segunda-feira, 14 de março de 2011

TODO DIA É DO POETA E DA POESIA

Hoje é dia do poeta. Um dia como outro qualquer, porque na minha opinião “o dia” em que se comemora alguma profissão, alguma classe, alguma área do conhecimento ou das relações humanas e sociais é uma comemoração pró-forma. Todos os dias são dias de todos. Ao fazermos as coisas que nos cabem de maneira correta, com esmero, com profissionalismo, com amor, sem vaidades, sem mentiras, sem querer levar vantagens sobre o próximo, nosso dia-a-dia torna-se o nosso dia, sejamos médicos, lixeiros, pais, engenheiros, professores, bibliotecários, administradores, advogados, jornalistas, políticos, mães, filhos, donas de casa, mulheres, homens, gays, astronautas, pescadores, coveiros, etc., etc., etc.
E por pensar assim, aí vão mais alguns fragmentos e outros poemas, porque todos os dias devem ser dias de poesia:

I- COPACABANA (Leatrice Moellmann) *

Durante décadas, Copacabana,
Sorvi o clima que de ti emana.
São tantas as lembranças, são pedaços
De vida, alegrias e cansaços.

Anos dourados, mas labuta insana
Foi minha vida em Copacabana.
Na praia a areia, o mar, grandes espaços,
Em casa minha filha nos meus braços.

Topar nas ruas com celebridades,
Os camelôs, as feiras... que saudades!
Olhar vitrinas sem poder comprar.

Festejar futebol nos campeonatos,
Viver em paz, gozar tempos pacatos...
Meu coração não pode te olvidar.

II- O CLAUSTRO INTERIOR (Júlio de Queiroz) *

Então, é esta a tarefa de toda a vida:
Fazer sem o querer; matar o desejo.
Amar, pelo amor, até mesmo o mais vil.
Beijar a ferida mortal mais abjeta no transbordamento
do amar.
Buscar sem buscar; amar a caminhada;
Transformar pedras ossudas em pétalas macias
Por nenhum outro motivo a não ser compartilhar o amor
..........................................................................................

III- EMIGRADO ( Emanuel Medeiros Vieira) *

Emigrados:
seremos sempre,
emigrados.

Em busca de um outro mar,
da última ilha,
seguindo os pássaros,
atrás do último pássaro.
De um mar a outro,
de uma ilha outra ilha,
e, então, dormiremos,
uma noite sucedendo-se outra.


IV- MISTICISMO NO MORRO (Alzemiro Lídio Vieira) **

Ele vai subindo o morro,
vai levando seu gingado,
na insistência de viver.
Na distância o cintilante
numa visão multicor.
É malandro, é amante,
sabe muito de amor.

V- DE MINHAS BRUXAS (Artêmio Zanon) **

A bruxa em sua vassoura mágica vivia
No meu mundo infanteiro em avoentos ares:
- À noite – era eu medroso! -, enorme parecia,
Tão enorme que já me punha em vãos cismares.

Quando o vento das frôndeas se debatia
Acreditava eu fosse a bruxa em seus penares;
Ficava, então, ansiando pela luz do dia
A falta de candeias, estrelas, luares...

Às vezes o latir de um pervagante cão,
Mais me deixando aflito no cenário estranho
Fazia-me recitar inocente oração.

Agora que confesso esses fatos de antanho
Sinto uma força que me toma o coração
E na poesia, creio, plenitude ganho.



VI- DOENÇA E CURA (Péricles Prade) ***

O livro de poemas
na mão esquerda, o de contos
na mão direita, e sobre a cama
solteira, o romance,
aquele de 500 páginas,
na cabeceira transformado
em mágica montanha.

Eis a doença
e sua cura, a mente prisioneira
na estante que flutua.


VII- POEMA IMPOTENTE (Pinheiro Neto) ****

Por que o verso
tão fraco?

Por que o verbo
tão covarde?

Meu povo chora
o choro do desalento;
meus velhos choram
pelos seus moços
meus moços choram
pelos meus velhos.

Por que a impotência
do poema?

