sábado, 15 de maio de 2010

JOEL PACHECO FOTOGRAFA PONTE HERCÍLIO LUZ



SOBRE A EXPOSIÇÃO

Até o dia 25 deste mês, das 10 às 22 horas, o fotógrafo e amigo Joel Pacheco está no Shopping Iguatemi, piso L3 com uma exposição sobre o maior cartão postal catarinense, a Ponte Hercílio Luz.
Segundo Joel, esta exposição tem por finalidade, realçar este importante marco tecnológico da Engenharia em Santa Catarina e homenagear os profissionais e operários, que estão se dedicando em recuperar e preservar este importante patrimônio histórico catarinense.
Seu intuito também é a divulgação do patrimônio cultural e arquitetônico da cidade de Florianópolis, colaborando na construção da sua história, através da educação patrimonial.
Monumento de elevado valor histórico e paisagístico, a Ponte Hercílio Luz é o símbolo mais popular da Capital, um marco decisivo para o desenvolvimento de Florianópolis, pois diminuiu o seu isolamento do restante do território catarinense, já que até então, o acesso à Ilha de Santa Catarina era feito apenas por embarcações.
Originalmente foi projetada para sustentar a pista de rolamento, uma via férrea, uma passarela de pedestres e a adutora de abastecimento de água de Florianópolis.
Projetada pelo engenheiro David Barnard Steinman e construída pela firma norte-americana Buington & Sundstrom, a obra começou com os trabalhos de sondagem em 1922, mas só foi inaugurada em 13 de maio de 1926.
O nome da ponte foi uma homenagem prestada a Hercílio Luz, que se esforçou para autorizar o Estado em 1919 a contrair um empréstimo no valor de 5 milhões de dólares, financiado por diversos bancos norte-americanos.
Tem 821 metros de extensão e 339 metros de vão central. As torres metálicas medem 74 metros de altura. Para a época em que foi construída, apresentava várias inovações que a colocaram como obra pioneira e da maior expressão no campo da engenharia, tanto no Brasil quanto no exterior. O piso original de madeira foi substituído por asfalto em 1960.
Pode-se admirar melhor a Ponte no mirante e praça ao seu lado, onde se destaca a estátua do governador do Estado de Santa Catarina - engenheiro civil Hercílio Pedro da Luz, falecido em 20 de outubro de 1924, antes da inauguração efetiva da Ponte.

A exposição é composta por 40 fotografias (20 horizontais e 20 verticais) coloridas com tamanho 30x45 cm montadas sobre paspatur de placa “PS” de 45x60 cm e complementada por um banner de 90x120 cm de apresentação, contendo informações históricas sobre a Ponte Hercílio Luz.


SOBRE O FOTÓGRAFO


Joel Pacheco nasceu em Florianópolis - Santa Catarina - Brasil, é arquiteto, fotógrafo e programador visual; pesquisador de tema como paisagem, etnografia e cultura popular.
É autor dos Livro “Florianópolis a 10ª Ilha dos Açores - o encontro das origens” e “A Canoa Baleeira dos Açores e da Ilha de Santa Catarina”.
Editou várias exposições fotográficas; publicou diversas imagens vinculadas ao Patrimônio Cultural em Florianópolis e Açores em livros, jornais, cartões postais e telefônicos:
Florianópolis Memória Urbana, Agenda 21 Florianópolis, Atlas do Município de Florianópolis, Transporte Coletivo em Florianópolis, Fortes da Cidade, Circuito Cultural de Florianópolis, Patrimônio Histórico de Florianópolis, Fortalezas de Florianópolis, Açores-Portugal, Corpus Christi - Florianópolis, Janelas de Florianópolis, Florianópolis Antiga, Arte Rupestre - Florianópolis, Jornal Lusitana - Canadá, Revista Digital Seixo Review Artes & Letras - Canadá.

