” que homenageia o escritor, membro daquela entidade e da Academia Catarinense de Letras, OSVALDO FERREIRA DE MELO, falecido em 17 de fevereiro deste ano.
Aliás, ressalto que, mesmo com todas as dificuldades encontradas desde a mudança da sede do Instituto para o prédio onde funcionou a Academia de Comércio de Santa Catarina, hoje Casa José Boiteux, à Avenida Hercílio Luz, 523, sua Diretoria mantém seu calendário de eventos e reuniões rigorosamente em dia e com a presença de muitos de seus membros cumprindo expediente na sede, diariamente.



OUTROS AGRADECIMENTOS

1- FIFO LIMA – Pelas notícias e informações que envia quase semanalmente. Através dele pude acompanhar e divulgar tudo o que aconteceu antes, durante e depois da 10ª. Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. Pude também levar às crianças da Escola Acácio Garibaldi São Thiago, da Barra da Lagoa, através de sua Diretora, a oportunidade de assistir alguns dos filmes exibidos gratuitamente.

2- ALMIRA LIMA – Pelos belos poemas e informações que sempre envia para o meu e-mail. Obrigado. Tenho-os apreciado muitíssimo.


3- IVONITA – Pelos convites para inúmeros eventos literários, culturais e “dançantes” que tem enviado. Muito obrigado, destacada escritora, acadêmica e animadora cultural.







POEMA ESPARSO IX

O verso já não flui
O verbo torna-se escasso,
As metáforas me abandonam.

As mãos... ah, as mãos
- andropauseantes –
já não acompanham os desejos
que a mente rouba
dos lapsos de lucidez.

(Poemas à flor da pele, Pinheiro Neto, 2010)
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