(* - Revista DA Academia Catarinense de Letras, nº. 23; ** Antologia Literária de “O Trinta Réis”, da Academia São José de Letras, vol 1; *** Sob a faca giratória, 2010, Papa Terra editora; **** A rosa do verso, 1988, Cepec editora)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Confraria da Leitura-pn Edição 19

Pinheiro Neto (poetapinheironeto@gmail.com)


MEMÓRIA DOCENTE – I

Quero registrar hoje um livro que recebi de presente das mãos de uma das organizadoras e que me deixou imensamente feliz. Trata-se de Memória docente: histórias de professores catarinenses (1890-1950), organizado por Vera Lúcia Gaspar da Silva e Dilce Schüeroff. Tal felicidade justifica-se por dois motivos: primeiro por ter nas mãos o primeiro livro planejado, produzido e, acima de tudo urdido pela minha querida amiga e eminente pesquisadora Vera Lúcia, segundo pelo fato de que tal livro apresenta depoimentos de vários professores (que também freqüentaram o universo cultural e literário catarinense) com quem tive a felicidade de conviver, alguns por muitos, outros por poucos momentos. Ler os depoimentos de Abel Beatriz Pereira, Albi Pereira, Januário Raimundo Serpa, Jamille Trindade Sadelli Pacito, Laurita Franzone Pereira, Lydio Martinho Callado, Nereu do Valle Pereira, Vilma de Souza Fernandes, dentre outros, me fez voltar no tempo, recordar meus estudos primários no antigo Grupo Escolar Silveira de Souza, me ver sentado nas carteiras de dois lugares, nas aulas das professoras Jamille (no primeiro ano) e Laurita (no segundo ou terceiro, não lembro bem); ainda guardo os “boletins” com carinho. Me fez lembrar das participações em atividades culturais e literárias com Abel B. Pereira (sua revista literária A Figueira), Lydio Martinho Callado na Academia Catarinense de Letras (meu colega “imortal”), Nereu do Valle Pereira, meu professor na universidade e depois meu colega no magistério e na literatura, Januário Serpa, colega de magistério e amigo de papo filosófico-literário com quem tive a oportunidade de degustar excelentes “cachacinhas” no bistrô Ponto do Poeta.
Não fosse pelo valor histórico e cultural desse livro, para mim, o valor sentimental já seria o suficiente para comentá-lo, recomendá-lo, divulgá-lo sem prurido algum. Irei indicá-lo a todos quantos, ainda vivos, possam recordar-se de ex-colegas e ex-professores, no estado, no Brasil e onde for possível.
O livro foi apresentado por Neide Almeida Fiori e foi dedicado a Maria da Graça Vandresen, ambas professoras e pesquisadoras catarinenses renomadas.
(Em breve, devo tecer mais alguns comentários sobre esse livro.)



PARA LEMBRAR (hífen 2)

a) O hífen é abolido quando se perdeu a noção de que a palavra é composta, e mantido em todos os demais casos. Antes: pára-quedas, manda-chuva, pára-brisa. Agora: paraquedas, mandachuva, parabrisa.
b) Usa-se hífen com os prefixos hiper – inter – super apenas quando combinados com elementos iniciados por R. Exemplos: hiper-requintado, inter-relacionado, inter-racial, super-revista.
c) Palavras com o prefixo sub recebem hífen apenas quando combinados com elementos iniciados por B e R. Exemplos: sub-regra, sub-reptício, sub-bibliotecário.
ATENÇÃO: Nem todos os pontos do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa são claros. Por isso, algumas dúvidas sobre o emprego das normas somente devem ser esclarecidas pela publicação do novo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras – ABL.