contatos
Arq/fot. Joel Pacheco arquitetojpacheco@gmail.com
Fones 48-33644143 - 9971-4143
BLOG http://arquitetojoelpacheco.blogspot.com/

ELISA ZATTERA EXPÕE EM BALNEÁRIO CAMBORIÚ


Cores e formas intensas
marcam esta exposição


A ousadia dos formatos e
das cores fortes da exposição
“Arte à Flor da Pele” poderá
ser conferida a partir da próxima
segunda-feira (10), na
Galeria de Arte de Balneário
Camboriú. A abertura foi realizada
na noite de ontem (7),
com a apresentação do Quarteto
de Cordas de Balneário
Camboriú.
O conjunto de esculturas faz
parte de uma fase na carreira
em que a artista plástica Elisa
Zattera, de Caxias de Sul, procura
expressar o movimento
constante da vida. “Independente
da fase, represento o sentimento, que para mim é o que nos move. Este movimento sinuoso é geralmente
intenso, por isso uso cores fortes, para representá-lo.
Por outro lado, procuro não perder a suavidade, e por que
não dizer, a sensualidade”,disse a autora..
As características do feminino estão bem representadas nas obras de Elisa, segundo a própria artista, através das formas, vezes intensas, vezes doces e suaves.Elisa iniciou nas artes lecionando em escolas por oito anos. Depois disso foi em busca de aperfeiçoamento e da experimentação de novas técnicas. Começou trabalhando com painéis, sempre com materiais alternativos,como ferro e madeira. “Os recortes começaram a aparecer e quando percebi estava fazendo escultura planas. Daí foi um pulo para fazer esculturas
tridimensionais”, pontuou Elisa.
“Arte a Flor da Pele” segue
disponível para visitação até
28 de maio. A Galeria de Arte na Rua 2412, nº 111.

sábado, 24 de abril de 2010

Pinheiro Neto (poetapinheironeto@gmail.com)


O QUE É LEITURA (3) – Ler é uma experiência linguística, um processo de comunicação de idéias, através dos símbolos escritos que, por sua vez, substituem os símbolos orais: as palavras.
As palavras não têm significação por si mesmas. Valem pelo que representam, numa referência permanente às coisas exteriores e aos fenômenos do nosso mundo interior, portadoras dos significados convencionalmente aceitos.
“A linguagem é criação humana, assim como o são outras criações culturais, tais como indumentária, direito, organização familiar, caça, pesca, etc., conforme afirma Câmara Jr. O sentido que lhe emprestamos depende de nossa experiência prévia, de um substrato cultural adquirido no intercâmbio com os demais membros de nosso contexto social.
Quando dizemos casa, jogo, liberdade, vida, bela, isto, aquilo, aceitamos algo puramente representativo, mero “conjunto de convenções necessárias, adotadas pelo corpo social, a fim de permitir o exercício da linguagem, por parte do indivíduo”, ainda conforme Câmara Jr.
Sem o “substratum” lingüístico, não há leitura, porque os símbolos impressos nada significariam para o leitor.
Palavras são símbolos e não têm significação por si mesmas. O sentido que o leitor lhes empresta depende de sua experiência de vida. A iniciação da leitura, as palavras dos textos devem provir do próprio vocabulário infantil. Como verdadeiros estímulos que são, essas palavras evocam imagens de experiências anteriores.
O gosto pela leitura deve ser desenvolvido na infância. A criança que tem contato com livros, que em casa vê seu pai e/ou sua mãe lendo com freqüência, tem noventa por cento de chances de ser uma amante da leitura quando crescer. Assim sendo, a partir do próximo número passaremos a enfocar um pouco mais a relação criança/leitura.