AUGURANDO UM FELIZ CARNAVAL
...........
Tomou coragem. Uma coragem meio acovardada, mas a única no momento. Respirou fundo e soltou: “olha seu Belmiro, sei que o senhor tem seus motivos para não me dispensar amanhã. Mas eu não venho trabalhar não. E vou lhe dizer por que. Amanhã, o Ânsia de Vômito, meu bloco carnavalesco, vai desfilar pelas ruas da cidade como faz todos os anos. Se o senhor não sabe, há mais de dez anos isso acontece. É uma tradição do carnaval. Não posso faltar. Sou um dos fundadores. Esta é minha palavra final. Não adianta o senhor gritar, ameaçar ou fazer qualquer coisa; amanhã é dia sagrado. O senhor pode cortar meu ponto e descontar o meu dia de trabalho. É seu direito. Pode fazer o que quiser. Só que não virei trabalhar. E é só!” Lembra que o chefe ficou boquiaberto, que tentou esboçar alguma reação, mas ele nem esperou para ver qual seria. Não interessava mais nada. Nem lhe ocorreu que Belmiro era chefe há apenas seis meses. Deu as costas e saiu.
.........
(Pequeno trecho do conto “Tetonas pretas”, pgs. 58 e 59 do livro “Histórias de (a)mar e outras” – 2009)

QUINTANEANDO

As muitas metáforas (Aninha)
Nas aragens de um por do sol. (Rosamel)
Entre músicas cai a tarde no Guaíba (Gladis)
Com o sol se despedindo no horizonte, (Marcinha)
Erguendo um brinde ao nosso sorriso. (Telma)

Estou aqui, queria estar acolá.
Não sei se estou por mim
Ou se estou onde está o mar. (Baby)

A noite vem chegando terna e exuberante. (Kinda)
Parafraseando aquela música,
Porto Alegre é demais. (Marco Gomes)

Balbúrdia, música e estrelas
Giram em torno da poesia. (Soninha)

E, no tear do tempo,
Teço com meu verso paixão. (Pinheiro Neto)

(Este poema – produção coletiva a 20 mãos – foi construído por ocasião do lançamento da antologia “Poemas a flor da pele” na Feira do Livro de Porto Alegre, na tarde de quatro de novembro na Casa Mário Quintana.)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Confraria da Leitura-pn Edição 18

Pinheiro Neto (poetapinheironeto@gmail.com)


O POEMA E EU



Dar um depoimento sobre minha prática cotidiana enquanto “poeta” não é uma coisa muito simples para mim. Acredito que não deva ser também para muitos escritores. Mas vamos lá. Vou tentar.
Começo com alguns questionamentos: Será que sou um poeta na verdadeira acepção da palavra? Será que posso considerar-me um? O que é, afinal, ser poeta?
Há quarenta e cinco anos, um pouco mais, um pouco menos, venho registrando minhas impressões, meus sentimentos, minhas (re)visões do mundo através de trovas, poemas visuais, poemas livres, etc.
Se poesia, originariamente do grego poíesis significa fazer, indicando, por conseguinte que “poeta é aquele que faz versos”, prefiro me ver como um “fazedor de versos” que utiliza a metáfora, as imagens, as comparações. Sou, portanto, segundo Manuel da Fonseca (Poemas completos, p.26), um dentre os muitos “que têm olhos de água” justamente “para reflectirem todas as cores do mundo e as formas e as proporções exactas, mesmo das coisas que os sábios desconhecem”.
Desde que comecei essa caminhada, muito antes de Iriamar (1978) não tenho me preocupado em construir poemas utilizando uma “linguagem literariamente correta ou bonita” mas em transportar para o papel o que pode estar recôndito no íntimo do ser humano e do (m)eu corpo humano. Assim, não tenho tratado o poema com a preocupação de elaborar nas suas entrelinhas um conjunto de normas poético-literárias, mas em trabalhar o poema perquirindo sua essência, isto é, enquanto veículo que apresenta a poesia como “paragem das palavras sobre algo” (Teresa Guedes em Ensinar a poesia, p. 34). Como algo necessário à vida e ao cotidiano das pessoas em geral e dos estudantes – principalmente aqueles entre 7 e 14 anos – em particular.
Na poesia a linguagem é poder que se exerce sobre o imaginário. Nas nossas escolas tolera-se livres incursões imaginárias apenas no período da pré-escola ao se trabalhar a educação sensorial. Após essa fase, a tendência é reprimir qualquer manifestação que esteja fora da linguagem articulada.
Mas, o que queremos? Se nossos cursos de formação de profissionais para o ensino de Língua e Literatura não “perdem tempo” com o ensino da poesia, como querer que os alunos que se formarão professores aprendam a gostar e a trabalhar a Língua através desse gênero literário?
É preciso iniciar um processo sistematizado de desmistificação da poesia, quer em nível de professores, quer em nível de alunos.
De uma maneira geral, deveremos pensar em um ensino da poesia nas escolas que traga como alvo: o desenvolvimento do poder criador da criança; o desenvolvimento da imaginação e da sensibilidade; a iniciação da criança no contexto da arte em geral, além da formação do sentido estético dessa criança.
Bem, divagações à parte. Cabe-me falar um pouco sobre como se dá concretamente o processo criativo no meu cotidiano.

Não tenho nenhuma questão mais sofisticada em minha relação com a produção de meus textos, sejam eles poesia ou prosa. Existe primeiramente uma motivação. Preciso ser motivado. Tal motivação pode ser externa ou interna. A externa pode vir através de observação da natureza, de fatos sociais, de conversas entre pessoas, de teatro, cinema, vídeo, tv, etc. Já a interna aflora a partir do estado de espírito em que me encontro em determinados momentos.
Para Kahlil Gibran (Cartas de amor do profeta p. 97) “os poetas têm que escutar o ritmo do mar. Quando ouvimos esse ritmo, algo mais surge além dos sons, pois a cada nova onda que quebra na areia com toda a sua força e densas espumas, uma pequena marola volta para o oceano produzindo um barulho secundário. Aí, uma outra onda encontra-se com essa marola, vem uma nova onda e o fluxo e o refluxo continuarão para sempre. E não importa o momento em que sentamos à beira da praia pela primeira vez.Ele afirma que “esta é a música que precisamos aprender – as coisas sempre vão e vem.”
Como um “fazedor de versos”, agradeço todos os dias ao Pai Eterno e aos meus pais por ter nascido nesta Ilha e aprendido, ainda muito cedo, a ouvir o ritmo do mar.
Quanto a local, hora, momentos melhores para escrever, não há preferências. Escrevo a qualquer hora e em qualquer lugar. Basta haver uma motivação.
È importante ressaltar que esse “escrever a qualquer hora e em qualquer lugar, desde que motivado”, não significa que a obra sai pronta e acabada. Essa motivação me impulsiona a efetuar os primeiros registros, os primeiros apontamentos para posterior trabalho mais acurado.
Geralmente guardo esses registros por um bom tempo. Não sou um escritor apressado. Em outro casos não, a coisa em si toma outras feições. A motivação é tão intensa que a vontade de aprofundar e de ver o texto pronto me faz trabalhar incessantemente. Me faz querer burilá-lo, mexer em sua estrutura, concluí-lo.
É por isso que experimento sempre. Que procuro buscar novas roupagens poéticas para meus poemas. “Todas as coisas são belas, e se tornam ainda mais belas quando não temos medo de conhecê-las e experimentá-las. A experiência é a Vida com asas.” (Kahlil Gibran, p. 64)
Hoje não existe um padrão geral definido que caracterize as artes e as letras, como no Romantismo, Realismo ou outros momentos literários. Não há dogmas, regras ou normas a serem seguidas ou respeitadas com rigidez. O verso livre está posto porém, se eu quiser, posso publicar um livro de sonetos. O que existe hoje é justamente a busca do novo, do original. Tudo já foi dito, tudo já foi escrito. É preciso dizer ou escrever de uma maneira nova, original; de uma maneira compatível com a realidade deste mundo e de um homem globalizado e interdisciplinar.









PONTO DO POETA

Acéfalo sigo
Pela minha vida
(per)correndo poemas.
Não são meus
Os versos, as rimas,
As letras, as palavras.
Não é meu o poema.