A PALAVRA CRÔNICA
Este ano completam-se 40 anos da edição do livro Singradura, a primeira das tantas obras de Flávio José Cardozo, jornalista e escritor catarinense. São 20 contos que se unificam na temática homem-mar e no cotidiano da gente simples desta ilha de Santa Catarina. Figuras como o músico Mané Flor, Marinês, Marcelina e Marília, que protagoniza o conto que dá nome ao livro, passeiam pelas páginas e nos oferecem o drama e a alegria de viver aqui. Mas, ao mesmo tempo são histórias tão universais que poderiam acontecer em qualquer lugar do mundo.
A pena certeira de Flávio ao narrar estas vidas catarinas tem simplicidade e profundidade em equilíbrio. E nesse olhar sobre o dia-a-dia das gentes, concretizado em contos e crônicas, se revela o olho do jornalista. Aquele que vê a vida em movimento e que percebe a história humana em cada fato aparentemente comum da vida que escorre pelos dias.

O Sindicato dos Jornalistas, no projeto Círculo da Palavra, no próximo dia 28, às 19 horas, no Plenarinho da Assembléia Legislativa, presta uma homenagem a esse importante cronista catarinense e ao mesmo tempo busca um diálogo com estudantes e jornalistas, na discussão da crônica, gênero literário, mas também jornalístico, que tão bem Flávio usa para narrar a vida.
Flávio José Cardozo nasceu dentro do círculo do carvão, na pequena Lauro Müller, em 1938. Cursou Jornalismo na PUC/RS. Durante vários anos ocupou o espaço da crônica no jornal Diário Catarinense. Em 1965 venceu o Concurso Universitário de Contos em Porto Alegre; em 1967 o Concurso Nacional de Contos em Florianópolis; em 1968 o I Concurso Nacional de Contos em Curitiba; e em 1977 o Concurso Remington de Literatura no Rio. Seu primeiro livro de contos publicado foi "Singradura" (1970). Em 1978 lançou "Zélica e Outros". Ambos são ambientados na ilha de Santa Catarina, num tempo "mais ingênuo", em que a ilha ainda não era um pólo turístico agitado. O autor retrato com profundidade a condição humana e suas paixões mais elementares. Seus outros livros publicados são "Água do pote" (1982 - crônicas), "Sobre sete viventes" (1985 - crônicas), "Longínquas baleias" (1986 – contos), "Beco da lamparina" (1985 – crônicas), "Sofá na rua" (1988 – crônicas), "Tiroteio depois do filme" (1989 – crônicas) e "Senhora do meu desterro" (1991 – crônicas). Publicou também um romance, “Guatá”, que abre-se para o mundo mineiro, de onde saiu. Flávio José Cardozo é membro da Academia Catarinense de Letras.

PARA LEMBRAR – O acento diferencial continua valendo: a) no verbo PÔR, para diferenciar da preposição POR. Exemplo: Maria vai PÔR um fim no namoro; b) no verbo PÔDE (passado), para diferenciar de PODE (presente). Exemplo: Kaká PÔDE jogar ontem.

CLÁUDIO MANOEL DA COSTA– (1729-1789) Nasceu em Mariana, Minas Gerais. Tomou o nome arcádico de Glauceste Satúrnio. Obra poética: Minúsculo Métrico, 1751; Epicédio e Labirinto de Amor; Números Harmônicos e Culto Métrico, 1753; Obras, 1768; Vila Rica, 1813. Suas Obras foram reeditadas por João Ribeiro em 1903.

PONTO DO POETA

As curvas da Enseada
desdobram teu todo
em curvas dos olhos,
da Ilha, dos medos.

As curvas do tempo
encontram nas alvas,
no mistério do ventre,
escorpiões sem garras.

As curvas da Enseada,
vistas por sobre o sonho
te desnudam, te orvalham,
te fazem Senhora minha
nesta Desterro alcova.

(Enseada, pg. 29, Minha Senhora do Desterro)

quarta-feira, 24 de março de 2010

CONFRARIA DA LEITURA-pn
Pinheiro Neto (poetapinheironeto@gmail.com)



O QUE É LEITURA (2) – Continuando a reflexão sobre leitura, iniciada na edição passada, vejamos cada um dos quatro distintos passos didáticos para seu entendimento: a) Percepção e Compreensão = São as duas fases intimamente ligadas para que se perceba cada palavra à nossa frente. Quando vemos escrito bola, sabemos que é bola e não barco ou banco. Temos uma resposta ao estímulo visual, à configuração do sinal impresso, e, ao mesmo tempo a interpretação do que significa. Se lemos num jornal: “Choveu forte a noite toda”, nossa experiência anterior surge simultaneamente, num sincronismo absoluto com a percepção dos símbolos escritos e entendemos tudo o que a mensagem quer dizer. b) Reação = Quem lê, associa as próprias experiências – suas ou de outrém – às da página impressa. Compara-as julga-as, rejeitando-as ou integrando-as ao seu comportamento. Reagimos ao que lemos aprovando ou não os juízos, os pontos de vista, as conclusões do autor que é lido naquele momento. c) Integração de Idéias = Nossa reação é a medida do que vamos aproveitar daquilo que lemos, das experiências vividas pelas personagens que vão se transformar em nossas experiências. Integrando-as teremos um conhecimento mais aprofundado sobre determinado tema, podendo ou não modificar nossa maneira de sentir ou agir. Com a leitura de livros científicos e técnicos o homem conseguirá aperfeiçoar suas técnicas. Com a leitura de obras literárias o homem alcançará o prazer estético, as emoções, o entusiasmo por aquilo que é belo e nobre.

A PALAVRA EM CANTARES – É o novo livro do escritor catarinense José Curi, nascido em Rio dos Cedros aos 15 de agosto de 1931. Professor da UFSC (Filologia Românica) aposentado, é formado em Letras Neolatinas e Filosofia, Doutor em Letras e Livre Docente em Lingüística. É membro da Academia Catarinense de Letras, da Academia de Filosofia de Santa Catarina e do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina. Escreveu vários livros nas áreas da pesquisa histórico-linguística, didática e literária.
Numa co-edição entre a Academia Catarinense de Letras e a Editora Garapuvu, o livro de poemas de José Curi “pretende ter nascido da alma, da liberdade, da honestidade, da fé em sendo a palavra princípio de toda ação, esquentando e fomentando idéias e pensamentos em cantares que amam, criticam, cantam, divertem e rezam”. Parabéns, meu mestre e colega de Academia!

BATUQUE BEM TEMPERADO – Livro de crônicas dos escritores Flávio José Cardozo e Jair Francisco Hamms, co-edição da Academia Catarinense de Letras e da Editora Insular foi lançado no final do ano passado. Cada um participa com vinte crônicas.
Para Mário Pereira, na primeira orelha, os textos do livro são de “impecável talhe que fluem como água límpida de um regato a correr sobre leito de seixos. Eles nos proporcionam momentos de refrigério e de encantamento.”
E ainda: “ Deste dueto de virtuoses, emerge a crônica com saborosos temperos e perfumes da terra amada. Quem entrar neste batuque em tão boa companhia dele sairá gratificado e de alma lavada, pois terá convivido com dois escritores de proa que se inserem na melhor tradição da crônica brasileira.”
Com extensa produção literária, Flávio e Jair são membros da Academia Catarinense de Letras, residem em Florianópolis e publicaram crônicas em diversos jornais do Estado.

PARA LEMBRAR – O trema foi extinto. A única exceção é para nomes estrangeiros e seus derivados, como por exemplo: Müller, mülleriano; Hübner, hübneriano.