(Ensaio C, pg. 69, do livro Chrischelle, 1979)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

MEMORIAL MEYER FILHO - 1ª INDIVIDUAL DO ANO

O Memorial Meyer Filho abre sua agenda de 2011 com a primeira exposição individual de Fernando Weber, que será composta por trabalhos desenvolvidos a partir de 2007. Inéditos, eles fazem parte de uma série de ações realizadas, sobretudo, em dois lugares distintos: um jardim de terra com plantas e buracos que, vez ou outra, se configura como um canteiro de obras, e uma pedreira de quatro andares abandonada, com lagos formados pela chuva.

Os vídeos e as fotografias da exposição, documentam ambientes que se modificam diariamente com o tempo e com as ações do artista. As pesquisas realizadas por Fernando envolvem deslocamento, paisagens inóspitas, mimese e mimetismo. Como um eremita, Weber se distancia do comum para achar um lugar que fala, uma espécie de espaço esquizo. Para o artista, a imagem, seja ela estática ou em movimento, só pode existir de acordo com as leis do próprio lugar escolhido como cenário para as ações performáticas.

Ao todo, serão apresentadas 32 obras de uma mesma série de trabalhos, de forma que a exposição pode ser interpretada como uma composição. Interessa a relação do lugar com o corpo do artista e os materiais que ele leva consigo para realizar ações, na intenção de dar corpo ao espaço.

Para a artista Teresa Siewerdt, “os lugares, como refúgios cenográficos, permitem que o corpo ali se insira e realize suas ações, ações estas que o artista caracteriza como entrópicas, no sentido que aumentam o número de microestados, ou seja, configurações acessíveis ás partículas do sistema. Interessa então o fenômeno que ocorre no interior dos enquadramentos do vídeo e da fotografia, o embate entre o corpo e o lugar no qual ele se situa”.



O quê: Exposição LUGAR, do artista Fernando Weber.
Onde: Memorial Meyer Filho.
Quando: Dia 19 de janeiro, às 19h.
Visitação: De segunda a sexta, das 13h às 19h.
Quanto: Gratuito.
Contato: Fernando Weber (48 88282908) / manesweber@yahoo.com.br

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

COMO AJUDAR OS IRMÃOS DO RIO DE JANEIRO

Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2011 -
Veja como ajudar as vítimas das chuvas na Região Serrana do RJ
Locais que estão recebendo doações:
Cruz Vermelha - Praça da Cruz Vermelha, 10 – Centro do Rio.
Estão sendo arrecadados: água mineral, alimentos de pronto consumo (massas e sopas desidratadas, biscoitos, cereais), leite em pó, colchões, roupa de cama e banho e cobertores.
Prefeitura de Petrópolis – Igreja Wesleyana; Igreja de Santa Luzia; Sede da Secretaria de Trabalho, Ação Social e Cidadania.
Os três postos arrecadam doações de água, colchões e materiais de limpeza e higiene pessoal.
Prefeitura de Teresópolis – Ginásio Pedrão – Rua Tenente Luiz Meirelles, 211 – Várzea.
Estão sendo arrecadados: alimentos, roupas, cobertores, colchonetes e itens de higiene pessoal.
Uma conta corrente também recebe doações para ajudar as famílias atingidas pelo temporal. Nome da conta: "SOS Teresópolis - donativos".
Agência: 0741 (Banco do Brasil) – Conta: 110000-9.
Rodovia BR-040 - Concer - Praças de pedágio da BR-040 situadas em Duque de Caxias (km 104), Areal (km 45) e Simão Pereira (km 816), além da sede da empresa (km 110/JF, em Caxias).
A Concer pede que seja doado, preferencialmente, água mineral, produtos de higiene pessoal e de limpeza, roupas de cama, mesa e banho, além de colchonetes. Nas praças de pedágio, as doações podem ser entregues nos postos do serviço de informação ao usuário da rodovia, que funcionam de segunda a segunda, 24 horas por dia.
Hemorio – Rua Frei Caneca, 8 – Centro do Rio – Das 7h às 18h.
O Hemorio pede que as pessoas doem sangue para as vítimas das chuvas. Os estoques estão quase zerados. Friburgo e Teresópolis solicitaram 300 bolsas, mas o Hemorio não tem como atender.
Pode doar sangue quem tiver entre 18 e 65 anos, mais de 50 quilos e estiver bem de saúde. Basta levar um documento oficial de identidade com foto.
Informações e agendamento pelo disque sangue 0800-282-0708.
Supermercados – Grupo Pão de Açúcar
Postos de coleta foram montados pela empresa em todas as suas 100 lojas das redes Pão de Açúcar, ABC Comprebem, Sendas, Extra e Assaí, em todo o estado Rio de Janeiro para que os clientes possam cooperar com doações de alimentos não perecíveis, roupas e cobertores. A ação acontece até o dia 26 de janeiro.
Polícia Rodoviária Federal - Ver postos abaixo.
Maior necessidade é por água, leite em pó, materiais de higiene e limpeza e colchões.
Postos da PRF que receberão doações:
BR-116: KM 133 (Doações 24 horas)
BR-101: KM 269 (Doações 24 horas)
BR-040: KM 109 (Doações das 8h às 17h)
BR-116: KM 227 (Doações das 8h às 17h)
Rodoviária Novo Rio - Avenida Francisco Bicalho, 1 - Santo Cristo.
A Rodoviária Novo Rio recebe doações para a Cruz Vermelha. Os donativos são recebidos no embarque inferior, das 9 às 17 horas.
Polícia Militar - Todos os batalhões da Polícia Militar do estado serão centros de recepção de doações.
Comandantes dos batalhões recomendam que seja doada água mineral, alimentos não perecíveis e materiais de higiene pessoal.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Confraria da Leitura-pn Edição 17