BLUMENAU – Paulo Roberto Bornhofen é o novo presidente da Associação de Escritores de Blumenau. Desejamos pleno sucesso à frente da entidade. Aliás, Paulo lançou recentemente o livro Epicentro de uma tragédia, relatos e dramas de policiais militares que estiveram no centro da catástrofe que atingiu Santa Catarina em novembro de 2008. O livro foi lançado em e-book e pode ser acessado pelo site: http://www.blumenau.sc.gov.br

GREGÓRIO DE MATOS GUERRA – (1633-1696) Nasceu na Bahia. Suas obras, editadas por Afrânio Peixoto de 1923 a 1933, compreendem poesias sacra, lírica, satírica, erótica e “graciosa”. Até 1963 quando Manuel Bandeira editou “Poesia do Brasil”, as peças pornográficas de Gregório de Matos, como é mais conhecido, ainda não tinham sido editadas.



PONTO DO POETA

Meu verso
perde a força
a cada dia.

Meu corpo
cansado
volta à posição fetal.

Meu grito
inaudível
perde-se
no corredor branco
deste imenso manicômio.

(Ensaio 4, pg. 67, Minha Senhora do Desterro)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

CONFRARIA DA LEITURA-pn
Pinheiro Neto (poetapinheironeto@gmail.com)



RESTAURANTE MARIA & MARIA (a história)


Em 1974, Maria Benta Vieira, natural da Costa da Lagoa e casada com Raimundo Bernardo Vieira, pescador e barrense, montava sobre as areias do aterro do Canal da Barra da Lagoa, aqui, neste mesmo local, uma pequena barraca de madeira para vender peixe frito, camarão ao bafo, frito e ao alho e óleo, acompanhados de uma cervejinha bem gelada ou uma cachacinha da boa.

Duas mesinhas e bancos de madeira reaproveitada, fixos no chão de areia fina e branca. Um fogão de duas bocas, uma geladeira com bastante tempo de uso e “quatro garrafas vazias” permitiram durante um bom tempo que dona Maria pudesse complementar a renda familiar conseguida pelo marido com a pesca.

Dez anos depois dona Maria conseguia abrir seu pequeno restaurante. Trabalharam com ela, durante muito tempo, duas das três filhas que também levam como suporte intermediário do nome MARIA, herança das duas avós – a materna, da Costa da Lagoa (viva até esta data), e a paterna, barrense, já falecida.

O toque simples, a mão firme e o tempero único sempre foi o atrativo para todos aqueles que procuravam uma comidinha caseira, bem feita e com sabor.

Cansados do tempero sofisticado dos restaurantes maiores, passaram pelo restaurante da dona Maria muitas pessoas da ilha, do estado, de vários estados brasileiros e de muitos países. Mesmo depois do fechamento, em 1996, vários deles continuaram a procurar por ela até em sua casa, lamentando o fato e na tentativa de serem convidados para “fazer uma boquinha”. Alguns até conseguiram.

Lembro bem, freqüentador assíduo que era, de ter compartilhado o mesmo espaço por inúmeras vezes com o Maurício Amorim, o Aldírio Simões e o Irê, todos nos deliciando com o pirãozinho de caldo, o peixe frito e o camarão pescados ali mesmo, no “rio da Barra”.

Lembro que o ator global Tony Ferreira, de inúmeros filmes, como “Noite em Chamas”, cá na terrinha nascido, não perdia uma. Sempre que vinha a Floripa dava um jeito de chegar até à Barra da Lagoa, ao restaurante da dona Maria para matar a saudade da comidinha caseira, principalmente do pirão d’água com peixe frito “da hora”.

Oito anos depois, no mesmo espaço ainda pertencente à dona Maria, reabre um restaurante com as mesmas características daquela época. Um espaço agora sob a responsabilidade de um dos seus filhos, o Nisso, que procura manter viva a tradição familiar.

E a dona Maria? Ainda pode ser encontrada na cozinha trabalhando com a mesma vontade e dedicação, agora auxiliada por outras nativas da Barra da Lagoa. (Pinheiro Neto-verão/2004)

O QUE É LEITURA? – Mais uma vez iniciam-se as aulas nos quatro cantos do Brasil. Como esta coluna é direcionada a leitores, assim como todo o jornal, vamos trazer uma reflexão sobre a questão que nos afeta a todos, principalmente aos estudantes.
Muitos pesquisadores procuraram e ainda procuram analisar o que seja leitura. Para uns, ler é extrais sentido de um texto impresso, enquanto para outros é enquadrar a própria experiência ao simbolismo das palavras, sinais, idéias, etc.
Ler é tudo isso e muito mais, é um processo complexo devido aos diferentes aspectos que apresenta. Didaticamente podemos distinguir quatro passos distintos para sua operacionalização: percepção das palavras, compreensão, reação e integração. No próximo número estaremos detalhando cada uma delas.

PONTO DO POETA

E sou
O teu corpo
Já que és
O meu.

A cama
- às pressas arrumada -
Nos espreita:
Medos
Perguntas
Vontades...

Por que
Não viver
(in)sana/mente
Se estamos
Juntos
Aqui, agora?

(Questionamento I, pg. 44, Ciclo dos Olhos)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

CONFRARIA DA LEITURA-pn
Pinheiro Neto (poetapinheironeto@gmail.com)


EL SOMBRERO DE TRES PICOS – Trata-se de uma novela humorística de enredo muito divertido, escrita em 1874 pelo poeta, jornalista, crítico e, antes de tudo, autor de romances e contos, o espanhol Pedro Antonio Alarcón, natural da romântica cidade de Granada.
Traduzida para inúmeras línguas, “O chapéu de três bicos” a obra foi musicada em 1919 por De Falla, com cenografia de Picasso, numa feliz adaptação para brilhar nos palcos. A narrativa de Alarcón é considerada um clássico da literatura picaresca, que dá continuidade à tradição da arte novelística de Cervantes.
Em síntese, “O chapéu de três bicos” conta a história de Lucas, o moleiro que adora sua bela mulher Frasquita. Ele não ignora que ela é o magneto que atrai para sua casa as personalidades notáveis da cidade – entre elas o Corregedor de Justiça, Don Eugênio, homem vaidoso e conquistador. Don Eugênio imagina uma intriga para atrair Frasquita, mas sua armadilha é descoberta e ele, além de não conseguir seduzir a bela moleira, ainda passa pelo constrangimento de ver seu estratagema revelado.
Com tradução de A. Rolmes Barbosa, introdução de Otto Maria Carpeux e ilustrações de Manuel de Macedo, a leitura de “O chapéu de três bicos” desse excelente escritor espanhol proporcionou-me além do prazer estético uma viagem à época do rei Carlos IV, último rei da Espanha antiga, mecenas de Goya que criou para ele as tapeçarias do Escorial; da velha Espanha antes da invasão francesa que a europeizará, do país separado do mundo pelos Pirineus e pela tradição antiga; e numa província remota, ingênua, onde tudo foi possível como num conto de fadas.
Obrigado, Michelle, pelo ótimo presente.

CLAUDIR SILVEIRA – No dia 07 deste mês deixou o convívio literário o escritor e historiador Claudir Silveira. Nascido no vizinho município de Palhoça estudou a história e a gente de seu município, publicando inúmeros trabalhos e abrigando o maior acervo sobre a colonização, habitação, fundação e emancipação daquela cidade.
Dele li e guardo com carinho “Balaio de caranguejo”.
Por certo Claudir já está integrando a Academia dos Artistas do Universo para onde vão todos os intelectuais, artistas, literatos e muitos outros que deixam de produzir suas obras de arte neste nosso mundo.