RECANTINHO (crônica de uma história registrada no cardápio)

A história deste bar – hoje também restaurante - se confunde com a história da família Felício. O terreno, de posse do senhor Bertolino, morador da Barra da Lagoa, foi passado para o filho, seu Oríbo (pai do Anízio), por ocasião do casamento com D. Joana. Por sua vez, ao casar com Irizete, Anízio herdou a parte do terreno onde hoje estão construídos sua casa e o bar.

A idéia de abrir um bar foi da esposa Irizete. Assim que nasceram os gêmeos, Jamilly e Lucas, em 1990, não podendo trabalhar fora, com as despesas aumentando consideravelmente e o salário do Anízio não sendo mais suficiente, sugeriu ao marido que abrissem um barzinho. Nora e sogra trabalhariam na cozinha e o Anízio atenderia na frente.
Aprovada a idéia, construíram, à época, apenas a parte onde hoje ainda é a cozinha, com a ajuda do amigo Totonho, padrinho dos gêmeos. As primeiras mesas de plástico, conseguiram emprestadas com o Valério Matos, da Porto Belo.
Como não tinham carro, Irizete e D. Joana foram comprar todos os utensílios (panelas, pratos, talheres, copos, etc.) de ônibus, “na cidade”. Naquela época as pessoas podiam andar tranquilamente no centro de Florianópolis com muitas sacolas sem serem molestadas ou roubadas.
Começaram abrindo às 16 horas servindo apenas aperitivos e pirão de caldo com peixe frito ou camarão. Na década de 90 o rio da Barra ainda era farto. O próprio Anízio, geralmente com o auxílio do amigo Adailton, capturava todo o peixe e todo o camarão necessários. Por noite era uma média de 5 a 12 quilos de camarão capturados na “croa”. À época ainda não havia o canal nem o rio era drenado.
Hoje o Recantinho é bar e restaurante. Com a mesma cor desde o início, verde, sem placa ou publicidade alguma, é um dos restaurantes mais simpáticos e de grande sucesso da Barra. A propaganda de boca em boca, totalmente espontânea é que provoca tal fenômeno. Além disso, ao longo da história há questões que vêm se mantendo inalteradas. Sem falar o paladar e do esmero no preparo de todos os pratos, há o atendimento peculiar prestado pelo Anízio (“o marido da dona”). Sempre simpático e atencioso, abraçando e beijando cada freguês em particular bem como cumprimentando efusivamente cada novo cliente, Anízio vai de mesa em mesa conferir cada pedido e colher a opinião dos fregueses sobre o resultado, autorizando muitas vezes a “saideirinha da casa”.
Com todo o sucesso, Anízio continua o mesmo. Quer conferir? Apareça na Barra entre 4 e 6 da manhã. Vai encontrá-lo com seu carrinho de mão amarelo comprando os frutos do mar fresquinhos (lulas, anchovas, tainhas, camarões, etc.) que chegam nos barcos dos pescadores. Ou então, é bem capaz que o encontre “governando” os peixes, preparando as postas e os filés que serão servidos.
É ele pessoalmente quem assume a responsabilidade pela seleção dos produtos servidos no Recantinho.

PARA LEMBRAR (hífen 1)

O hífen é mantido com os prefixos: além, aquém, ex, pós, pré, pró, recém, sem, vice. EXEMPLOS: sem-terra, ex-senador, vice-prefeito, recém-nascido, pós-graduação, pré-vestibular, pró-reitor, além-mar.


NOVO PRESIDENTE NA ACL

Com o falecimento do caro amigo e confrade Lauro Junkes, a presidência da Academia Catarinense de Letras foi ocupada pelo também confrade (e não menos caro amigo) Péricles Prade. Dinâmico, com currículo invejável, homem público ligado à política, às artes, à literatura e à vida acadêmica como um todo, Péricles reúne as condições necessárias para levar a ACL ao lugar de merecimento buscado por Pítsica, por Junkes e por outros tantos acadêmicos que ocuparam a presidência do órgão.
Dentre os inúmeros desafios, Péricles, deverá coordenar o processo de preenchimento das três cadeiras vagas em 2010, ocupadas, respectivamente por: Hoyedo Gouvêa Lins (11), Carlos Humberto Corrêa (17) e Lauro Junkes (32). A exemplo do que pensam inúmeros confrades e considerando a contribuição deixada por Lins, Junkes e Corrêa para a Literatura e para a Cultura, é preciso que os pretensos novos acadêmicos tenham em seu currículo uma produção sólida voltada para a LITERATURA E PARA A LÍNGUA NACIONAL, isto é, tenham escrito e publicado romances, contos, crônicas, poemas, crítica literária, história da literatura e da cultura de nosso Estado. É preciso também que após a eleição, atuem, contribuam, estejam presentes, participem da vida do Sodalício.


PONTO DO POETA

Minha senhora do Desterro
onde te escondes?
Vagueias por acaso
nas noites do Vento Sul?
Passeias pelas dunas,
pela Lagoa, pelo farol?
Onde te escondes
Senhora minha
desta Desterro
que amo?
Por que me apareces
somente em tempo feio,
em céu fechado,
com forte vento soprando?
Onde estás, senhora minha?
Onde estás, minha Desterro?

(Senhora, pg. 17, do livro Minha Senhora do Desterro, 1981)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Confraria da Leitura-pn Edição 16






UM ESCRITOR: JOÃO CARLOS MOSIMANN
Engenheiro, professor e historiador - nascido em Brusque (SC), dedica seu tempo à pesquisa da História de Santa Catarina, sobre a qual publicou inúmeros trabalhos em jornais e revistas especializadas. Foi colaborador do antigo AN Capital e colabora desde 2003 no caderno de Cultura do Diário Catarinense. Autor do livro Tragédia e mistério na Villa Renaux, publicado em 2.000 pela Editora Insular, reeditado em 2.006 (Ed. Autor). Concentrou esforços na pesquisa das incursões de navegadores europeus à Ilha de Santa Catarina no século 16, compondo a obra intitulada Porto dos Patos – A fantástica e verdadeira história da Ilha de Santa Catarina na era dos descobrimentos, editada em 2.002, em co-edição com a Fundação Franklin Cascaes e reeditada em 2.004 (Ed. Autor), sob o patrocínio da Eletrosul. Em 2.003 editou o livro Ilha de Santa Catarina - 1777-1778 – A invasão espanhola, com o apoio cultural da Tractebel, garimpando pioneiramente toda a documentação espanhola e portuguesa sobre aquele importante evento. A mais recente obra, Catarinenses – Gênese e História, foi agraciada com o Prêmio do Edital Elisabete Anderle da Fundação Catarinense de Cultura, o que propiciou a edição independente da obra.