BLEFO E BAMBURRO – Recebi, li e gostei. Trata-se de um romance que narra a história de seres humanos vivendo no complexo, estranho e desumano mundo do garimpo, escrito por Álvaro Castro, escritor, jornalista, presidente da Academia de Letras de Itajaí e editor da revista “Sopa de siri”.
Valho-me das palavras de Nair Therezinha da Silva que escreve na segunda orelha do livro: “Ficção e realidade misturam-se, instaurando todo um universo onde o autor transita livremente, só ele sabendo quem é quem. Ao final da leitura fica a vontade de conhecer o garimpo e a cultura toda que ele traz subjacente.
Outra sensação que a narrativa provoca é a consciência de que existem dois brasis: um conhecido, aceito e criticado; outro, velado, misterioso, esperando ser revelado.
O Brasil misterioso manifesta-se com outros valores, mas mesmo assim não deixa de mostrar o avesso do estado endêmico a que estamos acostumados”.

DELMINDA SILVEIRA – Em meados do ano passado a Academia Catarinense de Letras, através de sua Coleção ACL publicou “Obra Completa” da poetisa catarinense Delminda Silveira. São 592 páginas onde desfilam poemas cuja característica mais constante, segundo Lauro Junkes, “é a tonalidade melancólica, triste, desiludida, própria da corrente romântica do ‘mal do século’, embora Delminda supere qualquer atitude derrotista e de desespero, pela sua fé religiosa.”
Nascida na Prainha, em 1854, viveu toda sua vida em Florianópolis, onde morreu em 1932, aos 72 anos. No ensaio publicado às páginas 593 a 609 e intitulado “Delminda Silveira - uma poética da intimidade recolhida”, o escritor Lauro Junkes, Presidente da Academia Catarinense de Letras esclarece que “apesar de desiludir-se amargamente com a vida social, tornar-se arredia à mesma e enclausurar-se no seu universo intimista místico-melancólico, Delminda assumiu com rara audácia, para a época, a condição de mulher-escritora, capacitada para atividades intelectuais, embora não transpareça de sua sóbria e delicada postura nenhuma intenção de desafiar os preconceitos machistas reinantes em seu tempo. Felizmente soube ela superar estreitezas preconceituosas para dar vazão ao seu rico mundo interior, permitindo que a criação poética brotada de seu sentimento povoasse o mundo de mais ternura.”

PONTO DO POETA



Meu jogo não é do riso
Do tabuleiro ou das cartas.
Meu jogo é da emoção
Que rompe a imagem(in-ação)
Ultrapassa fronteiras
Sacia vontades.

É imprevisto
Choro, verdade.

Meu jogo é vento
Soprando o corte
Marcando o ventre
Parindo a dor.

( Jogo 10, Pinheiro Neto, pág. 67 - A rosa do verso)

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

CONFRARIA DA LEITURA-pn
Pinheiro Neto (poetapinheironeto@gmail.com)

NATAL 2009-pn

Natal é tempo de festa
De amor e confraternização
Tempo de demonstrar ternura
De viver em completa união.

Natal é tempo de doces
De presentes e lembranças
É tempo dar brinquedos
Mas de augurar esperanças.

Natal é tempo de compras
De gastos e endividamento
Época de severo egoísmo
Esquecer alheio sofrimento.

Natal tempo de montar presépios
Erguer árvores de luzes coloridas
Esquecendo que na manjedoura
Alguém zelará por nossas vidas.

Mas para que serve o Natal?
Que respostas podemos dar?
Qual o sentido para os humanos?
Que reflexões pode ainda suscitar?

Natal tem que servir para lembrar
Que muitos não tem o que comer
Que muitos não tem onde morar
Que muitos não param de sofrer.


JOEL PACHECO – No último dia 15, na Livraria Catarinense do Beiramar Shopping, foi lançado o livro “A canoa baleeira dos Açores e da Ilha de Santa Catarina”, onde Joel mais uma vez nos brinda com sua perspicácia de observador do cotidiano. Mestre na ciência da fotografia, artista sensível (além de centro avante goleador do Pesadema) Joel Pacheco aprofunda sua pesquisa sobre as semelhanças entre as coisas e as pessoas dos Açores e da nossa Ilha da Magia, desta feita explorando a questão da “canoa baleeira”. Parabéns, amigo.


SOPA DE SIRI – Quem não experimentou ainda uma boa sopa de siri? É um prato delicioso quando bem preparado. Exige cuidado, esmero, tempero suave e, de preferência sirias ovadas. Eu mesmo preparo muito bem essa iguaria. Mas não é sobre essa sopa que quero falar hoje, mesmo porque esta coluna não é de culinária. Quero falar sobre a revista editada pelo meu amigo Álvaro Castro, que também é presidente da Academia de Letras de Itajaí. Leve, dinâmica, colorida e com edição mensal, a revista apresenta assuntos variados ligados às áreas da cultura, do turismo e do humor. E pasmem, sempre com informações atualizadas a revista dedica páginas à poesia e à literatura. Parabéns ao Álvaro e a sua equipe pelo trabalho que vem desenvolvendo. Contatos com sopadesiri@uol.com.br ou site www.sopadesiri.com.br

BARCA DOS LIVROS – Um lembrete a todos os escritores, leitores, empresários, governantes, simpatizantes, amantes da literatura: “NÃO ESQUEÇAM DA BARCA”; ela não pode continuar à deriva. Trata-se de um projeto magnífico que não pode ir à pique. É NATAL! DÊ UM PRESENTE À BARCA DOS LIVROS (FAÇA UMA DOAÇÃO EM DINHEIRO, POR MENOR QUE SEJA. A BARCA ESTÁ PRECISANDO DE TODOS)!!! Para contato: www.amantesdaleitura.org ou e-mail biblioteca@amantesdaleitura.org

BALNEÁRIO CAMBORIÚ – Numa promoção da Fundação Cultural de Balneário Camboriú e da Academia de Letras daquele município, estive no dia 4 último participando de uma noite de autógrafos de meu livro de contos “Histórias de (a)mar e outras”. Na mesma noite foi aberta a exposição “Fragmentos”, do artista plástico Walmir Binhotti. Dentre as várias presenças destaque-se a Presidente da Academia de Letras de Balneário Camboriú, Marah Guedes, do Presidente da Academia de Letras de Itajaí, Álvaro Castro.

BULHA D’ARROIO – A Academia Catarinense de Letras e a Editora Movimento acabam de lançar a edição comemorativa dos 70 anos do livro de contos do escritor catarinense Tito Carvalho intitulado “Bulha d’arroio (paginas serrano-catarinenses”. Nesse livro o autor “realizou a sua primeira tentativa de trabalhar literariamente o material linguístico da região serrana. Naquelas páginas, de um realismo às vezes chocante, mostrou os seus dons de artista e um talento singularmente dotado para um gênero que, infelizmente, tem atraído poucos cultores, aqui como em outros estados, pela dificuldade que oferece.” (Nereu Correa, 1979)

PRÊMIOS DA ACADEMIA – A Academia Catarinense de Letras entregou no último dia 3 os prêmios e diplomas às personalidades que se destacaram nas diversas áreas culturais durante o período agosto/2008 a julho/2009. Foram homenageados: na categoria CONTO, este colunista com o livro “Histórias de (a)mar e outras”; em POESIA, Semy Braga, com o livro “Mandrágora”; em ROMANCE, Harry Wiese, com “A sétima caverna”; em CRÔNICA, Mauro Júlio Amorim, com “Tanto de memória, tanto de história”; em ENSAIO, Valter Manoel Gomes, com “Pesquisa de historiador”; em HISTÓRIA, Saulo Adami e Tina Rosa, com “Histórias e lendas da cidade de Schneeburg”. Foram entregues na ocasião o diploma de DESTAQUE CULTURAL para o Caderno do Programa NA Escola, rede municipal, do jornal A Notícia de Joinville e o PRÊMIO OTHON GAMA D’EÇA ao escritor Hoyêdo de Gouvêa Lins, pelo conjunto de sua obra literária.