UM LIVRO: CATARINENSES – GÊNESE E HISTÓRIA
“A maioria dos historiadores procura na história político-administrativa, nos governantes e nas elites dominantes, a razão de ser da História. Antagonicamente, o homem comum revela-se ao pesquisador o fundamento e a gênese de um povo. Não perca tempo com Vice-Reis e capitães-generais, já aconselhava Capistrano de Abreu, enverede pelos inventários dos bandeirantes. O grande agente da História é o homem, organizado em sociedade, e a sociedade humana assume sempre esse caráter de agente e objeto da História. Sob esse aspecto, o catarinense constituiu-se no agente principal de seu desenvolvimento, ator e motor de sua própria história, vocacionado desde cedo, normalmente alheio ao poder público, decidindo a direção em sociedade.”
Catarinenses – Gênese e História é, em suma, a História dos catarinenses, entendidos como essa mescla de etnias e culturas forjadas pelo ambiente e integradas através de um processo gradual de conquista de espaço e de afirmação de sua gente: territorialidade e povo. A gama de manifestações, diferenciada pelo povoamento e pelo habitat, gerou, incontestavelmente, essa colcha de matizes étnicas e culturais, mas nela se teceu uma complexa identidade que encerra um conjunto de representações, hoje ligadas por um nexo comum, caracterizando pouco a pouco o povo catarinense.



DEPRIMENTE

O lançamento do livro Cruz e Sousa, o poeta alforriado de Godofredo de Oliveira Neto, organizado pela UFSC no dia 17 último foi um verdadeiro fracasso. Marcado para as 19 horas, iniciou após as 20. Os próprios responsáveis diretos pela organização que deveriam ser os primeiros a chegar para recepcionar os visitantes e o autor chegaram atrasados.
Realizado no auditório da Biblioteca daquela universidade, não havia nenhum indicativo – cartazes, no mínimo. Presenças, umas 15 pessoas, no máximo. Autoridades da UFSC, nenhuma além da responsável pelo lançamento. Membros da Academia Catarinense de Letras, Flávio José Cardozo, Jair Francisco Hamms, eu e Celestino Sachet – que naquele ato representava o presidente em exercício. Nem os acadêmicos que pretendem disputar a presidência daquele sodalício compareceram. Nem o livro para ser autografado chegou. O que valeu foram as falas do autor e do representante da ACL. E olha que o lançamento era em homenagem aos 90 anos da ACL, aos 50 da UFSC e em memória de Lauro Junkes.




OLSEN JR.

No dia 30 deste mês, no Restaurante Lindacap, a partir das 19 horas será lançado o livro Memórias de um fingidor, do meu querido amigo Oldemar Olsen Jr. O novo romance de Olsen Jr. é editado pela Insular.
Aproveito a oportunidade para registrar com imensa alegria que Olsen voltou a publicar suas crônicas em jornal, desta feita no Notícias do Dia, da Rede Record. A crônica nacional, hoje tão insossa, ganha um novo e significativo alento com a volta de Olsen e suas polêmicas todas às segundas feiras. Uma de suas frases: “Só não polemiza quem concorda com tudo. Em jornalismo, não polemizar é estar morto sem o atestado de óbito.”


PONTO DO POETA

NATAL 2010

Bate à nossa porta
mais uma vez o Natal:
barbas brancas,
passos lentos,
sorriso tímido
voz matinal.

Mais uma vez bate
à nossa porta o Natal:
uma pobre manjedoura,
ecológicos animais,
escatológicos humanos,
estrela triunfal.

O Natal mais uma vez
bate à nossa porta:
famílias reunidas,
anjos distorcidos
esperanças corroídas,
corte sazonal.